Arquivo da categoria: jp156-2014

Dicas de TCC: Como fazer citação?

É preciso ficar atento para fazer referência aos autores usados nas citações de um trabalho acadêmico. Você pode fazer a citação direta ou a indireta. A primeira é a cópia do que o autor escreveu, na íntegra. A segunda, por sua vez, também é uma reprodução do que disse o autor, mas com uma mudança no texto original.

Citação Indireta:
Segundos as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas): quando você for citar o autor INDIRETAMENTE, a citação deve ser assim: (SOBRENOME DO AUTOR, ANO). Ou seja, o último sobrenome do autor em caixa alta, vírgula e o ano da edição do livro que você está citando.

Citação Direta:
Para citações diretas seguem as mesmas normas da citação indireta, com a diferença que agora você precisará indicar a página que o autor escreveu aquilo que você está citando. Essa citação deverá estar entre aspas. (SOBRENOME DO AUTOR, ANO, p.)

Nota de rodapé:
A nota de rodapé é um elemento usado para referenciar pontos importantes para sua pesquisa, mas que não estão incluídos no texto. O objetivo da nota de rodapé é ser um complemento.

Citações de texto na Web:
Os trabalhos acadêmicos que tiveram partes de textos retirados da internet devem ser tratados da mesma forma como se fossem retirados de um livro, ou seja, sobrenome do autor + ano + página (está última, se existir).

O que não fazer:
Nunca colocar a URL de onde o texto foi retirado como fonte do texto. No máximo, com autorização do orientador, indicá-las no rodapé, como referência ao autor utilizado.

O que fazer:
– Não utilizar fontes de baixa confiabilidade
– Sempre peça ao orientador para sugerir as fontes de pesquisa
– Sempre submeta as fontes de referência ao orientador antes de iniciar a elaboração do trabalho.

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, na PUC-Campinas

Quais?
Psicologia (Mestrado e Doutorado).
Coordenadora: Prof. Dra. Vera Lúcia Trevisan de Souza

Urbanismo (Mestrado e Doutorado).
Coordenadora, Prof. Dra. Laura Machado de Mello Bueno

Educação (Mestrado).
Coordenador: Prof. Dr. Samuel Mendonça

Ciências da Religião (Mestrado).
Coordenador: Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves

Sistemas de Infraestrutura Urbana (Mestrado).
Coordenador: Prof. Dr. Alexandre de Assis Mota

Engenharia Elétrica (Mestrado Profissional).
Coordenador: Prof. Dr. Eric Alberto de Mello Fagotto
Para saber mais, acesse: www.puc-campinas.edu.br/pos-graduacao

Novos cursos de graduação na PUC-Campinas
Design Digital e Bacharelado em Filosofia são os novos cursos da PUC-Campinas para o Vestibular 2015. Ambos terão 60 vagas no período matutino e serão oferecidos no Campus I – Rodovia Dom Pedro I, km 136. A duração do curso de Filosofia é de seis semestres e de oito semestres para o curso de Design Digital. As inscrições do Vestibular 2015 terminam dia 26 de outubro de 2014.

Conheça e se inscreva clicando aqui.

Água na tela

CINEMA

A escassez nos reservatórios que abastecem grandes cidades da Região Centro-Sul e usinas hidroelétricas tem colocado a água nas manchetes e no debate público. Regime de chuva atípico e administração pública deficiente aparecem como vilões causadores do problema, cuja solução virá com a estação das águas e mais investimento público no setor. Todavia, a questão do abastecimento de água se espraia muito além das fronteiras brasileiras e incorpora variáveis mais críticas que regime de chuva e administração pública.

Atualmente, fatias significativas da população mundial padecem de escassez crítica, cenário que vai agravar-se com o crescimento vegetativo da população e aumento do consumo per capita que vem embutido na dinâmica da economia e nos conceitos de boa qualidade de vida. Futuristas de plantão apostam que a água será cada vez mais rara e cara. Gente como o “CEO” da Nestlé já deu o recado: “A água deve ser das empresas e os outros devem pagar por ela”. Frase alarmista? Infelizmente não. A Nestlé já tem projetos nesse sentido e não está sozinha no negócio. No mundo todo, em especial nas nações ricas, existem corporações gestando projetos para lucrar (muito) com a água.

Assunto sério, que tem agendamento inferior ao merecido no debate público, a questão merece mais atenção e conhecimento para evitar que a voracidade econômica suplante o desenvolvimento social, como já acontece com petróleo e transgênicos.

pag12-2Dois filmes encaram a questão da água e ajudam muito a entender o tema.

“A Corporação” (Mark Achbar) é um documentário canadense, lançado no Festival Internacional do Filme de Toronto, em 2003, que mostra como e porque as empresas se constituem em corporações e as dimensões do poder dessas instituições globais. Com muito detalhe e informação, parte do filme mostra a tentativa de privatizar e mercantilizar o abastecimento público de água na Bolívia, por corporações internacionais.

