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Editorial: Comunicação e História

Em 2005, dos seis mil calouros que entraram na PUC-Campinas, 52% vinham de outras cidades e boa parte deles se preparava para viver a experiência de morar fora da casa dos pais, incluindo a “república” como alternativa de residência. Enquanto isso, os veteranos, representados pelo Diretório Central de Estudantes, DCE, expunham críticas e reparos à Reforma Universitária, à época item de pauta do meio acadêmico brasileiro.

Quase 60 anos antes disso, em 1946 o casal italiano Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi chegavam ao Brasil, iniciando uma jornada dedicada às artes, cujo ápice foi a criação do MASP (Museu de Arte de São Paulo). O tema foi tratado na tese de doutorado da professora da Faculdade de Arquitetura da PUC-Campinas, Vera Santana Luz, defendida em 2004.

Rememorando os anos de 1930, o neto adotivo do Barão de Itapura resgatou reminiscências do tempo em que morou no palacete que, na década seguinte, seria o primeiro campus universitário de Campinas.

Apesar de datas diferentes e temas diversos, os parágrafos acima têm um elemento comum: foram extraídos de matérias publicadas no Jornal da PUC-Campinas, que nesta edição dedica todo seu espaço às comemorações do Jubileu de Diamante da Universidade.

O Jornal é só um exemplo do compromisso de transparência e diálogo que a Instituição mantém com sua comunidade e com a sociedade em geral, mantendo, desde sua fundação, processos e recursos de comunicação, expondo fatos, ideias e posicionamentos nascidos no meio universitário ou de interesse da comunidade acadêmica.

Assim, no mais amplo sentido do termo, incluindo aspectos jornalísticos, comunicação é um item que se agrega com relevância a tantos outros que a Universidade cultiva e faz florescer desde sua fundação.

Em 75 anos, a comunicação na Universidade, voltada à comunidade acadêmica, alunos em especial e da Universidade, voltada à comunidade externa, acompanhou e divulgou os passos mais importantes e significativos dessa caminhada, como também abriu espaço para o cotidiano e as temáticas rotineiras, mostrando-se abrangente e permanente na missão de informar, sem nunca deixar de promover a interação entre os diversos componentes da comunidade acadêmica e desta com a sociedade.

A edição comemorativa o Jornal da PUC-Campinas resgata fatos e pessoas que se destacaram em75 anos de História, bem como abre espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirma e confirma que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destaca-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Editorial: Como estamos nos alimentando?

A edição 168 do Jornal da PUC-Campinas, referente aos meses de julho e agosto de 2016, traz para o centro do debate acadêmico a questão da alimentação. Na edição, refletimos sobre os vários sentidos que a palavra alimento produz, desde o sentido literal até o cultural e filosófico.

A comida está no cotidiano de toda a sociedade, mas ainda vivemos num mundo em que a fome é o grande problema a ser enfrentado. Além disso, vale a pena pensar nas perguntas: O que estamos comendo e como estamos nos alimentando?

O Jornal traz uma entrevista com o diretor do curso de Ciências Econômicas, que reflete sobre a soberania e a saúde alimentar do brasileiro e os desafios para o futuro. Nessa edição abordamos temas como a agricultura familiar, o uso de agrotóxicos, o direito do consumidor que se sentiu lesado ao consumir determinado alimento e o papel da religião na vida humana. O jornal da PUC-Campinas também traz um artigo sobre educação alimentar, pensando, principalmente, no estudante PUCC.

O alimento, no entanto, não é apenas uma questão de necessidade biológica, mas também a própria materialidade da cultura de um povo. A reportagem sobre os pratos típicos brasileiros conta um pouco sobre a importância da gastronomia pra o turismo e para a cultura.

O jornal também traz reportagens sobre a influência da mídia na alimentação da sociedade e os transtornos alimentares.

Oferecemos ainda dicas no Tome Ciência e a resenha do filme A Comilança, na coluna Cinema.

Confira essa apetitosa edição.

Boa leitura!

