75 anos: Décadas velozes de crescimento e transformações em Campinas

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Duas décadas, dois marcos exponenciais na história de Campinas. Os anos 1950 e 1960 guardam em seus anais termos de expansão e de explosão urbanística e demográfica, de progresso sem limites, como nunca experimentados anteriormente. Um período de obras grandiosas para a acanhada ex-capital do café, de rasgos extensivos em suas estreitas vias centrais, a transfiguração positiva de uma urbe, agora berço a embalar uma metrópole gigantesca em breve futuro. Uma cidade com seu tecido social consolidado e resguardado pelo trabalho e o convívio de grandes empresários, negociantes, pequenos comerciantes, que a tornaram agradável e próspera.

Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Contudo, com o registro de duas perdas inestimáveis para seu acervo predial, perdas lamentadas pela imensa comunidade católica e pela população em geral: o desaparecimento de construções icônicas em sua malha urbana original: a consagrada Igreja do Rosário, na Avenida Francisco Glicério; a demolição do Teatro Municipal Carlos Gomes, entre as ruas Treze de Maio e Dr. Costa Aguiar, erigido em terreno ao fundo da Catedral Metropolitana.

A atividade cafeeira que constitui Campinas em uma espécie de capital econômica do País entra em colapso a partir de 1929, com a crise mundial produzida pela quebra da Bolsa de Nova York. Assim, a expansão da agroindústria algodoeira, reunindo capitais nacionais e estrangeiros, logo a seguir, permite a instalação de indústrias na cidade, e em 1950 estão presentes nos ramos mecânico, de materiais elétricos, químicos, de borracha e papelão.

Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas
Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas

Essa forte industrialização, associada ao lastro de riquezas deixado pelo rico período cafeeiro, torna Campinas um pólo extremamente atrativo à sedimentação de novas indústrias, de comércio variado e de serviços, amparados por um promissor entroncamento rodoferroviário, que aos poucos adensam sua demografia e tornam necessárias intervenções do poder público na construção de obras como o alargamento das ruas Campos Sales e Francisco Glicério.

O Viaduto Miguel Vicente Cury é uma das maiores obras viárias de Campinas

Na transição dos anos 1950 e 1960, já com intensa movimentação de automóveis particulares, de bondes e com o acréscimo de ônibus do transporte coletivo em bases contemporâneas para a época, Campinas se vê ante o dilema de demolir ou reter o crescimento. Desse dilema surge uma de suas maiores obras viárias: o Viaduto Miguel Vicente Cury, em forma circular, ligando o acesso pela Via Anhanguera e bairros da região Oeste ao Centro.

Nesse meio termo, desaparece em 1956 a Igreja do Rosário, construída em 1817, e que por muitos anos, no período imperial, fora a Matriz da cidade – enquanto a Velha Matriz, a histórica Igreja do Carmo, deteriorava e requeria reformas, e a Catedral Metropolitana, consagrada a Nossa Senhora da Conceição, ainda era erigida. Demolida para alargar as avenidas do progresso e reconstruída em seus moldes originais no bairro do Castelo.

Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Em conjunto com a construção do Viaduto Cury, Campinas ganha o Aeroporto de Viracopos, inaugurado em 19 de junho de 1960 com pista de 3.240m x 45m, construída para receber com segurança os modernos e suntuosos quadrimotores a jato de primeira geração: Dado interessante é que na mesma data Viracopos foi elevado à categoria de Aeroporto Internacional, por meio da Portaria Ministerial n.º 756, e homologado para aeronaves a jato puro.

O fim do Teatro Municipal Carlos Gomes

Mas é em 1965 que a cidade perde o Teatro Municipal Carlos Gomes, construído em 1930, um dos maiores do interior do País, com capacidade para 1.300 lugares. O prédio, em estilo eclético, supostamente sofrera abalos em sua estrutura e é demolido, deixando lacunas e incertezas na vida cultural da cidade por anos. Três anos depois, os bondes são retirados de circulação. Em contrapartida, o governo Estadual inaugura a Unicamp a partir de 1966.

É nesse contexto socioeconômico e cultural que Campinas abandona de vez suas feições coloniaisimperiais e veste sua indumentária moderna, uma cidade que pulsa e atrai seus primeiros fluxos migratórios, saltando de 70 a 80 mil habitantes para perto de 200 mil, do final dos anos 1960 para a década seguinte. Um crescimento demográfico inédito que irá a saltos mais velozes rumo à casa do um milhão de habitantes nas décadas subseqüentes. Nesse contexto, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) ganha impulso e alicerça de maneira sólida seu marcante futuro!

Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).