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Contra o desperdício de dados na rede

Estudo em Gestão de Redes de Telecomunicações  desenvolve algoritmo capaz de solucionar problemas nas redes de sensores sem fio. Pesquisa faz parte do grande campo da Internet das coisas, prédios e cidades inteligentes

Por Amanda Cotrim

No trabalho desenvolvido por Lucas Leão no mestrado do programa de Pós-Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana, ele focou seus esforços para solucionar problemas das redes de sensores sem fio em ambientes fechados, a exemplo das redes de wifi e telefonia em escritórios, fábricas, comércios etc. Nesse cenário, as Redes de Sensores Sem Fio (RSSS) sofrem com a constante movimentação de pessoas e de alterações físicas no espaço, como a inclusão ou remoção de móveis e máquinas.

Essas alterações podem causar impactos na qualidade da rede, elevando a taxa de perda de dados transmitidos. Lucas, que teve a orientação do Prof. Dr. Davi Bianchini e do Prof. Dr. Omar Branquinho, verificou que uma possível solução seria a avaliação e redefinição periódica da tabela de roteamento, que é uma espécie de mapa com os caminhos possíveis para a entrega dos dados.

Apesar de importantes para a infraestrutura de uma cidade e fundamental para o ambiente digital, a população, no geral, não consegue detectar no que isso interfere no seu dia a dia. Mas o pesquisador defende que com o “crescimento do desenvolvimento de aplicações da Internet das Coisas, os Prédios Inteligentes e as Cidades Inteligentes podem transformar o modo de vida das pessoas. Não são muitos ainda os Prédios Inteligentes, com sistemas inteligentes de controle de temperatura e iluminação, mas o desenvolvimento da área de Prédios Inteligentes pode fazer com que recursos naturais não sejam desperdiçados, uma vez que a gestão de equipamentos de condicionadores de ar, aquecimento e iluminação pode ser realizada de maneira mais eficaz e inteligente com o uso de sensores sem fio”.

Estudo faz parte da grande área da Internet das coisas- Crédito: Reprodução
Estudo faz parte da grande área da Internet das coisas- Crédito: Reprodução

No projeto, foi desenvolvido um simulador que permitiu verificar o comportamento do algoritmo proposto e avaliar sua viabilidade em um experimento prático. “Foi possível, ainda, fazer um refinamento da proposta, ajustando os parâmetros utilizados no algoritmo. Após uma bateria de testes e redefinições, obtivemos resultados positivos, que nos permitiram avançar para a implementação prática do algoritmo. Nessa etapa, nos dedicamos a transportar para a solução prática toda a experiência adquirida com a simulação. Foram definidos cenários de teste para o experimento prático que permitissem a avaliação da proposta em comparação com uma solução já existente na literatura. Identificamos que o algoritmo de roteamento desenvolvido não só atendia aos requisitos necessários, bem como demonstrava resultados superiores à proposta já existente”, explica.

O pesquisador considera, ainda, que as aplicações de monitoramento precisam ser confiáveis, pois os dados coletados normalmente alimentam processos de tomada de decisão. “Nesse sentido, é importante garantir que os dados transmitidos cheguem com regularidade ao destino final”, finaliza.

Com a internet, a publicidade cada vez mais direcionada

Por Amanda Cotrim

A atenção do público sempre foi o objetivo da publicidade. Com as redes sociais, teoricamente, esse objetivo está mais ao alcance das marcas. Se bem utilizadas, dependendo do público e do segmento, as mídias sociais se tornam vital para a publicidade. O maior desafio, no entanto, é manter a atenção das pessoas diante de um “dilúvio” de informações disponíveis na rede. “Gerenciar a atenção é uma tarefa árdua, mas negociável”, considera o Professor especialista do curso de Publicidade da PUC-Campinas, Luiz Augusto Modesto, que ministra disciplinas nas aeras de novas tecnologias de comunicação e criação publicitária.

Confira o bate-papo que o Jornal da PUC-Campinas teve com ele:

As redes sociais são realidade há algum tempo. Apesar disso, as pessoas ainda tateiam muito para adentrar nesse território digital. Em sua opinião, como a Publicidade está lidando com essa nova realidade tecnológica?

A “atenção” do público sempre foi, é hoje e sempre será o objetivo da publicidade. O ponto crítico é saber onde, quando e como atingir o público-alvo.

