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Resenha: Professores resgatam legado da Imprensa campineira

Por Tereza de Moraes

Em uma produção gráfico-editorial primorosa, a Editora Setembro, de Holambra, São Paulo, disponibiliza ao público a obra “A Imprensa em Campinas: retratos da história”, organizada pelos experientes professores Carlos Gilberto Roldão, Fabiano Ormaneze e Ivete Cardoso do Carmo-Roldão. Tal produção, certamente, atraiu e constantemente arrebatará muitos leitores não somente pela qualidade editorial, mas principalmente pelo tema que aborda com legitimidade e exatidão.

Profa Tereza de Moraes: “Trata-se de um obra de grande relevância”/ Crédito: Álvaro Jr.
Profa Tereza de Moraes: “Trata-se de um obra de grande relevância”/ Crédito: Álvaro Jr.

Qualquer leitor, conhecedor do assunto ou leigo, encontrará o percurso histórico preciso da Imprensa em Campinas, em toda a sua abrangência, da origem (1858) até os dias atuais. Para tanto, a obra está dividida em doze capítulos, destacando um percurso diacrônico pela Imprensa em Campinas, analisando mais de um século de jornalismo, visitando tanto a Imprensa tradicional quanto a popular. A origem é o Diário do Povo (1912 a 2012), anexado posteriormente ao Correio Popular, fundado em 1927.

Nas competentes mãos de Ivete Cardoso Roldão e Carlos Gilberto Roldão, Marcel Cheida e Cyntia Andretta, três capítulos abordam a história completa da Imprensa tradicional campineira, desde a fundação até o presente momento, passando por todas as dificuldades, superações, bastidores, situações cômicas, culminando
com as transformações tecnológicas e a atual situação da conhecida Rede Anhanguera de Comunicação (RAC).

Já os três capítulos na responsabilidade de Juliana Sangion e Rose Bars, Luiz Roberto Saviani Rey e Paiva Jacobini desvelam com rigorosa precisão a presença na cidade das sucursais de grandes jornais da capital, seu significado, sua importância e sua contribuição.

Dois capítulos são destinados a esclarecer as experiências do Jornal de Hoje (de 1979 a 1981) e do Jornal de Domingo, um semanário que, durante vinte anos (1972 a 1993) chegou gratuitamente às residências dos campineiros. Nessa abordagem, Carlos Alberto Zanotti e Toledo-Vieira informam com dados confiáveis de pesquisa intensa e com muito bom humor a força da concorrência, num contexto histórico propício, entre a Imprensa escrita já consolidada e a inovação da rebeldia.

Molck tem a missão de revelar a imprensa contemporânea e o faz com profundidade e estilo peculiar. Expõe os traços marcantes da imprensa pós-intenet em todos os seus aspectos (linguagem, público, conteúdo…), simplificando ao leitor o contato com as experiências existentes (Metro e Destak). Chiquinho Jr. e Rosa revelam os traços do jornalismo popular existentes em Notícias Já, também um periódico pós-moderno, que justifica a permanência da Imprensa escrita mesmo após o advento das modernas tecnologias.

Os dois capítulos restantes, se não se encaixam somente nesse percurso diacrônico, nem por isso são menos relevantes. Ao contrário, em mãos de José Roberto Gonçalves e Fabiano Ormanze, fica a incumbência de tratar da polêmica entre Imprensa e discriminação. Gonçalves faz um estudo da imprensa negra (Getulino: 1923 a 1926) e a sua luta contra a discriminação em uma brilhante análise fundamentada nos estudos do discurso, demonstrando que fazer jornalismo é, antes de tudo, fazer política. Já Ormaneze presenteia o leitor com o último capítulo, revelando a participação das mulheres na imprensa, esclarecendo que tal presença começa tímida, através da utilização de pseudônimos, em
função do papel da mulher na sociedade androcêntrica e patriarcal, mas resulta em grandes reportagens.

Trata-se, portanto, de obra de grande relevância, recomendada tanto ao público em geral quanto aos especialistas da área do jornalismo, já que fundamentada em intensas pesquisas e muita reflexão crítica. Importante frisar que a relevância se estende ao fato de que a visão da Imprensa campineira nunca se distancia de uma contextualização mundial, podendo o leitor caminhar pela província sem perder de vista o universal. Nesse sentido, é uma obra para qualquer leitor do mundo, mas, sobretudo, para o leitor campineiro, que faz um verdadeiro ingresso ao túnel do tempo e revisita a Campinas antiga. No dizer machadiano, obra escrita com a pena da sabedoria, da paixão e da saudade.

Tereza de Moraes é Professora da Faculdade de Letras da PUC-Campinas

 

“Música é Deus na Terra”, diz Maestro que fundou Orquestra e Coral Universitário

Oswaldo Antônio Urban graduou-se em Filosofia, Direito e Orientação Educacional pela PUC-Campinas. Lecionou por 18 anos na Universidade e ajudou a fundar, nas décadas de 60 de 70, a Orquestra e o Coral Universitário. O Maestro regeu o Coral por 68 anos.

Por Eduardo Vella

“Só mesmo uma coisa tão maravilhosa como a música, que faz chegar até o homem a bondade e a divindade de Deus. Música é Deus na Terra”. É desse modo que o Maestro Oswaldo Antônio Urban define os seus 83 anos de vida dedicados às partituras e composições.

Aos 97 anos de idade, 68 deles devotados à regência do Coral PIO XI, o que lhe dá o título de “regente há mais tempo à frente de um mesmo coral”, outorgado pelo Ranking Brasil, Urban teve importante passagem pela academia, estudando e lecionando na PUC-Campinas. “Entrei na Instituição em 1949, no curso de Filosofia. Vim estudar na Universidade, pois tinha boa fama. Fiz também os cursos de Pedagogia e Orientação Educacional. Começou aí a minha vida de aluno dentro da PUC-Campinas”.

Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.
Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.

O Maestro exerceu o Magistério na Universidade de 1965 a 1983, quando se aposentou. À época, era Assessor da Reitoria e Diretor do Instituto de Arte e Comunicação, atual Centro de Linguagem e Comunicação (CLC).

Convidado pelo Arcebispo de Campinas e Reitor da Universidade Monsenhor Salim, Urban passou a dirigir a Faculdade de Música, que tempos depois integrou o Instituto de Arte e Comunicação, também coordenado pelo Maestro.

