Casas Sustentáveis

Por Prof. Me. Fábio de Almeida Muzetti – Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas

Desde a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, a busca por sistemas construtivos racionalizados para suprir a grande demanda de êxodo rural para as novas cidades que estavam se constituindo tem sido uma premissa para a sociedade.

Da grande concentração de pessoas, o resultado foi a consolidação de cidades poluídas, com grande consumo energético, com problemas sociais, de mobilidade urbana, como conhecemos.

Desde o início do século XX, principalmente após as grandes guerras mundiais, a necessidade da reconstrução de uma Europa devastada nos fez debruçar sobre projetos que racionalizassem procedimentos construtivos, com bom desempenho em conforto, com baixo custo, sem gerar desperdícios. A causa modernista, aplicando procedimentos da indústria na construção, foi a primeira busca para construções sustentáveis, respeitando-se a cultura da época.

Hoje, no século XXI, dado o fracasso parcial desses modelos modernistas, com os avanços tecnológicos de geração de energia, tratamento e reaproveitamento de água e esgoto, com o surgimento de novos materiais, tecnologias de comunicação, internet das coisas e a consciência (cultura) dos cidadãos para com a preservação do meio ambiente, a arquitetura contemporânea tem como agenda obrigatória o melhor desempenho possível das edificações com o menor impacto ambiental.

Tanto nas pesquisas, como no mercado, os projetistas estão se debruçando sobre novos conceitos de projetos, aplicando toda a tecnologia possível para o bem-estar das pessoas e preservação do meio ambiente.

A sociedade contemporânea cobra nos projetos das casas contemporâneas a utilização de madeira reflorestada, sistemas construtivos racionalizados, autossuficiência energética; na sua construção, gerar o mínimo de resíduos, sendo ao mesmo tempo economicamente viável e socialmente justa.

Este é um futuro promissor e sem volta, que já está sendo muito cobrado no presente, que, de certa maneira, retoma a agenda da arquitetura modernista, não como um estilo, e sim como uma causa, adequada aos novos tempos e culturas.