A praia: Filme narra perda de ingenuidade de jovem mochileiro

Por Cauê Nunes, Mestre em Divulgação Cultural e Científica pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, Graduado em Jornalismo pela PUC-Campinas, Docente da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas, Diretor, Editor e Roteirista de Cinema.

 

No filme “A Praia” (2000), de Danny Boyle, o ator Leonardo DiCaprio interpreta Richard, um jovem mochileiro em busca de aventuras na Tailândia. Durante o percurso, o rapaz descobre que a vida é mais complexa do que imagina.

Por meio de um conhecido, ele descobre um mapa de uma praia “secreta”, em que não há turistas, um paraíso quase intocado. Lá, viveria uma comunidade alternativa, uma espécie de sociedade hippie, que recusa o modo de vida do mundo contemporâneo.

Richard convence um casal de amigos e os três saem à procura da praia. Depois de muita dificuldade eles conseguem encontrar o local, mas a realidade é bem diferente do esperado. A comunidade existe e, no início, recebe bem os novos visitantes. De fato, parece ser uma comunidade hippie, vivendo de modo libertário, longe das opressões do mundo capitalista. Aos poucos, Richard percebe os problemas. Primeiro, quem quer sair da comunidade não consegue, já que o local é “secreto” e deve permanecer como tal. Segundo, ele descobre que o grupo sobrevive cuidando de uma plantação de maconha para traficantes locais. Na verdade, a comunidade, que seria isolada, está totalmente integrada à lógica econômica.

Uma das cenas marca muito bem o processo de perda do vislumbre do jovem pela comunidade. Um dos membros foi ferido por um tubarão e passa dias gritando de dor, criando um grande desconforto entre as demais pessoas. Eles decidem deixar o homem no meio da floresta para morrer longe e parar de incomodar. A tal “sociedade alternativa” reproduz o processo de exclusão social, assim como nas sociedades contemporâneas.

O diretor Danny Boyle, conhecido pelo filme “Trainspotting”, faz diversas mudanças de ritmo, dando à obra um aspecto desigual: ora se aproxima do filme de ação, ora opta por algo mais introspectivo e experimental, no entanto o filme toca em diversos assuntos importantes.

O que chama a atenção é a mudança do protagonista durante a viagem, já que no início é um jovem ingênuo em busca de aventuras superficiais e ao final é alguém que enxerga o mundo como ele é, em todas as suas contradições.