Arquivo da categoria: jp158-2014

Editorial

Final de ano é um período carregado de simbologia e representações, tanto no plano espiritual, como no campo material. Cristãos celebram paz e fraternidade, representadas em símbolos, ritos e rituais natalinos, enquanto neve de algodão, presentes e ceia modelam a temporada de Festas.

Todavia, para um grupo de pessoas, jovens na sua maioria, antes do Natal, das Festas e das férias, final de ano é a hora e a vez dos grandes desafios enfeixados no vestibular.

 Vestibulandos sabem que empregar a expressão no plural – desafios – é mais adequado que o uso no singular, porque há muito que fazer e outro tanto para decidir, quando o objetivo é a escolha da carreira universitária.

O desafio do vestibular inclui provas que exigem preparação e conhecimento, mas compreende, também, escolhas e caminhos a seguir, imediatamente após o ingresso na Universidade.

Esta edição reúne artigos e matérias sobre relações do mundo do trabalho a partir de perspectivas pessoais, focando a vocação como objeto de reflexão e análise. O leitor é convidado a pensar nas próprias escolhas e decisões que já fez ou pretende fazer em relação à carreira profissional, conhecer e desenvolver habilidades, procurar e avaliar ofertas e possibilidades do mercado na busca da realização profissional.

Ainda nesse campo de reflexão, a edição trata de empreendedorismo e analisa processos que definem a formação e a colocação de gestores, administradores e executivos empresariais.

O envolvimento direto da Universidade com o universo empresarial está presente, também, na reportagem de capa, mostrando soluções criadas na Universidade para sistemas de telecomunicações.

Na edição de dezembro existe, ainda, espaço para abordagens críticas e reflexivas sobre as condições de trabalho e orientações para as fases iniciais da carreira profissional.

Arte também é uma forma de trabalho e poucos exerceram tão bem o trabalho de fazer arte como o poeta matogrossense Manoel de Barros, morto recentemente. Aluna do Curso de Letras mostra como Manoel de Barros deixou mil e muitas formas de ver e pensar a natureza, o ser humano e a vida. Conteúdo para ler, gostar e reler.

O último Editorial de 2014 confirma a expectativa de breve reencontro com leitores/internautas, em fevereiro próximo, desejando um Natal santificado com a paz e a fraternidade do Menino na manjedoura do presépio, relegando ao esquecimento o que foi ruim, trazendo mais do que foi bom e produtivo, prenunciando, a toda comunidade acadêmica, um Feliz Ano Novo!

PUC-Campinas Informa

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Novo prédio de Psicologia

O novo edifício, localizado no Centro de Ciências da Vida (CCV), Campus II da Universidade, foi financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), ligada ao Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação, e abriga os laboratórios de psicologia e as salas para a orientação de mestrandos e doutorandos. Foi a primeira vez que a FINEP financiou uma Instituição de Ensino Superior não pública, em um edital que contemplou as Universidades Comunitárias. Para a Reitora da PUC-Campinas, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht, esse prédio é o resultado do trabalho dos docentes e alunos da psicologia e do esforço da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (anteriormente, sob a gestão da Profa. Dra. Vera Engler Cury e, atualmente, da Profa. Dra. Sueli Betini) e da Pró-Reitoria de Administração. “Nós sabemos o quanto é difícil pesquisar… e essa conquista exigiu a dedicação de todos”, destacou a Reitora. O novo prédio recebeu o nome do Arcebispo de Campinas, Dom Bruno Gamberini, falecido em 2011.

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Professora da PUC-Campinas é premiada

A docente da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas, Profa. Dra. Paula Almozara, foi uma das contempladas com o Prêmio Brasil Fotografia 2014, considerado o mais importante do segmento no País, na categoria Bolsa de Desenvolvimento de Projeto. O trabalho vencedor denominado “À Margem” desenvolverá um conjunto de 10 obras que tem como objetivo fundamental questionar e provocar os limites existentes sobre a noção de reprodutibilidade técnica na relação “matriz/múltiplo” e “objeto único”, realizando experimentações a partir da fotografia analógica e tendo na paisagem um elemento dominante das relações visuais a serem estabelecidas. A premiação é uma bolsa em dinheiro durante os seis meses de duração do Projeto. A exposição com os trabalhos acontece no dia 15 de janeiro de 2015 para convidados, no Espaço Cultural Porto Seguro, em São Paulo, capital, ficando em cartaz ao público até 31 de março.

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Turismo completa 40 anos de atividades

A Faculdade de Turismo da PUC-Campinas completa 40 anos de atividades em 2014. Para celebrar suas quatro décadas, os alunos do segundo ano do curso de Turismo promoveram evento cujo objetivo foi debater temas como aeroportos e epidemias. Tendo em vista os grandes eventos dos últimos anos, se fez necessário discutir quais são os impactos dos eventos turísticos na saúde e o impacto de doenças nos grandes eventos. Além disso, o ano de 2014 corou a excelência do curso, que recebeu quatro estrelas do Guia do Estudante. O resultado demonstra a qualidade do curso oferecido pela PUC-Campinas e coloca a Universidade como uma das melhores do País. Publicado anualmente pela Editora Abril, o Guia do Estudante é um dos principais veículos de publicação de Instituições de Ensino Superior do Brasil e de avaliação de cursos superiores de bacharelado e licenciatura.