O mesmo tema aparece em “Até apag12-3 Chuva” (Iciar Bollain) ou “También La Lluvia”, no original espanhol. Com roteiro de Paul Laverty, a produção espanhola, de 2010, é um filme dentro de outro filme, mostrando uma equipe cinematográfica trabalhando em Cochabamba, Bolívia, em uma película histórica sobre a conquista espanhola. Enquanto trabalha como figurante, a população local resiste à tentativa de privatização da água (a mesma descrita no documentário citado) e acaba envolvendo, também, a equipe técnica e os atores. A produção, que conta com Luis Tosar e Gael Garcia Bernal no elenco, faturou uma razoável coleção de prêmios e citações em Festivais e Mostras, classificando-se como cinema da melhor qualidade.

As duas produções são fáceis de encontrar no mercado, existe muita informação sobre ambas na Internet e valem um bom debate acadêmico.

Corais Universitários

Para o Regente do Coral Universitário do CCA, é preciso desmistificar os Corais e aproximá-los do público

Com a proposta de juntar várias vozes em uma só sintonia, o Canto Coral rearranja músicas de todos os estilos, com ou sem o acompanhamento de instrumentos musicais. Um trabalho de cooperação, que exercita o corpo e a mente daqueles que se dedicam ao Coro.

Criado em 1983, o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas é um importante canal de expressão artística, que une pessoas de diferentes áreas com um interesse em comum: a música. Além da aproximação de estilos diferentes, o trabalho em grupo, colaborativo, e a responsabilidade junto ao regente e aos colegas, servem de auxílio para um futuro início de carreira.

O Coral nas universidades, no entanto, possui algumas peculiaridades. Trabalhar com gente nova pode não ser fácil. É necessário tornar a atividade atrativa aos estudantes. Para isso, o atual regente titular do Coral Universitário do CCA, Nelson Silva, utiliza de meios próprios. “Você tem de jogar com o pessoal, trazendo coisas que eles conheçam, e aí, por outro lado, desafiá-los com uma coisa que eles não conhecem tanto, mas que pode ser interessante conhecerem.”, explica Nelson. Além do repertório, o regente titular do Coral, há nove anos, explica que a rotatividade de um Coral Universitário pode ser um problema, mas nem sempre. “O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo. Você começa com coisas bem simples, que as pessoas têm bastante dificuldade. Essa dificuldade vai diminuindo e a qualidade vai melhorando, você vai criando um núcleo mais forte, mais apto. De repente, esse núcleo desmonta. As pessoas se formam, arrumam estágio, emprego… É um ‘jogo’ que não para”, compara Silva.

O Coral e as Massas

Os Corais não são muito populares no Brasil, e o público nas apresentações é limitado. A falta de acesso da população ao gênero de música coral, segundo o Regente, é porque as pessoas imaginam um Coral como algo ligado à Igreja, à música sacra e músicas de Natal. Silva afirma que isso é um mito. “Os corais, principalmente os coros brasileiros, fazem um trabalho que é diferente, que tem muito a ver com música popular, é um trabalho bem acessível, e também muito rico, porque o cancioneiro popular brasileiro é muito talentoso”, afirma. O tema “Saindo do limbo: Como levar o trabalho dos corais à mídia e às pessoas em geral? foi debatido durante o 28º Encontro de Corais do CCA, no dia 12 de setembro.

O desinteresse da mídia em relação a esse tipo de atividade cultural é, para Silva, o que contribui para uma imagem estereotipada dos Corais. O regente acredita que é um ciclo vicioso, em que o público desconhece o trabalho dos coros por não ter acesso, e a mídia não mostra porque é uma atividade anônima, que ainda não “se vende” no país.

Para participar do Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas, é necessário se inscrever pelo site, entre os meses de dezembro e março. Há uma seleção para os grupos musicais e um teste de aptidão mínima para o canto.

“O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo”

Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas
Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas

Brasil está à frente no controle de ética em pesquisa, afirma coordenador da CONEP

Nova resolução para pesquisa quer garantir mais direitos aos participantes dos estudos

Uma média de 120 projetos de pesquisas em diversas áreas, que envolvem seres humanos, chega mensalmente à Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (CONEP). O órgão, criado em 1996, é vinculado ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) do Ministério da Saúde e tem a responsabilidade de examinar os aspectos éticos dessas pesquisas, no Brasil. Um exemplo são os estudos que envolvem o uso de remédios.

