75 ANOS: História da PUC-CAMPINAS – anos 1960

Por Wagner Geribello

Extremos…

Talvez seja essa a palavra mais adequada para definir a década de 1960.

Internacionalmente, o período é marcado pela busca de ideais libertários e positivos, como a eliminação definitiva de qualquer forma de legislação racista, a valorização igualitária de gênero e a exaltação unilateral da paz. No extremo oposto, ocorrências como a polarização política e o começo de uma década de guerra e horror no Vietnã começam a cobrar um preço alto à toda sociedade.

Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

Ao mesmo tempo e por consequência, perspectivas de estabilização democrática, almejada e esperada no início da década, evaporam na efervescência do radicalismo, trazendo, entre outros males, tortura, terrorismo e censura ao cotidiano nacional.

 Nesse período, a história da Universidade também conhece extremos, que vão da euforia de importantes conquistas, a perdas lamentáveis e momentos de insegurança.

Em 1962 é criado o Colégio de Aplicação Pio XII, para atender demandas da, então, nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que incorpora, paradoxalmente, propostas liberais e conservadoras, em parte descortinando horizontes positivos para a Universidade e, em outra, cerceando os espaços do livre desenvolvimento da atividade acadêmica.

Ativa e participativa, a juventude do período é inquieta, questionadora e muito curiosa, ensejando a prática do debate cultural, político, social, filosófico e científico no ambiente acadêmico.

Nessa época, multiplicam-se as ofertas de formação superior. Entre 1964 e 1966 são implantados os Cursos de Psicologia, Música e Ciências Administrativas, ao mesmo tempo em que são aprovados os Cursos de Biologia e Educação Física, bem como aqueles que formarão a espinha dorsal da área de Comunicação Social, atualmente integrada ao Centro de Linguagem e Comunicação.

Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

 

Mas foi, também, nos anos 1960 que a Universidade perdeu seu primeiro reitor, com a morte de Monsenhor Salim, em 1968. Dois anos depois morreu Dom Paulo de Tarso Campos, ampliando a perda de pessoas chaves na história da Universidade em uma única década.

O modo mais indicado de reverenciar a perda dos seus fundadores foi a incorporação do espírito combativo e empreendedor daquelas pessoas, que dinamiza e consolida a Instituição.

A Universidade chega ao final dos anos 1960 com volume de alunos e multiplicidade de Cursos que já não são suportados pelas instalações físicas e estrutura administrativa e funcional existentes, de modo que a década, ao seu término, se faz incubadora das mudanças e do crescimento que teriam lugar nos anos 1970.

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Wagner Geribello é Doutor em Educação e Consultor do Jornal da PUC-Campinas