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Encerramento oficial das comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas

A PUC-Campinas encerrou oficialmente as comemorações de seus 75 anos de história no dia 1o de fevereiro de 2017, no primeiro dia do Planejamento Acadêmico-Pedagógico do 1o semestre de 2017, com a Mesa-Redonda “Metodologias: Tradicional e Ativas”, com o Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, juntamente com a Diretora-adjunta da Faculdade de Administração, Profa. Me. Camila Brasil Gonçalves Campos, e com a diretora da Faculdade de Educação, Profa. Dra. Maria Auxiliadora Bueno Andrade Megid. A Mesa-Redonda acontece no Auditório Dom Gilberto, às 19h45, no Campus I, e é destinada a todos os docentes da Universidade.

Durante todo o ano de 2016, a PUC-Campinas realizou diversas atividades em comemoração aos seus 75 anos de existência. O encerramento das comemorações desse ano virtuoso, que ocorrerá durante o Planejamento Acadêmico-Pedagógico do 1o semestre de 2017, atesta as conquistas de um marco para a Instituição.

 

Tempo de refletir, tempo de avaliar

Propositalmente, a última edição de 2016 do Jornal da PUC-Campinas chega à comunidade acadêmica no momento em que acontecem as atividades de encerramento do ano letivo, período que por definição e tradição exige muita dedicação e outro tanto de trabalho de todos nós.

Alunos e alunas “quebram a cabeça” nos processos finais de avaliação, “suam a camisa” para aplicar retoques e conclusões aos TCCs, preparando apresentações e exposição pública, isso tudo temperado com a ansiedade e o frenesi próprios do encerramento do ano.

Paralelamente, o corpo docente se envolve com a avaliação de provas e trabalhos, o que custa tempo e atenção, exigidos em igual medida nas atividades de assentamento de notas, frequências e muitos outros detalhes que, desde sempre, o encerramento de cada semestre cobra ao fazer pedagógico.

Para os funcionários as semanas iniciais de dezembro não são menos trabalhosas, sobretudo em função dos prazos definidos pelo final do ano.

Mas, para além da laboriosa agitação, dezembro também representa a hora e a vez de repensar o ano que chega ao fim, seja para avaliar os percalços enfrentados e os resultados obtidos, seja para recordar momentos que marcaram nossa vida na Universidade.

 As lembranças certamente remetem, em parte, aos momentos mais significativos que pontuaram o calendário acadêmico, tanto em relação ao trabalho realizado em sala de aula e, por extensão, nos laboratórios e espaços de ensino/aprendizagem, quanto àqueles que ocorreram nos auditórios e espaços comuns, incluindo eventos científicos, palestras, conferências, colóquios, celebrações e comemorações. Nesse sentido, creio que concordamos todos, o ano foi muito ativo e produtivo, em especial no que respeita aos eventos do Jubileu de Diamante da Universidade.

Mas a avaliação do ano também tem um aspecto intimista, quando cada um, independentemente da função que exerce e da posição que ocupa no universo acadêmico, repassa as contribuições pessoais que ofereceu à comunidade e as transformações que sofreu a partir daquilo que recebeu da comunidade para seu crescimento individual, social e espiritual. Essa reflexão, em última instância, faz a dosimetria exata do ano que, em primeiro de janeiro, cada um de nós recebeu novinho e intacto, para bem usar e bem fazer. Se essa reflexão introspectiva revelar que aproveitamos as oportunidades para melhorar como pessoa e pessoalmente agimos para valorizar o próximo, então podemos dizer, sem medo de errar, que o ano foi bom, tanto quanto estamos preparados e animados para o ano seguinte, que começa logo mais.

Meditando quando possível e finalizando o trabalho acadêmico, vamos todos encerrar o ano com um suspiro de cansaço, mas espero, sinceramente, que cada integrante da nossa comunidade acadêmica possa, também, expirar satisfação e alegria pelo que realizou,  inspirando a si mesmo para ser ainda melhor em 2017.

Aos corpos discente, docente e funcional, bem como aos amigos da PUC-Campinas desejo um santo Natal, abençoado pelo Menino na manjedoura e que 2017 seja um ano de fraternidade, solidariedade e amor, entre todos, com todos e para todos.