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Aluna da PUC-Campinas vence prêmio cultural

A estudante do Curso de Letras da PUC-Campinas, Ana Paula Santos, 19 anos, é a vencedora do Concurso Cultural “PUC-Campinas numa frase”. O resultado foi divulgado no dia 13 de novembro, pela Reitora da Universidade, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht. Estavam também presentes as cinco finalistas do concurso e a Comissão responsável pela seleção das frases. Com a frase “PUC-Campinas: a tradição construindo os valores e a inovação transformando a vida”, Ana Paula Santos ganhou uma viagem de uma semana para Roma, na Itália, com hospedagem, passagem e o direito de levar um acompanhante. Será a primeira viagem internacional da estudante.

Vocação como sentido da existência humana

A vocação como sentido da vida é uma necessidade humana. A vocação consiste na escuta interior de um apelo que dá significado à vida inteira. É parte do nosso ser, que nos orienta a construir o nosso destino; nos proporciona encontrar a nossa direção, o nosso projeto de vida. Ela é essencial no processo de sobrevivência num mundo complexo e sem sentido. Aqui surge uma questão para os dias atuais: como dar sentido à vida num mundo cada vez mais sem sentido, sem profundidade da existência humana, cada vez mais desumanizador? Por isso, a necessidade de resgatar o nosso próprio ser interior, que nos proporciona ordem e coerência aos nossos ideais, às nossas ideias, às nossas emoções, enfim, à nossa vida.

A vocação contribui para a nossa vida nos proporcionando uma identidade pessoal, “quem sou? De onde venho, para onde vou?”. Em segundo lugar, uma identidade social, o ser para o outro, no relacionamento familiar e social. Em terceiro, nos proporciona valores, nos dando fundamentos e alicerces para agirmos a partir das nossas convicções. E, por fim, nos ajuda a lidar com o mundo, a superar obstáculos e dificuldades que enfrentamos a cada dia, nos dá resistência e solidez para caminharmos rumo aos nossos ideais de vida.

A vocação é o impulso vital que orienta o nosso caminhar, a nossa existência. A vocação, como impulso vital, representa o encontro com o nosso autêntico caminho, fazendo-o centrar-se e realizar-se na dimensão mais profunda de nossa existência. Para vivenciarmos esse impulso vital precisamos de pessoas que colaborem conosco. Devem ser pessoas de referência na nossa vida, como, por exemplo, a nossa família, os nossos educadores. Pessoas que não diminuam o nosso impulso vital, mas que se propõem a orientá-lo para possibilitar uma vida realizada.

A profissão na perspectiva da sociedade contemporânea

Entende-se por profissão uma atividade humana duradoura e especializada, por meio da qual o homem participa das tarefas da sociedade e ganha o seu sustento na busca da sobrevivência. O mercado do trabalho faz com que as tarefas profissionais sejam parciais e separadas da totalidade da vida. Desse modo, a tendência é tornar a profissão apenas uma tarefa visando ganhar dinheiro, sem importar muito o que se faz, buscando o sustento, perdendo-se o sentido humanizador do trabalho, que fica rebaixado a uma tarefa condicionada ao lucro e à sobrevivência social.

A sociedade apresenta pretextos que, frequentemente, influenciam os jovens para que abracem profissões consideradas lucrativas, da “moda” e prestigiosas, mesmo contra os profundos anseios que brotam do íntimo do seu ser. Nessa perspectiva, a profissão, implica a dedicação a uma tarefa especializada segundo as necessidades da sociedade, cuja motivação acontece por razões exteriores, utilitárias e práticas. Derivam daí, inúmeras frustrações do ser humano, que tem abundância de bens de consumo, mas escassez de sentido, e, por isso, sente-se desprovido do seu interior, deixando de dar valor a si mesmo e ao conjunto de suas potencialidades.

A profissão como vocação

A vocação é a “alma” das atividades e das tarefas profissionais. Sem ela, o trabalho profissional e a própria vida se tornam monótonos, mecânicos e perdem o seu supremo valor. Devemos ter a consciência de que o trabalho profissional é uma atividade importante e assume um significado antropológico: serve para formar e aperfeiçoar o ser humano, contribuindo para a sua vida e para o bem-estar da humanidade.

A vocação profissional se relaciona com todas as dimensões da vida. Uma autêntica vocação é capaz de integrar todas as tarefas profissionais e dar sentido às nossas ocupações cotidianas, até mesmo aquelas consideradas mais simples. Existem ações profissionais em que a inspiração vocacional revela-se mais facilmente, são aquelas em que se relaciona diretamente com pessoas, como a do professor, enfermeiro, psicólogo, serviço social, e tantas outras; mas na verdade toda profissão assumida como vocação traz a sua contribuição para um mundo mais humano e mais justo.