Hoje e cada vez mais o Facebook e o Google (entre outros) detêm esta informação e tornam isso seu grande e praticamente exclusivo produto; eles ofertam sua tecnologia e serviços “gratuitamente” aos usuários, em troca, recebem informações pessoais, geográficas, interesses, costumes de compra, viagens, dentre outras. Essas informações formatadas (cruciais para um bom planejamento de marketing) compõem o produto que é negociado com as marcas/empresas em forma de B.I. (sigla em inglês para Inteligência de Negócio). Entendo que a publicidade enxerga isso como uma oportunidade de pesquisa rápida, abrangente, objetiva e eficiente para seu planejamento de marketing e até mesmo previsão de tendências de mercado.

Qual sua avaliação sobre o papel das mídias sociais para a publicidade?

Hoje, dependendo do público, é vital! Meu pai tem 65 anos e ele tem uma desenvoltura lastimável em gerenciar seu perfil em redes sociais usando seu PC e ainda pior com seu smartphone (se ele ler isso vai ficar bravo comigo, mas é verdade…).

A cada geração, cada vez mais, os gadgets vêm fazendo parte da família e do dia a dia das pessoas, ou seja, a barreira tecnológica está acabando, está deixando de ser um problema para que a publicidade seja efetivada.

O que vale mais, ser consumido ou ser visto?

 Em minha opinião, ser consumido é o resultado de ser visto!

Qual é o maior desafio da publicidade na Era da Informação?

Há dois aspectos a se considerar com “Era da Informação”:

Rapidez e quantidade: acredito que somos impactados com mais informação do que podemos consumir. Portanto, o problema da publicidade hoje está em encontrar o momento certo (o “timing” certo). Nesse ponto, destaco o MOBILE que tem ganhado cada vez mais espaço. A publicidade ganhou uma mídia de bolso, pessoal e praticamente intransferível… (risos)

Acessibilidade e interação: as pessoas interagem mais entre si usando seus gadgets (redes sociais) e assim expõem mais suas opiniões, costumes, compras, interesses, etc. Sendo assim, a “Era da Informação” passa a ser uma grande aliada da publicidade. Por meio do monitoramento somado à compra de mídia direcionada do Facebook e/ou Google a publicidade consegue estreitar e direcionar sua mídia de maneira que ela consegue “vender bicicleta para quem está procurando bicicleta”, ou seja, a eficiência da mídia é infinitamente maior com um custo mais baixo… o melhor dos mundos!

Como manter e gerenciar a atenção das pessoas?

Manter a atenção das pessoas com esse dilúvio de informação disponível é praticamente impossível… Gerenciar a atenção é uma tarefa árdua, mas negociável. Primeiro entenda qual é seu público e quais são seus costumes, gostos e predileções, depois trace uma estratégia de interação considerando esses pontos. O engajamento hoje é a melhor forma de gerenciar a atenção.

O que um artista, um projeto ou até uma empresa precisam fazer para disputar a atenção das pessoas nas mídias sociais?

Primeiramente, entender quem é seu público, onde ele está e como ele costuma consumir informação. Depois, traçar estratégias específicas e eficientes direcionadas às diversas redes sociais que temos hoje. Monitorar constantemente tendências de consumo e sempre buscar interagir e engajar seu público.

Na sua opinião, qual é a tendência nos próximos anos? Haverá um aumento ainda maior pela atenção das pessoas?

As pessoas estão, cada vez mais, fechadas em grupos de interesse: galera da bike, galera do clube, da faculdade, etc., e a publicidade está, cada vez mais, direcionada. Engajamento e monitoramento são as premissas de um bom relacionamento de consumo entre consumidor x empresa (marca).

Há pouco as empresas desenvolviam seus produtos e colocavam à disposição do consumidor. Acredito que o panorama de hoje com a Era da Informação está mudando, é o consumidor quem fala o que quer consumir, quando e como e as empresa devem correr atrás para oferecer algo que atenda essa expectativa com qualidade e eficiência.

Cidade Digital segregada

Pesquisa de mestrado desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo aponta os desafios para a construção de um território digital

 

Por Amanda Cotrim

É possível falar em tecnologia sem falar em infraestrutura? Por acreditar que não era possível, Renato Manjaterra Loner decidiu estudar no seu mestrado esses dois espaços: o eletrônico e o físico, a fim de compreender o conceito de “Cidade Digital”, que tem como mote a inserção do município na sociedade da informação, possibilitando ferramentas digitais como a extensão do modo de vida de seus cidadãos.

Primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica a 500 metros do bairro mais incluído da cidade – Crédito: Álvaro Jr.
Primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica a 500 metros do bairro mais incluído da cidade – Crédito: Álvaro Jr.