 

Editorial: As deficiências e as barreiras

O Jornal da PUC-Campinas, edição 166, aborda duas questões que se tornam uma: as deficiências e as barreiras. Pensar o que são as deficiências é pensar, necessariamente, o que impede que nós as compreendamos.

A linguagem é fundamental para esse processo- em construção- sobre a compreensão das deficiências. Afinal, o que significa uma deficiência? A significação será mediada pela linguagem, pelos discursos, por isso, o Jornal da PUC-Campinas acha fundamental uma edição que debata essa questão por vários pontos de vistas, calcados em pesquisas científicas e projetos acadêmicos da Universidade.

Falar sobre a questão das deficiências e suas barreiras contribui para que possamos desvendar alguns mitos e algumas evidências acerca das deficiências. Nesta edição, trazemos reportagens sobre a relação de pais e mães com os filhos autistas, a inclusão social no esporte, o universo do trabalho para pessoa com deficiência, a violência contra essa população, o sujeito com deficiência na inclusão escolar, uma dica de leitura sobre o tema, além de uma entrevista com uma ex-aluna da Universidade, que tem cegueira congênita.

O jornal também traz uma crítica sobre o filme O Homem Elefante, que se tornou um clássico do cinema, com um forte conteúdo social e de enorme reflexão para uma sociedade que depois de muitos anos ainda produz um discurso de normalidade.

Precisamos pensar no que é dito sobre a pessoa com deficiência, pois é esse dizer que vai se configurar em barreiras simbólicas, discursivas e sociais, atingindo a esfera do político.

 Boa leitura!

 

Editorial: O Meio Ambiente não é exterior às pessoas

Na edição 165 do Jornal da PUC-Campinas, reservamos espaço para debater o tema do Meio Ambiente por meio de artigos, reportagens e entrevista. Nesse sentido, o jornal da Universidade vai ao encontro do tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: “Casa Comum, Nossa Responsabilidade” cujo lema é “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, tratando principalmente o Saneamento Básico. A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 coloca a questão ambiental no centro do debate e o acesso à informação é um bom caminho para que esse debate seja qualificado.

A Universidade, enquanto instituição de Ensino, Pesquisa e Extensão, está comprometida com a questão do Meio Ambiente dentro dos Campi I e II e do Colégio de Aplicação PIO XII, mas, também, fora desses lugares, porque o conhecimento e as ações concretas para uma mudança de consciência e de hábitos não enxerga barreiras. É preciso cuidar da Casa Comum, do nosso quintal, apartamento, casa, do nosso mundo. Do micro ao macro.

Entre os objetivos da Campanha da Fraternidade Ecumênica, que o Jornal da PUC-Campinas aborda, está o debate sobre o dever do Estado na questão do Saneamento Básico, as políticas públicas, o mosquito Aedes Aegypti, a participação da população e a sociedade do consumo. Precisamos pensar o Meio Ambiente não como algo exterior a nós, mas como a própria condição para que os seres vivos sejam constituídos. PUC-Campinas.

Editorial: Vamos falar sobre Ciência?

Na edição 164, o Jornal da PUC-Campinas dedica espaço para artigos, reportagens e entrevistas que analisam diversos aspectos da Ciência, esse lugar tão importante para o desenvolvimento da sociedade, mas também tão mitificado.

Produzir e falar sobre Ciência é fundamental para que ela se popularize e faça parte, cada vez mais, do dia a dia das pessoas. Por isso, o Jornal da PUC-Campinas preparou uma reportagem que aborda a relação entre jornalistas e cientistas, dois personagens fundamentais para que a divulgação da ciência aconteça.

O Jornal também debate a importância do ensino da Ciência e o preparo de novos cientistas desde os primeiros anos escolares: um exemplo bem-sucedido é o do Colégio de Aplicação PIO XII, da PUC-Campinas, que há oito anos mantém projetos que iniciam crianças e adolescentes na prática da pesquisa.

Há, também, nesta edição, a preocupação em abordar as diferenças entre Ciência e Tecnologia. O resultado é uma reportagem que mostra que a Tecnologia e a Ciência, quando juntas, podem e devem beneficiar toda a sociedade. Como contraponto, o Jornal também traz o artigo sobre ética e o uso político que muitas vezes é feito do conhecimento científico.