Urban nasceu em 1919 na cidade de Leme, cerca de 90 km de Campinas. Seus pais eram músicos e passaram para toda família essa paixão. Ele estudou também no Conservatório Musical Maestro Julião, em São Paulo e fez curso de música em Nápoles, na Itália. “Quando tinha 14 anos, o Maestro Salvador Bove, me colocou a batuta na mão e me fez dirigir o Coral que existia no Seminário. São 83 anos em que a música é a minha vida”, emociona-se.

Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.
Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.

Orquestra Sinfônica Universitária

Em 1960, associou-se ao Professor Luiz di Tullio, também convidado pelo Reitor, para formar uma Orquestra Sinfônica na Universidade. Seus alunos, que cultivavam a música clássica, constituíram grande parte dos primeiros e segundos violinos da orquestra. Eram chamados de “Os violinistas do Luizinho”.

Com a chegada do Maestro Benito Juarez à Orquestra Sinfônica de Campinas, que em 1974 passou às mãos da Prefeitura de Campinas, ocorreu uma dissidência de alguns músicos de grande projeção da Sinfônica e esses elementos foram integrar a Orquestra Universitária. “Um grupo ficou com o Juarez formando a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e outro veio para a PUC-Campinas a meu convite para “engrossar” a Orquestra Universitária. Ela cresceu muito com isso”, orgulha-se.

“Fizemos em diversas oportunidades a PUC-Campinas brilhar com a Orquestra e o Coral Universitário, que eu fundei em 1965. Eles participavam das formaturas, da Aula Magna de início do ano letivo, do encerramento do ano letivo, no Teatro Central, na Rua Marechal Deodoro, e no Campus I”, ressalta o Maestro Oswaldo Antônio Urban.

A Orquestra Universitária teve fim com o falecimento do Maestro Luiz di Tullio durante um ensaio da Orquestra e do Coral para a formatura da turma de Engenharia, em 1977.

A fundação do Coral Universitário

O Coral era composto de alunos voluntários das várias Faculdades que compunham a PUC-Campinas. Ele foi fundado pela natureza da Faculdade de Música, com os alunos que estavam estudando. Mas isso se estendeu para os outros os cursos. “Assim se formou um Coral com mais de 50 elementos”, relembra.

 O Maestro busca no coração o dia da solenidade de inauguração do Campus I, em 1973. “Nessa data estavam vários Bispos, representando as autoridades eclesiásticas, principalmente Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, o Bispo da época, o Reitor Prof. Dr. Benedito José Barreto Fonseca, que levou avante a construção do Campus”, salienta.

 Urban orgulha-se de ter composto para a ocasião o hino para da inauguração do Campus I – Música e Letra – executados pelo Coral e pela Orquestra Universitária.

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 O Maestro, personagem importante na história da Universidade deseja “que a PUC-Campinas continue resplandecendo pela Fé e pela Ciência, segundo os dizeres de seu brasão: Fide Splendet et Scientia.

Atualmente, a PUC-Campinas possui o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) que realiza significativo trabalho de formação e divulgação cultural dentro e fora na Universidade. Esse importante canal de expressão artística, de busca do aperfeiçoamento musical e do desenvolvimento cultural de seus membros é um dos grandes legados do Maestro Oswaldo Antônio Urban, que plantou essa semente nos anos 1960.

Reportagem da TV PUC-Campinas

 

O bom filho a casa torna

 Ex-alunos retornam à Instituição, mas, agora, como professores e colaboradores da Universidade.

Por Amanda Cotrim

“Nos primeiros meses como docente, ao caminhar por minhas antigas salas de aula, passava um filme na minha cabeça. Foi muito gratificante voltar à PUC-Campinas como professora, algo que eu nem imaginava na época de graduação”, conta a Jornalista e Assessora de Comunicação, Juliana Sangion, que se formou em 1994 em Jornalismo e há dez anos também vive a experiência de atuar em sala de aula na Universidade, lecionando nas disciplinas de Audiovisual. Hoje, Juliana ressalta que os amigos –“que ela fez para vida toda- e os professores” são as maiores marcas que a época de estudante lhe deixou.

Professora Juliana Sangion/ Crédito: Álvaro Jr.
Professora Juliana Sangion/ Crédito: Álvaro Jr.

“Sempre soube que queria fazer Odontologia na PUC-Campinas”. A junção entre teoria e prática é uma característica desse curso, o que fez o professor Arnaldo Pomilio optar pela Universidade em 1966.

Professor Arnaldo Pomilio/ Crédito: Álvaro Jr.
Professor Arnaldo Pomilio/ Crédito: Álvaro Jr.

Ele ressalta que estudar sempre fez parte da sua vida e, por isso, atribui esse hábito à sua vontade de ser professor. “Quando decidi ser docente, procurei dois professores meus da PUC-Campinas, o Prof. Dr. Hiroumi Takito e o Prof. Dr. Sérgio Reinaldo de Fiori, expondo meu sonho. Prontamente me convidaram para ser Estagiário e, assim, tudo começou”, lembra ele que há 50 anos está envolvido com a PUC-Campinas.

Dessa forma, como há inúmeros exemplos de ex-alunos que se tornaram professores, também há os que hoje são colaboradores da Instituição. É o caso de Mariela Soares de Souza Dias, que teve duas experiências como estudante da PUC-Campinas, sendo a primeira em 2001, quando cursou Turismo. Ela conta que “por ter adquirido experiência em produção e organização de eventos e por ter tido contato com a área de preservação de patrimônio cultural e ambiental”, decidiu retornar à Universidade para fazer História, em 2011.

Colaboradora no Museu Universitário: Mariela Soares de Souza Dias/ Crédito: Álvaro Jr.
Colaboradora no Museu Universitário: Mariela Soares de Souza Dias/ Crédito: Álvaro Jr.

A Universidade também propicia que seus funcionários se tornem alunos, por meio de bolsa de estudos, como foi o caso de Renata Covisi Pereira, auxiliar de escritório na Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEXT). Ela iniciou na Universidade como Patrulheira, passou a ser colaboradora no Departamento de Informação em Arquivo e, desde 2012, está na PROEXT. “Em 2010, logo que fui efetivada, iniciei o curso de Ciências Econômicas. A oportunidade de estudar em uma instituição como a PUC-Campinas, com toda sua tradição e com uma bolsa de estudos, foi uma felicidade muito grande, porque desde o Ensino Fundamental pretendia fazer um Curso Superior”, recorda. Mas Renata foi além: neste ano, começou o Mestrado em Sustentabilidade, “mais uma oportunidade oferecida pela Universidade, a qual pretendo me dedicar para, logo após o seu término, poder conquistar novas colocações, talvez até em outras áreas”, projeta.

