A Educação Católica é a busca da verdade

Por Amanda Cotrim

Pela primeira vez na PUC-Campinas, o Prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Zenon Grocholewski, ministrou a palestra “A identidade da Universidade Católica à luz da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae”. Em entrevista ao Jornal da Universidade, o Cardeal falou sobre fé e ciência na constituição do ensino católico e a necessidade de um diálogo permanente entre fé e razão. “O significado da investigação científica e da tecnologia, da convivência social, da cultura, está, profundamente, em causa com o próprio significado do homem”, ressaltou. Confira a entrevista abaixo

Qual é a importância do Colóquio que a PUC-Campinas promoveu sobre a educação católica?

Eu fui muito bem acolhido pela PUC-Campinas e fiquei muito satisfeito com a iniciativa. Senti-me honrado de estar aqui na Universidade compartilhando estes dias de Colóquio sobre um documento tão importante para a missão evangelizadora da Igreja, por meio das universidades católicas. Agradeço o Grão-Chanceler, a Magnífica Reitora e todas as autoridades desta Pontifícia Universidade Católica de Campinas pelo seu convite. Deus as bendiga.

Penso que é muito importante falarmos sobre o ensino católico, pois um dos modelos mais fortes das universidades católicas é unir ciência e religião, seguindo a Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae do Sumo Pontífice, promulgada pelo Papa São João Paulo II, o qual diz que a vida universitária é a procura da verdade  e de sua transmissão abnegada aos jovens e a todos aqueles que aprendem a racionar com rigor, para agir e servir melhor a sociedade .

Prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Zenon Grocholewski/ Crédio Álvaro Jr.
Prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Zenon Grocholewski/ Crédio Álvaro Jr.

Como o senhor avalia a educação universitária católica no Brasil, o maior país católico do mundo? O senhor entende que os alunos das universidades católicas as procuram por alguma filiação com a religião ou por outras razões?

O Brasil é um dos países em que há mais universidades católicas e isso é muito bom. Aqui há um forte ensino universitário católico, o que mostra que estamos praticando o que diz o Papa Francisco: devemos servir as pessoas. As universidades católicas mediam o encontro entre a riqueza da mensagem do Evangelho e a pluralidade dos campos do saber, permitindo um diálogo com todos os homens de qualquer cultura. A Pontifícia Universidade Católica de Campinas está no caminho, promovendo a fecundidade da inteligência cristã no coração de cada cultura.

Como a Igreja Católica consegue difundir sua doutrina na educação católica do mundo, uma vez que cada país tem sua particularidade?

A universidade católica tem uma missão e vive por essa missão, que é evangelizar, segundo sua identidade, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demoras, sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, sem excluir ninguém. A universidade católica precisa manter os olhos permanentemente abertos, já que “fechar os olhos ante o próximo converte-nos também em cegos ante Deus”, como disse o Papa São João Paulo II. Por exemplo em Taiwan, na China, temos belas universidades católicas onde os católicas são 1% do País e na Universidade Católica tem 2% de estudantes católicos, que corresponde a três universidades católicas. É necessário que a universidade católica viva sua missão evangelizando, segundo sua identidade, em todos os lugares. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não pode excluir a ninguém. Na Coréia (do Norte) apenas 1% eram católicos, agora são 10%, algo como 5 milhões de pessoas e oito universidades católicas.

palestra “A identidade da Universidade Católica à luz da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae”. Crédito: Álvaro Jr.
palestra “A identidade da Universidade Católica à luz da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae”. Crédito: Álvaro Jr.

Todas as universidades católicas recebe a proteção da Santa Sé?

Normalmente, não é imediatamente que uma universidade católica nasce que a Santa Sé a reconhece. É preciso que a universidade demonstre um certo nível, um certo prestígio, um certo ensinamento, para que a Santa Sé coloque essa universidade sob sua própria proteção, como é o caso da Pontifícia Universidade Católica de Campinas e as outras seis Pontifícias no Brasil.

A campanha da Fraternidade 2015 tem como tema a Igreja e a Sociedade. Pensando nesse tema, qual é a importância da educação no desenvolvimento social?

Como nos ensinou o Papa São João Paulo II, o significado da investigação científica e da tecnologia, da convivência social, da cultura, está, profundamente, em causa com o próprio significado do homem. As universidades católicas, mediante a investigação e o ensino, ajudam-na a encontrar de maneira adequada aos tempos modernos os tesouros antigos e novos da cultura.

Numa universidade católica, a investigação compreende necessariamente: perseguir uma integração do conhecimento, o diálogo entre a fé e a razão, uma preocupação ética, e uma perspectiva teológica. A universidade católica deve empenhar-se mais especificamente no diálogo entre fé e razão, de modo a poder ver mais profundamente como fé e razão se encontram na única verdade. A preocupação das implicações éticas e morais, ínsitas tanto nos seus métodos como nas suas descobertas.