Vinculados à CONEP estão os Comitês de Ética em Pesquisa com seres humanos (CEP) das principais instituições de pesquisa do país, como é o caso da PUC-Campinas, uma das pioneiras na região de Campinas, que participa com 30 membros, representando todas as áreas do saber. “Os projetos de mestrado e doutorado da Universidade que envolvem seres humanos passam pelo nosso Conselho de Ética”, explica o Presidente do CEP da PUC-Campinas e  docente da Faculdade de Engenharia Elétrica, Prof. Dr. Davi Bianchini. Os CEP´s avaliam estudos nas áreas de genética e reprodução humana, novos equipamentos, dispositivos para saúde, novos procedimentos, população indígena e projetos ligados à biossegurança.

O Brasil está à frente no controle de ética em pesquisa com seres humanos, se comparado a países da Europa e aos Estados Unidos. Essa é a opinião do Coordenador da CONEP, Dr. Jorge Venâncio, que foi categórico ao afirmar, durante visita ao Campus II da PUC-Campinas, no dia 13 de agosto, que o Brasil não aceita alguns critérios internacionais que desumanizam as pessoas. “Vemos o comércio de células em sites estrangeiros. Material humano sendo vendido? Isso me parece algo pré-histórico”, criticou.

Segundo o representante da CONEP, o Brasil é um grande mercado estrangeiro para a comercialização de medicamentos, o que aumenta ainda mais o papel da Comissão. “Não somos contra as pesquisas. Só acreditamos que é plenamente possível ter desenvolvimento científico respeitando os direitos das pessoas que participam dos estudos”, afirmou.

Em 2012, foi editada a resolução 466 do Conselho Nacional de Saúde, que pretende, segundo o Dr. Venâncio, garantir o direito da pesquisa sem que esse  direito negligencie os direitos das pessoas que participam dos estudos. Confira o texto da Resolução (link) com novas diretrizes para as pesquisas que envolvem serem humanos. A nova resolução, segundo o Coordenador da CONEP, abarca todas as áreas científicas e precisa ser do conhecimento da sociedade.

A palestra do Dr. Jorge Venâncio aconteceu no Campus II da Universidade. Estiveram no evento a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Dra.Sueli do Carmo Bettinei, o Coordenador Geral de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Dr. Alexandre Mota, o Diretor Técnico do Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), Dr. Agnaldo Pereira, o Diretor Clínico do HMCP, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, o Presidente da Comissão de Residência Médica, Dr. Glauco Penem, o 1º Vice-Presidente do CEP da PUC-Campinas, na área de saúde e pesquisa clínica, Dr. Aguinaldo Gonçalves.

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“Os projetos de mestrado e doutorado da Universidade passam pelo nosso Conselho de Ética”.

 

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Presidente do CEP da PUC-Campinas, Prof. Dr. Davi Bianchini

 

ORIGEM
O reconhecimento mundial sobre a necessidade de existir controle sobre o que poderia e o que não deveria ser feito em pesquisas com seres humanos teve sua origem no pós- guerra (II Guerra Mundial), quando algumas violências contra judeus, por exemplo, foram justificadas como finalidade de pesquisa. Cerca de 50 anos depois, a CONEP foi criada no Brasil, em 1996. Para ter mais informações  sobre a origem do controle ético de pesquisas com seres humanos no Brasil, clique aqui.

“PUC-Campinas foi uma das pioneiras nos Conselhos de Ética da região”

Da esquerda para direita: Dr. Aguinaldo Gonçalves, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, Dr. Alexandre Mota, Dra. Sueli do Carmo Bettinei, Dr. Jorge Venâncio, Dr. Agnaldo Pereira e Dr. Glauco Penem.
Da esquerda para direita: Dr. Aguinaldo Gonçalves, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, Dr. Alexandre Mota, Dra. Sueli do Carmo Bettinei, Dr. Jorge Venâncio, Dr. Agnaldo Pereira e Dr. Glauco Penem.

De qual reforma política necessitamos?

A ideia de reforma ou mudança acompanha, desde sempre, as discussões sobre os sistemas políticos em praticamente todos os cantos do mundo moderno, dizendo respeito à natureza mesma da política enquanto campo das ações humanas marcadas por lutas e resistência. No caso brasileiro, uma democracia ainda recente e truncada em razão das interrupções ditatoriais, a questão que se coloca é de que reforma necessitamos e como ela poderia, de fato, tornar-se viável e trazer consequências saudáveis para o exercício da política. Quando se fala em reforma política, as questões básicas parecem referir-se, em geral, às modalidades de sufrágio, seu caráter obrigatório ou facultativo, ao papel dos partidos políticos como agremiações efetivamente representativas de parcela do pensamento dos diversos grupos sociais e, portanto, em sua atuação na escolha dos candidatos. E também ao controle a ser exercido pelo Estado no processo eleitoral por intermédio das instâncias administrativas e judiciais, tendo como objeto, por exemplo, o registro das candidaturas e as campanhas eleitorais. Aqui se situa a questão relativa ao uso dos meios de comunicação de massa e ao financiamento das campanhas, seja público ou privado.