Assim como Renata, a Professora Tatiana Slon tem uma relação estreita com a Instituição. Ela e seus irmãos estudaram no Colégio de Aplicação Pio XII e seu pai foi aluno de Administração da PUC-Campinas. “De diferentes modos a Universidade está nas minhas lembranças”, conta. Hoje, formada em Psicologia e com Pós-Graduação na área, ela é docente da Universidade. “Essa relação intensa com a Instituição me permitiu conhecê-la a partir de muitas perspectivas diferentes, desde os primeiros passos no estudo até, atualmente, quando me encontro ocupando um cargo de apoio a Gestão na Coordenação do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da PUC-Campinas e também sendo docente em carreira de Extensão”, orgulha-se.

Tatiana Slon é docente na Instituição/ Crédito: Álvaro Jr.
Tatiana Slon é docente na Instituição/ Crédito: Álvaro Jr.

“Eu cheguei a ser aprovado no vestibular da Universidade Federal de Ouro Preto, mas, considerando questões de estágio e empregabilidade, escolhi a PUC-Campinas”, conta Pedro Peruzzo, formado em Direito. Ele destaca que os excelentes professores e as oportunidades de estágio, como no Ministério Público Federal, Assistência Judiciária da PUC-Campinas, na Procuradoria do Estado e Defensoria Pública, foram determinantes para sua carreira. “O fato de ser estudante da PUC-Campinas sempre me abriu portas importantes”, complementa Peruzzo, que é o mais recente professor da Faculdade de Direito, tendo iniciado em 2016.

Pedro Peruzzo é professor no curso de Direito/Crédito: Álvaro Jr
Pedro Peruzzo é professor no curso de Direito/Crédito: Álvaro Jr

Escolher uma profissão não é uma tarefa muito fácil, ainda mais quando se é jovem. Por isso, o meio social exerce influencia nas escolhas. “Os profissionais com os quais eu convivi, antes da Graduação, haviam se formado na PUC-Campinas, e eles me estimularam muito para fazer Educação Física nesta Universidade”, se recorda o Diretor do Curso de Educação Física, Prof. Dr. István de Abreu Dobránszky, aluno da Instituição entre 1994 e 1997.

István de Abreu Dobránszky é diretor da Faculdade de Educação Física/Crédito: Álvaro Jr
István de Abreu Dobránszky é diretor da Faculdade de Educação Física/Crédito: Álvaro Jr

Hoje, como professor, ele ressalta que ser aluno e ser docente são posições diferentes, mas enfatiza que “o espaço social compartilhado de experiência é comum, o que enriquece o aprendizado de todos. É neste sentido, que sinto diferença nesta Universidade, a possibilidade de um trabalho competente aliado com a preocupação de uma formação católica”, frisa Dobránszky.

A credibilidade da Instituição no universo do trabalho também foi a principal razão para a escolha de Gabriel Bosso, formado em Educação Física e, hoje, Salva-vidas no complexo esportivo da Universidade. “A PUC-Campinas sempre me ofereceu todo respaldo tecnológico, conteúdo avançado, profissionais adequados para a minha formação. Tenho muito respeito em integrar o quadro de profissionais da casa”.

Gabriel Bosso é Salva-Vidas na Instituição/Crédito: Álvaro Jr
Gabriel Bosso é Salva-Vidas na Instituição/Crédito: Álvaro Jr

 “A PUC-Campinas forma mais do que graduados, engenheiros, bacharéis ou licenciados, ela forma cidadãos para o mundo. Acho que essa formação mais humanista foi importante para os anos que se seguiram”, complementa a docente Juliana Sangion.

“Além de ser uma grande honra, é também uma grande responsabilidade lecionar na PUC-Campinas. Recordo-me do quanto eu admirava os meus professores e essa lembrança me coloca diante da responsabilidade de auxiliar os estudantes a alcançarem os seus sonhos, como os meus professores me auxiliaram a alcançar os meus”, finaliza Peruzzo.

 

 

Ex-alunos da PUC-Campinas são destaque no Brasil e no mundo

No mercado ou na área acadêmica, ex-alunos da PUC-Campinas mostram como faz diferença escolher uma Universidade que possibilite mais do que um diploma, uma formação.

Por Amanda Cotrim

O presidente de empresa mais bem avaliado do Brasil é o ex-aluno da PUC-Campinas, Marcio Henrique Fernandes. Formado em Administração pela Instituição, ele ocupa o cargo de presidente da Elektro, desde 2011, quando ainda tinha 36 anos. O fato de Marcio ser jovem e já ocupar o cargo mais alto dentro de uma empresa, o fez ser destaque em diversos jornais e revistas do Brasil, os quais ressaltaram que em uma escala de zero a 100, a gestão de Marcio foi avaliada em 98,3, a partir de pesquisa “As melhores empresas para você trabalhar”.

Marcio Fernandes obteve sucesso por ser um dos executivos mais jovens ocupando a presidência de uma empresa/ Crédito: Assessoria.
Marcio Fernandes obteve sucesso por ser um dos executivos mais jovens ocupando a presidência de uma empresa/ Crédito: Assessoria.

Ninguém consegue o que Fernandes conseguiu em um “passe de mágica”. É preciso, segundo ele, uma base. “A PUC-Campinas me ofereceu essa base e me ajudou concretizar meus sonhos no mundo do trabalho”. Ele escolheu a Universidade por causa do corpo docente, “referência na Administração”, destaca.

Outro caso de sucesso, mas dessa vez na carreira acadêmica ocorreu com o ex-aluno José Rubens Rebellato, formado em Fisioterapia na década de 1970. “Por ser a Universidade mais moderna em relação às demais universidades – como a Universidade de São Paulo- a PUC-Campinas me permitiu uma visão menos conservadora sobre a profissão”, conta ele, ressaltando que essa modernidade permitiu que o conjunto de profissionais formados pela PUC-Campinas pudesse propor alterações na montagem de outros cursos de Fisioterapia pelo país. “Fiz parte do grupo que montou o curso de Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos, considerado um dos melhores do país durante muitos anos”, destaca.

Rebelatto se dedicou à vida acadêmica e à pesquisa. Ele foi Reitor da Federal de São Carlos, entre 1996 e 2000, e Secretário de Educação Superior Substituto do Ministério da Educação. Hoje, o ex-aluno se lembra da PUC-Campinas com carinho. “O Pátio dos Leões é, sem dúvida, minha memória mais viva, pois foi lá em que iniciamos o curso de Fisioterapia. Era um local em que ocorriam os movimentos políticos e as pequenas mobilizações acadêmicas. Uma época muito especial, cuja esperança de um futuro melhor era o que imperava”, se orgulha.