Profa. Dra. Ângela de Mendonça Engelbrecht- Reitora da PUC-Campinas

 

PUC-Campinas na década de 90

Por Wagner Geribello

Na última década do Século XX, a PUC-Campinas efetiva uma cifra de relevância especial, registrando 100 mil alunos formados, passando a integrar um grupo muito reduzido entre as Instituições de Ensino Superior do Brasil.

A marca de 100 mil formados, entretanto, não é o único ponto de destaque da História da Universidade registrado nos anos 1990, década lembrada, também, por outras realizações importantes, como a implantação do primeiro Doutorado, consolidando o programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Mestrado em Urbanismo. Os anos1990 são lembrados, também, pela chegada aos quadros de colaboradores da PUC-Campinas de um dos mais importantes intelectuais brasileiros, o Professor Paulo Freire, considerado o maior educador do País, que passa a integrar o recém-criado núcleo de extensão em Educação.

O início da implantação da Carreira Docente e a ampliação dos projetos e ações voltados para a Pesquisa caracterizam a década, que, no entanto, começou muito instável no campo da economia, em especial por conta do Plano Collor e suas desastrosas consequências para a estabilidade econômica do País. Foram precisos exercícios ousados e complexos de gestão para contornar o cenário econômico pouco favorável, mas, mesmo antes do final da década, a Instituição volta a investir, por exemplo, na construção de novos ambientes onde se instalam a Faculdade de Serviço Social e o então Instituto de Ciências Exatas (posteriormente denominado Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias – CEATEC), registrando-se, ainda, a ampliação das instalações da Faculdade de Educação Física. Do outro lado da cidade, no Campus II, mais investimentos, ampliando a capacidade do Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP) para 30 mil atendimentos ambulatoriais e mil internações/mês.

PUC-Campinas nos anos 1990- Foto: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
PUC-Campinas nos anos 1990- Foto: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

O pioneirismo que vem marcando a História da Instituição, desde a sua fundação, verifica-se nos anos 1990, com a criação da Universidade da Terceira Idade, a partir de um projeto concebido na própria PUC-Campinas, com identidade e características próprias, até hoje tomado como modelo para implantação de entidades semelhantes.

Em 1º. de fevereiro de 1993, o professor Gilberto Luiz de Moraes Selber assume a Reitoria, focando sua gestão na continuidade da implantação do Projeto Pedagógico, iniciada na gestão anterior e responsável pela elevação dos padrões da Universidade no Ensino, na Pesquisa e na Extensão. A capacitação docente, com a instituição de horas/atividade, responde pela elevação da titulação do Corpo Docente e suas consequências imediatas na consolidação da PUC-Campinas como polo de produção e difusão do conhecimento.

Com a edição do Plano Real e o afrouxamento da inflação, a Universidade adere a novas formas de gestão, incorporando itens fundamentais para navegar com segurança e crescimento no novo cenário econômico, como a democratização da gestão e o planejamento estratégico, fixando metas de médio e longo prazo.

Nos anos 1990 verifica-se, também, aproximação maior da PUC-Campinas com sua irmã, a Universidade Estadual de Campinas, inclusive no plano físico, com a inauguração da Avenida dos Estudantes, unindo o Campus da Unicamp ao Campus I da PUC-Campinas.

Consolidada como Instituição de Ensino Superior de primeira linha e a marca de 100 mil formandos, verificada em 1995, a PUC-Campinas atravessa a década preparando-se para comemorar meio século de existência, pronta e disposta a enfrentar os desafios descortinados pelo Século XXI.

Wagner Geribello foi Professor na Faculdade de Jornalismo. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Campinas e a década decisiva: anos 1990

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Os traços vigorosos de progresso e desenvolvimento riscados nas décadas anteriores encontram e revelam aos olhos do Brasil e do mundo, nos anos 1990, uma Campinas moderna e avançada, colocada – sem surpresas para quem acompanhou sua trajetória – em compatibilidade industrial e tecnológica com grandes centros norte-americanos e europeus.  É na década que se estende de 1990 a 1999 que a cidade se nivela a polos mundiais importantes e se consolida como uma metrópole diferenciada, reunindo as características de município industrial de ponta, rumando para se tornar o Vale do Silício brasileiro e espécie de hub do MERCOSUL.