“Eu entendo que cidade digital é a cidade onde o cidadão, além de ter acesso às benesses da sociedade informacional, tem condições de usufruí-las”. Sua pesquisa identificou, no entanto, que nem todos têm acesso aos serviços de uma cidade digital. O estudo considerou que a desigualdade no acesso está relacionada a outras desigualdades sociais, como saneamento básico, segurança pública, renda e escolaridade.

A dissertação trabalhou com dois exemplos opostos de inclusão: o bairro Cambuí, o mais incluído, segundo a pesquisa, e o bairro Cidade Singer, na região do Campo Belo, próximo ao aeroporto de Viracopos, como o bairro menos incluído. O critério utilizado pelo pesquisador foi a escolaridade, a quantidade de domicílios com computador conectado à internet e o rendimento familiar, segundo os micro-dados da amostra do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por setor censitário (conjunto de uma média de cem domicílios). “O primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica justamente cerca de 500 metros do setor censitário mais incluído da cidade”, considera Manjaterra Loner.

O estudo criou três mapas da cidade de Campinas, a partir de três segmentos: conectividade, escolaridade e renda. “Em seguida, estabelecemos a média desses três indicadores e produzimos o quarto mapa, que distingue os setores censitários mais incluídos dos menos incluídos digitalmente e informacionalmente. A esse índice dei o nome de Índice de Segregação Digital, que foi composto por uma fórmula parecida com a do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU)”, compara.

“A concentração de investimentos nos serviços da “cidade digital” obedece à mesma lógica de outros benefícios construídos na cidade, como áreas verdes, saneamento, iluminação, segurança, água, ou seja, são concentrados nos territórios mais ricos. Então, entendemos o motivo da Cidade Singer ser o último território incluído no Programa Campinas Digital. É porque é o bairro mais pobre, carente de outros serviços”, contextualiza.

Renato Mantejarra- Mestre em Arquitetura e Urbanismo
Renato Mantejarra- Mestre em Arquitetura e Urbanismo

O objetivo do estudo, segundo Manjaterra Loner, foi oferecer um subsídio científico para que a construção da “Cidade Digital” pelo poder público se pautasse pela universalização das benesses da informatização do território. “A falta de definição do que seja cidade digital é o que permite que a sua construção se dê ao gosto do gestor ‘da vez’. Com um índice que aponte os territórios mais carentes desse tipo de investimento; a municipalidade pode decidir onde investir”, ressalta.

O trabalho, segundo Manjaterra Loner, oferece à Prefeitura de Campinas um mapa detalhado de onde estão os pontos mais urgentes de investimento público em infraestrutura e tecnologia, para que a população tenha acesso à ‘nova era’. “Agora é possível enxergar onde estão os territórios segregados e formular políticas públicas de inclusão desses territórios”.

 

SERVIÇO

Para ter acesso a pesquisa completa, acesse o link

Ou encontre a pesquisa na Biblioteca da PUC-Campinas. Informações em: (19) 3343-7058

 

 

EDITORIAL: Em frente ao computador

Na frente do computador, conectado a uma rede, o internauta acessa o saldo bancário, paga contas, faz compras, vende serviços, contrata outros, conversa com outras pessoas, diverte-se com jogos eletrônicos ou busca informações em fontes diversas… Mas, seja lá o que faça, inevitavelmente ele é seguido, espionado, observado e bisbilhotado. Muito do que o cidadão conectado às redes sabe, faz, deseja, detesta ou aprecia está enchendo bancos de dados para atender diferentes objetivos, da vigilância ideológica às campanhas de marketing.

 Esta edição do Jornal da PUC-Campinas concentra artigos e reportagens que analisam aspectos diversos da chamada era da informação, em que parcelas cada vez maiores da população aderem à interconexão.

Especialistas em redes computacionais explicam como diferentes entidades, algumas legais, outras nem tanto, exploram a captação e o uso de informações conseguidas na rede, com ou sem conhecimento e autorização da pessoa espionada.

Mas a sombra do grande irmão, observando tudo e todos, não é a única característica da era da informação. Internet das coisas, aplicativos que agilizam e facilitam a rotina e o cotidiano, a ampliação quase infinita de comunicação também fazem parte do mundo mediado pelas redes, em que as possibilidades virtuais definidas pela tecnologia tornam-se, cada vez mais, os recursos virtuosos incorporados pela sociedade.

Navegando na ceara fértil das redes, esta edição mostra o talento criativo de alunos e ex-alunos da Universidade que estão “fazendo a vida” nesse campo de atuação e mostra, também, como a parte real (em contraposição ao virtual) da sociedade reage à invasão digital, por exemplo, redesenhando os mapas urbanos de acordo com fatores como acessibilidade informacional.