Dom Sérgio da Rocha é Presidente da CNBB/ Crédito: Álvaro Jr.
Dom Sérgio da Rocha é Presidente da CNBB/ Crédito: Álvaro Jr.

Exemplos de ex-alunos que têm sucesso em suas carreiras não são poucos. Um dos que foram filhos da PUC-Campinas é do atual Arcebispo de Brasília e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Sérgio da Rocha. Segundo ele, a existência de uma comunidade acadêmica decorre do dinamismo e do caráter dialogal do saber: “Ao fazer isso, a Universidade se torna um local de formação integral para a vida”, observou Dom Sérgio que é formado em Teologia pela Instituição. O Presidente da CNBB tem Mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, e obteve o Doutorado na Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.

Do Brasil para o Mundo

Cristiane Squarize fundou o laboratório de Biologia Epitelial nos Estados Unidos/ Crédito: Álvaro Jr.
Cristiane Squarize fundou o laboratório de Biologia Epitelial nos Estados Unidos/ Crédito: Álvaro Jr.

Cristiane Squarize e Rogério Moraes se conheceram na PUC-Campinas, no curso de Odontologia, na década de 1990, quando começaram a namorar. Do namoro veio o casamento, o mestrado, doutorado e o pós-doutorado. Hoje, os dois são professores da área de patologia bucal, na Faculdade de Odontologia da Universidade de Michigan e fundadores e responsáveis pelo laboratório de Biologia Epitelial da universidade, nos Estados Unidos. Em 2014, Cristiane concedeu entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, na qual revelou que a formação que recebeu na Universidade para o sucesso da sua carreira foi fundamental. “A formação que tivemos foi única. Na PUC-Campinas tivemos acesso à prática e ao paciente durante todo o curso, o que me deu uma formação mais humana”, lembra a ex-aluna.

A oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos surgiu quando a pesquisadora estava no doutorado sanduíche (termo usado para dizer que o aluno fez parte do curso de doutorado fora do país). “Eu fiquei em um laboratório da mesma universidade em que trabalho hoje e, paralelamente, fui publicando meus artigos científicos, até que eu e meu esposo fomos convidados para fazer o pós-doutorado lá. Em 2010, a universidade abriu concurso e passamos. Os dois!” brinca Cristiane. Para ler a matéria completa, acesse o link aqui. 

Ocupar cargos que extrapolam as fronteiras do Brasil também foi o caso de Cyro Diehl, que é formado em Análise de Sistemas pela PUC-Campinas, em que também realizou Pós-Graduação em Gestão Empresarial. O executivo ingressou na empresa Oracle, em junho de 1997, com o desafio de montar o escritório regional em Campinas, no interior de São Paulo, em que ficou até 2000. Nesse mesmo ano, foi convidado para iniciar, em Miami (EUA), o Oracle Direct Brasil e, no final de 2001, estruturou a divisão para toda a América Latina. Após essa experiência, ele assumiu a vice-presidência de Vendas Indiretas da Oracle do Brasil e, no início de 2006, foi promovido à vice-presidência de Vendas Indiretas da Oracle para a América Latina, passando a responder por todo o continente. Em 2009, Cyro Diehl assumiu a presidência da Oracle do Brasil. Ele conta que seu maior objetivo é “manter o ritmo de crescimento da operação da empresa no País”.

A Universidade já formou 18 desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo, sendo um deles o Desembargador, formado em Direito, Francisco Vicente Rossi. A PUC-Campinas também esteve presente na vida de personalidades de grande apelo midiático, como alguns famosos. É o caso do técnico de futebol Tite, formado em Educação Física e da jornalista Renata Ceribelli, correspondente internacional nos Estados Unidos pelo programa Fantástico, da Rede Globo. A cantora Sandy, formada em Letras pela Instituição, também figura a lista de personalidades conhecidas do grande público.

 

 

Aulas de Filosofia foram embrião para primeiro Cineclube universitário

Exibições de filmes acompanhados de debate aconteciam no Prédio Central da PUC-Campinas e no Centro de Ciências, Letras e Artes

Por Amanda Cotrim

As aulas de Estética do Professor Padre Lúcio de Almeida, docente da Faculdade de Filosofia, da antiga Universidade Católica – atual PUC-Campinas – são exemplos daquelas aulas que mais do que ensinar, inspiram e fazem os alunos caminharem adiante.

Em 1964, a Faculdade de Filosofia promoveu uma semana de estudos filosóficos – algo recorrente no curso -, e o tema daquele ano foi cinema. Na ocasião, vários filmes foram exibidos, incluindo películas de Humberto Mauro e Alain Resnais, hoje, clássicos do cinema mundial.

“A partir dessa semana de estudos, pensamos: Por que não criar um lugar permanente de discussão de cinema, em Campinas”? Lembra um dos fundadores do primeiro cineclube universitário da cidade, Luiz Borges, que, à época, era estudante de Direito da PUC-Campinas, e garante que o interesse pelo cinema sempre foi cultural e não um simples entretenimento.

Cineclube foi destaque no jornal Diário do Povo, em 20 de março de 1966/ Arquivo Cineclube.
Cineclube foi destaque no jornal Diário do Povo, em 20 de março de 1966/ Arquivo Cineclube.

“O contexto histórico no Brasil e no mundo era especialmente propício para cinema. Havia uma ebulição de criatividade na Europa, Leste Europeu, Ásia, o cinema independente dos EUA e o Cinema Novo, no Brasil.  Para a nossa geração, o Cinema Novo foi um acontecimento. A primeira vez que assistimos ao filme ‘Deus e o diabo na terra do sol’, de 1964, do Glauber Rocha, foi um choque”, recorda Borges, que ainda cita os clássicos filmes de Ingmar Bergman e Federico Fellini.

Em março de 1965, Luiz Borges, Dayz Peixoto e outros estudantes formaram, oficialmente, o Cineclube Universitário de Campinas. “Todas as exibições eram acompanhadas de debates. Entregávamos, em todas as sessões, um folheto com uma crítica sobre o filme que seria exibido. A crítica cinematográfica sempre fez parte do Cineclube”, conta Dayz, que foi estudante de Filosofia da então Universidade Católica.

