A recuperação da economia em 2017 e 2018

Por Porf. Dr. Izaias de Carvalho Borges – Docente da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas

Uma questão crucial, hoje, tanto para tomadores de decisões econômicas quanto para os analistas de mercado se refere à recuperação da economia brasileira. O gráfico abaixo mostra que depois de cinco anos com crescimento positivo – um crescimento médio anual de 3,4% entre 2010 e 2014 – o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou, em 2015 e 2016, queda de 3,8 e 3,6%, respectivamente.

No momento, portanto, o que todos querem saber é o resultado do PIB em 2017 e em 2018. O governo e o mercado fazem previsões de crescimento baixo, mas positivo para 2017 e 2018. O Banco Central, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), publicado em junho, apresentou uma estimativa de crescimento de 0,5% do PIB em 2017, a mesma projeção do Ministério do Planejamento, publicada no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 3º bimestre. A previsão do mercado também é de crescimento positivo. De acordo com o relatório Focus de junho de 2017, economistas e instituições financeiras consultadas projetavam um crescimento do PIB de 0,41% em 2017 e de 2,0% em 2018.

As previsões de crescimento positivo em 2017 e em 2018 foram reforçadas após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar o PIB do segundo trimestre de 2017, que mostrou um crescimento de 0,2% na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior e de 0,3% em comparação com o segundo trimestre de 2016. Este foi o primeiro crescimento positivo depois de 12 trimestres!

O resultado do PIB do segundo trimestre de 2017, divulgado pelo IBGE, superou as expectativas do mercado, que, no final de julho, tinha previsto uma variação de 0,2% negativa no PIB do trimestre. O resultado positivo, portanto, alterou as expectativas do mercado e aumentou o otimismo quanto à recuperação da economia a partir do segundo semestre de 2017 e, principalmente, em 2018.

Entretanto, se olharmos com um pouco mais de atenção os dados divulgados pelo IBGE, veremos que, a despeito do resultado positivo no segundo trimestre de 2017, ainda pode ser muito cedo para otimismo em relação a uma recuperação sustentada do PIB brasileiro.

Duas coisas são preocupantes nos dados fornecidos pelo IBGE. A primeira é o desempenho da indústria. No segundo trimestre de 2017, o PIB industrial apresentou um crescimento negativo de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ou seja, a produção industrial no segundo trimestre de 2017 ficou 2,1% menor do que a produção no segundo trimestre de 2016. Os números mostram que o crescimento positivo do PIB no trimestre foi resultado de uma evolução excepcional do setor agropecuário, que cresceu 14,9% em relação ao mesmo período de 2016.

A segunda coisa preocupante é que, no segundo trimestre de 2017, a formação bruta de capital fixo (FBKF) apresentou um resultado de 6,5% negativo em relação ao mesmo período do ano anterior. A FBKF mede o quanto as empresas estão investindo em bens de capital, ou seja, aqueles bens que aumentam a capacidade produtiva. Crescimento positivo na FBKF significa aumento na capacidade produtiva futura e, portanto, maior possibilidade de crescimento econômico no futuro. Os resultados negativos do crescimento da FBKF, em 2017, são preocupantes porque podem comprometer o crescimento econômico no médio e no longo prazo.

Portanto, os resultados positivos divulgados pelo IBGE para o segundo trimestre de 2017 precisam ser analisados com muita cautela, uma vez que o setor industrial, que é o setor mais dinâmico da economia, aquele que quando cresce demanda muito dos outros setores, principalmente do setor de serviços, continua com a produção em queda. Além disso, a variável-chave para uma recuperação de fato, o investimento produtivo, porque diretamente ligada à geração de empregos e ao aumento da capacidade produtiva no futuro, também não apresenta sinais de recuperação.

Para finalizar, não devemos nos esquecer de que 2018 é um ano eleitoral e que processos eleitorais, ainda mais quando conturbados por investigações policiais que comprometem boa parte da classe política, criam um cenário de muitas incertezas, que podem reduzir ainda mais a disposição das empresas em fazer investimentos produtivos.