É, cada vez mais, urgente dar às profissões o espírito da vocação, que torna o ser humano consciente do seu valor e significado. A valorização da vocação profissional traz consigo a mística do amor à profissão, uma paixão esperançosa capaz de transformar a realidade.

Prof. Dr. Edvaldo Araújo é diretor da Faculdade de Filosofia da PUC-Campinas

Meu futuro? É empreendedor!

Qual será a profissão do futuro? Quais carreiras sumirão e quais estarão em ascensão daqui cinco anos? Será que a escolha que estou fazendo vai “pagar minhas contas”?

Essas e outras questões sobre carreira são sempre repetidas, ano após ano, seja nos colégios, no cursinho pré-vestibular, em casa e, também, durante nossa passagem pela universidade. Arrisco dizer que é durante nossa passagem pela universidade que a pressão pela escolha realmente aparece: “Nossa, já se passaram dois anos desde que iniciei o curso e ainda estou em dúvida… será que paro agora ou vou até o final? O que vão pensar de mim se eu desistir agora? O processo seletivo das empresas tem ‘desafios’, será que estou preparado? E se… E se… E se…”.

Não precisamos ser estudiosos em História para perceber que a sociedade vem mudando seus desejos cada vez mais rapidamente. Detalhe: a sociedade sempre buscou por mudanças. Está no nosso DNA, na nossa natureza, no nosso INSTINTO, o desejo contínuo de mudança. A evolução da espécie humana está associada ao desejo de mudança para uma situação que proporcione um “algo a mais”, seja “mais comida”, “mais poder” ou “mais conforto”. Como, então, estar preparado para o futuro? O tempo médio dos cursos superiores é de 4 anos e a Apple ou a Samsung lançam novos equipamentos a cada 7 ou 8 meses (quando muito)…

Uau! A filosofia de algumas empresas antigamente era de um “produto para uma vida inteira”, e, agora, a “vida inteira” de um produto é de 7 meses? Novamente a pergunta: Como devemos nos preparar para o futuro?

Talvez a resposta esteja mais próxima do que pensamos… Como é parte do instinto do ser humano o desejo de mudança, que tal explorarmos esse “potencial interno”? O grande diferencial dos profissionais de sucesso, em todas as épocas, é a capacidade de identificar oportunidades e AGIR rapidamente. Uma boa ideia representa menos que 10% do sucesso. Os outros 90% vêm do esforço, da persistência, da ATITUDE de transformar uma ideia em realidade.

Outro ponto importante: ninguém consegue abraçar o mundo sozinho. Ou seja, profissionais de sucesso interagem, integram, colaboram, constroem seus sonhos em equipe. E reconhecem o valor desse trabalho em equipe. E o que é interessante: a maior parte das empresas que mais crescem é composta por times multidisciplinares: Esporte com Marketing; Engenharia com Saúde; Educação com Tecnologia; Estatística com Administração Financeira. Apenas para citar algumas oportunidades.

Nesse cenário, estar preparado para o futuro é investir tempo compartilhando com pessoas de diversas áreas de formação, nossas expectativas e competências, avaliando sempre a possibilidade de construir algo novo.

Para apoiar esse processo de construção de um novo futuro para nossa comunidade interna, desenvolvemos o Programa PUC-Campinas Empreende que oferece um ambiente de compartilhamento de ideias e construção de oportunidades entre os alunos da Universidade, potencializando a relação com empresas e investidores, e reconhecendo com prêmios o esforço e a dedicação de nossos alunos.

Em 2015, estaremos na 3a edição do Desafio de Ideias e na 2a edição da Pré-Incubação de projetos. Com intensidade e persistência, bons frutos estão surgindo. E a profissão do futuro? Empreender… E é já!! Prepare-se e seja bem-vindo ao PUC-Campinas Empreende 2015!

O Docente Tiago Aguirre é o responsável pelo projeto PUC-Campinas Empreende

 

 

Cinema: Consciência Negra

Por Wagner Geribello

O registro dos feitos e desfeitos do ser humano mostra que raças diferentes quase sempre se estranham e muitas vezes se agridem, deixando cicatrizes profundas no tecido social. Por isso, não há tempo algum na História e nenhum lugar do Planeta isentos de conflitos étnicos.

Novata, em termos históricos, a civilização brasileira, simultaneamente, aglutinou e segregou raças distintas, demonstram pensadores como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, fazendo-se multirracial na constituição biológica e plurirracial na formação cultural, mas nem por isso vazia de preceitos distorcidos e preconceitos ostensivos, arraigados na (de)formação social da nossa gente.

Adotando a tonalidade da pele como principal fator de identificação racial, os exercícios sociais de segregação e integração, no mais das vezes, dividem o Brasil em negros e não-negros, adotando a dualidade como parâmetro de comportamento, seja quando adota medidas compensatórias, como a legislação sobre cotas raciais no ingresso universitário, seja no caminho oposto, como manifestações difamatórias observadas em eventos esportivos. Enfim, para o bem e para o mal, a sintonia racial no Brasil ainda é questão pendente, merecedora de atenção, reflexão, debate e análise.

