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EDITORIAL- Criança: responsabilidade de todos

Usando e abusando da imagem infantil, a propaganda costuma estampar rostinhos sorridentes e sadios para alavancar o consumismo, desde a ingestão de hamburger gorduroso, até o automóvel de luxo, cuja posse transforma o pai em herói aos olhos do filho. Todavia, para além da ficção publicitária, a realidade mostra que parte das crianças não frequenta o consumo e todas, sem exceção, precisam mais que bens e serviços para conhecer um tantinho de felicidade.

Protagonista de tantos desvios e contradições da sociedade contemporânea, especialmente nos cantos atrasados em civilidade e primários em civilização, as crianças polarizam esta edição do Jornal da PUC-Campinas, que reúne artigos, entrevista e reportagens sobre a postura da academia e o olhar dos acadêmicos em relação à infância.

No campo da Tecnologia, o jornal trata dos encontros e desencontros da infância com a informação, nesses tempos em que a criança aprende a correr os dedos pela tela do celular antes de conseguir desenvoltura mínima no manejo da colher.

 O CEA colabora com o tema mostrando características e distorções dos liames entre criança e consumo, enquanto a coluna Pensando o Mundo contribui com uma análise muito atualizada do Trabalho Infantil, medievalismo que assola intensamente a cultura e a realidade brasileiras, consequenciando, nos pequenos, a esdruxula distribuição de renda na qual elites e oligarquias insistem em manter o Brasil aprisionado.

Horários, obrigações e responsabilidades que a contemporaneidade impõe à gurizada, já nos primeiros meses de vida, estão na entrevista, cujo tema é tão instigante quanto preocupante: ser criança é o mesmo que ter infância?

Apresentação de Projetos de Extensão e resumo de Dissertação de Mestrado centrados nas crianças, das Faculdades de Fisioterapia e Psicologia são as contribuições do CCV ao assunto do mês, enquanto a CACI mostra as atividades que trazem crianças para a Universidade nos períodos de férias.

Completando, a coluna cinematográfica indica dois filmes que tratam das consequências dolorosas sobre as crianças da militância política em tempos de ditadura.

A leitura disso tudo certamente vai levar a reflexões sobre a responsabilidade de todos nós, adultos e quanto os universitários podem fazer para efetivar a premissa de que o melhor da vida é ser criança.

Boa leitura!

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Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários: 6º Encontro de Anual de Extensão Universitária

O 6º Encontro de Anual de Extensão Universitária da PUC-Campinas, realizado no dia 19 de setembro de 2016, evento promovido pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, objetivou possibilitar aos alunos, bolsistas de Extensão, apresentar o desenvolvimento de seus Planos de Trabalho, iniciados em abril de 2016, e os principais resultados alcançados até este momento. Visou também promover reflexões qualificadas sobre temas pertinentes relacionados ao desenvolvimento de Projetos de Extensão junto aos docentes e discentes da Universidade.

Neste ano, a palestra de abertura do 6º Encontro de Anual de Extensão Universitária foi proferida pela docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Profa. Dra. Henriette Tognetti Penha Morato. Dentre os vários temas tratados em sua exposição oral, destacaram-se os desafios em relação aos métodos de intervenção adotados nos projetos de Extensão. A partir da compreensão de que os procedimentos de intervenção devem ser submetidos e também definidos no cotidiano das ações de extensão, a Profa. Henriette Morato discorreu sobre vários exemplos de Projetos de Extensão em que o cotidiano das ações foi fundamental para o redirecionamento dos métodos de intervenção, assim como dos sentidos a eles atribuídos, seja pela equipe executora, seja pelo público-alvo. Os exemplos mencionados pela docente do Instituto de Psicologia da USP foram também bastante ilustrativos em termos da possibilidade de articular Extensão, Ensino e Pesquisa num processo de enriquecimento recíproco para todos os evolvidos.