Em consequência, os acréscimos populacionais, em porte e densidade, verificados no período, naturais de um processo rápido e vertiginoso de progresso, produzem um aquecimento econômico espantoso, mantendo sua crescente População Economicamente Ativa (PEA) ocupada em atividades urbanas de serviços – que se acentuam e se aprimoram no período. Campinas aproxima-se e começa a superar a casa de um milhão de habitantes.

Campinas na década de 1990- Crédito: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
Campinas na década de 1990- Crédito: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

O segmento imobiliário torna-se carro-chefe do processo e no setor industrial/tecnológico reside a alavanca motora do progresso. Setores que primam pela qualidade, coadjuvados por centros de pesquisas de relevância, como a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e a Unicamp.

Surgem os problemas mais efetivos de grandes aglomerações humanas, aliados à carência de investimentos, de infraestrutura física e social em caráter universal; Campinas sofre com a conurbação, gerando sua Região Metropolitana de forma natural e carente. A cidade padece do desenvolvimento desenfreado, da expansão desordenada, em detrimento da qualidade ambiental, e com o crescimento da violência e da criminalidade. É o preço a pagar!

Em meio à década, Campinas perde uma de suas lideranças, o então prefeito José Roberto Magalhães Teixeira – que morre no início do último ano de seu governo. Uma figura cujas políticas e ações contribuíram para desenvolver a cidade, desde a instalação do Trade Point, um dos pioneiros do Brasil, no início da década.

Mesmo com tais dificuldades, enfrentando questões críticas como o saneamento básico e a violência, atuando no sentido de superações, a cidade não se dobra e segue adiante, a passos acelerados, rumo a novas décadas de pujança e vigor econômico.

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Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático). 

 

Campinas anos 70, a era do concreto e do automóvel

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Este artigo é o terceiro da série sobre os 75 anos da Universidade.

O início dos anos 1970 e todo o período que se estende até 1980 são marcados por uma revolução inédita no campo urbanístico e viário em Campinas, como também por inovações no processo político-administrativo, consubstanciadas pela transferência da sede de governo do Palácio dos Azulejos – o solar do Barão de Itatiba, do rico período cafeeiro -, para o moderno edifício da Avenida Anchieta, o Palácio dos Jequitibás.

Dos modestos alargamentos de ruas e avenidas centrais da década anterior, da construção do Viaduto Miguel Cury como grande obra, a cidade salta para rasgos de dimensões bem maiores e calcados no concreto, fazendo surgir extensas e rápidas vias expressas, pontes e viadutos que a dimensionam para seu destino de cidade do automóvel.

Consolidada como polo de investimentos nos diversos setores àquela altura, e em pleno desenvolvimento, sua administração resgata o Plano de Melhoramentos Urbanos de Campinas, desenvolvido pelo engenheiro Prestes Maia, entre 1934 e 1938, e instituído pelo Ato 118, de 1938, chancelado pelo então prefeito João Alves dos Santos. Um plano ousado destinado à construção de uma metrópole, ao tempo em que a cidade detinha estrutura acanhada e arcaica.

Prestes Maia, posteriormente prefeito de São Paulo, mostrou-se visionário e profético quanto às potencialidades de Campinas. Suas réguas e esquadros vislumbraram uma futura megametrópole e, sobre a planta daquela cidade ainda quase rural e modesta, havia ele lançando as bases do traçado urbano atual, preparando a urbe para a “Era do Automóvel”.

Comércio em Campinas na década de 1970/ Acervo do Museu da Imagem e do Som- Luiz Granzotto
Comércio em Campinas na década de 1970/ Acervo do Museu da Imagem e do Som- Luiz Granzotto

Seu plano apresentava um aspecto vinculado ao urbanismo funcionalista e higienista, com enfoque em conceitos de estética urbana e valorização da paisagem. Previa largas e extensas avenidas contemplando áreas futuras de ocupação urbana e promovendo interligações entre os quatro pontos cardeais. Um plano radio-concêntrico.