Todas essas questões parecem ter dado causa ao movimento popular que gerou a Semana Nacional pela Reforma Política, recentemente ocorrida (1 a 7 de setembro de 2014) (link), a qual defendeu a realização de um plebiscito e a elaboração de um projeto de iniciativa popular, reivindicações estabelecidas a partir das manifestações populares de junho de 2013.

Trata-se, de fato, de problemas cruciais para todas as democracias modernas, referindose, em última análise, àquela que parece ser a de mais difícil equacionamento e solução: a representação. Se quisermos falar em termos de um sistema minimamente democrático, teremos de refletir sobre a questão da representatividade, especialmente nas sociedades de massa em que vivemos, em que a democracia direta já não passa de uma página da história antiga. É ainda possível falar em representação popular como categoria essencial ao exercício da política? Como construir um modelo de democracia em que as pessoas se sintam representadas por aqueles que elegeram para exercer as posições de mando na sociedade? A pergunta passa pela reflexão sobre o papel dos partidos políticos e todas as modalidades de exercício do sufrágio por parte da população. Somos realmente livres para escolher pessoas que nos possam representar? Nesse sentido, no caso do Brasil, parece ser mesmo imperiosa uma mudança no sistema de escolha dos representantes, que implique, por exemplo, algum tipo de depuração não autoritária na quantidade exagerada das agremiações partidárias, muitas delas criadas por pequenas oligarquias para satisfazer interesses personalíssimos ou até para obter as benesses distribuídas pelo próprio sistema eleitoral. E a adoção do voto distrital, ao menos em sua modalidade mista, parece constituir uma mudança que vale a pena ser ao menos experimentada como forma de alimentar os laços entre os representantes e as bases sociais que buscam representar.

Cumpriria, igualmente, porém, reservar à participação política das diversas organizações sociais e movimentos de massa – um claro indicador do desencanto com a atuação dos partidos políticos – um grau maior de importância dentro do cenário político oficial, como demonstraram, com enorme força, os movimentos populares que se estabeleceram no país a partir de junho de 2013. Nesse sentido, seria imperativo aprofundar os mecanismos de participação popular na seleção de políticas públicas e sua gestão. No que se refere ao uso dos meios de comunicação de massa nas campanhas eleitorais e ao financiamento delas, as mudanças deveriam passar pela criação de mecanismos de democratização de tais meios e dos recursos, como via de salvação do princípio da representação popular.

Difícil imaginar qual o impacto que tais mudanças poderiam ocasionar na sociedade brasileira, considerando, aliás, que deveriam, em primeiro lugar, vencer os fortíssimos obstáculos contidos no interior do próprio sistema político da forma como se encontra jurídica e constitucionalmente organizado e com os atores atuais. Entretanto, quaisquer que sejam as consequências dessas mudanças, certamente produziriam resultados interessantes, colocando-se como potências contrárias ao desencantamento a que estão sendo relegados os eleitores modernos, impotentes em face dos atuais mecanismos eleitorais e de representação, que os levam a afastar-se cada vez mais da vida política.

Prof. Dr. Oscar Mellim Filho
Docente nos Cursos de Ciências Sociais e Direito da PUC-Campinas

Aluno da PUC-Campinas vence competição Hackathon nos EUA

Fernando Barbosa Gomes é estudante do curso de Engenharia de Computação e faz “graduação sanduíche” por meio do programa Ciência Sem Fronteira, do governo federal, na University of Kansas (EUA). Gomes faz parte da equipe vencedora da competição Hackathon, promovida pela empresa IBM, sobre o tema IoT (Internet of Things).

IoT (Internet of Things) é um termo “quente” na computação, que traduz a ideia de que em alguns anos, a sociedade estará convivendo com milhões de aparelhos conectados à internet. E o que nós, seres humanos, faremos com tantos aparelhos? “Imagine um mundo no qual até a sua torneira é conectada à internet”, sugere Gomes, em entrevista por e-mail à reportagem da PUC-Campinas. Segundo o estudante, com todos os dados dos produtos coletados, as empresas poderiam ter o controle sobre seus produtos, como a data da venda e para quem foi vendido.

Gomes afirma, no entanto, que o sistema não favoreceria apenas produtos “supérfluos”, mas poderia salvar vidas: “Quantos aparelhos, como marca-passos, podem se tornar muito úteis na hora de salvar vidas se estiver coletando os dados dos seus usuários e analisando esses dados o tempo todo?”, indaga. “O IoT é algo de extrema importância para os próximos anos e algumas empresas estão se apressando pra conseguir o mercado dessa área”, completa.