Claro, a edição deste mês tem espaço para tratar das redes sociais e ainda uma curiosa abordagem das alterações que o advento do computador pode provocar na capacidade humana de atenção.

Além dos artigos e matérias que orbitam a temática central, esta edição também abre espaço para eventos marcando o 50º. Aniversário do Concilio Vaticano II, comemorado este ano, com destaque para o Colóquio Universidade em Diálogo, à Luz do Concílio Vaticano II, organizado e conduzido pelo Núcleo de Fé e Cultura da Universidade, trazendo para nosso campus o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sérgio da Rocha, ex-aluno e ex-professor no Curso de Teologia da Universidade.

Informações e noticiário sobre a vida acadêmica, mais as seções fixas completam a edição 163, mês de Outubro do Jornal da PUC-Campinas. Aproveite o conteúdo e não deixe de encaminhar sugestões, críticas e comentários. Afinal, participar é o melhor caminho para fazer o jornal que você quer.

Mídias Sociais: uma realidade que não tem mais volta

Relacionamento no mundo digital foi tema do 30º Fórum de Debates em Relações Públicas, no dia 1o de setembro, no auditório Dom Gilberto, no Campus I da PUC-Campinas

Por Amanda Cotrim

Fugir de um cenário cada vez mais interativo, mediado pelas redes sociais, é algo praticamente impossível. Em vez de “brigar” com essa já não tão nova realidade, a especialista em mídias sociais e professora na Universidade de São Paulo (USP), Carolina Terra, uma das palestrantes do 30º Fórum de Debates em Relações Públicas da PUC-Campinas, sugere que os profissionais de comunicação se adaptem. Mais do que saber mexer nas redes sociais, “o profissional precisa entender as novas mídias, porque este é um cenário que não tem mais volta”, ressalta.

Carolina Terra é consultora em mídias sociais- Crédito: Álvaro Jr
Carolina Terra é consultora em mídias sociais- Crédito: Álvaro Jr

Para ter uma divulgação bem-sucedida, seja em que área for, é fundamental não ter apenas visibilidade, mas, sobretudo, estratégia. “A marca que não entender que a comunicação mudou e que para estar nas mídias sociais é essencial interagir com o seu público, nem abra uma Fan Page”, recomenda Carolina. Além de a “interação” ser quase uma palavra de ordem, é muito importante que a marca seja transparente: “se a marca ou a empresa não der sua versão, os usuários darão, e a imagem da empresa será pautada a partir de terceiros”, considera.

O palestrante e Relações Públicas, Pedro Vitor de Melo Alves- Crédito: Álvaro Jr
O palestrante e Relações Públicas, Pedro Vitor de Melo Alves- Crédito: Álvaro Jr

O 30º Fórum de Debates em Relações Públicas da PUC-Campinas recebeu também o especialista em mídias digitais, Pedro Vitor de Melo Alves. Para ele, a comunicação digital, hoje, faz parte da vida das pessoas e das empresas, afetando a forma como consumimos e nos relacionamos, “sendo assim, se faz necessário conhecermos melhor esse mundo digital”. De acordo com Alves, num mundo cada vez mais conectado, a atenção das pessoas parece ser o produto mais importante. “Mas para que o profissional de mídias sociais consiga captar a atenção das pessoas, ele precisa estar atento ao contexto”, considera. “Saber o que está acontecendo, entender qual é o seu público-alvo e buscar onde está a sua audiência é essencial”, completa Carolina.

Para uma boa divulgação é importante, segundo a consultora, que o conteúdo seja de interesse, isto é, que mais do que uma informação seja uma prestação de serviço. “Se a marca/empresa apenas divulgar conteúdo institucional, isso não vai gerar interesse e visibilidade”, defende.

"As redes sociais não são neutras"- Foto: Álvaro Jr.
“As redes sociais não são neutras”- Foto: Álvaro Jr.

A docente também ressalta que as redes sociais, assim como qualquer veículo de comunicação, não são neutras, “quem paga, aparece mais. No entanto, é importante lembrar que há alternativas de divulgação, para além de mídias como Facebook. Às vezes, uma boa estratégia num blog ou num site pode gerar engajamento”.

O Fórum de Debates em Relações Públicas é um evento tradicional na PUC-Campinas, dirigido a toda comunidade interessada, como profissionais de comunicação, e principalmente aos profissionais da área de Relações Públicas.