Com isso, e com uma nova visão administrativa imprimida nos governos Orestes Quércia e Lauro Péricles, são construídas, com vertiginoso vigor e em tempo recorde, obras viárias de porte e de alto custo, baseadas no concreto e em estruturas portentosas.

Construção do Hospital Mario Gatti em Campinas/ Acervo do Museu da Imagem e do Som - Luiz Granzotto
Construção do Hospital Mario Gatti em Campinas/ Acervo do Museu da Imagem e do Som – Luiz Granzotto

Surgem como elemento renovador a Via Expressa Suleste e sua dimensão de rodovia longa e de extenso viaduto (hoje a Via Lix da Cunha), ligando a Via Anhanguera ao Centro da cidade; surge a Via Norte-Sul, interligando a região do Taquaral, toda a Zona Norte, aos bairros da região do Proença.

O Viaduto São Paulo, conhecido como Laurão, entre o Centro e a região Leste, cobre uma extensão de mais de 350 metros na Avenida Moraes Salles, sobre a depressão formada pelo leito do córrego Proença. Obras que passam a integrar áreas e bairros distantes, anteriormente ligados por ruas estreitas, convencionais.

As vias abertas favorecem a expansão industrial/comercial e atraem o setor de serviços que se multiplica velozmente, fortalecendo o setor bancário e financeiro. Campinas expande seus limites para além da Via Anhanguera em vasta área residencial e comercial e ganha um Distrito Industrial de grandes dimensões, planejado em terreno próximo ao Aeroporto de Viracopos. Uma área com infraestrutura para abrigar dezenas de empresas de grande e médio portes. O Distrito atrai indústrias como a Mercedes Benz e a região ganha uma nova rodovia, a Bandeirantes.

Colocação de mastros na Caravela, na Lagoa do Taquaral / Acervo do Museu da Imagem e do Som-  Luiz Granzotto
Colocação de mastros na Caravela, na Lagoa do Taquaral / Acervo do Museu da Imagem e do Som- Luiz Granzotto

Na extensão dessas reformas revolucionárias, a revitalização do Parque Portugal, no entorno da Lagoa do Taquaral, revela uma cidade moderna e humana, e a construção do Centro de Convivência Cultural, com seu Teatro de Arena – na busca pela substituição do Teatro Municipal Carlos Gomes, demolido em 1965 -, faz reviver e coloca em ebulição a cultura campineira, com o acréscimo da Orquestra Sinfônica.

Feitos e efeitos de uma Campinas renovada e contemporânea em um período rico, em que a Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a PUC-Campinas, recebe a bênção papal e ganha dimensão de universidade nacional!

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).

PUC-Campinas na década de 1970

Por Wagner Geribello

Quem acompanha o Jornal da PUC-Campinas já conheceu um pouco sobre a Universidade nas décadas de 40-50 e 60. Nessa edição, relembramos a década de 1970 para a Universidade.

 A concessão do título Pontifícia, em 1972, mais as inaugurações dos Campi I e II destacaram os anos 1970 como a década de maior crescimento e plena consolidação da Universidade.

 O título de Pontifícia foi o quarto concedido pela Santa Sé a Universidades Católicas brasileiras. Somente São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre precederam a PUC-Campinas nessa titulação, confirmada no dia 8 de setembro.

O título não ficou reduzido ao plano das honrarias. Nessa década são implantados nada menos que 17 novos Cursos, incluindo a tão esperada Faculdade de Medicina e a Universidade registra um grande crescimento.

O Campus I da Universidade começa a ganhar vida nos anos 1970/ Crédito: Museu Universitário.
O Campus I da Universidade começa a ganhar vida nos anos 1970/ Crédito: Museu Universitário.

A implantação desse volume de novos Cursos ultrapassa em muito a capacidade do Prédio da Marechal Deodoro e seus anexos abrigarem as instalações necessárias. Uma saída emergencial foi a transferência de alguns Cursos para o Prédio do Seminário da Arquidiocese, no bairro da Swift. Mas, ainda assim, havia clientela de mais e espaço de menos para as dimensões que a Universidade assumia.

