Artigo: Mulheres na Ciência

Por Denise Helena Lombardo Ferreira e Tadeu Fernandes de Carvalho

Hypatia, cujo pai Theon era o Chefe do Museu de Alexandria, nasceu por volta de 370, depois de Cristo (dC), nessa mesma cidade do Egito. Sua vida é lembrada tanto por sua genialidade e criatividade em Matemática e em outras ciências, quanto pela trágica ocorrência vivida em 415 dC, ainda no auge de sua energia e criatividade. Contada em 2009 pelo filme “Ágora”, dirigido por Alejandro Amenábar e estrelado por Rachel Weisz, Hypatia lembra a história de inúmeras mulheres que, com o mesmo brilho, mas sem os mesmos direitos, lutam por liberdade, igualdade e fraternidade.

Pode-se ver como apenas depois da história de Hypatia, já no início do século XVI, outras mulheres com sua coragem, ousadia e gosto pela ciência apareceram. Na verdade, entre 1600 e 1700, foram mulheres italianas, como Elena Lucrezia Cornaro Piscopia e Maria Caetana Agnesi, as mais destacadas. Já na sequência do século XVIII as francesas, entre as quais Émilie du Châtelet, ou Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil, ganharam mais notoriedade e encanto. Outras seguiriam com destaque até o século XIX, mas nenhuma superando a jovem russa: Sonia Korvin-Krukovsky Kovalevsky.

De fato, Sonia Kovalevsky, a mulher mais notável e criativa desde então, viveu entre 1850 e 1891, ao lado de parentes destacados na política e do grande escritor Dostoievski. Sua vida teve aspectos trágicos, mas a lembrança que permaneceu foi a de uma mulher que reuniu beleza e genialidade ao prazer e gosto pela ciência e pela matemática.

Talvez a mais brilhante das mulheres matemáticas de todos os tempos tenha sido Amalie Emmy Noether. Nascida em 1882, teve um pai e uma família muito talentosos, mas ela superou a todos. Carinhosa e amável com seus estudantes na Universidade de Göttingen, nunca foi eleita para cargos ou posições acadêmicas e trabalhou intensamente, muito acima do que recebera para fazer. A Segunda Guerra Mundial a obrigou a se refugiar nos Estados Unidos, nunca mais tendo conseguido voltar para a Alemanha.

Quanto às mulheres brasileiras, já em meados do século XX que começaram a se destacar nas ciências, mas, antes de tudo, é bom saber como estão hoje as mulheres em todo o mundo.

É claro que, em alguns países, as mulheres não são plenamente livres, da mesma forma como homens seguem normas e costumes que respeitam rigidamente diferentes aspectos sociais e culturais, mas a maioria já vive outra realidade. Sabem todos como no passado os homens eram os provedores, cuidando da vida externa e suas exigências, enquanto as mulheres, em sua grande maioria, se dedicavam ao lar e cuidavam dos filhos. As coisas mudaram cada vez mais ao longo do século XX, chegando ao século XXI bastante transformadas.

Foi graças à coragem, dinamismo e esforços de mulheres como Elza Furtado Gomide e Elisa Esther Habbema de Maia que a Matemática e a Física passaram a viver outra realidade.

Recentemente, enquanto o brasileiro Artur Ávila, aos 35 anos, obteve a Medalha Fields, a iraniana Maryam Mirzakhani, aos 37 anos, fazia o mesmo. Uma conquista que eleva e ajuda todas as mulheres do mundo e as brasileiras, em particular, a alcançar novas conquistas.

Denise Helena Lombardo Ferreira é Doutora em Matemática. Atua como Professora e Pesquisadora da Faculdade de Matemática do CEATEC

Tadeu Fernandes de Carvalho é Doutor em Filosofia. Atua como Professor e Pesquisador da Faculdade de Matemática do CEATEC