Borges e Dayz no auditório do CCLA/ Crédito: Álvaro Jr.
Borges e Dayz no auditório do CCLA/ Crédito: Álvaro Jr.

Cineclube e a Universidade

“O Cineclube tinha total relação com a Universidade; uma das normas era que a Diretoria só fosse composta por alunos da Universidade Católica – o que depois se abriu para estudantes de outras universidades” -, afirma Dayz. “Cada classe de cada curso havia um representante do Cineclube. Chegamos a ter 300 associados, que contribuíam financeiramente. O projeto só funcionou porque havia um objetivo em comum”, destaca Borges.

As exibições e os debates aconteciam nas dependências do antigo Campus Central da PUC-Campinas, no auditório do Centro de Cultura Letras e Artes, entre outros espaços culturais. “Não havia um espaço físico próprio. Essa foi a nossa coragem”, ressalta Dayz.

O CCLA, que sempre apoiou entidades culturais e educativas da cidade, teve relevância histórica para a PUC-Campinas. Segundo Dayz, “os debates sobre a necessidade de uma faculdade para Campinas nasceram no auditório do Centro de Ciências, Letras e Artes. Podemos dizer, então, que o CCLA foi o marco zero tanto para a criação da PUC-Campinas quanto da Unicamp”, orgulha-se ela que chegou a ser a única presidente mulher do CCLA.

Cineclube cresce e aparece

Os fundadores do Cineclube Universitário de Campinas não imaginavam que uma vontade que começou nas aulas de Filosofia da PUC-Campinas poderia se transformar num mercado alternativo do cinema de arte. “Localizamos uma empresa que trabalhava com grandes distribuidores e passamos a negociar as exibições. Eu ia até São Paulo, na Rua do Triunfo, pegava o filme, voltava para Campinas e negociava o aluguel com os cinemas da época, como o Cine Brasília e o Cine Voga, entre outros”, contextualiza Borges. “Todos ganhavam: a distribuidora, o cinema e o Cineclube, que começou a arrecadar receita”.

O dinheiro possibilitou uma nova fase para o Cineclube Universitário: a publicação de um jornal – que teve cinco edições e durou de 1965 a 1966 – e a produção de curtas metragens, sendo os primeiros o filme Um Pedreiro, que teve roteiro de Borges e Direção de Dayz Peixoto, o curta O Artista, também de autoria de Borges e o filme Dez Gingles para Oswald de Andrade, dirigido por Rolf de Luna Fonseca, com roteiro de Décio Pignatari, tendo o Professor Francisco Ribeiro Sampaio no papel de Oswald.

 “Todas as produções contaram com o apoio imprescindível de Henrique de Oliveira Júnior – um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som de Campinas -, que era nosso fotógrafo e técnico”, esclarece Borges.

O Cineclube Universitário manteve suas atividades até 1973, sendo a última ação o lançamento de um documentário de Rolf Fonseca.  Seu fim, segundo Dayz, se deve essencialmente ao fato de as pessoas que participaram terem seguido suas carreiras e adquiridos outros compromissos. Se ainda estivesse ativo, em 2015, o Cineclube teria completado 50 anos.

Jornal do Cineclube: da esquerda para direita:Rolf, José Alexandre, Borges, Padre Lucio, Dayz/ Arquivo
Jornal do Cineclube: da esquerda para direita:Rolf, José Alexandre, Borges, Padre Lucio, Dayz/ Arquivo

Cinema e o século XXI

Na opinião de Borges, a situação do cinema não mudou muito no que tange o acesso aos filmes de arte daquela época até hoje. “Estamos passando mais ou menos pela mesma situação. Mas antes, chegavam poucos filmes, mas chegavam; hoje não chega filme algum”. Além disso, para ele, “criar um Cineclube Universitário como foi antes, nos dias de hoje, torna-se um desafio muito maior, porque as pessoas antes estavam mais próximas, um contexto oposto aos dias atuais”,”, defende.

Apesar disso, o amor pelo cinema não diminuiu. “Nada se compara à experiência única do cinema, com o apagar das luzes e o filme projetado na tela”, finalizam Borges e Dayz.

 

A Provedora

Isolethe Augusta de Sousa Aranha é personagem marcante para a PUC-Campinas

Por Amanda Cotrim

Era uma terça-feira do mês de maio, quando na reunião de pauta do Jornal da PUC-Campinas foi proposta uma matéria sobre Isolethe Augusta de Sousa Aranha, a única filha de Joaquim Policarpo Aranha, mais conhecido como Barão de Itapura, que, apesar de não ser campineiro – nasceu no Paraná -, morou na cidade durante a maior parte de sua vida, vindo a falecer em 1902. O prédio em que começaram os primeiros cursos da PUC-Campinas – e hoje está o Museu Universitário – foi o palacete em que morou a família do Barão. De uma residência de luxo, o prédio tornou-se uma Faculdade. E, nesse processo, Isolethe Aranha foi fundamental.

Barão era um título de nobreza dado a algumas pessoas quando o Brasil ainda era uma monarquia.

A história nos diz que o Barão de Itapura e sua esposa Libânia Aranha eram conhecidos por sua generosidade, proporcionando condições para que muitos jovens pobres pudessem estudar. Numa crônica publicada no dia 3 de setembro de 1999,  pela cronista do Jornal Correio Popular, Celia Siqueira Farjallat, ela relata que os Barões abrigavam em sua casa crianças pobres, órfãos, abandonados e viúvas desamparadas.

Essa prática de ser solidário aos mais pobres acompanhou Isolethe, última filha do casal de Barões. Chamada carinhosamente por Iaiá, ela nasceu em 1867 e faleceu em maio de 1957, vivendo acontecimentos marcantes da segunda metade do século 19 e da primeira metade do século 20, como o fim da escravidão no Brasil, além das duas guerras mundiais.

Isolethe é a última filha do casal de Barões/ Arquivo da família.
Isolethe é a última filha do casal de Barões/ Arquivo da família.

“Os que a conheceram de perto, evocam-na com saudade e respeito. Adotou numerosas crianças, dando-lhes carinho e amor. Era de talhe fino e esbelto. Tocava piano com maestria e chegou a organizar pequena orquestra feminina com piano, bandolim e violino”, registrou Célia Farjallat.

 Os filhos dos Barões: Joaquim Policarpo Aranha Junior, Manuel Carlos de Sousa Aranha Sobrinho, José de Sousa Aranha, Alberto Egídio de Sousa Aranha e Isolethe Augusta de Sousa Aranha.