Parte da solução veio com a doação de uma gleba da fazenda Santa Cândida, pelo agrônomo Caio Pinto Guimarães e a posterior aquisição de áreas limítrofes complementares, onde foi instalado o Campus I, que atualmente abriga 99.160 m2 de área construída, para dar abrigo aos Cursos de graduação e pós-graduação, além de instalações de suporte e administração, incluindo o prédio da reitoria, pró-reitorias, órgãos auxiliares, Secretaria Geral e Conselho Universitário.

Enquanto as obras se mantinham aceleradas e as Faculdades iam ocupando as dependências do Campus I, na região norte, do outro lado da cidade, na região sudoeste, a PUC-Campinas incorporava os terrenos do Campus II, polarizado pelas obras do Hospital Celso Pierro, completando, assim, a definição de área para seu crescimento.

Alocado no Campus II, o Centro de Ciências da vida incorpora dez Faculdades das áreas da saúde e biologia, além do Hospital Universitário, que atende a formação prática de todos esses Cursos, prestando, também, atendimento de saúde pública. Atualmente, a área construída no Campus II supera 45.000 m2,  incluindo instalações de ensino, infraestrutura e administrativas.

Tanto em capacidade instalada, como número de alunos, professores e funcionários e Cursos oferecidos, no final dos anos 1970 a PUC-Campinas tinha o dobro das dimensões verificadas no início da década e o status de Pontifícia. Assim, projeta-se como a maior Universidade particular do interior do Estado de São Paulo e um dos centros de formação superior de excelência no cenário educacional brasileiro.

Realizadas na esteira da Reforma Universitária, promulgada pelo Governo no início da década, as mudanças ocorridas na PUC-Campinas não ficaram restritas à ampliação das instalações físicas, nem à implantação de novos Cursos. Esse crescimento exigiu, também, mudanças profundas na organização e nos processos administrativos, definindo os contornos de uma Instituição disposta a crescer ajustando-se às exigências e imposições da modernidade. Desse modo, a Universidade entra nos anos 1980 maior e também mais moderna e dinâmica, pronta a responder os desafios das derradeiras décadas do Século XX.

 Wagner Geribello foi Direitor do Centro de Linguagem e Comunicação e Professor da Faculdade de Jornalismo. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Da Campinas do café ao “Vale do Silício” brasileiro

Por Luiz Roberto Saviani Rey

“Vale do Silício Brasileiro”, “Califórnia Brasileira”, esses títulos – verdadeiros apelidos na forma de qualificação positiva e reveladora -, agregados ao perfil e à estrutura industrial-empresarial de Campinas, desde meados anos 1980, descortinam uma configuração extremamente contemporânea e universal de um município que traçou desde o princípio seus desígnios de liderança e de pujança econômica. Uma cidade que produz, com fartura, divisas ao Brasil, e gera empregos de elevada qualificação, característica que advém desde os tempos dos Caminhos de Goiazes, dos primórdios da Vila de São Carlos e das usinas de cana-de-açúcar, a partir do século XVIII, e do rico e portentoso período do Café, entre meados do século XIX e o início do século XX.

Se o desenvolvimento urbano e as grandes obras dos anos 1960 e 1970 – pautados no Plano Viário do engenheiro Prestes Maia, dos anos 1940 -, foram fundamentais para sedimentar a estrutura viária de Campinas. Se eles trouxeram modernidade e inovações urbanísticas, com a construção de longas avenidas de interligação, como os viadutos Miguel Vicente Cury e São Paulo – o “Laurão” -, as vias Suleste, Norte-Sul e Aquidabã, com a reconfiguração das Amoreiras e da John Boyd Dunlop, tornando-a “Cidade do Automóvel”, os anos 1980, menos agitados e, aparentemente pouco produtivos, proporcionaram os efeitos de expansão e vigor industrial da atualidade.

A cidade moldada para o progresso começou a experimentar os benefícios dos avanços tecnológicos a partir de 1985, com a criação da Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (CIATEC), fazendo emergir zonas industriais de tecnologia limpa no entorno dos campi universitários da PUC-Campinas e da Unicamp.

