A Provedora

Isolethe Augusta de Sousa Aranha é personagem marcante para a PUC-Campinas

Por Amanda Cotrim

Era uma terça-feira do mês de maio, quando na reunião de pauta do Jornal da PUC-Campinas foi proposta uma matéria sobre Isolethe Augusta de Sousa Aranha, a única filha de Joaquim Policarpo Aranha, mais conhecido como Barão de Itapura, que, apesar de não ser campineiro – nasceu no Paraná -, morou na cidade durante a maior parte de sua vida, vindo a falecer em 1902. O prédio em que começaram os primeiros cursos da PUC-Campinas – e hoje está o Museu Universitário – foi o palacete em que morou a família do Barão. De uma residência de luxo, o prédio tornou-se uma Faculdade. E, nesse processo, Isolethe Aranha foi fundamental.

Barão era um título de nobreza dado a algumas pessoas quando o Brasil ainda era uma monarquia.

A história nos diz que o Barão de Itapura e sua esposa Libânia Aranha eram conhecidos por sua generosidade, proporcionando condições para que muitos jovens pobres pudessem estudar. Numa crônica publicada no dia 3 de setembro de 1999,  pela cronista do Jornal Correio Popular, Celia Siqueira Farjallat, ela relata que os Barões abrigavam em sua casa crianças pobres, órfãos, abandonados e viúvas desamparadas.

Essa prática de ser solidário aos mais pobres acompanhou Isolethe, última filha do casal de Barões. Chamada carinhosamente por Iaiá, ela nasceu em 1867 e faleceu em maio de 1957, vivendo acontecimentos marcantes da segunda metade do século 19 e da primeira metade do século 20, como o fim da escravidão no Brasil, além das duas guerras mundiais.

Isolethe é a última filha do casal de Barões/ Arquivo da família.
Isolethe é a última filha do casal de Barões/ Arquivo da família.

“Os que a conheceram de perto, evocam-na com saudade e respeito. Adotou numerosas crianças, dando-lhes carinho e amor. Era de talhe fino e esbelto. Tocava piano com maestria e chegou a organizar pequena orquestra feminina com piano, bandolim e violino”, registrou Célia Farjallat.

 Os filhos dos Barões: Joaquim Policarpo Aranha Junior, Manuel Carlos de Sousa Aranha Sobrinho, José de Sousa Aranha, Alberto Egídio de Sousa Aranha e Isolethe Augusta de Sousa Aranha.

Isolethe era muito religiosa e devota de Nossa Senhora Aparecida. Gostava de ler e de fazer doces. Era caseira. Não se casou. Mas foi mãe, pois educou numerosas crianças pobres e adotou, legalmente, três filhos: Antônio Galvão, José Carlos Fortuna Rosa e Maria Tereza Rosa Barreiro.

O mais velho deles é o dentista e professor doutor, aposentado pela Universidade de São Paulo Antônio Galvão Fortuna Rosa, que chegou a viver nas dependências do Casarão, em 1935. Hoje, com 81 anos, ele diz que se pudesse definir a dona Isolethe em uma palavra seria generosidade. Nessa generosidade, dona Isolethe envolvia até mesmo seu patrimônio para servir ao interesse social.

Em 1935, o prédio em que morou o Barão de Itapura foi alugado para a Arquidiocese de Campinas e a casa passou a ser habitada pelas Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Em 1941, o local abrigou a Faculdade de Ciências, Filosofia e Letras, o embrião da PUC-Campinas. Em 1952, o prédio foi transferido definitivamente para a Arquidiocese. Muitos cursos universitários foram ministrados no antigo Campus Central, sendo o último deles o curso de Direito que, no início de 2016, foi transferido para o Campus I da Universidade.

Atualmente, no prédio, está o Museu Universitário da PUC-Campinas, em que são realizadas atividades culturais como exposições e mostras de seu acervo. O casarão é a materialidade histórica do fim do Império, de composição clássica e com 227 cômodos imponentes, com suas janelas em semicírculos. Em 1988, o prédio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (CONDEPACC).

NOME DE RUA

Rua Isolethe Augsta de Sousa Aranha está localizada no centro de Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.
Rua Isolethe Augsta de Sousa Aranha está localizada no centro de Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.

A rua Isolethe Augusta Sousa Aranha,  no Centro de Campinas, é uma daquelas ruas bem típicas de interior. Uma travessa da Avenida Orosimbo Maia, que termina na Avenida Francisco Glicério.

O local já não guarda apenas casas antigas, mas uma arquitetura moderna, com casas e prédios novos. Ela é estreita e quase não tem movimento, preservando certa tranquilidade, mesmo tão próxima do centro comercial e de avenidas principais da cidade.

A homenagem à Isolethe Augusta de Sousa Aranha é quase imperceptível, mas ela existe. Está lá. Você pode passar por essa rua todos os dias e nunca ter sabido quem foi Isolethe. Quando você passar por lá, saiba que seu nome foi inspirado em uma das mulheres mais importantes para a história da PUC-Campinas, na primeira metade do Século 20.