Tecnologia e conservação da Natureza: um caminho a percorrer

Por Marcela Conceição do Nascimento

Em tempos de alta tecnologia, a conservação da natureza também vem sendo beneficiada por ferramentas tecnológicas. Tecnologias aplicadas aos estudos acadêmicos também são utilizadas para a conservação de espécies nativas, bem como para a definição e áreas prioritárias para a conservação.

Nesse sentido, tecnologias como armadilhas fotográficas, bem como telemetria, tanto de espécies terrestres como aquáticas, podem oferecer ganhos para a conservação da fauna. Armadilhas fotográficas são equipamentos dotados de sensores de movimento ou calor acoplados a uma câmera fotográfica com capacidade de gravar pequenos vídeos.

 Tais equipamentos podem ser instalados em uma área com o objetivo de registrar uma espécie ou grupo de espécies. Podem ser instalados sozinhos ou em pares, o que permite a identificação de indivíduos por padrões de manchas, por exemplo. Tal equipamento facilita a identificação das espécies que ocorrem em determinado local, bem como suas abundâncias relativas, além da identificação de predadores e dispersores, horário de atividade, comportamentos sociais, habitat, entre outros.

Os sistemas de telemetria se baseiam na fixação de um transmissor no corpo de um animal. Este transmissor recolhe e envia informação para um receptor, localizado remotamente. As informações recebidas indicam a presença de um indivíduo junto ao receptor, ou de outras variáveis associadas, como temperatura, salinidade e profundidade da água, batimentos cardíacos, pH do estômago, entre outros. Esta técnica pode ser realizada por telemetria acústica (mais utilizada em organismos marinhos), telemetria à rádio (mais utilizada em animais terrestres e aves) e a telemetria por satélite (muito útil para o registro de grandes migradores).

Essas tecnologias permitem a compreensão de padrões de movimentação, utilização de habitats, bem como respostas fisiológicas e comportamentais dos organismos no seu ambiente natural. Tais informações são fundamentais para a aplicação de medidas de gestão eficazes e para a implementação de áreas protegidas, por exemplo.

Além disso, tais ferramentas são utilizadas para monitorar espécies dentro de áreas protegidas, permitindo que os gestores avaliem se tais áreas são suficientes para as espécies que nela vivem e se tais áreas vêm cumprindo o seu papel de proteção das espécies. Esta última situação pode ser exemplificada pela recente tragédia no Zimbabwe, onde o Leão Cecil, um dos símbolos do Parque Natural de Hwange foi morto como troféu, supostamente quando saiu da área protegida. Sua morte foi identificada graças ao rádio colar que ele carregava e que registrou sua fuga desde a primeira flechada do caçador até o tiro que finalmente tirou sua vida.

Um caso trágico como este trouxe à tona a discussão sobre a importância da utilização e do desenvolvimento de tecnologias na conservação da natureza, sobretudo de tecnologias que interfiram cada vez menos na vida dos organismos e sejam mais baratas para sua maior utilização.

Professora Marcela Conceição do Nascimento é Doutora em Ecologia e docente no Centro de Ciências da Vida da PUC-Campinas

Sem infraestrutura, nada de mundo digital

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura Urbana apontam os caminhos e os desafios para um ambiente conectado

Por Amanda Cotrim

O Estatuto das Cidades determina que os municípios devam ser sustentáveis. Para atingir a sustentabilidade, os municípios necessitam se apropriar de todos os recursos tecnológicos disponíveis. O conceito de ‘cidades inteligentes’ nasce neste amplo contexto da sustentabilidade das cidades, que envolve a integração dos sistemas de infraestrutura urbanos (existentes e a construir) ao mundo digital.

Segundo o Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro, docente no programa de pós-graduação em Sistemas de Insfraestrutura Urbana, dada a complexidade das sociedades atuais, é necessário adquirir e processar informações sobre o esgoto coletado e tratado, a água captada e tratada, os resíduos gerados, o fluxo de veículos,  o consumo de energia, a demanda por serviços de saúde, dentre outros sistemas.

“Estas informações possibilitam a otimização dos serviços prestados, visando a sustentabilidade. Assim, por exemplo, é possível saber que, se um cidadão marcou uma consulta no sistema de saúde, ele necessitará de transporte para se deslocar até o local e isto demandará recursos como medicamentos, o uso de energia, água, esgoto, resíduos, etc”, explica Demanboro. De acordo com o Pesquisador, estes sistemas estão inter-relacionados e, com as informações disponíveis, é possível avaliar a melhor forma de atender as demandas da sociedade.