Com o acréscimo do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), uma holding estatal do segmento das telecomunicações, foi possível atrair empresas high tech de porte. Mais de 50 das 500 maiores empresas do mundo nesse ramo estão presentes hoje na Região Metropolitana de Campinas.

Paralelo ao campo econômico, os anos 1980 colocam Campinas nos cenários culturais, revelando ao mundo sua Orquestra Sinfônica Municipal (OSM), já em idade madura e consagrada. Marcados pela transição política, com a saída de um longo período de ditadura militar para um processo de redemocratização, esses anos levaram o Brasil a concentrar suas forças na busca de uma autoafirmação democrática.

Campinas pode desfrutar desse momento, no plano político-cultural, oferecendo a Orquestra como um símbolo da campanha nacional pela eleição direta para a Presidência da República, chamada de “Diretas-já”, a partir de emenda do deputado Dante de Oliveira, não aprovada.

Praça Carlos Gomes em 1989- Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
Praça Carlos Gomes em 1989- Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

Nos comícios pautados pela presença de imensas plateias, em apoio à proposta das Diretas, a Sinfônica de Campinas, regida pelo maestro Benito Juarez, abria esses eventos efervescentes e ávidos por abertura democrática com a execução do Hino Nacional Brasileiro e a apresentação de peças clássicas de autores consagrados, entre eles o compositor campineiro Antônio Carlos Gomes.

Na década de 1990, Campinas se consolida como uma metrópole, ou mais que isso, como sede portentosa e contemporânea de uma Região Metropolitana em expansão, em que estão presentes características populacionais inéditas para a maioria dos municípios brasileiros.

Sua pujança econômica, o vigor de seu Polo de Tecnologia, de seus serviços e sua dimensão internacional formatam uma população economicamente ativa complexa e altamente qualificada, elevando o município à categoria e importância de estado, a despeito dos problemas suscitados com a conurbação urbana e as necessidades de melhoria em transportes, de resolução de problemas urbanos e de infraestrutura sanitária comuns, que resultam desse crescimento. Nesses cenários de avanços e de emancipação humana e técnica, a PUC-Campinas insere-se com maturidade e relevantes contribuições.

 

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Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático). Crédito: Álvaro Jr. 

 

PUC-Campinas na década de 80

Por Wagner Geribello

Quem acompanha o Jornal da PUC-Campinas já conheceu um pouco sobre a Universidade nas décadas de 50, 60 e 70. Nessa edição, relembramos a década de 1980 para a Universidade.

O crescimento verificado nos anos 70, em especial a implantação dos campi I e II e a criação de novos Cursos, apresentou a fatura na década seguinte, registrada como a mais crítica em toda a História da PUC-Campinas.

Todavia, quanto maiores se mostravam as dificuldades, tanto mais a Instituição deu conta da sua capacidade de superação, buscando estabilidade e a retomada do crescimento.

Diagnose e soluções radicais embasaram a estratégia do então recém-empossado Grão-Chanceler, Dom Gilberto Pereira Lopes, para vencer as barreiras que se interpunham ao desenvolvimento da Universidade.

Vestibular da PUC-Campinas de 1989/ Arquivo do Museu Universitário
Vestibular da PUC-Campinas de 1989/ Arquivo do Museu Universitário

A intensidade e a velocidade de implantação dos campi, mais o crescimento acelerado, que leva a Instituição a saltar de oito mil alunos em 1973, para 18 mil em 1983, deixaram dívidas significativas com agentes bancários. Além disso, a conjuntura econômica não contribuía para soluções imediatas e fáceis. Por isso, foi necessário alterar estruturas administrativas, substituir pessoas e tomar medidas extremas, como a nomeação de um Reitor pró-tempore, para conduzir o processo de descentralização, que mesclava liberdade de execução orçamentária com responsabilidade administrativa, abrindo espaço para o Projeto Pedagógico baseado na interdisciplinaridade, que viria a reorganizar a Universidade, articulando funcionalmente setores e objetivos.

Divorciado de mudanças cosméticas e superficiais, o então novo Projeto Pedagógico visava o redescobrimento da identidade católica e comunitária da PUC-Campinas, enquanto Instituição de Ensino Superior compromissada com a formação de excelência de profissionais e cidadãos partícipes, além de estreitar os vínculos com a comunidade, consolidando sua função social.