A Hackathon foi promovida pela IBM, entre seus estagiários, com o intuito de receber ideias de fora para dentro da campanha; ideias “out of the box”. Trata-se de uma competição em que todos os estagiários da IBM, em Kansas e na Califórnia, participaram com o objetivo de desenvolver um aplicativo/idea/máquina, documentálo e apresentá-lo; tudo isso feito em oito horas.

O aluno da PUC-Campinas, Fernando Gomes, tem 20 anos e um prêmio internacional no currículo
O aluno da PUC-Campinas, Fernando Gomes, tem 20 anos e um prêmio internacional no currículo

Cinco equipes de três a quatro pessoas participaram da competição. Quatro dessas equipes eram formadas apenas por estagiários e uma por funcionários “full time” da IBM. “O produto que nós desenvolvemos e apresentamos para essa competição são informações confidenciais, mas adianto que vencemos com uma diferença esmagadora dos outros grupos, nas áreas de “desenvolvimento da aplicação”, “apresentação” e “uso de tecnologia IBM”. A equipe ficou em segundo lugar, apenas, no quesito “ideia”, ganhando, portanto, em pontuação geral.

Para o estudante, esse prêmio é importante para a projeção profissional, pois atesta uma ideia inovadora e vai ao encontro dos interesses de mercado: “os empregadores estão interessados em pessoas capazes de fazer o design e projetar sistemas e não em pessoas que conseguem escrever algumas linhas de códigos sem ter erros”, acredita.

A equipe vencedora é formada, majoritariamente por brasileiros: Fernando Barbosa Gomes (Brasileiro, de Campinas, estudante da PUC-Campinas e KU [University of Kansas]), Cesar Augusto Nogueira (Brasileiro, de Campinas, estudante da Ufscar/Metrocamp e UMKC [University of Missoury – Kansas City]) e Christian Traistaru (Romeno, estudante da K-State [Kansas State University]. “ Fomos os únicos estudantes brasileiros, e de Campinas. O restante era estadunidense e de outras nacionalidades”, valoriza Gomes.

“em alguns anos, a sociedade estará convivendo com milhões de aparelhos conectados à internet”

 

Mais um estudante da PUC-Campinas foi reconhecido por projetos ligados à tecnologia. A aluna do último semestre do curso de Sistemas de Informação da PUC-Campinas, Gabrielle Cristina Perez Dias recebeu uma menção honrosa pelo projeto apresentado no Facebook São Paulo Hackathon: “Criamos um site, em que era possível cadastrar o desaparecimento da pessoa e associá-lo ao perfil do Facebook. Com isso, formávamos um banco de dados, o que facilitaria para encontrar o desaparecido (….) Nosso projeto pretendia usar os usuários do Facebook para fazer algo bom por alguém”.

A Cidade do Conhecimento

Planejamento estratégico quer transformar Campinas em referência nacional

O Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT) de Campinas foi criado oficialmente no primeiro semestre de 2014. O objetivo é que o CMCT auxilie o poder público para que, em 10 anos, Campinas se torne referência e seja reconhecida internacionalmente como a “Cidade do Conhecimento”. Para isso, o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia elaborou o Planejamento Estratégico, que prevê ações que potencializam a “vocação” da cidade na área de ciência e tecnologia, desde infraestrutura, recursos humanos, planos de energia, cidade “conectada”, formação de alunos em escolas técnicas até captação de indústria e de pesquisadores. O Planejamento Estratégico será uma espécie de “guia” do poder municipal e tem previsão para se tornar um livro a ser lançado ainda em 2014.

O mais novo Conselho Municipal de Campinas é consultivo e conta com 30 membros, entre titulares e suplentes. A PUC-Campinas está participando dessa iniciativa e é representada no Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia pelos docentes Prof. Dr. José Oscar Fontanini de Carvalho (titular) e pelo Prof. Dr. Juan Manuel Adán Coello (suplente).

1 – Gostaria que vocês se apresentassem, mencionando a área de formação e de atuação:
Oscar de Carvalho (O.C.): Sou graduado em Análise de Sistemas, com mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica (automação e engenharia de software, respectivamente). Atualmente, sou diretor da faculdade de Análise de Sistema, da PUC-Campinas.

Adán Coello (A.C.): Tenho mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica. Sou diretor da faculdade de Engenharia de Computação da PUC-Campinas.

2 – Como surgiu o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT)?
O.C.: Já existia um grupo de pessoas, representado por algumas entidades, interessado em montar um conselho voltado para a Ciência, Tecnologia e Inovação. Essas pessoas já se encontravam, informalmente, e discutiam a ideia. A partir daí, foi feita uma carta aberta chamando a sociedade para participar. A PUC-Campinas foi um das instituições de ensino convidadas, a outra foi a Unicamp.