Isolethe era muito religiosa e devota de Nossa Senhora Aparecida. Gostava de ler e de fazer doces. Era caseira. Não se casou. Mas foi mãe, pois educou numerosas crianças pobres e adotou, legalmente, três filhos: Antônio Galvão, José Carlos Fortuna Rosa e Maria Tereza Rosa Barreiro.

O mais velho deles é o dentista e professor doutor, aposentado pela Universidade de São Paulo Antônio Galvão Fortuna Rosa, que chegou a viver nas dependências do Casarão, em 1935. Hoje, com 81 anos, ele diz que se pudesse definir a dona Isolethe em uma palavra seria generosidade. Nessa generosidade, dona Isolethe envolvia até mesmo seu patrimônio para servir ao interesse social.

Em 1935, o prédio em que morou o Barão de Itapura foi alugado para a Arquidiocese de Campinas e a casa passou a ser habitada pelas Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Em 1941, o local abrigou a Faculdade de Ciências, Filosofia e Letras, o embrião da PUC-Campinas. Em 1952, o prédio foi transferido definitivamente para a Arquidiocese. Muitos cursos universitários foram ministrados no antigo Campus Central, sendo o último deles o curso de Direito que, no início de 2016, foi transferido para o Campus I da Universidade.

Atualmente, no prédio, está o Museu Universitário da PUC-Campinas, em que são realizadas atividades culturais como exposições e mostras de seu acervo. O casarão é a materialidade histórica do fim do Império, de composição clássica e com 227 cômodos imponentes, com suas janelas em semicírculos. Em 1988, o prédio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (CONDEPACC).

NOME DE RUA

Rua Isolethe Augsta de Sousa Aranha está localizada no centro de Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.
Rua Isolethe Augsta de Sousa Aranha está localizada no centro de Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.

A rua Isolethe Augusta Sousa Aranha,  no Centro de Campinas, é uma daquelas ruas bem típicas de interior. Uma travessa da Avenida Orosimbo Maia, que termina na Avenida Francisco Glicério.

O local já não guarda apenas casas antigas, mas uma arquitetura moderna, com casas e prédios novos. Ela é estreita e quase não tem movimento, preservando certa tranquilidade, mesmo tão próxima do centro comercial e de avenidas principais da cidade.

A homenagem à Isolethe Augusta de Sousa Aranha é quase imperceptível, mas ela existe. Está lá. Você pode passar por essa rua todos os dias e nunca ter sabido quem foi Isolethe. Quando você passar por lá, saiba que seu nome foi inspirado em uma das mulheres mais importantes para a história da PUC-Campinas, na primeira metade do Século 20.

 

 

Tome Ciência: Eventos marcam os 75 anos da PUC-Campinas

Pesquisadores de destaque

 

Todos os docentes pesquisadores da PUC-Campinas foram homenageados pela Pró-Reitoria de Pró-Graduação e Pesquisa, representados por alguns docentes das cinco áreas do conhecimento, como o Prof. Dr. Lineu Corrêa Fonseca, da Ciências da Vida, o Prof. Dr. Adolfo Ignácio Calderón Flores, das Ciências Humanas, Prof. Dr. Jonathas Magalhães Pereira da Silva, repersentando as Ciências Sociais Aplicadas, a Profa. Dra. Denise Helena Lombardo Ferreira, da Ciências Exatas e da Terra e a Profa. Dra. Paula Cristina Somenzari Almozara, da área de Linguistica, Letras e Artes.

O evento fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade e contou com palestra do então Diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Prof. Dr. Arlindo Philippi Júnior, que destacou as conquistas da Instituição no âmbito da pesquisa e da internacionalização.

Arlindo Philippi Júnior possui Mestrado em Saúde Ambiental e Doutorado em Saúde Pública (USP), Pós-Doutorado em Estudos Urbanos e Regionais (MIT/EUA) e Livre Docência em Política e Gestão Ambiental (USP). Presidente da Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Saúde Pública, exerceu recentemente a função de Prefeito do Campus USP da Capital tendo sido Pró-Reitor e Adjunto de Pós-Graduação da USP.

 

Celebração Eucarística comemora 75 anos da PUC-Campinas

A PUC-Campinas promoveu na manhã do dia 11 de junho (sábado), na Catedral Metropolitana de Campinas, com participação da comunidade acadêmica – docentes, diretores de Centros e Faculdades, funcionários, alunos e egressos – a Solene Celebração Eucarística em Comemoração ao Aniversário de 75 anos da Universidade.

Celebração Eucarística em Comemoração dos 75 anos da Universidade. / Crédito: Álvaro Jr.
Celebração Eucarística em Comemoração dos 75 anos da Universidade. / Crédito: Álvaro Jr.

A cerimônia foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos. Participaram da celebração o Arcebispo Emérito de Campinas, Dom Gilberto Pereira Lopes, o Bispo Diocesano de Amparo, Dom Luiz Gonzaga Fechio, além de religiosos, muitos deles, docentes da PUC-Campinas.

O Arcebispo lembrou que a Universidade Católica serve, ao mesmo tempo, à dignidade humana e à Igreja na tarefa da Evangelização e ressaltou a importância da PUC-Campinas na Educação, na Saúde e na Assistência ao longo dos 75 anos de existência.

Para a Reitora, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht, em 75 anos de História, a PUC-Campinas acumulou vitórias, cresceu e se consolidou na missão de produzir e difundir conhecimento, em benefício da sociedade. “Esse tempo trouxe, também, momentos de apreensão e dificuldades, vencidas com habilidade pelas pessoas que escreveram e continuam a escrever os capítulos da nossa História. O futuro, que nos compete construir, não será diferente”, celebrou.

 Lançamento do Livro Comemorativo dos 75 Anos da PUC-Campinas 

Na ocasião, a PUC-Campinas lançou o Livro Comemorativo dos 75 Anos. A publicação será distribuída para a comunidade interna, assim como, encaminhada a Instituições similares e aquelas de outra ordem, com as quais a PUC-Campinas mantém algum nível de relacionamento. Amigos, visitantes e parceiros da Universidade, evidentemente, também são e serão sempre destinatários do Livro. 

(texto Eduardo Vella)

 

Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim

Monsenhor Salim em uma herma de bronze, pedestal de mármore polido, amarelado/ Crédito: Álvaro Jr.
Monsenhor Salim em uma herma de bronze, pedestal de mármore polido, amarelado/ Crédito: Álvaro Jr.