Entre os compartimentos da organização social que se ocupam da temática, destaque para o espaço e o talento da arte, como demonstram quadros de Portinari, livros de Mário de Andrade, poesias de Castro Alves e músicas de Martinho da Vila, por exemplo. Nesse conjunto, o cinema tem um peso significativo, reunindo muitas e boas películas que projetam diferentes aspectos da questão racial.

Assim, considerando a recente comemoração da quarta edição (desde que virou lei) do Dia da Consciência Negra, em novembro, o Jornal da PUC-Campinas indica diversos filmes sobre relações raciais, incluindo ficção e documentários, pra gente pensar depois de assistir e debater depois de pensar.

CONFIRA:

“Barravento” (1962), Glauber Rocha.
“Congo” (1972), Arthur Omar.
“Em Compasso de Espera” (1973), Antunes Filho.
“O amuleto de Ogum” (1974), Nelson Pereira dos Santos.
“Xica da Silva” (1976), Carlos Diegues.
“O Poder do Machado de Xangô” (1976), Paulo Gil Soares.
“Cordão de Ouro” (1977), Antonio Carlos Fontoura.
“Tenda dos Milagres” (1977), Nelson Pereira dos Santos.
“Quilombo” (1984), Carlos Diegues
“Chico Rei” (1985), Walter Lima Jr.
“Jubiabá” (1987), Nelson Pereira dos Santos.
“Abolição” (1988), Zózimo Bulbul.
“A Negação do Brasil” (2000), Joel Zito Araújo.
“Brasil – uma história inconveniente” (2000), Phil Grabsky.
“Casa-Grande e Senzala” (2001), Nelson Pereira dos Santos.
“Milton Santos, pensador do Brasil” (2001), Silvio Tendler.
“Vista Minha Pele” (2003), Joel Zito Araújo.
“Filhas do Vento” (2004), Joel Zito Araújo.
“A Cidade das Mulheres” (2005), Lázaro Faria.
“Cafundó” (2005), Clovis Bueno e Paulo Betti.
“Casa de Santo” (2005), Antonio Pastori.
“Preto contra branco” (2005), Wagner Morales.
“Dança das Cabaças – Exu no Brasil” (2006), Kiko Dinucci.
“Atabaque Nzinga” (2007), Octavio Bezerra.
“Zumbi Somos Nós” (2007), Coletivo Frente 3 de Fevereiro.

O caso Escola Base

20 anos de uma história e de um jornalismo trágicos

Nos últimos 20 anos, os jornais sofreram vertiginosa transformação. Há pouco mais de duas décadas, porém, o modelo convencional de jornalismo cometeu uma das maiores “barrigas”, com efeitos trágicos sobre a vida dos personagens envolvidos. Barriga é jargão entre jornalistas. Significa erro, falha, informação improcedente, uma mentira publicada, enfim.

Em março de 1994, os brasileiros tomaram conhecimento, pelos jornais diários, revistas, emissoras de rádio e televisão que havia uma grave denúncia contra professores e funcionários de uma escola para crianças, no bairro da Aclimação, zona sul de São Paulo. Eles eram acusados da prática de abuso sexual contra os menores.

As manchetes, taxativas. Na Escola de Educação Infantil Base, as crianças seriam vítimas de abusos em orgias gravadas em fitas que depois eram exibidas nos aparelhos de videocassete. As reportagens foram elaboradas a partir das informações colhidas com fontes autorizadas, delegados de polícia, investigadores e mães de pelo menos quatro crianças.

A “escolinha do sexo” virou palco da vingança e da tragédia. Funcionários foram torturados por policiais. O local, pichado, depredado. Os proprietários presos. O inferno chegara após avisá-los pelos jornais.

A irresponsabilidade originada das denúncias validadas pela autoridade policial contaminou jornais e jornalistas. O caso realçou o “fontismo”, termo que indica a dependência do jornalista pelas declarações das fontes de informação, sem que o contraditório seja apurado, investigado.

Mais tarde, constatou-se que nenhuma prova fora produzida contra os acusados. Eram inocentes.

Uma cadeia de erros foi construída. Entre os grandes jornais paulistas, somente o Diário Popular, com uma tiragem acima dos 200 mil exemplares/dia, recusou-se a se contaminar pelo engano. E publicou apenas uma nota, nas páginas internas da edição da terça-feira, 29 de março daquele ano. Mas, a parcimônia e o cuidado dos jornalistas do Diário Popular não foram critérios para os concorrentes. Todos os outros foram conduzidos pelo estado emocional das mães que acusavam a escola de ser palco das orgias com seus filhos e pelas declarações do delegado responsável pelo inquérito.