Produzir e falar sobre Ciência é fundamental para que ela se popularize e faça parte, cada vez mais, do dia a dia das pessoas.

Você sabia que a primeira mulher que se dedicou à Ciência data do ano 370 (depois de Cristo)? Em artigo elucidativo, professores pesquisadores da Matemática resgatam a trajetória de mulheres que transformaram o campo da Ciência.

Além dos artigos e matérias que orbitam a temática central, esta edição também abre espaço para os Projetos de Extensão da Universidade que têm impacto real na vida da população de Campinas e Região.

Informações e noticiário sobre Ciência, mais as seções fixas completam a edição 164, do mês de dezembro de 2015 do Jornal da PUC-Campinas. Aproveite o conteúdo e não deixe de encaminhar sugestões, críticas e comentários para o endereço eletrônico imprensa@puc-campinas.edu.br. Afinal, participar é o melhor caminho para fazer o jornal que você quer.

EDITORIAL: Em frente ao computador

Na frente do computador, conectado a uma rede, o internauta acessa o saldo bancário, paga contas, faz compras, vende serviços, contrata outros, conversa com outras pessoas, diverte-se com jogos eletrônicos ou busca informações em fontes diversas… Mas, seja lá o que faça, inevitavelmente ele é seguido, espionado, observado e bisbilhotado. Muito do que o cidadão conectado às redes sabe, faz, deseja, detesta ou aprecia está enchendo bancos de dados para atender diferentes objetivos, da vigilância ideológica às campanhas de marketing.

 Esta edição do Jornal da PUC-Campinas concentra artigos e reportagens que analisam aspectos diversos da chamada era da informação, em que parcelas cada vez maiores da população aderem à interconexão.

Especialistas em redes computacionais explicam como diferentes entidades, algumas legais, outras nem tanto, exploram a captação e o uso de informações conseguidas na rede, com ou sem conhecimento e autorização da pessoa espionada.

Mas a sombra do grande irmão, observando tudo e todos, não é a única característica da era da informação. Internet das coisas, aplicativos que agilizam e facilitam a rotina e o cotidiano, a ampliação quase infinita de comunicação também fazem parte do mundo mediado pelas redes, em que as possibilidades virtuais definidas pela tecnologia tornam-se, cada vez mais, os recursos virtuosos incorporados pela sociedade.

Navegando na ceara fértil das redes, esta edição mostra o talento criativo de alunos e ex-alunos da Universidade que estão “fazendo a vida” nesse campo de atuação e mostra, também, como a parte real (em contraposição ao virtual) da sociedade reage à invasão digital, por exemplo, redesenhando os mapas urbanos de acordo com fatores como acessibilidade informacional.

Claro, a edição deste mês tem espaço para tratar das redes sociais e ainda uma curiosa abordagem das alterações que o advento do computador pode provocar na capacidade humana de atenção.

Além dos artigos e matérias que orbitam a temática central, esta edição também abre espaço para eventos marcando o 50º. Aniversário do Concilio Vaticano II, comemorado este ano, com destaque para o Colóquio Universidade em Diálogo, à Luz do Concílio Vaticano II, organizado e conduzido pelo Núcleo de Fé e Cultura da Universidade, trazendo para nosso campus o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sérgio da Rocha, ex-aluno e ex-professor no Curso de Teologia da Universidade.

Informações e noticiário sobre a vida acadêmica, mais as seções fixas completam a edição 163, mês de Outubro do Jornal da PUC-Campinas. Aproveite o conteúdo e não deixe de encaminhar sugestões, críticas e comentários. Afinal, participar é o melhor caminho para fazer o jornal que você quer.

EDITORAL

Restringir a palavra cultura ao campo das artes, da literatura e da erudição não é um exercício de todo estranho ao senso comum. Entretanto, no campo da antropologia, o termo cultura vai além e tem vastidão e alcance proporcionais ao conjunto de todos os saberes e comportamentos de uma determinada representação social, das práticas religiosas à comida que vai ao prato, passando por todas as formas de ser e agir que expressam, no plano da realidade social, valores e crenças de todas as gentes.