A PUC-Campinas promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, entre os dias 13 e 17 de junho, integrando as comemorações dos 75 anos da Universidade. Temas como  “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim, peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

Monsenhor Salim faleceu no dia 22 de junho de 1968. Em sua homenagem no Campus Central da PUC-Campinas, foi inaugurada, em 06 de abril de 1969, uma herma de bronze, pedestal de mármore polido, amarelado, obra do escultor De Nucci, como marca perene de admiração da Universidade por seu fundador e primeiro Reitor.

 

 

Editorial: Comunicação e História

Em 2005, dos seis mil calouros que entraram na PUC-Campinas, 52% vinham de outras cidades e boa parte deles se preparava para viver a experiência de morar fora da casa dos pais, incluindo a “república” como alternativa de residência. Enquanto isso, os veteranos, representados pelo Diretório Central de Estudantes, DCE, expunham críticas e reparos à Reforma Universitária, à época item de pauta do meio acadêmico brasileiro.

Quase 60 anos antes disso, em 1946 o casal italiano Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi chegavam ao Brasil, iniciando uma jornada dedicada às artes, cujo ápice foi a criação do MASP (Museu de Arte de São Paulo). O tema foi tratado na tese de doutorado da professora da Faculdade de Arquitetura da PUC-Campinas, Vera Santana Luz, defendida em 2004.

Rememorando os anos de 1930, o neto adotivo do Barão de Itapura resgatou reminiscências do tempo em que morou no palacete que, na década seguinte, seria o primeiro campus universitário de Campinas.

Apesar de datas diferentes e temas diversos, os parágrafos acima têm um elemento comum: foram extraídos de matérias publicadas no Jornal da PUC-Campinas, que nesta edição dedica todo seu espaço às comemorações do Jubileu de Diamante da Universidade.

O Jornal é só um exemplo do compromisso de transparência e diálogo que a Instituição mantém com sua comunidade e com a sociedade em geral, mantendo, desde sua fundação, processos e recursos de comunicação, expondo fatos, ideias e posicionamentos nascidos no meio universitário ou de interesse da comunidade acadêmica.

Assim, no mais amplo sentido do termo, incluindo aspectos jornalísticos, comunicação é um item que se agrega com relevância a tantos outros que a Universidade cultiva e faz florescer desde sua fundação.

Em 75 anos, a comunicação na Universidade, voltada à comunidade acadêmica, alunos em especial e da Universidade, voltada à comunidade externa, acompanhou e divulgou os passos mais importantes e significativos dessa caminhada, como também abriu espaço para o cotidiano e as temáticas rotineiras, mostrando-se abrangente e permanente na missão de informar, sem nunca deixar de promover a interação entre os diversos componentes da comunidade acadêmica e desta com a sociedade.

A edição comemorativa o Jornal da PUC-Campinas resgata fatos e pessoas que se destacaram em75 anos de História, bem como abre espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirma e confirma que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destaca-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

75 anos de base para os próximos anos

 Para o Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, a Universidade forma pessoas que fazem a diferença na sociedade.

Por Amanda Cotrim

O papel da Igreja Católica na educação formal brasileira é histórico, desde a época dos jesuítas. Esse compromisso para com a formação da sociedade se expandiu ao longo dos anos, passando por escolas, faculdades, centros de pesquisa, institutos de ensino e Pontifícias pelo Brasil. A PUC-Campinas é uma dessas instituições de saberes que surgiu para contribuir para o desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas e, hoje, para o país, por meio da produção do conhecimento, de novas perspectivas, análises e soluções, numa sociedade cada vez mais complexa. Segundo o Grão-Chanceler da PUC-Campinas, a presença da Universidade na história é perene. “Nosso objetivo é com o futuro. Esses 75 anos constituem a base dos próximos anos”.

Qual é a importância da participação da Igreja Católica na educação formal brasileira?

 É importante retomarmos os primórdios da Igreja Católica no Brasil, com a vinda dos portugueses. A primeira preocupação dos jesuítas foi trabalhar a formação e a educação da população; então, há mais de 500 anos a Igreja Católica promove a educação, com escolas, centros de pesquisas, faculdades, institutos de ensino e, mais recentemente, as Pontifícias pelo Brasil. Isso denota a responsabilidade que a Igreja tem com a formação das pessoas e com o desenvolvimento da cultura e do conhecimento. A importância da Igreja Católica na educação formal do Brasil é de primeira linha.

Como o senhor avalia esses 75 anos de história da PUC-Campinas?

Nestes 75 anos, a presença da PUC-Campinas tem sido marcante na história da cidade de Campinas e da região. Desde o seu início, na década de 1940, por inspiração do Bispo Dom Barreto (um dos idealizadores da PUC-Campinas) e de Monsenhor Salim (primeiro Reitor da Universidade), a Igreja sempre se preocupou em contribuir com a formação das pessoas e com o desenvolvimento local e regional. A presença da PUC-Campinas na história é perene.

Nosso objetivo é com o futuro. Esses 75 anos constituem a base dos próximos muitos anos que virão. E a PUC-Campinas permanecerá em cada época da história contribuindo de modo significativo para o desenvolvimento da sociedade.

Nesse contexto histórico em que vivemos, a Universidade tem muito a contribuir, com análises, perspectivas e soluções. A realidade está aí para ser enfrentada, com inteligência, competência, e a PUC-Campinas tem tudo para oferecer isso.

O que podemos destacar como excelência da Universidade?

 Em primeiro lugar, destaco a qualidade das atividades de ensino promovidas pela Universidade, em todos os níveis, incluindo o Colégio de Aplicação PIO XII, como o grande diferencial. Essa excelência, constatamos na atuação dos alunos formados nas diferentes áreas de conhecimento oferecidas pela Universidade, como por exemplo, professores, engenheiros, médicos, desembargadores, juízes, que além de demonstrarem a competência profissional, destacam-se pelo comprometimento com a construção de uma sociedade mais justa e solidária, nos vários níveis: municipal, estadual e nacional.

