Campanha da Fraternidade 2015

Por Padre João Batista Cesario

A Campanha da Fraternidade (CF) é uma grande mobilização de toda a Igreja Católica no Brasil, feita a partir dos apelos do Evangelho, abordando temas relevantes para a vida da Igreja e da sociedade durante a Quaresma, período marcada por muita oração, reflexão, penitência e caridade. Segundo o Papa Francisco, a Quaresma é “tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fieis, tempo favorável de graça” e, também, momento oportuno para superar “a globalização da indiferença”, tentação contemporânea que atinge a todos, inclusive os cristãos. Ora, o mal da indiferença é superado com amor e serviço qualificado à vida em todas as suas manifestações.

Para os cristãos, o gesto de lavar os pés, realizado por Jesus na última ceia, é o paradigma do serviço. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir”, disse Jesus; por isso, o Papa afirma que “a Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos servidores como Ele” (Mensagem para a Quaresma de 2015).

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.
Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.

Fraternidade, Igreja e Sociedade

O tema da CF 2015 é “Fraternidade, Igreja e sociedade” e o objetivo geral é justamente “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus”. A referência ao Concílio é muito importante, porque 2015 marca o cinquentenário do encerramento desse grande evento eclesial que, na década de 1960, despertou a Igreja para um novo tipo de presença na sociedade, marcada pela abertura aos sinais dos tempos e por constante diálogo com as realidades contemporâneas.

Entre os objetivos específicos da CF-2015 destacam-se os propósitos de “apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da Doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanizantes; identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; e atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária” (CNBB. Texto-base CF-2015, p.10).

Trata-se, então, de procurar aprofundar cada vez mais a postura de serviço da Igreja em relação à sociedade. Todavia, é importante lembrar sempre que a Igreja não é uma realidade à parte da sociedade, mas ocupa um lugar importante no seio da sociedade, uma vez que deve ser “sal e luz no mundo”, como pediu Jesus aos seus discípulos. Ou seja, os cristãos devem ser presença transformadora no meio social; colaborar efetivamente para a ampliação da qualidade da vida para todos indistintamente; trabalhar sempre para o bem comum; e viver os valores aprendidos do Evangelho.

Cultura descartável

Então, o tema da relação Igreja-Sociedade na perspectiva do serviço é oportunidade para aprofundar alguns compromissos já assumidos, bem como descobrir e implementar novas formas de serviço e defesa da vida, especialmente nestes tempos marcados por algumas características que contrariam frontalmente o ensinamento de Jesus nos Evangelhos. O Papa Francisco tem denunciado freqüentemente certa “cultura do descartável” que tende a tratar as pessoas como se fossem coisas e descartá-las quando parecem não ter mais serventia, de acordo com uma concepção puramente econômica na qual os bens materiais valem mais do que a vida. Além disso, o Papa chama a atenção para inúmeras situações de sofrimento e marginalização que mantêm muitas pessoas nas “periferias existenciais”.

Ora, a CF-2015 é oportunidade de identificar e denunciar esses processos de exclusão e marginalidade, bem como de propor ações concretas para a superação desse quadro. Historicamente, a Igreja Católica tem desenvolvido intensa ação social no cuidado à vida, haja vista que os hospitais e as instituições de assistência social nasceram do cuidado pastoral da Igreja pelos pobres e sofredores de todos os tempos. E assim também as escolas e as Universidades e outras instituições. Com o passar do tempo, muitas das iniciativas de assistência e cuidado pela vida surgidas na Igreja foram assumidas pela sociedade e ampliadas em sua abrangência com a atuação do Estado.

Desse modo, um dos desafios da CF-2015, entre outros, é ampliar o diálogo da Igreja com a sociedade, para somar forças em vista do bem comum e da promoção humana. No âmbito da sociedade com suas organizações civis há muitas iniciativas de serviço desinteressado à vida que precisam de apoio, acompanhamento e fiscalização para que não se afastem de seus objetivos.  De igual modo, no âmbito eclesial há inúmeras instituições de ação social e incontáveis iniciativas de serviço à vida que também necessitam de apoio e suporte para continuarem sua missão. A CF-2015 propõe seja intensificado o diálogo Igreja-Sociedade para que novas forças de serviço possam beneficiar a vida que, em certa medida, está em constante ameaça neste início de século.

Ações da PUC-Campinas

A Universidade Católica, com seu Hospital Universitário (Hospital e Maternidade Celso Pierro), é presença significativa da Igreja Católica no âmbito da cultura e da produção e disseminação do conhecimento. A publicação recente da obra “Missão social 2012/2013” da PUC-Campinas, dá uma boa dimensão do grande leque de serviços prestados pela Instituição no âmbito que lhe compete, a saber, no campo da Pesquisa, do Ensino e da Extensão. Os números de programas, projetos e iniciativas desenvolvidos pela Universidade a serviço da vida são testemunho do esforço realizado para que os apelos do Evangelho sejam efetivados em ações concretas de serviço à vida. Trata-se de continuar fazendo sem desânimo o que se tem feito. No entanto, a CF-2015 pede que se aprofunde a reflexão acerca da relação Igreja-Sociedade, para que desse aprofundamento novas e fecundas iniciativas possam surgir.

Padre João Batista Cesario- Pastoral Universitária/PUC-Campinas