Campinas e a década decisiva: anos 1990

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Os traços vigorosos de progresso e desenvolvimento riscados nas décadas anteriores encontram e revelam aos olhos do Brasil e do mundo, nos anos 1990, uma Campinas moderna e avançada, colocada – sem surpresas para quem acompanhou sua trajetória – em compatibilidade industrial e tecnológica com grandes centros norte-americanos e europeus.  É na década que se estende de 1990 a 1999 que a cidade se nivela a polos mundiais importantes e se consolida como uma metrópole diferenciada, reunindo as características de município industrial de ponta, rumando para se tornar o Vale do Silício brasileiro e espécie de hub do MERCOSUL.

Em consequência, os acréscimos populacionais, em porte e densidade, verificados no período, naturais de um processo rápido e vertiginoso de progresso, produzem um aquecimento econômico espantoso, mantendo sua crescente População Economicamente Ativa (PEA) ocupada em atividades urbanas de serviços – que se acentuam e se aprimoram no período. Campinas aproxima-se e começa a superar a casa de um milhão de habitantes.

Campinas na década de 1990- Crédito: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
Campinas na década de 1990- Crédito: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

O segmento imobiliário torna-se carro-chefe do processo e no setor industrial/tecnológico reside a alavanca motora do progresso. Setores que primam pela qualidade, coadjuvados por centros de pesquisas de relevância, como a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e a Unicamp.

Surgem os problemas mais efetivos de grandes aglomerações humanas, aliados à carência de investimentos, de infraestrutura física e social em caráter universal; Campinas sofre com a conurbação, gerando sua Região Metropolitana de forma natural e carente. A cidade padece do desenvolvimento desenfreado, da expansão desordenada, em detrimento da qualidade ambiental, e com o crescimento da violência e da criminalidade. É o preço a pagar!

Em meio à década, Campinas perde uma de suas lideranças, o então prefeito José Roberto Magalhães Teixeira – que morre no início do último ano de seu governo. Uma figura cujas políticas e ações contribuíram para desenvolver a cidade, desde a instalação do Trade Point, um dos pioneiros do Brasil, no início da década.

Mesmo com tais dificuldades, enfrentando questões críticas como o saneamento básico e a violência, atuando no sentido de superações, a cidade não se dobra e segue adiante, a passos acelerados, rumo a novas décadas de pujança e vigor econômico.

saviani


Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).