Sociedade interligada- Crédito: Reprodução
Sociedade interligada- Crédito: Reprodução

Com uma Cidade Inteligente, cresce, também, a importância da mobilidade urbana, e aí surgem os sistemas telemáticos como elementos essenciais, que possibilitam sinergias entre os diversos atores do sistema. De acordo com o Pesquisador e docente no Curso de Mestrado em Infraestrutura Urbana, Prof. Dr. Marcius Carvalhos, os sistemas telemáticos integram informação e tecnologia de comunicação. “Um exemplo é o efeito do comércio eletrônico no transporte urbano que transformou entregas consolidadas a entregas individuais. O Brasil é o maior mercado de comercio eletrônico da América Latina devendo atingir US$ 20 bilhões no ano de 2015 com aumento de 17% em relação ao ano de 2014”, avalia

Esses sistemas, segundo Carvalho, podem apoiar as atividades de planejamento de entrega, considerando o melhor trajeto que atenda o usuário do serviço e informar, em tempo real, a ocorrência de acidentes com localização, tipo e conseqüência, além de previsão de tempos para chegada aos pontos de entrega, correções de rotas e tempos de entrega, necessidades de novas coletas, registro automático de entregas realizadas, informações para o trajeto de retorno, recomendações de velocidade geo-referenciadas, variações nas condições climáticas e suas conseqüências no trajeto pré-estabelecido e disponibilidade de vagas para estacionamento.

 Apesar de todos os benefícios que a tecnologia proporcionada e que foram elencados pelos pesquisadores, eles explicam, no entanto, que a tecnologia, como todo instrumento, tem suas potencialidades e limitações, sendo uma dessas limitações o usuário se tornar dependente da tecnologia digital.  “Penso que não se trata de ter o controle de tudo, mas sim uma oportunidade de servir melhor à sociedade”, conclui Demanboro.

A inteligência artificial nos games em Jogos eletrônicos

Por Tatiana Dantas de Oliveira

A preocupação em aproximar as narrativas dos jogos digitais à realidade aparece claramente em alguns jogos como The Sims, um simulador do cotidiano de nossas vidas, em que cada jogador vive sua narrativa com similaridades, sonhos e ideais que gostaria de fazer em sua vida real.

Jesse Schell em A arte de Game Design expõe que temos que ter em mente que o jogo não é a experiência, mas sim possibilita a experiência.  Diante desta afirmação, compreendemos que o desenvolvedor de jogos eletrônicos deve, enquanto pensa o jogo, estar preocupado com o jogador, ou seja, com as experiências que ele vivenciará diante do universo que encontrará no jogo, com o “parecer existir”.

O desenvolvedor de jogos tem que pensar no jogador e a sua experiência no jogo- Crédito: Álvaro Jr.
O desenvolvedor de jogos tem que pensar no jogador e a sua experiência no jogo- Crédito: Álvaro Jr.

O sonho do desenvolvedor que pensa produtos interativos é poder criar experiências diretas para as pessoas, que não dependam de mídias subjacentes. Seria ótimo se a cada jogo com narrativas a serem vivenciadas nós, enquanto jogadores, pudéssemos escolher a narrativa que imaginamos para vivenciar. Esse é o sonho da “realidade artificial”. Criar experiências que de forma alguma sejam limitadas ou restritas por imposições do meio que proporciona experiências.

Hoje, vários jogos tentam alcançar esse nível de experiência, evidenciados por gráficos cada dia mais próximos da realidade em jogos FPS (First Person Shooter), como Medal of Honor, Crysis, Killzone, Battlefield, Call of Duty. Estes jogos geralmente utilizam as máquinas de estado finitas (FSM, ou Finite State Machine), uma técnica de inteligência artificial mais comum em jogos de tiro, que consiste na configuração do personagem por uma série de regras de transição que alteram seu estado inicial, como por exemplo, se ele viu o oponente e se vale a pena ir atrás dele.

Os jogos se diferenciam em suas estruturas e, para cada um, o desenvolvedor deve pensar na IA (Inteligência Artificial) que deverá ser implementada.  Além dos jogos em primeira pessoa, temos os jogos de estratégia que utilizam sistemas baseados em regras, cujos métodos utilizados, em geral, são simplesmente máquinas de estado aliadas a sistemas baseados em regras parametrizáveis, de forma a permitir o ajuste da dificuldade e “jogabilidade”.

Em jogos de corrida é interessante a aplicação de algoritmos genéticos, que permitem a criação, a evolução de vários modelos de carros e o encontro de adversários.  A inteligência artificial nesse último é menor, porém os jogos de corrida são atrativos para os jogadores por propiciar a experiência de competição.

Profa. Me. Tatiana Dantas de Oliveira é Diretora no Curso de Artes Visuais

Tese analisa perfis de comunicação política nas redes sociais

O Professor do Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas, Victor Corte Real, defendeu sua tese de doutorado no dia 21 de setembro de 2015,  na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação da Profa. Dra. Heloiza Matos. A pesquisa teve como título: “Perfis de comunicação política nas redes sociais on-line: monitoramento e tipologia das conversações nas eleições presidenciais brasileiras de 2014 no cenário da internet”.

Real utilizou um software de monitoramento para coletar as publicações que fizeram qualquer menção aos principais candidatos à presidência: Aécio Neves, Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Marina Silva.

A pesquisa teve como ambiente de análise o site de relacionamento Facebook, pelo fato de ser a rede social com 83% de preferência entre os internautas brasileiros. Mais de um milhão de postagens, feitas por perfis de usuários ou fanpages, foram extraídas durante o período de campanha eleitoral (06/07 a 05/10/2014).

Para interpretar os dados obtidos, o pesquisador construiu um modelo quali-quantitativo de análise dos tipos de comunicação política no ambiente das mídias sociais.

Real afirma que “dentre as principais constatações obtidas, uma das que mais chamou atenção foi o fato de não existir efetivamente conversação entre os usuários, já que mais de 90% das mensagens são manifestações isoladas, não configurando um cenário de diálogo”.

Crédito: Arquivo Pessoal
Crédito: Arquivo Pessoal

Neste sentido, a tese defende que, apesar das pessoas se expressarem com grande intensidade diante dos temas das eleições 2014, elas não estabeleceram debates e nem troca de informação baseada em argumentação e contra-argumentação.

Além disso, o conteúdo das postagens foi baseado, em sua grande maioria, em argumentos de ordem emocional, ou seja, sem mencionar quadros de referência ou construções lógico-racionais diante da visão de mundo atual e futuro dos internautas.

As considerações finais do trabalho sinalizam, portanto, um despreparo dos usuários do Facebook para tratar de questões políticas, bem como uma inconsistência em assumir postura crítica e fundamentada diante do cenário eleitoral de 2014.

Em breve a tese estará disponível para acesso online no acervo da Universidade de São Paulo.

Informações: Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas 

O mercado da atenção

Na era da Informação, o usuário da internet tornou-se um produto para as mídias sociais e um consumidor para as marcas. A atenção das pessoas é o bem mais valioso no território digital

 

Por Amanda Cotrim

Na Era da Informação, o bem mais valioso é o seu tempo. Isso mesmo, o tempo que você, leitor, está usando neste momento para acompanhar esta reportagem. Essa tese foi defendida pelo economista e pesquisador do campo da psicologia cognitiva e informática, Hebert Simon, ainda na década de 1970. Simon foi um dos primeiros a descrever o fenômeno da “Economia da Atenção”. Em 2015, o Jornal da PUC-Campinas “confessa que ficará satisfeito”, se você continuar lendo o conteúdo dessa página até o final.

Para disputar a sua atenção, leitor, existem grandes organizações, como Google, Facebook e Youtube,entre outras mídias sociais, que não cobram do seu usuário, oferecem serviços gratuitos, mas vendem a sua atenção para a publicidade. “O usuário na verdade não é mais um usuário, ele é um produto e, às vezes, um consumidor”, explica em entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, o ex-aluno da Universidade, formado em Sistemas de Informação, Julio Cunha.

Atualmente, Julio trabalha com marketing digital e é uma das referências no assunto. Segundo ele, as redes sociais captam a atenção do público-produto e as vende no mercado digital. “Tem muitas pessoas que estão ganhando cerca de 100 a 500 mil reais por mês só gravando vídeo no Youtube. São os famosos Youtubers”.

Mapeamento do usuário-produto

As grandes organizações, como Google, Youtube e Facebook, entre outras, analisam por meio de inteligência artificial, tudo o que você, leitor, faz nas redes sociais e, a partir daí, te oferecem uma seleção de postagens que eles entendem que são do seu gosto. Quando você interage, clicando, compartilhando, curtindo ou comentando na postagem, a rede social registra o teu comportamento e procura repetir isso, promovendo um ambiente favorável para que você passe mais tempo na rede.

As empresas devem ter cautela ao publicar conteúdo polêmico ou que “choque” sua audiência- Crédito: Álvaro Jr.
As empresas devem ter cautela ao publicar conteúdo polêmico ou que “choque” sua audiência- Crédito: Álvaro Jr.

E qual é o segredo para que uma postagem tenha a atenção das pessoas na internet? Para Julio, não tem segredo, “precisa ser um vídeo que as pessoas gostem e que gere engajamento”, pontua. “Quem determina o valor que será pago é o anunciante, e vai depender do segmento e da qualidade do conteúdo, quem vai dizer se o post é bom ou não são os usuários-consumidores”, acrescenta.

O Google está programado para realizar uma busca semântica, levando em consideração a região demográfica da busca, o navegador da internet, as buscas que o usuário costuma realizar e o contexto da frase. O tempo de permanência na página, em quantas páginas a pessoa entrou e se ela voltou a repetir a mesma busca, são índices considerados para o aperfeiçoamento da plataforma.

Quando o usuário busca algum produto em um site, essa busca em forma de anúncios vai aparecer tanto no Facebook, Google, blogs, twitter, etc., usando a técnica do remarketing, ou cruzamento de mídias. “Não há nenhuma parceria entre as empresas. Cada uma dessas plataformas tem uma espécie de “chip rastreador”. O remarketing pode representar 30% a mais de vendas para uma empresa”, considera.

“Você é um produto para as mídias sociais e um consumidor para as marcas que anunciam nas redes sociais. O tempo é a grande mercadoria da internet”, esclarece. E diferente das outras mídias, como a televisão e o rádio, na internet não existe horário nobre. “O horário nobre pode ser às 2h da manhã”, completa.

Por que alguns conteúdos viralizam mais do que outros?

A atenção é o bem mais valioso na era da informação- Crédito: Álvaro Jr.
A atenção é o bem mais valioso na era da informação- Crédito: Álvaro Jr.

Para entender as redes sociais é preciso entender o ser humano, acredita Julio. “As pessoas tendem a se sensibilizar com postagens que envolvem crianças e animais, além de conteúdo trágico ou engraçado. Por sua vez, as redes sociais reproduzem mais o que tem mais visibilidade. Então é um ciclo vicioso. Uma causa social tende a unir mais as pessoas, fazendo o conteúdo ‘viralizar’, seja por revolta, raiva ou compaixão”, explica.

Julio alerta, porém, que as empresas e as pessoas devem ter cautela ao publicar conteúdo polêmico ou que “choque” sua audiência. “As polêmicas dividem as pessoas, e para uma marca, uma empresa, um artista, por exemplo, isso não é bom, à medida que ao se posicionar sobre algo, a empresa perde pelo menos metade de um público em potencial”, opina.

Para o especialista em marketing digital, tomar cuidado com o conteúdo da postagem também pode ser uma pista sobre como os grandes jornais brasileiros devem se comportar nas redes sociais. “Por mais que esses jornais tenham audiência e credibilidade, não é qualquer tipo de assunto que as pessoas que estão na internet querem ver. Em minha opinião, os jornais erram nas pautas e acabam não tendo retorno financeiro nas redes sociais, uma vez que jornal vive de anúncio e dentro do Facebook quem vende o anúncio é o Facebook e não o jornal”.

Apesar de a rede social ser usada pelos grandes jornais como ponte para que o internauta acesse seu conteúdo noticiado, é muito difícil, segundo Julio, tirar o usuário da sua zona de conforto, que é a tela da rede social. “E tem outra coisa, a mesma informação que um grande jornal está postando, o outro grande também está postando e o pequeno também está postando. O usuário já tem a mesma informação vinda de sete fontes diferentes. Dependendo do assunto, o usuário não vai sair da sua zona de conforto para acessar a página do grande jornal”. É aí, para ele, que mora o perigo das pessoas compartilharem informações mentirosas, sem checar a fonte.

 A informação na era digital

 Qual seria o caminho da imprensa, então? Julio aposta que os jornais têm de selecionar suas postagens nas redes sociais e não postar todo o conteúdo que está naquela edição, como se o Facebook fosse um “depósito de informação”. “Os jornais deveriam selecionar quais são as manchetes do dia e direcionar esse conteúdo nos horários de pico do Facebook. Em vez de ele colocar 70 postagens no dia, ele colocará 10”.

“As empresas erram em suas estratégicas de marketing, porque a rede social é lugar de gente e não de empresa, por isso elas têm pouco engajamento, no geral. Em minha opinião, os anúncios no Facebook às vezes causam mais repulsa do que engajamento”.

Julio compara as do Facebook com uma praça em que o usuário vai para trocar figurinha com os amigos. “Já o Google seria a biblioteca. Na biblioteca você não sai gritando e sim procurando a informação que deseja; já numa roda de amigos as pessoas falam e/ou gritam. As empresas precisam entender que no Facebook elas estão numa roda de amigos e precisam falar ou gritar juntos a mesma coisa”.