Do mesmo modo, o conceito de patrimônio, inicialmente tomado como categoria restrita a alguns planos da organização social, como, por exemplo, a arquitetura dos tempos passados, evoluiu e cresceu no seu alcance, traçando rota similar e paralela ao dimensionamento cada vez mais amplo do significado antropológico de cultura. Assim, em termos atuais, quase tudo o que compõe a cultura – de um povo, uma etnia, um grupo social, ou mesmo de toda a humanidade – pode converter-se em patrimônio que, além da materialidade das coisas, como prédios e monumentos , inclui, ainda, a imaterialidade das expressões, como dança e música, além daquilo que não é obra do ser humano, os chamados patrimônios da Natureza, como florestas e geleiras.

Frente ao alcance do conceito e a oportunidade de eventos relacionados com o patrimônio, verificados recentemente, esta edição do Jornal da PUC-Campinas é dedicada aos exercícios de investigação, classificação, valorização e preservação de fatos e agentes que integram ou têm perspectivas de integrar o patrimônio, que por assim dizer, delimita uma área específica no salão da História.

Sentidos, conceitos, significados e significantes do termo patrimônio são abordados no artigo escrito pela professora doutora Janaina Camilo, historiadora e coordenadora do Museu da PUC-Campinas, enquanto o artigo da professora doutora Cristina Betioli Ribeiro Marques, da Faculdade de Letras, comenta causas e conseqüências sociais do cruzamento entre língua falada, língua escrita e poesia popular, ficando  o Superintende do Hospital e Maternidade Celso Pierro, doutor Antonio Celso de Moraes, a tarefa de apresentar um patrimônio com mais de 35 anos de atuação na saúde e no ensino, em toda a Região, o Hospital Universitário da PUC-Campinas.

Enquanto os articulistas convidados redigiam seus textos, a equipe do Jornal da PUC-Campinas cuidou da produção de uma entrevista e três reportagens ligadas ao patrimônio. Uma sobre o convênio com a Universidade Oriente para pesquisas de patrimônio urbano de Campinas e Santiago de Cuba, outra apresentando o Trabalho de Conclusão de Curso que trata da degradação da Mata do Quilombo, em Barão Geraldo e a terceira sobre o grupo de dança Jongo Dito Ribeiro.

A sugestão cinematográfica sobre Narradores de Javé completa o cardápio dos temas diretamente ligados ao patrimônio e à preservação, mas esta edição tem ainda reportagens e artigos sobre imigrações forçadas e uma entrevista com a ex-aluna que escreveu um livro reportagem sobre refugiados internacionais no Brasil, além informações sobre ciência, pesquisa e cultura, tornando o conteúdo, no conjunto, muito apropriada ao período de retorno aos campi para as atividades acadêmicas do segundo semestre.

REFLEXÃO INCESSANTE, CONHECIMENTO CRESCENTE

Na parte inicial da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae, o Papa João Paulo II faz saber que, à luz da fé, a reflexão incessante sobre o tesouro crescente do conhecimento humano constitui característica essencial das Instituições Católicas de Ensino Superior.

Ao associar essa característica à própria identidade da Universidade Católica, o Papa recorre a dois adjetivos para lembrar, também, a condição de organismo vivo e dinâmico da Academia, na qual a reflexão há que ser incessante, porque o tesouro do conhecimento humano é crescente.

Católica e Pontifícia, nossa Universidade entende e atende as orientações daquela Constituição, à medida que estimula a comunidade acadêmica a refletir incessantemente sobre as contribuições que tornam o conhecimento humano sempre maior do que foi no passado.

Ao cotidiano intenso e dinâmico verificado nos campi, envolvendo, fundamentalmente, aula, pesquisa e investigação, a PUC-Campinas agrega um robusto calendário de eventos, cujo cerne aponta para as vanguardas do conhecimento humano, buscando atualização permanente e visando o exercício constante da reflexão.

Decorrido um quarto de século da promulgação da Ex Corde Ecclesiae, a PUC-Campinas entendeu oportuno e apropriado trazer o próprio documento à reflexão, organizando o Colóquio que polarizou nosso calendário de atividades no mês de maio.