3 – Apesar de o CMCT existir há menos de um ano, o Conselho já criou o Planejamento Estratégico de Ciência e Tecnologia de Campinas. Em que ele consiste?
O.C.: Os participantes foram divididos em grupos temático e passaram a desenvolver estratégicas para que, num período de 10 anos (2014-2024), Campinas se torne a Cidade do Conhecimento. O que poderá ser feito na próxima década? Planejamos ações desde a parte de infraestrutura e recursos humanos, até planos de energia, formação de alunos em escola técnica e superior e a captação de indústria, com incentivos. Esse plano se transformará em um livro, que será publicado ainda em 2014 e servirá de material para o poder municipal se “guiar”. Lembrando que não há qualquer obrigação nisso, o material ficará disponível para ser seguido ou não.
A.C.: O plano é transformar Campinas na cidade referência de ciência e tecnologia. Para isso, em vez de o município trazer um parque químico de produção, por exemplo, poderá trazer o grupo de tecnologia e desenvolvimento dessas empresas.

4 – Pode citar algumas mudanças no cotidiano que seriam implantadas com esse Plano Estratégico?
O.C.: O plano prevê aumentar e melhorar a rede lógica da cidade. Ou seja, teríamos uma rede digital muito melhor. Essa rede promoveria a conexão entre centros de saúde, hospitais e escolas.

5 – Além do Planejamento Estratégico de Ciência, Tecnologia e Inovação, existe alguma ação efetiva que será executada em curto prazo?
A.C.: Estamos planejando a Feira de Ciência e Tecnologia para Campinas. O objetivo é que essa feira tenha a duração de uma semana e seja um espaço de intercâmbio entre estudantes, inicialmente, do estado de São Paulo, mas, futuramente, de todo o país. A expectativa é que já em sua primeira edição, a feira atraia cinco mil jovens do Ensino Médio ou que estão buscando uma profissão. A previsão é que essa feira se realize em 2015.
O.C.: A gente precisa atrair os estudantes para as áreas de ciência e tecnologia. Precisamos investir nisso. E a Feira de Ciência e Tecnologia vai ter papel fundamental nisso.

6 – Como o Planejamento Estratégico idealizou atrair empresas nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação?
A.C.: O município está reformulando a lei de incentivo fiscal. O Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia vai sugerir qual área terá incentivo, além de uma série de medidas que estimule a instalação de empresas em Campinas. Uma cidade com qualidade de vida, atrairá pessoas.

7 – Em razão das ações que visam transformam a cidade de Campinas em um município de referência para o Brasil em Ciência e Tecnologia, em que medida o CMCT vem dialogando com o Conselho Municipal do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Urbano, por exemplo, para que essas ações não sejam, de alguma forma, danosas para Campinas?
O.C.: Essa questão é fundamental. Ainda não fomos chamados para dialogar com os outros conselhos. Imagino que isso acontece entre os secretários envolvidos. No caso do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, o coordenador é o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Samuel Ribeiro Rossilho. Imagino que isso será feito. Precisa ser feito. Mas, até agora, não houve discussão interdisciplinar. O que tem sido feito é a participação da sociedade na discussão da Ciência, Tecnologia e Inovação. Eu acho até que podemos levar essa pergunta para a reunião do conselho.
A.C.: O que ficou claro é que o padrão de vida da cidade é importante para atrair novas empresas e investimentos. Certamente, essas preocupações são fundamentais.

8 – É a primeira vez que vocês participam de um Conselho Municipal?
A.C.: É a primeira vez e estamos gostando. A Universidade tem de procurar, sempre que possível, sair do campus. É uma oportunidade de encontrar pessoas de outras áreas, que atuam dentro da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além do contato com o poder público.
O.C.: Eu também nunca tinha participado. E, para mim, está sendo uma experiência muito enriquecedora. É uma maneira de retribuirmos para sociedade, que deu chance para nós. A PUC-Campinas tem uma missão: as pesquisas da Universidade trabalham em âmbito regional. É uma vocação da PUC-Campinas.

Nada sobre nós sem nós

Empreendedorismo social de pessoas com deficiência intelectual é alternativa de inserção no mercado de trabalho

“Eu não gosto de ficar parada. Se eu não trabalhar, enlouqueço”, ri às gargalhadas. Para Ivani, o trabalho vai além de uma atividade de mercado. Pelo contrário, as atividades manuais, que mais tarde viram mercadoria, são a forma encontrada por ela para manter-se viva.

– Desde quando você borda e pinta panos de prato?
– Desde sempre.
– Com quem você aprendeu?
– Com a minha mãe. Em razão da epilepsia, ela entendeu que era melhor eu estar perto dela, em vez de trabalhar numa empresa.