Crédito: Divulgação Jornal da época repercute o desdobramento do caso
Crédito: Divulgação
Jornal da época repercute o desdobramento do caso

Os proprietários, Icushiro Shimada e a esposa, Maria Aparecida Shimada, ingressaram com ações cíveis contra os jornais. Editora Abril, Folha de São Paulo, Rede Globo, SBT, entre outras empresas, foram sentenciadas a indenizá-los, como ao motorista Maurício Alvarenga. Icushiro e Maria Aparecida morreram sem ter recebido as indenizações. Ele, de infarto no miocárdio em abril deste ano. Ela, de câncer, em 2007.

A verdade no jornalismo é provisória. E depende dos processos nos quais informações e contrainformações bem apuradas se debatem por um lugar nas páginas impressas, nas telas digitais ou na edição audiovisual. Desrespeitar tais fundamentos é arriscar repetir o caso Escola de Base e aprofundar o grau de descrédito sobre um jornalismo rasteiro, apressado e descompromissado com os fatos. Inverter essa equação é desafio para jornais, jornalistas e sociedade.

Marcel J. Cheida, Professor da Faculdade de Jornalismo PUC- Campinas

Pesquisa soluciona gargalo em sistemas de telecomunicação

Método identifica falhas e reduz 96% das queixas 

Por Amanda Cotrim

Com a crescente dependência de empresas em relação às redes de computadores – com as videoconferências, telepresenças e o monitoramento por câmeras de seguranças, entre outros -, os incidentes no sistema de telecomunicação podem gerar inúmeros prejuízos para as empresas. Pensando em conter esse quadro, um estudo realizado por alunos do curso de mestrado em Gerência de Rede de Telecomunicações, da Faculdade de Engenharia Elétrica, da PUC-Campinas, desenvolveu um método que mapeia e trata os incidentes no sistema de telecomunicações, de modo que a empresa possa antever o problema, se preparar e evitar que ele ocorra novamente. “Com o crescimento acelerado da concorrência entre as empresas e negócio, garantir um mecanismo que evite e trate problemas pode representar vantagem no mercado”, explica o pesquisador do estudo, Almir Carlos da Silva.

Crédito: Arquivo Pessoal Almir Carlos da Silva, autor do estudo/ Arquivo Pessoal
Crédito: Arquivo Pessoal
Almir Carlos da Silva, autor do estudo/ Arquivo Pessoal

A pesquisa selecionou um dos clientes da provedora de serviços de telecomunicação, que detém 80% do mercado mundial na área em que atua e com representatividade em diversos países. O cliente foi analisado por seis meses (janeiro a junho de 2012), tendo relatado 31 tíquetes de reclamações sobre o sistema de comunicação. Após a aplicação do método, durante o mesmo período, no ano de 2013, o cliente recebeu três tíquetes de reclamação; uma redução em 96% das queixas.

Procedimento:

Para poder detectar os incidentes no sistema de comunicação, a pesquisa criou o “Mapeamento de Ambientes Críticos ao Negócio” (MACN), que precisa, de forma mais eficaz e rápida, as falhas e problemas nos sistemas. Em seguida, o método foi aplicado: “Selecionamos a aplicação mais importante para este cliente que foi o Desktop, fundamental para os seus negócios (venda, produção, compras, logística). Cerca de 30 mil usuários utilizam o Desktop, sendo que, aproximadamente, 11 mil são acessos simultâneos”, contextualizou. A empresa analisada possui diversas localidades no Brasil, e todas usam a estrutura do Desktop, que está instalada em uma estrutura composta por mais de 200 servidores localizados em um Data Center (DC) centralizado. “Todo o acesso das localidades ao DC é feito mediante o uso de diversos circuitos de comunicação, que proveem aos usuários de cada localidade a área de trabalho virtual, a qual ele não consegue desenvolver suas atividades, pois apenas 10% dos equipamentos do parque de Tecnologia da Informação (TI) que atendem os usuários são computadores físicos”, explicou.

Mapeamento de Ambientes Críticos ao Negócio

Correlação da visão de gestão com equipamentos e sistemas que podem  ocasionar sérios prejuízos à empresa

Reportagem - Pesquisa soluciona - Almir Carlos da Silva f1

No momento em que um incidente é aberto pelo cliente das empresas de telecomunicação, o MACN consegue constatar se ele está relacionado a algum sistema sensível ao negócio e classificá-los como “críticos”. Caso o incidente não seja impactante, o tratamento deve seguir o fluxo normal de atendimento. Mas, o Pesquisador adianta que se o mapeamento identificar algo crítico, assim que o problema ocorrer, é preciso informar o nível executivo da operação. “Isso permitirá que o gestor antecipe-se e interaja com o cliente, demonstrando atenção ao negócio e o cuidado com ele por parte da provedora de serviço”, defende.

Reportagem - Pesquisa soluciona - Almir Carlos da Silva f2

O processo descrito na figura mostra o acompanhamento Executivo de Incidentes Críticos

Além do MACN foi elaborada uma Lista de Verificação de Rede (LVR), cujo objetivo é identificar possíveis causas de problemas na transmissão de dados a partir dos equipamentos de rede. “Se constatou que o LVR é eficaz como ferramenta de diagnóstico de falhas ou anomalias na rede. Sua prática em ambientes críticos previamente mapeados pode oferecer precisão e rapidez no diagnóstico de falhas e problemas, diminuindo o impacto para os negócios dos clientes”, afirmou.

Para o Pesquisador, o estudo desenvolvido proporciona um mecanismo simples e prático que pode ser implementado por qualquer empresa. “Acredito que o método elaborado pode extrapolar a área de TI (Tecnologia da Informação) e ser utilizado em outras frentes, como a saúde, a produção, entre outros”, finalizou.

O próximo gerente pode ser você

Estudo afirma que a sucessão planejada é o caminho para o sucesso 

Por Amanda Cotrim

A competitividade do mercado exige que as empresas busquem sempre um diferencial inovador. “Não é fácil capacitar um líder para gerir pessoas nos dias de hoje, pois além dessa qualidade, ele precisa ter conhecimento técnico adequado para assumir essa posição”. Uma gestão moderna é o grande desafio das empresas; essa é uma das constatações do estudo desenvolvido pela ex-aluna do curso de especialização em Desenvolvimento do Potencial Humano nas Organizações , da PUC-Campinas, Laís Nassar Marcondes dos Reis, que aplicou o plano de sucessão em uma empresa americana multinacional de componentes eletrônicos. O estudo concluiu que a prática de um programa de sucessão é uma ferramenta fundamental para o mercado.

Segundo Laís, que é formada em Psicologia também pela Universidade, com o plano de sucessão desenvolvido, a empresa diminui a preocupação em substituir funcionários que estão prestes a se aposentar ou que podem deixar a empresa em razão da rotatividade do cargo. “Uma promoção pode ter um efeito negativo, se o profissional não estiver preparado. A empresa precisa estar atenta a isso”, considera.

Perfil dos futuros gerentes

O estudo feito na multinacional selecionou 20 funcionários/supervisores (dos 480 trabalhadores), sendo 19 homens e uma mulher. A pesquisa identificou que a maioria dos entrevistados tem ensino superior completo e está na faixa dos 30 a 50 anos de idade. Contudo, Laís observou que o tempo de serviço não é garantia de promoção. A pesquisa apontou que a maioria dos candidatos à promoção, que foram entrevistados, tem em média sete anos de empresa. O estudo também mostrou que as competências mais valorizadas pelos funcionários consultados, no momento de ocupar um cargo de liderança, é o “autocontrole” e “trabalho em equipe”.

Para Laís, um dos “braços” que as empresas têm para mapear futuros gerentes é a área de Recursos Humanos. “Nos dias de hoje, muitas empresas buscam implantar um plano de sucessão, justamente pela dificuldade de encontrar força de trabalho qualificada. Ter um acesso mais fácil a esse tipo de informação, bibliografia, cursos ou consultorias ajudaria na implantação desse processo nas grandes empresas”, explica.

Impasses no momento da sucessão

“Quando se trata de empreendimento familiar, os problemas vão além da empresa, estes podem ser transformados em grandes conflitos pessoais, porque nem sempre os empresários conseguem solucionar os problemas de forma racional”, aponta. Laís defende que o processo de substituição “deve ser iniciado desde cedo para que o sucessor esteja bem preparado para dirigir a organização e o cargo que a ele foi designado, seja familiar ou não”.

Segundo ela, muitos empresários acreditam que manter os familiares no controle é o melhor para o sucesso da organização. Outros, contudo, preferem apostar em profissionais de fora, com pensamentos diferentes, inovadores, pois esse pode ser um ponto positivo para o crescimento da empresa.

De acordo com Laís, o sucessor deverá ser a pessoa mais compatível com o modelo de seguimento que antes era exercido pela organização. “O planejamento de sucessão não deve existir isoladamente; ele deve estar alinhado com os objetivos estratégicos da organização e sustentar a maneira pela qual ela pretende evoluir para atingir suas metas” conclui.

Por que a escolha de uma boa universidade é fundamental para a vida ?

Primeiro passo em direção ao futuro profissional

Por Giovanna Oliveira

Anos atrás, a escolha de uma profissão e de uma universidade na vida de um cidadão era bem mais simples. Era uma escolha significativa, mas não tão ampla e concorrida como a dos dias atuais. Já faz um tempo que as opções, tanto de cursos, quanto de universidades e de faculdades, são tantas, que a cabeça do jovem passa a ser “bombardeada” com milhares de informações, para fazer a “escolha certa”. Mas por que essa escolha se tornou tão importante?

Na sociedade atual, cuja escolha da carreira tem grande impacto no futuro, deve levar em consideração, além de outros, fatores como conforto, formação, infraestrutura, docentes, mercado de trabalho e relações interpessoais. É por isso que a universidade escolhida deve ser analisada com cuidado, para que atinja, dentro do possível, o maior número de metas estabelecidas pelo próprio jovem.

Foto: Álvaro Jr Um bom profissional começa numa boa sala de aula
Foto: Álvaro Jr.
Um bom profissional começa numa boa sala de aula

É na decisão sobre qual curso escolher que o jovem projeta o que será no futuro, como explica a psicóloga e docente do Centro de Ciências da Vida (CCV), Profa. Dra. Maria de Fátima Franco dos Santos. “Existem universidades que não têm a preocupação com a formação humana do aluno. Apenas oferecem cursos mais técnicos, direcionados ao mercado de trabalho. Em geral, essas universidades têm uma visão mais empresarial a respeito do ensino, quando na verdade elas teriam de ter uma visão mais humanista, que transforma o aluno para além da sala de aula e conduz suas atividades profissionais.

O Pró-Reitor de Graduação da PUC-Campinas, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella, concorda que as universidades devem ir além de uma formação inteiramente relacionada ao mercado de trabalho. “Ela tem de receber o jovem, que, muitas vezes, veio do Ensino Médio e entrou na universidade para ter uma profissão, e formá-lo para que ele possa exercer aquela profissão escolhida da melhor forma possível. Mas tem de haver uma formação integral. Uma formação integral do ser humano, esse é o grande diferencial entre uma universidade e uma faculdade.”

Diferenciar uma faculdade de uma universidade é relevante quando o aluno deixa a sala de aula e torna-se um profissional em busca de uma oportunidade. O docente do Centro de Economia e Administração (CEA) Prof. Me. Valdenir da Silva Pontes, explica: “Eu acredito que o mercado olha com mais carinho quando o aluno é formado em uma universidade, já que ele, no próprio sentido da palavra, tem uma formação mais universal, mais completa, mais abrangente. Com forte apelo, inclusive, em áreas que não são específicas da formação do aluno. Já as faculdades não oferecem isso. Pelo menos não na qualidade e quantidade desejadas.” Para Pontes, a universidade prepara o aluno de duas formas: com o conhecimento teórico, e a presença de profissionais como docentes em sala de aula. “Isso estimula o aluno, e o direciona a uma escolha dentro das opções do próprio curso”, esclarece.

Foto: Álvaro Jr.  Universidade investe em ensino, pesquisa e extensão
Foto: Álvaro Jr.
Universidade investe em ensino, pesquisa e extensão

O papel dos docentes dentro da formação de um profissional também é de suma importância, como enfatiza a psicóloga Maria de Fátima. “Tem de estar claro que existe uma hierarquia, como tudo na vida, e isso começa dentro da sala de aula. Dentro da universidade é o professor que levará o aluno ao desenvolvimento pessoal.”

“Nós, docentes, procuramos estar sempre à disposição, porque também queremos a melhor formação para ele”, completa o professor Orandi.

As escolhas do curso e da universidade devem ser feitas com segurança, por isso é importante pesquisar para saber exatamente o objetivo que se pretende atingir.

“A grande diferença de uma Universidade, como a PUC-Campinas, é que você tem três pilares que a sustentam: as atividades de Ensino, de Pesquisa, e de Extensão. Quando falamos em uma formação profissional, podemos dizer que em uma Universidade, você tem uma formação completa”, finaliza o Pró-Reitor de Graduação.

“Não existe medicina sem prática”

Prova de residência muda e valoriza a prática médica

Por Amanda Cotrim

Ser um promotor da saúde requer algumas características, como gostar de pessoas e de estudar. E, além da teoria é preciso muita prática, porque a realidade, muitas vezes, é o que fomenta novos estudos. Essa é a opinião da diretora da faculdade de medicina da PUC-Campinas, Profa. Dra. Márcia Pereira Bueno. Em 2014, a PUC-Campinas foi a universidade particular mais bem avaliada pelo Guia do Estudante, da Editora Abril, na área da saúde, figurando o “pódium” junto à Universidade de São Paulo (USP). Para a diretora da faculdade de medicina, essa conquista se deve a três fatores fundamentais: atualização curricular, o Hospital-Escola da PUC-Campinas e a prática médica, prioridade no curso de medicina da Universidade, além da estrutura de laboratórios, salas de aula modernas e um variado corpo pedagógico.

Confira a entrevista completa:

Jornal da PUC-Campinas: A PUC-Campinas foi a universidade particular mais bem avaliada pelo Guia do Estudante 2014 na área da saúde. Pensando que o curso de medicina está dentro dessa avaliação, ao que se deve essa conquista?

Profa Márcia Pereira Bueno: A PUC-Campinas é uma universidade tradicional, que já ultrapassou metas e superou desafios. Nós modernizamos o currículo, deixando-o mais acessível à realidade médica atual, e isso coloca o aluno precocemente diante da prática, lidando, desde cedo, com a diversidade de doenças. Nossa prioridade é que o aluno seja visto como um “tratador” pela comunidade em que a Universidade está inserida (região noroeste de Campinas, periferia da cidade). Além disso, a PUC-Campinas tem professores, professores pesquisadores, profissionais que atendem em clínicas. E isso é um conhecimento completo do dia a dia da profissão. O conjunto pedagógico e de professores faz com que a PUC-Campinas chegue onde está hoje no mercado, como a universidade particular mais bem avaliada na área da saúde.

Jornal: Qual é a importância do Hospital-Escola da PUC-Campinas para esse aluno?

Profa Márcia: O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), mais conhecido como Hospital da PUC-Campinas, facilita a integração entre o aluno e o paciente e possibilita o contato 24 horas. A humanização, o tratamento, a interlocução com a família do paciente são aspectos que potencializam o trabalho do futuro médico. E isso é possível justamente por causa do Hospital-Escola.

Jornal: Uma universidade se diferencia de faculdade porque desenvolve ensino, pesquisa e extensão. Comente sobre as pesquisas científicas desenvolvidas tanto no curso de medicina quanto no Hospital da PUC-Campinas.

Profa. Márcia: A pesquisa na faculdade está sendo ampliada dentro da Universidade. A meta do Hospital e do curso de medicina é melhorar a pesquisa científica ainda mais. Temos pesquisas clínicas fortes, que são ligadas à residência médica e que o aluno pode participar. A pesquisa no HMCP e na faculdade de medicina, do ponto de vista burocrático, é feita separadamente, porém, do ponto de vista prático, ela é feita em comum, porque os alunos têm contato com os residentes. E uma grande maioria dos residentes já foi aluno da PUC-Campinas. A pesquisa médica é muito importante para uma universidade, pois ela promove as melhorias para a comunidade.

Jornal: O Hospital da PUC-Campinas é bem procurado pelos alunos que farão residência. Qual é o papel da residência na formação do futuro médico?

Profa. Márcia: A residência é o momento em que o aluno fará sua especialização. Ao se especializar, o aluno opta por uma área do conhecimento que ele mais gosta. A prova de residência deixou de cobrar só “conteúdo” e passou a cobrar “conteúdo e habilidade”. O aluno faz uma prova prática: entra um paciente, que conta o seu quadro clínico e mostra exames e o aluno vai se comportar como médico generalista. A avaliação vai considerar como o estudante se comportou, qual tratamento ele propôs e como ele chegou a um determinado diagnóstico. Como a PUC-Campinas é uma universidade em que o aluno tem muita prática, ele, normalmente, se sai muito bem nas provas de residência.

Jornal: Segundo dados do Ministério da Educação, de julho de 2014, há, no Brasil, 21.647 vagas autorizadas para cursos de medicina. Desse total, 11.269 estão no interior do país e 10.405 em capitais. Em 2012, eram 8.911vagas nas capitais e 8.772 no interior. Qual é a sua avaliação sobre esses números?

Profa. Márcia: Muitos cursos são abertos porque a quantidade de médicos no Brasil é pequena. Eu creio que os médicos estão mal distribuídos, permanecendo, a sua maioria, nos grandes centros e não na periferia. Quando há muitos cursos nos centros, não se resolve o problema da má distribuição. Não é possível saber, por enquanto, se esse número de faculdades possui um curso bem montado, porque medicina não pode ser somente um curso teórico. É preciso ter um hospital, contato com pacientes e prática médica. O cuidado que se precisa ter é de não colocar médicos mal formados no mundo do trabalho, porque se isso acontecer, esse profissional precisará fazer cursinho preparatório para tentar a residência. Em resumo, é preciso inserir as universidades em locais mais necessitados verificar se elas estão cumprindo bem o seu papel.

Foto: Álvaro Jr. O contato do aluno com o paciente é o diferencial no curso da PUC-Campinas
Foto: Álvaro Jr.
O contato do aluno com o paciente é o diferencial no curso da PUC-Campinas

Jornal: Como a senhora avalia a saúde preventiva proporcionada pelo Hospital da PUC-Campinas (HMCP) e na região de Campinas?

Profa. Márcia: A saúde preventiva é muito bem montada na região de Campinas, o que não anula o fato de, às vezes, termos dificuldades que são para além da medicina, como a própria política. Dentro da Universidade, a saúde preventiva, a medicina coletiva é bem-sucedida.

Jornal: Para finalizar, o que é fundamental para ser um médico?

Profa. Márcia: Medicina é uma grande profissão eé preciso gostar do que se faz. Saber escutar o outro, ter vontade de ajudar e gostar de gente. É preciso que o profissional seja bem formado, tenha cursado uma boa faculdade, porque, assim, ele terá segurança para atender. São seis anos da vida do aluno que serão dedicados, em razão dos plantões médicos, no período da manhã, tarde e noite na Universidade. A vida do aluno será permanecer dentro da Universidade. A PUC-Campinas acolhe bem esse aluno do período integral, com inúmeras atividades e um ótimo aparato universitário. É imprescindível que o aluno saiba que, para cursar medicina é preciso gostar de estudar e ter em mente que o médico é um promotor da saúde e está ali para melhorar a comunidade que está em sua volta.