Alimentação saudável e equilibrada

Por Profa. Dra. Mara Ligia Biazotto Bachelli e Profa. Ma. Regina Jordão – Docentes da Faculdade de Nutrição da PUC-Campinas

 Com a aproximação do verão e, consequentemente, a chegada dos meses mais quentes do ano, não é incomum a busca das pessoas por dietas alimentares que auxiliem na rápida perda de peso, as chamadas dietas radicais ou da moda. A redução de peso decorrente de dietas muito restritivas em calorias pode, realmente, ocasionar perdas de peso significativas, porém, a permanência do peso reduzido é breve, pois a estratégia consiste na restrição e não na reeducação na conduta alimentar. E, em se tratando de combate efetivo à obesidade, o comportamento-chave é a mudança nos hábitos alimentares, com escolhas mais saudáveis. Perder quilos não deve ser objetivo de curto período, mas deve, sim, ser visto como uma transformação de vida.

O sucesso alcançado por uma dieta depende da mudança de comportamento, do tempo de manutenção desse peso reduzido e das escolhas para uma dieta adequada. Embora as dietas da moda levem à perda de peso em pouco tempo, é importante salientar que indivíduos que não mudarem o estilo de vida têm forte tendência de recuperar o peso perdido.

As dietas de exclusão de refeições ao longo do dia, o chamado jejum intermitente, provocam o estado de jejum metabólico. Estudos dizem que mais de 50% da perda de peso rápida se dá por líquidos, o que pode levar a sérios problemas de hipotensão. Toda restrição deve ser acompanhada de perto por um profissional e por períodos curtos de tempo, pois o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para a outra, por isso a importância do profissional nutricionista na orientação individualizada.

O consumo de dietas ricas em proteínas, as chamadas low carb, estão relacionadas ao aumento no risco de doenças cardiovasculares, já que o alto consumo de proteínas está diretamente ligado ao maior consumo de gordura saturada e colesterol, além disso, há deficiências em vitaminas e minerais. Existem ainda reações adversas dependendo do organismo, de modo que algumas pessoas referem constipação, dor de cabeça, hálito cetônico, entre outros, especialmente pelo baixo consumo de frutas, verduras e cereais.

Já as dietas com baixa quantidade de gordura oferecem redução de calorias desse nutriente; em contrapartida, a proporção de carboidratos fica aumentada, o que pode elevar o estoque de glicogênio muscular e hepático e, quando em excesso, são transformados e armazenados na forma de gordura, resultando no aumento de gordura corporal. Comer bem, com prazer, com sabor e ainda promover saúde, depende de muitos fatores e deve ser planejado com nutrientes de todos os grupos alimentares. A questão do ser saudável não precisa e não deve ter extremos. No dia a dia, podemos fazer novas escolhas, mas para isso envolvemos questões sociais, econômicas, culturais e principalmente emocionais.

Para manutenção do peso adequado, é necessário pensar a longo prazo, e o nutricionista é o profissional capacitado para fazer avaliações individualizadas e propor o melhor plano alimentar, elaborando a dieta com base nas características do indivíduo, dos seus hábitos, horários, aversões, entre outras informações. Ele vai insistir na educação nutricional e na continuidade de uma alimentação saudável, que respeita as leis da alimentação, que são quantidade, qualidade, harmonia e adequação.

O melhor caminho é sempre o do bom senso, de modo que controlar o peso continua sendo a reeducação alimentar por meio de uma dieta equilibrada, elaborada e orientada por um profissional nutricionista, que deve ser acompanhada de atividade física, orientada por um profissional capacitado. Não existe milagre, as dietas da moda não possuem vantagens sobre uma dieta balanceada. Cada pessoa tem necessidades nutricionais e calóricas específicas, cada caso deve ser analisado individualmente.