A aluna no CIAD, Ivani Lopes, borda, pinta e vende seus produtos
A aluna no CIAD, Ivani Lopes, borda, pinta e vende seus produtos

E foi assim que Ivani Vieira Lopes, de 43 anos, tornou-se sua própria “empresa”. Além dos trabalhos artísticos, como a pintura e o bordado, ela, juntamente com sua mãe, adquiriu um carrinho de cachorro-quente e vende os lanches que prepara.

Já que o mercado tradicional não se adequou a ela, Ivani adequou o “mercado” às suas necessidades. A empreendedora, que é mãe de um rapaz de 19 anos, pretende, agora, ampliar suas atividades de mercado com o apoio do CIAD (Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência), que freqüenta desde os 20 anos.

No segundo semestre de 2014, o CIAD, em parceria com a Pró-Reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da PUC-Campinas, adentrou uma nova fase no trabalho de inclusão social, que já pratica desde 1997. Agora, todas as energias dos profissionais estão concentradas em preparar os alunos para o mercado de trabalho, como explica a atual Coordenadora do Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência, a psicóloga Karina Magalhães.

Tecnologia como ferramenta para empreender

Muitos alunos se dedicam à costura, artesanato e ao marketing por meio das redes sociais, como é o caso da Letícia Fernandes Nicoletti, 32 anos, que é consultora de uma marca de produtos cosméticos. “Agora com as oficinas de inclusão digital, os alunos vão aprimorar a qualificação para o mercado de trabalho”, explica a professora da oficina, Cristiana Dias.

Leticia Nicoletti - Consultora de produtos comesméticos e aluna no CIAD
Leticia Nicoletti – Consultora de produtos cosméticos e aluna no CIAD

Quando eu pergunto com quem Letícia aprendeu a arte de vender, ela logo me corrige e diz que ela não é vendedora. “Eu sou consultora. É diferente”. E continua: “comecei a me envolver com essa atividade por causa da minha mãe, que sempre trabalhou com cosméticos, maquiagem”, conta. Durante a entrevista, Letícia manifesta suas habilidades profissionais e quase convence a repórter a comprar a mercadoria: “Sabe por que esse produto é melhor do que os outros?”, a jovem empreendedora tem a resposta, sendo capaz de convencer qualquer consumidor que se trata do melhor produto do mercado.

Concentração. Atividades físicas são fundamentais para a inclusão no mercado de trabalho
Concentração. Atividades físicas são fundamentais para a inclusão no mercado de trabalho

Essa habilidade para os negócios foi adquirida em razão da integração de Letícia com os outros alunos do CIAD, como garante sua mãe, Dona Enedina Nicoletti. “Hoje, ela é formada em técnico administrativo pelo SENAI e agora vai aprimorar suas habilidades, nessa nova etapa do CIAD”, acredita. Letícia é calma e disciplinada. Fez questão de organizar a mesa para que pudesse mostrar suas mercadorias.

Para o Coordenador das Oficinas de Modalidades Esportivas do CIAD, Professor Vanderlei Palandrani Junior, “é necessário que as pessoas sejam reconhecidas pelas suas potencialidades e não pela sua deficiência, retratada por seu diagnóstico clínico. O trabalho para construção de um projeto que inclua ações empreendedoras é imprescindível para qualquer ser humano, independente de suas características e condições”, completa.

Além da inclusão digital e atividades físicas, haverá preparação para o mundo do trabalho e orientação vocacional, que vão possibilitar, segundo a Coordenadora do CIAD, que os alunos se tornem empreendedores de suas ações, possibilitando sua efetiva atuação profissional no mercado de trabalho formal e informal.

Atualmente, o CIAD inclui 160 alunos com diferentes tipos de  deficiências (física, mobilidade reduzida, intelectual e sensorial). O público atendido é composto por 60 pessoas institucionalizadas , ou seja, atendidas por instituições, tais como a APAE de Arthur Nogueira e o Instituto Norberto de Souza Pinto; 69 pessoas com deficiência intelectual, três pessoas com deficiência sensorial e 28 pessoas com deficiência múltipla (física e intelectual). Os alunos são moradores de Campinas e Região Metropolitana (Sumaré, Jaguariúna, Valinhos, Hortolândia e Capivari).

Aula com as mídias digitais faz parte das atividades de inclusão no mercado de trabalho
Aula com as mídias digitais faz parte das atividades de inclusão no mercado de trabalho

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Pensando o Mundo: Nas águas da insensatez

No Brasil, é costume associar aos fenômenos climáticos a exclusiva responsabilidade pelas mazelas que afligem a nossa sociedade. É certo que São Pedro tem a sua parcela de culpa, mas, em geral, ela é pequena diante da responsabilidade dos próprios homens.