O trabalho foi intenso, mas ao final da década emergiram resultados que, paulatinamente, permitem a retomada do crescimento ordenado e seguro.

À medida que a estabilidade se instalava, eram dados passos mais decididos na qualificação da Instituição, como o estímulo ao aprimoramento e à capacitação docente, a organização do Sistema de Bibliotecas e Informação (SBI) e convênios com redes de informações nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, a PUC-Campinas passou a liderar movimentos reivindicatórios e de informação pública das Instituições Comunitárias de Ensino Superior na busca de meios para enfrentar o panorama econômico desfavorável vigente no País.

Ao final dos anos 1980, os desafios mais prementes tinham sido vencidos, ficando as bases que fizeram desse período o tempo em que a PUC-Campinas atingiu sua maturidade, preparando-se para a última década do Século XX.

Wagner Geribello foi Professor da Universidade. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

 

75 anos: Décadas velozes de crescimento e transformações em Campinas

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Duas décadas, dois marcos exponenciais na história de Campinas. Os anos 1950 e 1960 guardam em seus anais termos de expansão e de explosão urbanística e demográfica, de progresso sem limites, como nunca experimentados anteriormente. Um período de obras grandiosas para a acanhada ex-capital do café, de rasgos extensivos em suas estreitas vias centrais, a transfiguração positiva de uma urbe, agora berço a embalar uma metrópole gigantesca em breve futuro. Uma cidade com seu tecido social consolidado e resguardado pelo trabalho e o convívio de grandes empresários, negociantes, pequenos comerciantes, que a tornaram agradável e próspera.

Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Contudo, com o registro de duas perdas inestimáveis para seu acervo predial, perdas lamentadas pela imensa comunidade católica e pela população em geral: o desaparecimento de construções icônicas em sua malha urbana original: a consagrada Igreja do Rosário, na Avenida Francisco Glicério; a demolição do Teatro Municipal Carlos Gomes, entre as ruas Treze de Maio e Dr. Costa Aguiar, erigido em terreno ao fundo da Catedral Metropolitana.

A atividade cafeeira que constitui Campinas em uma espécie de capital econômica do País entra em colapso a partir de 1929, com a crise mundial produzida pela quebra da Bolsa de Nova York. Assim, a expansão da agroindústria algodoeira, reunindo capitais nacionais e estrangeiros, logo a seguir, permite a instalação de indústrias na cidade, e em 1950 estão presentes nos ramos mecânico, de materiais elétricos, químicos, de borracha e papelão.

Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas
Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas

Essa forte industrialização, associada ao lastro de riquezas deixado pelo rico período cafeeiro, torna Campinas um pólo extremamente atrativo à sedimentação de novas indústrias, de comércio variado e de serviços, amparados por um promissor entroncamento rodoferroviário, que aos poucos adensam sua demografia e tornam necessárias intervenções do poder público na construção de obras como o alargamento das ruas Campos Sales e Francisco Glicério.

O Viaduto Miguel Vicente Cury é uma das maiores obras viárias de Campinas

Na transição dos anos 1950 e 1960, já com intensa movimentação de automóveis particulares, de bondes e com o acréscimo de ônibus do transporte coletivo em bases contemporâneas para a época, Campinas se vê ante o dilema de demolir ou reter o crescimento. Desse dilema surge uma de suas maiores obras viárias: o Viaduto Miguel Vicente Cury, em forma circular, ligando o acesso pela Via Anhanguera e bairros da região Oeste ao Centro.

Nesse meio termo, desaparece em 1956 a Igreja do Rosário, construída em 1817, e que por muitos anos, no período imperial, fora a Matriz da cidade – enquanto a Velha Matriz, a histórica Igreja do Carmo, deteriorava e requeria reformas, e a Catedral Metropolitana, consagrada a Nossa Senhora da Conceição, ainda era erigida. Demolida para alargar as avenidas do progresso e reconstruída em seus moldes originais no bairro do Castelo.

Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Em conjunto com a construção do Viaduto Cury, Campinas ganha o Aeroporto de Viracopos, inaugurado em 19 de junho de 1960 com pista de 3.240m x 45m, construída para receber com segurança os modernos e suntuosos quadrimotores a jato de primeira geração: Dado interessante é que na mesma data Viracopos foi elevado à categoria de Aeroporto Internacional, por meio da Portaria Ministerial n.º 756, e homologado para aeronaves a jato puro.

O fim do Teatro Municipal Carlos Gomes

Mas é em 1965 que a cidade perde o Teatro Municipal Carlos Gomes, construído em 1930, um dos maiores do interior do País, com capacidade para 1.300 lugares. O prédio, em estilo eclético, supostamente sofrera abalos em sua estrutura e é demolido, deixando lacunas e incertezas na vida cultural da cidade por anos. Três anos depois, os bondes são retirados de circulação. Em contrapartida, o governo Estadual inaugura a Unicamp a partir de 1966.

É nesse contexto socioeconômico e cultural que Campinas abandona de vez suas feições coloniaisimperiais e veste sua indumentária moderna, uma cidade que pulsa e atrai seus primeiros fluxos migratórios, saltando de 70 a 80 mil habitantes para perto de 200 mil, do final dos anos 1960 para a década seguinte. Um crescimento demográfico inédito que irá a saltos mais velozes rumo à casa do um milhão de habitantes nas décadas subseqüentes. Nesse contexto, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) ganha impulso e alicerça de maneira sólida seu marcante futuro!

Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).

 

75 ANOS: História da PUC-CAMPINAS – anos 1960

Por Wagner Geribello

Extremos…

Talvez seja essa a palavra mais adequada para definir a década de 1960.

Internacionalmente, o período é marcado pela busca de ideais libertários e positivos, como a eliminação definitiva de qualquer forma de legislação racista, a valorização igualitária de gênero e a exaltação unilateral da paz. No extremo oposto, ocorrências como a polarização política e o começo de uma década de guerra e horror no Vietnã começam a cobrar um preço alto à toda sociedade.

Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

Ao mesmo tempo e por consequência, perspectivas de estabilização democrática, almejada e esperada no início da década, evaporam na efervescência do radicalismo, trazendo, entre outros males, tortura, terrorismo e censura ao cotidiano nacional.

 Nesse período, a história da Universidade também conhece extremos, que vão da euforia de importantes conquistas, a perdas lamentáveis e momentos de insegurança.

Em 1962 é criado o Colégio de Aplicação Pio XII, para atender demandas da, então, nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que incorpora, paradoxalmente, propostas liberais e conservadoras, em parte descortinando horizontes positivos para a Universidade e, em outra, cerceando os espaços do livre desenvolvimento da atividade acadêmica.

Ativa e participativa, a juventude do período é inquieta, questionadora e muito curiosa, ensejando a prática do debate cultural, político, social, filosófico e científico no ambiente acadêmico.

Nessa época, multiplicam-se as ofertas de formação superior. Entre 1964 e 1966 são implantados os Cursos de Psicologia, Música e Ciências Administrativas, ao mesmo tempo em que são aprovados os Cursos de Biologia e Educação Física, bem como aqueles que formarão a espinha dorsal da área de Comunicação Social, atualmente integrada ao Centro de Linguagem e Comunicação.

Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

 

Mas foi, também, nos anos 1960 que a Universidade perdeu seu primeiro reitor, com a morte de Monsenhor Salim, em 1968. Dois anos depois morreu Dom Paulo de Tarso Campos, ampliando a perda de pessoas chaves na história da Universidade em uma única década.

O modo mais indicado de reverenciar a perda dos seus fundadores foi a incorporação do espírito combativo e empreendedor daquelas pessoas, que dinamiza e consolida a Instituição.

A Universidade chega ao final dos anos 1960 com volume de alunos e multiplicidade de Cursos que já não são suportados pelas instalações físicas e estrutura administrativa e funcional existentes, de modo que a década, ao seu término, se faz incubadora das mudanças e do crescimento que teriam lugar nos anos 1970.

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Wagner Geribello é Doutor em Educação e Consultor do Jornal da PUC-Campinas