Destaco, ainda, a presença da PUC-Campinas na área da saúde e sua importância para a comunidade, por meio das atividades desenvolvidas pelo Hospital Universitário (Hospital e Maternidade Celso Pierro), que traduz, na prática, a missão da PUC-Campinas. Os profissionais da área da saúde, tanto da Universidade quanto do Hospital, são homens e mulheres de alta competência, que trabalham para produzir o melhor para a sociedade. Eu destaco que o Hospital da PUC-Campinas tem algo que poucos hospitais oferecem: o ambiente propício para profissionais se desenvolverem e, principalmente, o atendimento à população; um atendimento que não enxerga classe. Atendemos as pessoas porque são pessoas. Antes de sermos cuidadores, oferecemos um serviço que anda escasso na sociedade: a caridade. Servimos às pessoas porque elas são feitas à imagem e semelhança de Deus. Finalmente, ressalto que a excelência da Universidade revela-se também no crescimento da Pesquisa e da Iniciação Científica, que levam à produção do conhecimento e, com isso, à criação de novos cursos de Mestrado e Doutorado.

Gostaria que o senhor deixasse uma mensagem para os alunos e professores da PUC-Campinas que lerão esta entrevista.

 Os alunos quando buscam a PUC-Campinas é por algo que vai além de uma escolha circunstancial. Eles já têm no coração alguma expectativa, um chamado, ou porque alguém da família estudou na Universidade ou porque sabe da qualidade da Instituição. Então, a partir disso, gostaria de dizer para os alunos que a PUC-Campinas não é apenas uma instituição educacional, mas uma escola de vida, em que o aluno desenvolve uma visão de mundo, de futuro e recebe uma formação que vai além do conhecimento profissional, porque eles serão pessoas que vão interferir na sociedade, “como gente” e não como um competidor, vão trabalhar para que possamos viver numa sociedade que seja boa para todos.

Para os professores, eu digo: vocês são aqueles que introduzem os alunos ao conhecimento. Por isso, devem acompanhar, subsidiar e dar condições para que os alunos ampliem seus horizontes. O testemunho de um bom mestre não se mede apenas pelo conteúdo estudado, mas pelo cuidado que tem com a aprendizagem do aluno e o seu desenvolvimento como pessoa. O corpo docente da PUC-Campinas tem essa capacidade de apontar caminhos para que os alunos sejam grandes. Se o estudante não superar o seu professor, assumindo o protagonismo da sua formação, esse professor não foi bom. O discípulo deve superar o seu mestre.

Universidade atual e presente na sociedade

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht está no segundo mandato à frente da PUC-Campinas

Por Eduardo Vella

Em meio às comemorações aos 75 anos de fundação da PUC-Campinas, a Magnífica Reitora, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht, concedeu entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, na qual abordou suas impressões sobre este momento histórico para a Universidade e os desafios para manter a excelência no Ensino e a formação integral da pessoa humana.

Qual a importância do percurso histórico que assinala 75 anos da PUC-Campinas?

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht O Jubileu de Diamante é um momento apropriado e oportuno para resgatar a História da primeira Instituição de Ensino Superior da região de Campinas, criada em 1941.

As vagas oferecidas no primeiro Vestibular foram disputadas por 233 candidatos, tornando realidade as Faculdades Campineiras, projeto acalentado pelo segundo titular da Arquidiocese de Campinas, Dom Francisco de Campos Barreto e dois colaboradores diretos, cônego Emílio José Salim e o jovem padre Agnelo Rossi. A elevação à categoria de Universidade Pontifícia, em 1972, consolidou a relevância da Instituição e confirmou sua ligação com a cidade.

A década em que completou 30 anos foi marcada pela implantação dos campi e ampliação de Cursos. A criação do Curso de Medicina, em 1975, e o surgimento do Hospital Universitário, dois anos depois, estabeleceram as bases de uma contribuição social importante. Implantado na região que mais cresce no Município, o Hospital e Maternidade Celso Pierro desponta como unidade fundamental de saúde pública, ao mesmo tempo em que atende a formação de profissionais de nível superior do Centro de Ciências da Vida.

As décadas finais do Século XX representam um período de renovação e consolidação, com um novo Projeto Pedagógico, centrado na adaptação ao cenário político, social e econômico que emerge com a redemocratização e a inserção cada vez maior do País no circuito internacional.

Qual a relevância dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu para a gestão atual?

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht Investimento em infraestrutura e ampliação de recursos humanos qualificados são elementos fundamentais ao crescimento da Pós-Graduação. O estímulo à qualificação do corpo docente somado à implantação de recursos e condições de pesquisa vêm acelerando nossa produção científica. Além de dissertações e teses dos Programas de Pós-Graduação, a participação em publicações qualificadas, nacionais e estrangeiras, vem crescendo. A Universidade chega aos 75 anos com Programas de Pós-Graduação ligados a múltiplas áreas de conhecimento.

Por outro lado, a produção gerada na Pós-Graduação tem um efeito na ampliação dos Grupos de Pesquisa, no aumento de alunos e professores envolvidos com Iniciação Científica e no debate científico. Esses itens são exemplos do compromisso com a produção, sistematização e difusão do conhecimento presentes na Missão da Universidade.

Historicamente, a PUC-Campinas se destaca pelo vínculo que mantém com a comunidade, por meio da Extensão. Isso permanece aos 75 anos de existência?

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht A orientação cristã promove e estimula a solidariedade social e a Extensão representa o caminho mais ativo dessa atividade. Além de Cursos, que atendem demandas da sociedade, a Extensão organiza e aplica Programas que nos aproximam da comunidade externa, em especial das parcelas mais carentes e vulneráveis. Esses Programas envolvem alunos, professores e, em casos específicos, contam, também, com apoio de funcionários técnicos. Todas essas pessoas atuam no sentido de aplicar o conhecimento universitário para melhorar a qualidade de vida dessas comunidades. Ponto importante dos nossos Programas de Extensão reside no compromisso de estimular a autonomia das comunidades. Por outro lado, o rigor acadêmico estabelecido na seleção dos Projetos de Extensão, que geram Programas de interesse social, permite à PUC-Campinas participar de Editais Públicos, alocando verbas que ajudam a ampliar o alcance dessa atividade.

Aos 75 anos, a Universidade ainda enfrenta desafios?

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht Superar desafios compõe a alma da nossa História e o mais importante é manter-se na vanguarda. Constantemente, desenvolvemos metodologias e aplicamos recursos capazes de aprimorar o Ensino, qualificando nossos alunos que se destacam no mundo do trabalho. À formação técnico-profissional agregamos a formação social, estimulando a participação ativa e positiva, a partir da nossa orientação cristã. A formação pessoal dos nossos alunos também importa e, para isso, temos programas de orientação, aplicados desde o primeiro momento em que o calouro chega ao Campus. Assim, ao completar 75 anos queremos e devemos reverenciar a nossa História, sem abrir mãos do compromisso de sermos atuais e socialmente presentes.