Entretanto, ao apresentar, por exemplo, a falta de chuvas como a causa fundamental da miséria nordestina mascara-se um processo brutal de dominação e exclusão social, econômica e política que caracteriza o compadrio e o coronelismo. E, da mesma forma, responsabilizar o excesso de chuvas pelos desmoronamentos e inundações é ocultar a lógica perversa da apropriação e especulação com o solo urbano transformado em mercadoria.

Mas, dessa forma, faça chuva ou faça sol, o pobre São Pedro acaba se tornando o grande vilão do país, enquanto os verdadeiros responsáveis prosseguem com suas práticas espoliadoras, perscrutando novas oportunidades por entre as nuvens.

Na atual crise hídrica não é diferente. Não há dúvidas que tivemos, nos últimos meses, uma das maiores estiagens de todos os tempos. Mas ela apenas acelerou um desastre já anunciado há, pelo menos, cinco anos.

Desde 2009 os níveis dos reservatórios do sistema Cantareira vêm baixando de forma preocupante. Se em dezembro daquele ano os níveis de água estavam em 92,5% da capacidade, mesmo sem a estiagem, esses níveis caíram para 72,5% (2010), 62% (2011), 47,6% (2012) chegando aos exíguos 30,3% ao final de 2013.

Mas nada disso deve ter surpreendido as autoridades do setor. Desde 2009, quando ficou pronto o relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, o Governo do Estado de São Paulo já estava ciente dos riscos de abastecimento de água para as regiões metropolitanas de Campinas e São Paulo. O mesmo relatório apontava a vulnerabilidade do Sistema Cantareira e sugeria um conjunto de ações a serem tomadas pela Sabesp para garantir uma melhor gestão da água.

Quase nada foi feito. Ciosa das boas práticas do mercado financeiro, a Sabesp, empresa de capital aberto com ações nas bolsas de valores de São Paulo e Nova Iorque, priorizou investimentos que maximizavam sua rentabilidade, dentre os quais não estavam o controle das perdas de água e nem a solução para os problemas dos
reservatórios do Sistema Cantareira.

Assim, embora suas ações sejam recomendadas pela sua alta rentabilidade e a empresa tenha distribuído mais de R$ 4 bilhões de lucros aos acionistas nos últimos anos, um quarto de toda água captada pela empresa se perde antes sequer de chegar às torneiras de seus consumidores, deixando clara, mais uma vez, a  incompatibilidade entre a lógica da maximização dos lucros- e da água como mercadoria- ,com a lógica da água enquanto bem escasso e essencial e um direito de toda a população.

E o que foi feito, então? No início deste ano, a Sabesp contratou uma empresa para tentar produzir chuva artificial sobre o Sistema Cantareira, com resultados pífios, apesar de caros. Em maio, quando os níveis dos reservatórios atingiram os preocupantes 8,2%, a empresa passou a captar a água do volume morto, prática que vem sendo adotada até hoje.

O volume morto é uma reserva de água que fica abaixo dos canos de captação, uma espécie de fundo do poço. Como essa água está abaixo dos níveis da captação, ela foi se tornando densa em resíduos, que foram decantando ao longo dos anos. Embora a empresa garanta que o tratamento da água do volume morto está dentro dos padrões de “potabilidade” necessários, várias têm sido as críticas pela sua utilização.

Altas densidades de mercúrio, chumbo e outros metais pesados, que não são eliminadas pelo tratamento convencional, podem colocar em risco a saúde da população e provocar alterações no material genético, doenças degenerativas, problemas na tireóide, pâncreas e rins, além de intoxicações alérgicas e diarréia, é o que afirmam os críticos.

Mesmo assim, a água do Sistema Cantareira continua secando. Se nada mudar, as reservas se esgotam no início de novembro. E, pelo visto, nada vai mudar. Recentemente a imprensa divulgou a existência de um plano da Sabesp que indicava a necessidade do racionamento de água na Região Metropolitana de São Paulo, decisão que foi abortada pelo Governo do Estado, que considerou tal medida “inadequada”.

No final de julho de 2014, em sintonia com as manifestações de especialistas e entidades ligadas ao setor, o Ministério Público Federal recomendou ao Governo do Estado e à Sabesp a apresentação de um plano para a imediata implantação do
racionamento de água na capital.

Talvez seja tarde. Se as chuvas não chegarem em grande quantidade, o estado mais rico da federação terá que conviver com a mais grave crise de abastecimento de água de toda a sua história. E quase nada poderá ser feito para resolver o problema em tão pouco tempo. A não ser algumas orações ou, quem sabe, resgatar dos povos da floresta a sabedoria milenar da “dança da chuva”.

Quem sabe, talvez, seja a oportunidade que São Pedro esperava para aparecer como herói, pelo menos dessa vez…

Prof. Dr. Antonio Carlos A. Lobão
Docente no Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas