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Campanha da Fraternidade 2015

Por Padre João Batista Cesario

A Campanha da Fraternidade (CF) é uma grande mobilização de toda a Igreja Católica no Brasil, feita a partir dos apelos do Evangelho, abordando temas relevantes para a vida da Igreja e da sociedade durante a Quaresma, período marcada por muita oração, reflexão, penitência e caridade. Segundo o Papa Francisco, a Quaresma é “tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fieis, tempo favorável de graça” e, também, momento oportuno para superar “a globalização da indiferença”, tentação contemporânea que atinge a todos, inclusive os cristãos. Ora, o mal da indiferença é superado com amor e serviço qualificado à vida em todas as suas manifestações.

Para os cristãos, o gesto de lavar os pés, realizado por Jesus na última ceia, é o paradigma do serviço. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir”, disse Jesus; por isso, o Papa afirma que “a Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos servidores como Ele” (Mensagem para a Quaresma de 2015).

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.
Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.

Fraternidade, Igreja e Sociedade

O tema da CF 2015 é “Fraternidade, Igreja e sociedade” e o objetivo geral é justamente “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus”. A referência ao Concílio é muito importante, porque 2015 marca o cinquentenário do encerramento desse grande evento eclesial que, na década de 1960, despertou a Igreja para um novo tipo de presença na sociedade, marcada pela abertura aos sinais dos tempos e por constante diálogo com as realidades contemporâneas.

Entre os objetivos específicos da CF-2015 destacam-se os propósitos de “apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da Doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanizantes; identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; e atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária” (CNBB. Texto-base CF-2015, p.10).

Trata-se, então, de procurar aprofundar cada vez mais a postura de serviço da Igreja em relação à sociedade. Todavia, é importante lembrar sempre que a Igreja não é uma realidade à parte da sociedade, mas ocupa um lugar importante no seio da sociedade, uma vez que deve ser “sal e luz no mundo”, como pediu Jesus aos seus discípulos. Ou seja, os cristãos devem ser presença transformadora no meio social; colaborar efetivamente para a ampliação da qualidade da vida para todos indistintamente; trabalhar sempre para o bem comum; e viver os valores aprendidos do Evangelho.

Cultura descartável

Então, o tema da relação Igreja-Sociedade na perspectiva do serviço é oportunidade para aprofundar alguns compromissos já assumidos, bem como descobrir e implementar novas formas de serviço e defesa da vida, especialmente nestes tempos marcados por algumas características que contrariam frontalmente o ensinamento de Jesus nos Evangelhos. O Papa Francisco tem denunciado freqüentemente certa “cultura do descartável” que tende a tratar as pessoas como se fossem coisas e descartá-las quando parecem não ter mais serventia, de acordo com uma concepção puramente econômica na qual os bens materiais valem mais do que a vida. Além disso, o Papa chama a atenção para inúmeras situações de sofrimento e marginalização que mantêm muitas pessoas nas “periferias existenciais”.

Ora, a CF-2015 é oportunidade de identificar e denunciar esses processos de exclusão e marginalidade, bem como de propor ações concretas para a superação desse quadro. Historicamente, a Igreja Católica tem desenvolvido intensa ação social no cuidado à vida, haja vista que os hospitais e as instituições de assistência social nasceram do cuidado pastoral da Igreja pelos pobres e sofredores de todos os tempos. E assim também as escolas e as Universidades e outras instituições. Com o passar do tempo, muitas das iniciativas de assistência e cuidado pela vida surgidas na Igreja foram assumidas pela sociedade e ampliadas em sua abrangência com a atuação do Estado.

Desse modo, um dos desafios da CF-2015, entre outros, é ampliar o diálogo da Igreja com a sociedade, para somar forças em vista do bem comum e da promoção humana. No âmbito da sociedade com suas organizações civis há muitas iniciativas de serviço desinteressado à vida que precisam de apoio, acompanhamento e fiscalização para que não se afastem de seus objetivos.  De igual modo, no âmbito eclesial há inúmeras instituições de ação social e incontáveis iniciativas de serviço à vida que também necessitam de apoio e suporte para continuarem sua missão. A CF-2015 propõe seja intensificado o diálogo Igreja-Sociedade para que novas forças de serviço possam beneficiar a vida que, em certa medida, está em constante ameaça neste início de século.

Ações da PUC-Campinas

A Universidade Católica, com seu Hospital Universitário (Hospital e Maternidade Celso Pierro), é presença significativa da Igreja Católica no âmbito da cultura e da produção e disseminação do conhecimento. A publicação recente da obra “Missão social 2012/2013” da PUC-Campinas, dá uma boa dimensão do grande leque de serviços prestados pela Instituição no âmbito que lhe compete, a saber, no campo da Pesquisa, do Ensino e da Extensão. Os números de programas, projetos e iniciativas desenvolvidos pela Universidade a serviço da vida são testemunho do esforço realizado para que os apelos do Evangelho sejam efetivados em ações concretas de serviço à vida. Trata-se de continuar fazendo sem desânimo o que se tem feito. No entanto, a CF-2015 pede que se aprofunde a reflexão acerca da relação Igreja-Sociedade, para que desse aprofundamento novas e fecundas iniciativas possam surgir.

Padre João Batista Cesario- Pastoral Universitária/PUC-Campinas

Universidade internacionalizada

Por Amanda Cotrim

A globalização é um fenômeno que suscita inúmeras discussões no campo científico. E uma coisa é fato: estar numa universidade global é uma oportunidade para estabelecer contato com outras culturas, se apropriar de novas informações ou novos formatos de entendimento sobre o mundo. Atualmente, valoriza-se a capacidade de comunicação entre diferentes línguas e códigos sociais. O estabelecimento de relações que envolvam diferentes modos de vida e valores é um diferencial, e essa é a opinião do Coordenador do Departamento de Relações Externas (DRE) da PUC-Campinas, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros. “O intercâmbio é, hoje, um momento importante da formação pessoal e profissional. Desejável para a construção da carreira profissional, e também para o engrandecimento humano, capacitando o profissional para contribuir para as mudanças em sociedades complexas ‘sem fronteiras’, que exigem do cidadão posicionamento crítico e ações em relação a problemas locais, que influem e se relacionam com os problemas globais.

Estudante Daniel Silva na França (Foto: Arquivo PUC-Campinas)
Estudante Daniel Silva, na França (Foto: Arquivo PUC-Campinas)

Globalizar, no bom sentido do termo, gera experiências novas, o que interfere instantaneamente nos hábitos das pessoas, como aconteceu com o Daniel Barjud Silva, quando ele foi estudar na École d´Architecture de Grenoble, na França. “A adaptação em Grenoble foi muito fácil, logo adotamos a cultura dos parques, praças e passeios. O contato com o novo, viver outra realidade, aprender nova língua, realmente é uma experiência inesquecível”, relata Daniel.  Mas não é porque a experiência é transformadora que ela é, necessariamente, sempre fácil. “A minha adaptação foi um tanto complicada; as diferenças se tornam gigantes quando deixamos nossa família e vamos encarar outra realidade e num lugar distante”, expõe Adriana Aparecida de Oliveira Braz, que foi para Portugal, na Universidade Nova Lisboa.

Adriana Braz em Portugal (Foto: Arquivo PUC-Campinas)
Adriana Braz em Portugal (Foto: Arquivo PUC-Campinas)

Segundo Barros, em algumas áreas de formação, a experiência fora do país de origem tem sido considerada como uma  etapa imprescindível da boa formação para o mundo do trabalho, havendo, em algumas áreas, a necessidade da experiência internacional para o exercício profissional. E é com esse intuito que a PUC-Campinas tem buscado se internacionalizar, promovendo parcerias com Instituições de Ensino em países diversos, dos demais continentes. Hoje, a Universidade mantém parcerias com 45 universidades. “Além disso, estamos atualmente com 18 acordos em processo de análise ou assinatura. Temos também parcerias com uma ONG e com Associações, a exemplo do International Federation of Medical Students – IFMSA, que visa o intercâmbio de um mês para estágio na área de medicina, o Conselho de Reitores de Universidades Brasileiras – CRUB / Consejo de Rectores de Universidades Chilenas – CRUCH, e a Conférence des recteurs et des principaux des universités du Québec – CRUB/CREPUQ. Estamos assinando, também, um acordo com a Organização de Estados Americanos – OEA.

Benefícios em se fazer um intercâmbio:

Para o Coordenador, “os aspectos positivos da Internacionalização superam quaisquer possíveis impactos que se avaliem como negativos, pois é um trabalho de enriquecimento até em casos no quais a experiência parece não ser tão proveitosa”, pontua. O destino mais procurado, de acordo com Barros, ainda é os Estados Unidos, que em 2014, foi a escolha de 29% dos alunos intercambistas da PUC-Campinas. “Isso se deve à oportunidade do Programa Federal “Ciência Sem Fronteiras”, e pela iniciativa do governo em oferecer o “Inglês Sem Fronteiras (ISF)”, que possibilita ao candidato do “Ciência Sem Fronteiras” cursar o inglês básico de forma gratuita”, explica. Já nos programas de intercâmbio entre as Instituições de Ensino Parceiras da Universidade, os destinados mais procurados estão entre Portugal e países de língua espanhola, “em razão da facilidade do idioma”, considera.

O que é necessário para me candidatar a um intercâmbio?

De acordo com o Coordenador, em relação ao idioma, cada universidade estrangeira define os requisitos; algumas exigem formação de alto nível (inclusive exame de proficiência oficial) e outras não. “Portanto, nós pedimos que os alunos fiquem atentos aos requisitos específicos de cada edital para o intercâmbio de interesse. A Mount Royal University (Canadá), por exemplo, exige o TOEFL (nota mínima 83), enquanto outras universidades como a Universidad de Monterrey (México) e a Università degli Studi di Cagliari (Itália) exigem apenas comprovante de conhecimento do idioma, sem necessidade de certificação oficial.

Confira os requisitos mínimos para os alunos participarem dos programas de intercâmbio oferecidos pela PUC-Campinas, clicando aqui. 

Dados dos alunos que foram estudar no exterior por meio da Universidade:
Em 2013, a PUC-Campinas enviou 111 alunos para o exterior;
Em 2014, a PUC-Campinas enviou 134 alunos para o exterior.
Passo a passo. O aluno poderá:
1º Passo: consultar o site do DRE
2º Passo: acessar o site para conhecer mais sobre os diferentes Programas de Intercâmbio oferecidos pela PUC-Campinas
3º Passo: conferir os depoimentos de alunos que retornaram de diferentes programas de intercâmbio no site e visualizar fotos.
4º Passo: obter informações sobre notícias e palestras de universidades estrangeiras. 
Para os estudantes que já aprovados e os que desejam participar de intercâmbio, o site tem informações para os preparativos da ida e do retorno do aluno, assim como está disponibilizado o “Guia para Alunos Intercambistas”. 
Para o esclarecimento de dúvidas, os alunos podem entrar em contato com o DRE, por meio dos endereços eletrônicos (e-mails) dre@puc-campinas.edu.br ou dre.international@puc-campinas.edu.br ou pelo telefone 3343-7261.

 

Editorial: Globalização

Constituído e incorporado como vocábulo de moda, global rompeu com o sentido original para referenciar dimensões e características planetárias da sociedade contemporânea, apesar do Planeta em questão ser geóide e não globo, no geométrico sentido do termo.

Palavras, conceitos e significados derivados do mesmo radical tomaram conta da contemporaneidade, designando desde rede de televisão, até modos de produção, passando por sistemas de comércio, perfil de pessoas, dimensão de empresas, natureza de empreendimentos e preocupação ecológica, ocupando a quase totalidade das vertentes e quadrantes da sociedade que, agora, tem produto global, guerra global, comunicação global, cartão de crédito global, aplicativo computacional global, escândalo global, idioma global e até o contra-senso de regiões que se proclamam globais.

Sensível ao tema, o Jornal da PUC-Campinas reúne, nesta edição, um tanto de análise e outro tanto de informações referenciadas na globalização.

Matéria sobre intercâmbios explica detalhadamente como o universitário brasileiro pode emprestar dimensão global à sua formação, realizando parte da graduação ou pós-graduação no exterior. O Departamento de Relações Externas da Universidade explica tudo quanto é preciso saber e tudo que é possível fazer aos alunos e alunas com interesse no assunto.

Globalização também mostra aspectos pitorescos e interessantes de lugares que a gente brasileira pouco conhece, como história e geografia de Moçambique. Recolhendo material para um livro de fotografias, em terras da ex-colônia portuguesa, alunos do Curso de Jornalismo revelam como em África é contrastante a ntiyisso (termo do idioma changana que significa verdade e realidade).

Contradição também é a linha adotada no resgate da história, inicialmente gloriosa, do Haiti, primeira nação independente da América Latina e primeira República negra do mundo, que hoje amarga a condição de país paupérrimo e marginalizado, mostrando a globalização prodiga para  transnacionalizar banalidades, como o consumo, mas incapaz de internacionalizar virtudes, como a solidariedade.

Em 2015 a música também vai ser global e diversificada na PUC-Campinas. A promessa é do regente e instrumentistas de Música de Câmara do Centro de Cultura e Arte. Para apresentações que vão se desdobrar ao longo do ano, por todos os campi, o grupo está mesclando, no repertório, popular e erudito de origem variada e diferentes períodos da música internacional.

Preocupação com o ambiente também tem dimensão global, embora ações efetivas ocorram, no mais das vezes em âmbito regional. No Município de Campinas, o Conselho de Defesa do Meio Ambiente, COMDEMA, responde pela harmonização do desenvolvimento social com a preservação da Natureza. Professores da PUC-Campinas que integram o órgão explicam objetivos e modus operandi do Conselho.

Além disso, o Jornal da PUC-Campinas ainda tem informação, indicações, comentários e opiniões sobre temas que estão na pauta de todos que pretendem estar, estão ou estiveram na Universidade, antes ou durante os tempos da globalização.

PUC-Campinas Informa

Missão Social:

Compromisso social faz parte da própria carga genética da PUC-Campinas e se manifesta desde os primeiros momentos da história da Universidade.  Pioneiras na interiorização do ensino superior, até então restrito às capitais de Estado, as Faculdades Campineiras, criadas pelo bispo da cidade, Dom Francisco de Campos Barreto, em 1941, foram o ponto de origem da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, hoje, uma das maiores universidades particulares do interior paulista.

A identificação Católica e o compromisso de agir socialmente para transformar e inovar marcaram a embrionária Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que reunia oito Cursos, voltados à formação de professores. Com isso, a Instituição ofereceu grande contribuição para os programas de alfabetização e incremento da escolaridade efetuados naquele período, ampliando a oferta de professoras e professoras para as redes públicas e privadas de ensino, na época denominada educação primária, ginasial e colegial. Mais de setenta anos depois desses primeiros passos, a PUC-Campinas, constituída como Universidade, mantém Licenciaturas que respondem pela formação docente em diversas áreas.

A grande sensibilidade que a sociedade brasileira tem manifestado em relação à educação, colocando o tema como prioridade e condiçãos fundamental de crescimento econômico e desenvolvimento social, mostra que a PUC-Campinas trilha o caminho mais adequado e mais desejado, canalizando atenção e recurso para formar professores em Cursos de qualidade.  Formar educadores… compromisso social que faz parte da História da PUC-Campinas, desde 1941.

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Planejamento Acadêmico 2015

A PUC-Campinas levou para o centro das discussões acadêmicas, junto aos seus docentes e gestores, as práticas de ensino na sala de aula; esse foi o tema do Planejamento Acadêmico Pedagógico 2015: “A Docência no Ensino Superior: múltiplas práticas na relação ensino-aprendizagem”. O evento, que aconteceu entre os dias 2 e 20 de fevereiro, trouxe mais de 20 atividades entre palestras, oficinas, encontro pedagógico e apresentações culturais, além de atividades distintas que ocorrem em cada Centro/Faculdade.

A ideia sobre o tema do Planejamento deste ano se baseou nos resultados da Avaliação de Ensino, na qual a Universidade convida os alunos a participarem com avaliações semestrais sobre a Instituição. Essas avaliações relatam avanços e fragilidades em aspectos como: desenvolvimento da disciplina em sala de aula, avaliação da aprendizagem, formação do aluno, postura do professor, entre outros. Diante desse contexto, no sentido de qualificar o ensino de graduação, justifica-se a temática do evento. “Queremos que os nossos docentes possam se capacitar, conhecer novas metodologias de ensino que sejam inovadoras, trocar experiências com outros colegas e, principalmente, qualificar a atividade docente em sala de aula, participando das atividades que acontecerão durante esse período”, explicou o Pró-Reitor de Graduação da PUC-Campinas, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella.

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Hospital da PUC-Campinas recebe Acreditação

O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), da PUC-Campinas, conquistou o Nível 2 da Acreditação pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). O processo de Acreditação da ONA possui três níveis, sendo o segundo alcançado pelo HMCP. O Nível 2 -ou Acreditado Pleno- analisa cuidadosamente o Processo de Qualidade na instituição como um todo e foca principalmente a segurança e a gestão integrada. Esta certificação comprova o quanto o Hospital tem trabalhado para fortalecer a interação entre todos os processos e para melhorar a segurança e o desempenho institucional.

A Acreditação é um sistema de avaliação e certificação de qualidade de serviços de saúde, periódico, reservado e voluntário (não é um certificado obrigatório para o funcionamento dos hospitais) e sua conquista significa mais segurança para pacientes, colaboradores e para a própria Instituição, que aprimora a qualidade dos serviços oferecidos pelo Hospital.

Coluna Pensando o Mundo: Novo Prédio da Faculdade de Direito: um salto para o futuro

No ano de 2009, a Faculdade de Direito, juntamente com as demais instâncias da Universidade, decidiu realizar o Vestibular de Inverno para ingresso de uma nova turma no matutino e outra no noturno. Entretanto, esse novo Processo Seletivo traria novos desafios diante do aumento de número de alunos em um Curso já populoso, saltando o corpo discente de 1800 para 2400 alunos, fato que levaria a rever a infraestrutura do Campus Central, situação que provocou a retomada da antiga ideia de mudança da Faculdade de Direito para o Campus I.

Em construção o novo prédio de Direito, no Campus I da PUC-Campinas (crédito: Álvaro Jr).
Em construção o novo prédio de Direito, no Campus I da PUC-Campinas (crédito: Álvaro Jr).

A Faculdade de Direito, que funciona no Campus Central desde 1952, ano do oferecimento de sua primeira turma, tendo o Pátio dos Leões como seu maior símbolo, teria de discutir a possibilidade da mudança. Após extensa discussão com a comunidade acadêmica, corpos docente e discente concordaram com a mudança para o Campus I, em novo prédio que seria construído. Durante as discussões, foi levada em consideração, além das novas instalações, a possibilidade de maior contato com os demais alunos do Campus I, sobretudo do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA), o que propiciaria maior riqueza na vida universitária dos alunos, podendo o Curso de Direito contribuir para os demais Cursos do CCHSA e claro, também receber contribuição.

O novo prédio irá atender às demandas específicas da Faculdade de Direito com moderna infraestrutura do Núcleo de Prática Jurídica para abrigar a Assistência Judiciária e o Juizado Especial Cível, com salas para realização de audiências reais e simuladas, Salão do Tribunal do Júri e Auditório com capacidade para 300 pessoas.

Prof. Me. Peter Panutto acompanha as obras de perto (crédito: Álvaro Jr)
Prof. Me. Peter Panutto acompanha as obras de perto (crédito: Álvaro Jr)

Em julho de 2014, as obras tiveram início para a construção do novo prédio da Faculdade de Direito no Complexo do CCHSA, ao lado das instalações da Faculdade de Educação Física (FAEFI), com previsão de entrega para dezembro de 2015. Esse novo prédio marcará um salto para o futuro da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, uma das melhores e mais tradicionais do Brasil, a qual passará a desenvolver suas atividades em modernas instalações, fato que resultará na melhoria da qualidade do Curso, o qual conta, desde agosto de 2013, com novo projeto pedagógico, adequado às contemporâneas tendências da educação jurídica. Quanto à tradição, o Campus Central continuará em seu lugar, podendo receber eventos da Faculdade de Direito, sob a guarda do Pátio dos Leões.

Prof. Me. Peter Panutto, Diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas.

Zero no ENEM, humildade zero

Meio milhão de estudantes recebeu nota zero no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), exame que avalia, entre outras, as competências ligadas à produção de uma dissertação. O número causou respostas inflamadas na imprensa: indignação raivosa contra corretores e métodos; lamentos pessimistas quanto à situação do ensino; clamores pelo fim da redação; explicações oportunas sobre a natureza da anulação. Cada uma dessas vozes se apresentou com argumentos mais ou menos coerentes, prefiro aqui me alinhar às últimas, ou seja, comentar o que esses zeros significam de acordo com a lógica do exame e quais hipóteses poderiam explicar as causas do desempenho que causa inevitável desconforto.