A presença do Prefeito da Congregação para a Educação Católica, cardeal Zenon Grocholewski, bem como o conjunto de professores e teólogos participantes dimensionaram o evento, tanto quanto o fizeram o teor e os temas da programação.

Em si mesmo, o Colóquio mostrou-se suficiente para confirmar quanto e como a PUC-Campinas identifica-se como Universidade Católica e se ajusta ao perfil sugerido para esse modelo de Instituição. Entretanto, no que se refere ao compromisso com a dinâmica, ainda há mais, quando lembramos que o agente responsável pela organização do evento, o Núcleo de Fé e Cultura desta Universidade, tem, ele mesmo, tempo curto de existência – exatos sete meses – e, no entanto, já se mostra à altura de ousar e levar a bom termo realizações como esta, com dimensão internacional e potencial para repercutir enfaticamente na ampliação do conhecimento, em especial aquele focado nas relações entre religião e ciência no âmbito das Instituições Católicas de Ensino Superior.

Marcado por um ritmo intenso de atividades, sintetizadas em conferências e mesas-redondas, o Colóquio extrapolou o tempo e o espaço de ocorrência, à medida que os debates repercutiram em diversos setores da Universidade, abarcaram parcelas mais amplas da comunidade acadêmica, bem como transbordaram para outras instituições e segmentos da sociedade.

Feliz e honrada pela presença das pessoas ilustres que atenderam o convite para atuar no Colóquio, agradecida pelo empenho de todos quanto se envolveram com sua realização e particularmente entusiasmada com o volume e o perfil do público participante, espero que o sucesso seja, também, estímulo para outras realizações capazes de confirmar que a PUC-Campinas está empenhada e envolvida no crescimento constante do tesouro do conhecimento humano e no exercício incessante da reflexão, firmando-se como Pontifícia Universidade Católica que nasceu do Coração da Igreja.

Reitora da PUC-Campinas, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht

EDITORIAL: A velocidade com que a violência se impõe

O conceito do brasileiro cordial já rendeu muito “pano pra manga”, na Academia e fora dela, começando pela paternidade, que uns atribuem ao escritor santista Ribeiro Couto e outros ao historiador Sérgio Buarque de Holanda.

Entretanto, independentemente da origem, teses, propostas, ensaios e muito palpite já permeou conversas e textos exaltando ou questionando a cordialidade da gente brasileira, com sensível acréscimo das dúvidas e desconfianças nos tempos atuais, quando a violência praticamente sufoca anseios ou esperanças de relações sociais baseadas na gentileza.

Ciente e consciente da intensidade e velocidade com que a violência se impõe entre nós, a equipe do Jornal da PUC-Campinas abriu espaço para manifestações de alunos e professores sobre o tema, expresso nas reportagens, artigos e entrevistas desta edição, inteiramente voltada para a reflexão sobre a violência.

Tematizada na violência e mais precisamente na violência que existe mais próxima de todos nós, vale dizer, no Brasil de hoje, a edição traz artigos que tratam da banalização da violência, matérias sobre a agressão física e psicológica que permeia o trote universitário, passando pelo questionamento das pessoas e instituições que usam e abusam da violência, quando deveriam atuar em sentido inverso, como a polícia e profissionais do Poder Judiciário. Para embasar reflexões e questionamentos sobre essa temática, a edição também traz excelente entrevista sobre ética e moral.

Nesta edição, reportagens e artigos que abordam a temática da violência, mostram o comércio de armas, as conseqüências da imprudência no trânsito e os distúrbios de ordem emocional causados pela exposição ou convivência com a violência.

Ações antiviolência também integram o conteúdo da edição de abril/2015, incluindo matéria sobre a Pastoral Carcerária na Região de Campinas, mostrando como e porque os voluntários decidem enfrentar a questão, convivendo – e ajudando – grupos sociais envolvidos com a violência. De quebra, a matéria ainda deixa um recado esclarecedor para pessoas que atribuem à Pastoral Carcerária a questionável missão de “alisar a cabeça” de indivíduos que, de alguma forma, violentaram a sociedade.

Formas de violência dissimuladas, mas, nem por isso, menos predatórias, também integram o elenco de matérias, como o racismo e agressão contra formas de vida que não podem reclamar quando são violentadas, como as florestas, dizimadas pela sanha das motosserras à razão de muitos hectares ao dia. A resposta, mostram estudos e análises, também é violenta: por conta da falta de florestas, crises hídricas contínuas e crescentes ameaçam a geração de energia, o abastecimento dos aglomerados urbanos e a produção de alimentos.

No comentário de cinema, uma proposta de reflexão sobre relações de causa e efeito entre a imagem na tela e o comportamento social. Afinal, cinema estimula a violência social, ou a sociedade estimula a crescente inserção de violência no cinema?

O tema desta edição, sabemos todos, não é bonito, nem agradável, mas o primeiro passo para recobrar e fazer valer a sociedade de homens cordiais, que ilustra o capítulo V do clássico Raízes do Brasil, é encarar a violência e agir para acabar com ela.

Vai aqui, portanto, uma edição do Jornal da PUC-Campinas que pretende deflagrar reflexões e estimular (re)ações.

Editorial: Globalização

Constituído e incorporado como vocábulo de moda, global rompeu com o sentido original para referenciar dimensões e características planetárias da sociedade contemporânea, apesar do Planeta em questão ser geóide e não globo, no geométrico sentido do termo.

Palavras, conceitos e significados derivados do mesmo radical tomaram conta da contemporaneidade, designando desde rede de televisão, até modos de produção, passando por sistemas de comércio, perfil de pessoas, dimensão de empresas, natureza de empreendimentos e preocupação ecológica, ocupando a quase totalidade das vertentes e quadrantes da sociedade que, agora, tem produto global, guerra global, comunicação global, cartão de crédito global, aplicativo computacional global, escândalo global, idioma global e até o contra-senso de regiões que se proclamam globais.

Sensível ao tema, o Jornal da PUC-Campinas reúne, nesta edição, um tanto de análise e outro tanto de informações referenciadas na globalização.

Matéria sobre intercâmbios explica detalhadamente como o universitário brasileiro pode emprestar dimensão global à sua formação, realizando parte da graduação ou pós-graduação no exterior. O Departamento de Relações Externas da Universidade explica tudo quanto é preciso saber e tudo que é possível fazer aos alunos e alunas com interesse no assunto.

Globalização também mostra aspectos pitorescos e interessantes de lugares que a gente brasileira pouco conhece, como história e geografia de Moçambique. Recolhendo material para um livro de fotografias, em terras da ex-colônia portuguesa, alunos do Curso de Jornalismo revelam como em África é contrastante a ntiyisso (termo do idioma changana que significa verdade e realidade).

Contradição também é a linha adotada no resgate da história, inicialmente gloriosa, do Haiti, primeira nação independente da América Latina e primeira República negra do mundo, que hoje amarga a condição de país paupérrimo e marginalizado, mostrando a globalização prodiga para  transnacionalizar banalidades, como o consumo, mas incapaz de internacionalizar virtudes, como a solidariedade.

Em 2015 a música também vai ser global e diversificada na PUC-Campinas. A promessa é do regente e instrumentistas de Música de Câmara do Centro de Cultura e Arte. Para apresentações que vão se desdobrar ao longo do ano, por todos os campi, o grupo está mesclando, no repertório, popular e erudito de origem variada e diferentes períodos da música internacional.

Preocupação com o ambiente também tem dimensão global, embora ações efetivas ocorram, no mais das vezes em âmbito regional. No Município de Campinas, o Conselho de Defesa do Meio Ambiente, COMDEMA, responde pela harmonização do desenvolvimento social com a preservação da Natureza. Professores da PUC-Campinas que integram o órgão explicam objetivos e modus operandi do Conselho.

Além disso, o Jornal da PUC-Campinas ainda tem informação, indicações, comentários e opiniões sobre temas que estão na pauta de todos que pretendem estar, estão ou estiveram na Universidade, antes ou durante os tempos da globalização.