Para que uma redação tenha zero, é necessário, excluindo tentativa de sabotar o exame, não seguir o que foi proposto. Na prova 2014, o aluno deveria escrever uma dissertação sobre o tema “Publicidade Infantil em questão no Brasil”, explicado em três textos simples. Portanto, anular, na maioria dos casos, significava não compreender minimamente a proposta, uma vez que há uma escala de pontuação para níveis diferentes de compreensão, e/ou não escrever um texto argumentativo. Não significava, portanto, que o aluno escreveu um texto com problemas na concatenação dos parágrafos, incorreções de grafia.

Se uma porcentagem significativa dos textos revela que alunos do Ensino Médio não conseguiram demonstrar capacidade de cumprir tarefas básicas, estamos diante de um problema nas bases de nossa educação, aliás, bastante sabido e identificado em outras avaliações internacionais de leitura e escrita. Isso é assustador, porque mostra problemas de infraestrutura que parecem não sair do lugar.

Até agora, no entanto, a questão foi abordada de maneira absoluta. Mas, em parte dos casos, pode ter ocorrido uma confusão em compreender e aceitar a delimitação da proposta. Há possivelmente alguns estudantes que consideram o ENEM uma prova autoritária e protestaram não seguindo a proposta, o que é um gesto válido numa democracia. No entanto, elaborar um texto minimamente dissertativo significa também, antes de formar uma opinião sobre um enunciado, entender o que foi afirmado nele.

O que parece uma tarefa fácil, rotineira e óbvia pode estar se tornando rara como prática. O simples gesto de entender o que o outro (a escola, o professor, o aluno, o amigo, o pai) disse ou escreveu tem sido muito difícil nas relações que envolvem o ambiente escolar. As causas podem ser várias: a desvalorização da posição social do professor; a mercantilização das relações escolares, transformando, muitas vezes, alunos e pais em consumidores, e professores e diretores, em prestadores de serviço.

Nesse caso, que pelo menos uma parte desses zeros sirvam de alerta para problemas fundamentais de nossa sociedade. Parece haver alguma proximidade, por exemplo, entre esses problemas e a grande dificuldade que a escola tem encontrado em fazer com que a nova tecnologia disponível seja aplicada numa melhora das competências e habilidades escolares. Por mais que um aluno alcance muitas informações e esteja conectado ao mundo touch, ainda assim parece faltar aprender a aprender. Nem se trata de dizer, como se faz um tanto quanto indiscriminadamente, que os alunos escrevem nas redes sociais, mas usam “vc” em vez de “você”. Talvez, às várias vozes, falte a humildade de tentar entender o básico.

Prof. Dr. Ricardo Gaiotto de Moraes (PUC-Campinas)

Haiti: entre a vanguarda e a catástrofe

Por Lindener Pareto

Das muitas narrativas trágicas da História Contemporânea, a do Haiti é certamente uma das mais emblemáticas. Poderíamos aventar (com certa dose de anacronismo) que a tragédia começou com a dizimação de toda população nativa da ilha de Hispaniola (que reúne hoje Haiti – de colonização francesa e República Dominicana – ex-colônia espanhola) desde os tempos de Colombo até a montagem do sistema de plantation para a produção de açúcar, cujo auge foi o conturbado século XVIII do Iluminismo e das Revoluções Atlânticas.

Com uma população de mais de meio milhão de negros africanos submetidos à odiosa escravidão e pouco mais de trinta mil brancos controlando o sistema, a ilha de Saint-Domingue emerge dos horrores da escravidão para se tornar um dos grandes palcos da vontade de liberdade apregoada não só pelos jacobinos da Revolução Francesa (1789-1799), mas pela própria tradição de luta dos escravos oprimidos desde meados do século XVIII. A partir de 1791, a rebelião escrava queima propriedades, massacra os senhores brancos e, liderada por Toussaint L’Ouverture, Dessalines e outros líderes negros, resiste bravamente às tropas francesas (25 mil soldados) enviadas por Napoleão Bonaparte para restaurar a “ordem” e restabelecer a escravidão. Em 1804, a parte ocidental da ilha de Hispaniola se torna o Haiti, primeiro país independente da América Latina e também o primeiro a abolir a escravidão.

Lindener Pareto é docente de História Contemporânea  (Foto: Álvaro Jr)
Lindener Pareto é docente de História Contemporânea (Foto: Álvaro Jr)

No entanto, como nos lembra o historiador Jacob Gorender, como explicar que um dos arautos da liberdade contemporânea tenha seguido caminhos tão conturbados e tenha se tornado o país mais pobre do continente e um dos mais pobres da atual ordem global? Não há resposta única. As interpretações devem levar em conta o ocaso açucareiro da ilha, que deixou de ser importante na economia mundo capitalista; a ditadura de Jean-Pierre Boyer (1820-1843); o longo período de intervenção e literal invasão dos EUA, principalmente entre 1915 e 1934. Não são poucos os relatos de segregação racial e assassinatos brutais cometidos pelo controle estadunidense da ilha, além dos benefícios da imposição econômico-financeira dos bancos norte-americanos. Na esteira da tragédia, um dos períodos mais sombrios e conturbados foi protagonizado pelo médico sanitarista François Duvalier. Conhecido como o Papa Doc (Papai doutor), foi eleito presidente em 1957 e a despeito de sua fama anterior de médico caridoso, se mostrou um dos ditadores mais temidos do século XX. A partir de 1990, a ascensão de Jean-Bertrand Aristide representou controvertida esperança logo sufocada por mais guerra civil e por mais intervenções militares, dessa feita da ONU sob orientação dos EUA e sob comando de uma missão militar brasileira desde 2004.

Na chamada era da globalização, o Haiti ainda representa a caótica permanência das intervenções externas, a imposição de políticas econômicas que arruínam a possibilidade de autonomia e uma herança do protagonismo negro que sempre foi assombrado, nas palavras de Eduardo Galeano, pela maldición blanca. De fato, o terremoto catastrófico de 2010 é explicação menor para as mazelas de um país que primeiro se libertou da opressão branca e também o primeiro a ser temido pelas mesmas nações lideradas sintomaticamente pela maldicíon blanca,tão temerosa dos jacobinos negros.

Prof. Me. Lindener Pareto é docente de História Contemporânea na PUC-Campinas

 Crédito da Foto de Capa: Garbers Elias Pereira

Um olhar estrangeiro sobre Moçambique

Livro retrata o cotidiano do país africano que, em 2015, completa 40 anos de independência

Por Amanda Cotrim

Há quarenta anos (1975), Moçambique, na região sudeste da África, tornava-se independente de sua metrópole, Portugal. Mas essa recém-nascida independência oficial não é uma folha em branco; por isso, olhar para o país africano e não enxergar que ali, até pouco tempo, foi uma colônia explorada, pode perpetuar equívocos e preconceitos. A marca da exploração ainda está latente “Quando nos aproximávamos, os jovens fugiam. Por sermos brancos, eles tinham medo que fossemos sequestrá-los ou fazer-lhes algum mal. Depois que falávamos que éramos brasileiros, eles abriam um sorriso e diziam que somos irmãos”, conta o agora ex-estudante de Jornalismo da PUC-Campinas, Roberto Barreira. O jovem de 22 anos ficou um mês em Moçambique juntamente com os amigos Bruno Machado, 21, e André Montejano, 22. O objetivo: realizar um fotolivro no país africano que, segundo eles, ao mesmo tempo em que está distante, está bem próximo do Brasil.

A ideia de elaborar um trabalho sobre Moçambique surgiu durante a graduação no curso de Jornalismo da Universidade, em 2013. Depois de assistir a uma reportagem num programa esportivo, que mostrava uma instituição em Moçambique sendo ajudada pelo Palmeiras, clube de futebol paulista, Montejano não teve dúvidas: “Estava determinado em retratar a realidade e o sorriso do moçambicano”, afirmou. Como bom jornalista, o jovem conseguiu o contato da instituição e fez a proposta para os outros dois colegas de classe, que decidiram realizar o fotolivro para a disciplina de projeto experimental, no último ano da graduação- curso concluído em 2014. Bruno Machado, Roberto Barreira e André Montejano partiram para Moçambique no dia 5 de agosto e por lá ficaram durante 30 dias.

Foto: Bruno Machado
Foto: Bruno Machado

Os, agora, ex-alunos, viajaram cerca de quatro mil quilômetros entre a capital Maputo e a província de Zambézia. O fotolivro mostra o cotidiano da população das duas províncias por meio do olhar dos três estrangeiros. Ao todo, os jornalistas fizeram nove mil fotos. Desse número, 82 foram selecionadas para o trabalho acadêmico, que recebeu o nome de “Moçambique Ntiyisso”. (Ntiyisso é uma palavra do dialeto moçambicano, o changana, que possui dois significados: realidade e verdade).

Em Moçambique, os ex-alunos faziam, semanalmente, uma reunião de pauta, que definia o que seria realizado pelos jornalistas. Para conseguir “conquistar” a confiança da população, sem invadir o cotidiano dos moçambicanos que estavam sendo fotografados, os ex-alunos da PUC-Campinas tinham uma estratégia: “Brincávamos com as pessoas, quebrávamos o gelo da situação, conquistávamos a confiança para deixar o ambiente propício para a realização das fotos”, explica Barreira.

Crédito: André Montejano
Crédito: André Montejano

Método de trabalho:

Antes da viagem, os jornalistas realizaram uma breve pesquisa sobre Moçambique. Os ex-alunos puderam notar que há pouca informação sobre o país. “Como o Brasil, nesse sentido, não conhece o país africano, decidimos explorar esse caráter de novidade”, explicou Machado. “Eu preferi não pesquisar muito para não contaminar meu olhar. Fui surpreendido. Imaginava um lugar sujo, abandonado e muito pobre. Porém, pude notar que a capital Maputo é um centro urbano como outro qualquer. E os moçambicanos são muito parecidos com os brasileiros. Então, a gente se via neles”, reflete Montejano.

O trabalho de fundamentação teórica- exigência na disciplina de Projeto Experimental- dialogou com bibliografias sobre ética no fotojornalismo, memória, história oral e antropologia visual. Sob orientação do Prof. Me. Nelson Chinalia alcançou méritos na avaliação geral.

Foto: Bruno Machado
Foto: Bruno Machado

A meta, agora, é lançar uma nova edição do fotolivro, com as imagens que ficaram de fora da edição acadêmica. “Como em 2015 completam-se 40 anos da independência de Moçambique, queremos aproveitar esse gancho para fazer o lançamento. Já temos convite de uma TV moçambicana para mostrar o livro lá. Esse é o novo objetivo”, conclui Montejano.

Confira o vídeo das Crianças da tribo Macena, em Mirerene, uma vila na Província de Zambézia. O dialeto é o Cena, clicando aqui. 

 Crédito: Bruno Machado

Livro resgata memória “perdida” de Campinas

Por Amanda Cotrim

No dia 18 de setembro de 1932, um domingo, a cidade de Campinas, no interior de São Paulo, era bombardeada pelo governo provisório de Getúlio Vargas. Foram vários dias de sobrevoo no Município com panfletagem de um governo que tentava convencer os paulistas que a guerra de São Paulo era separatista. Nesse domingo, um menino escoteiro, 10 anos, de nome Aldo Chioratto, mensageiro do exército paulista, pegaria um trem até Sumaré (cidade vizinha). Pegaria. Aldo foi assassinado durante o bombardeio. Quem decidiu resgatar essa história e, conseqüentemente, o papel da cidade de Campinas na Revolução de 1932, foi o jornalista e docente no curso de Jornalismo da PUC-Campinas, Prof. Me. Saviani Rey. Segundo ele, essa memória é “ocultada” dos campineiros, que não sabem, por exemplo, que a cidade exportou dois mil voluntários que lutaram e morreram na Guerra Paulista. O livro “O Menino Herói da Guerra Paulista – o bombardeio de Campinas” traz elementos literários para contar uma história que é real: existiu um bombardeio em Campinas que vitimou um menino, cujo caminho foi atravessado pela História. O material foi editado pela editora Pontes.

Livro O Menino Herói da Guerra Paulista (crédito: divulgação)
Livro O Menino Herói da Guerra Paulista (crédito: divulgação)

Confira a entrevista:

Jornal da PUC-Campinas: Por que surgiu a ideia de realizar um livro sobre a Revolução Constitucionalista de 1932?

Prof. Saviani: Ao longo da minha carreira, produzi diversas crônicas sobre temas, geralmente ocultos, que envolvem a cidade de Campinas. A ideia de escrever sobre o bombardeio que o município sofreu, na década de 1930, em razão da Revolução Constitucionalista, é antiga. Meu pai mentiu a idade para as autoridades para poder lutar na guerra. Infelizmente, até então, ninguém tinha escrito sobre esse bombardeio em Campinas e sobre os personagens envolvidos por esse fato histórico. Não há memória de que a cidade teve dois mil voluntários que foram lutar na guerra, ao lado dos paulistas.

Jornal da PUC-Campinas: Como foi construída a narrativa do livro?

Prof. Saviani: O romance histórico é dividido em duas partes: o Menino e a História. O personagem é Aldo Chioratto, um menino, escoteiro, que era mensageiro das tropas paulistas. Ele existiu. Mas é pouco conhecido. O livro é um romance calcado em realidade, ou seja, não existe nenhuma informação inverídica. No entanto, a forma como essa narrativa foi construída traz, sim, elementos literários. As atitudes das pessoas são literárias, mas os fatos são reais. Eu pesquisei quem foi Aldo Chioratto, que morreu aos 10 anos de idade, e cuja morte abalou toda a cidade. Os parentes mais próximos de Aldo, hoje vivos, são seus sobrinhos. Seguindo os traços do que a história conta, pude me aproximar de quem era esse menino.

Jornal da PUC-Campinas: Conte-nos quem foi esse menino Aldo Chioratto?

Professor Saviani: A história atravessou o seu caminho: Aldo era filho de um tintureiro, de família de classe média baixa, que morava no centro de Campinas. Desde meus seis anos de idade eu sabia quem era Aldo. Meu pai contava-me histórias fabulosas sobre a coragem dos paulistas, a luta que envolveu outros dois mil campineiros. Eu, ainda criança, ia com ele até o Mausoléu dos Voluntários, no Cemitério da Saudade, em Campinas, ouvir sobre a bravura do povo paulista. E o rosto de Aldo também estava ali no mausoléu. Era o rosto de uma criança. E eu também era uma criança.

Docente na Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas (Foto: Álvaro Jr).
Docente na Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas (Foto: Álvaro Jr).

“Que lindo era aquilo! Sentia-me orgulhoso! Passear com as mãos presas às mãos de meu pai, trêmulas, ele emocionado e derramando lágrimas, e eu observando aquelas colunas de cimento, os nomes dos heróis tombados, a bandeira de treze listas e… seu rosto de menino, ali, como o meu rosto, o rosto de um menino morto!” (trecho do livro)

Eu perguntava para o meu pai quem era aquele menino? E ele me contava sobre a morte de Aldo: um menino, escoteiro das tropas constitucionalistas, que havia sido atingido pelas bombas disparadas de um avião Vermelhinho do Getúlio Vargas, que bombardeou Campinas.

Jornal da PUC-Campinas: Por que o senhor acredita que não existe um resgate histórico dessa época?

Professor Saviani: As pessoas não tinham interesse em guardar. Tudo é muito burocrático. Não havia uma preocupação com a documentação dos fatos. Eu me vali de livros de arquitetura e jornalismo, para poder entender Campinas da década de 1930.

Jornal da PUC-Campinas: Como era Campinas nessa época?

Professor Saviani: Campinas tinha rompido com os padrões convencionais do Império e se ampliava, com indústrias de velas, empresas, comércio. Precisei fazer leituras fora do plano da história. O livro narra, por exemplo, quem foi Orosimbo Maia e sua relevância para o período. Eu digo no livro que no Brasil havia uma insatisfação com a política do “Café com Leite” e o Tenentismo foi contrário à dominação dos fazendeiros do café.

Jornal da PUC-Campinas: O livro foi escrito em quanto tempo?

Professor Savini: Sou jornalista. Sempre trabalhei com deadline. Sempre pensei: tenho de conseguir X de conteúdo para o horário que eu vou fechar a matéria. Aprendi a me mobilizar em um espaço curto de tempo para reunir dados. Eu escrevo rapidamente. Sou capaz de produzir 100 páginas em 1 hora. Eu fui atrás da pesquisa em julho de 2014: reuni dados e, mais especificamente, do dia 12 de outubro, até a última semana de novembro, eu fechei o conteúdo. Não sei se isso é bom ou não.

Jornal da PUC-Campinas: O senhor teve algum apoio financeiro para realizar o livro?

Professor Savini: Não. As 146 páginas do livro foram realizadas com meus próprios investimentos. Mas é preciso ressaltar que o material teve a colaboração do docente da Faculdade de Jornalismo, Prof. Me. Fabiano Ormaneze, que realizou a revisão final do livro.

O meio ambiente é onde os problemas moram

Por Amanda Cotrim

Já foi o tempo em que o Meio Ambiente estava associado à flora e à fauna. Isso mudou. Sua concepção hoje é a do lugar que é habitado. Com as cidades cada vez mais populosas, o Meio Ambiente é também urbano. É nesse lugar que o Conselho Municipal do Meio Ambiente (COMDEMA) de Campinas atua, como garantem as representantes da PUC-Campinas no COMDEMA, Profa. Dra. Nícia Barbin e Profa. Dra. Laura Bueno. O Conselho, que é deliberativo, não só aconselha como decide sobre os projetos do município.

Profa Dra Laura Bueno e Profa. Dra. Nícia Barbinb (Foto: Álvaro Jr).
Profa Dra Laura Bueno e Profa. Dra. Nícia Barbinb (Foto: Álvaro Jr).

Segundo a docente na Faculdade de Biologia e titular no Conselho Municipal do Meio Ambiente, Profa. Dra. Nícia Barbin, licenças para as concessões de obras na Rodovia Dom Pedro I, no Aeroporto de Viracopos e na continuação da Avenida Mackezine, em Campinas, foram as pautas mais discutidas pelo Conselho, em 2014. “Além dessas demandas, a revitalização do centro, a crise hídrica e a dengue foram discutidas e trabalhadas pelo Conselho”, contou.

Profa. Dra. Nícia Barbin é a titular no Conselho do Meio Ambiente (Foto: Álvaro Jr).
Profa. Dra. Nícia Barbin é a titular no Conselho do Meio Ambiente (Foto: Álvaro Jr).

Para a suplemente da PUC-Campinas no COMDEMA, a docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade, Profa. Dra. Laura Bueno, o Meio Ambiente é uma área extremamente interdisciplinar, em que moram muitos conflitos. “O estado de São Paulo tem a melhor legislação de Meio Ambiente, porque é o estado que tem mais problemas”, ressalta.

De acordo com as docentes, o COMDEMA, além de ser um conselho deliberativo, também possui diversos grupos de trabalhos, como o grupo que estuda o uso do solo, a educação ambiental, os resíduos sólidos, entre outros temas. Se uma rua precisar ser aberta e um empreendimento construído, o grupo de trabalho estuda o caso; se ele entender que não é um projeto viável para o Meio Ambiente, leva a argumentação para o plenário do COMDEMA, que vota. Universidades, como a PUC-Campinas e a Unicamp, são muito solicitadas a participar desses grupos técnicos, em razão do conhecimento científico que os representantes possuem. “É muito importante haver a participação da população, porque é a preocupação com a cidade que a gente pretende ter”, considera Nícia. “Todos os alunos da Universidade deveriam, pelo menos uma vez, assistir às reuniões. Qualquer pessoa pode participar das reuniões e opinar, não podendo, no entanto, votar; é uma experiência de cidadania contemporânea fundamental, mas poucos sabem e praticam isso”, completa a Professora Laura.

Profa Dra. Laura é suplemente no COMDEMA
Profa  Laura é suplemente no COMDEMA Foto: Álvaro Jr. 

As representantes da PUC-Campinas explicam que a participação de pesquisadores e docentes da área dá legitimidade para as discussões dos projetos, porque são respaldadas no conhecimento científico. “As nossas falas são sempre ouvidas com muita atenção”, acrescenta a docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo quanto à importância de se ter instituições de ensino e de pesquisa participando da administração pública de uma cidade.

O Conselho Municipal do Meio Ambiente foi criado em 24 de maio de 2001 e é deliberativo, isto quer dizer que o COMDEMA tem a responsabilidade de votar, aprovar ou reprovar os projetos municipais que vão ao encontro da pasta. Atualmente, o Conselho conta com 30 membros.