No período da tarde, pelo terceiro ano consecutivo, as sessões de Comunicação Oral contaram com a presença de avaliadores externos, isto é, docentes convidados, provenientes de outras Universidades, que contribuíram com sua experiência para aperfeiçoar as atividades de Extensão desenvolvidas na PUC-Campinas. Em 2016, as apresentações orais dos 64 alunos bolsistas de Extensão foram avaliadas pelos seguintes professores: Profa. Dra. Andreia Osti (Departamento de Educação – Universidade Estadual Paulista – UNESP); Prof. Dr. Edison Duarte (Departamento de Estudos de Atividade Física Adaptada – Faculdade de Educação Física – Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP); Profa. Dra. Regina Helena Pires de Brito (Núcleo de Estudos Lusófonos do Programa de Pós-Graduação em Letras – Universidade Presbiteriana Mackenzie – MACKENZIE); Profa. Dra. Maria Aparecida Diniz Ehrhardt (Assessora da Pró-Reitoria de Extensão – Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP); Profa. Dra. Márcia Aparecida Lima Vieira (Faculdade de Ciências Humanas – Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP), além da já mencionada Profa. Dra. Henriette Tognetti Penha Morato.

A sexta edição do Encontro de Anual de Extensão Universitária trouxe também uma novidade em relação aos anos anteriores. Pela primeira vez, uma sessão de comunicação oral foi dedicada aos estudantes que participam dos grupos de aprendizagem do Programa de Educação Tutorial (PET) da Universidade.

Professores de Direito representam Universidade em congresso internacional

O Diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, Prof. Dr. Peter Panutto, apresentou o artigo científico “O Estudo de Caso como método pedagógico para a construção da cultura de precedentes judiciais diante do novo Código de Processo Civil (CPC): uma análise baseada no Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Direito da PUC-Campinas”, no V Encontro Internacional do Conselho Nacional de Pesquisa em Direito (CONPEDI), que ocorreu em Montevidéu, no Uruguai, no mês de setembro. O artigo foi escrito em coautoria com o também docente da Faculdade de Direito, Prof. Dr. Guilherme Perez Cabral.

Prof. Dr. Guilherme Perez Cabral e Prof. Dr. Peter Panutto,Diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Guilherme Perez Cabral e Prof. Dr. Peter Panutto,Diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.

O estudo tem como objeto o Projeto Pedagógico do Curso de Direito da PUC-Campinas e trata do desafio colocado pelo novo Código de Processo Civil da construção de uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, o que passa necessariamente pela reformulação pedagógica da educação jurídica, mediante o estudo de casos como prática adequada à formação técnica e crítica de bacharéis competentes ao uso desse novo instituto processual.

O evento congregou os programas de Mestrado e Doutorado em Direito do Brasil e foi uma possibilidade de intercâmbio entre as pesquisas jurídicas realizadas no Brasil e no Uruguai, com discussão também de temas da América Latina. Esse evento, um dos maiores sobre pesquisa em Direito no Brasil, atraiu mais de mil professores e estudantes, brasileiros e uruguaios, na Universidade da República do Uruguai. Os artigos aprovados serão publicados no livro do evento.

Segundo o Professor Panutto, o qual também atua como professor pesquisador na Universidade, a pesquisa em Direito propicia a construção de novo conhecimento jurídico, estabelecendo uma visão crítica do Direito. “É a pesquisa jurídica que permite a contemporânea concepção da educação jurídica, de modo a formar não meros ‘operadores do Direito’, mas, sim, bacharéis em Direito protagonistas capazes de compreender, interpretar e reconstruir a concepção da sociedade em que vivemos”.

 

 

Professores da PUC-Campinas: Determinação e vontade

Enquanto soldados disparavam armas letais durante o cerco alemão a Stalingrado, durante a Segunda Guerra Mundial, fotógrafos profissionais e amadores disparavam máquinas que registraram o cotidiano daquela cidade mergulhada em combates e batalhas. Uma dessas fotografias mostra, no cenário nevado do rigoroso inverno russo, entre escombros e prédios destruídos, uma professora sentada na sarjeta, segurando uma pequena lousa, cercada por alunos acocorados de frio, mas atentos à aula.

Ensinar e aprender, mostra a imagem, independem de lugar, instalações, equipamentos, recurso ou formalidade além da relação entre professor e aluno, pautada pela determinação daquele e pela vontade deste.

A História da PUC-Campinas, que neste ano comemora seu jubileu de diamante, está marcada por conquistas, iniciadas por visionários entusiasmados, reunidos como Faculdade, em acomodações modestas, que redundaram em uma das maiores e mais importantes instituições de ensino superior do País, contando aos milhares sua população acadêmica e a metragem das suas instalações.

Todavia, se os 75 anos de História da PUC-Campinas foram marcados por transformações diversas, permaneceu inalterada e viva a relação que une alunos e professores na busca do conhecimento.

Portanto, ao mesmo tempo em que a oficialidade dos registros marca efemérides importantes, celebradas e comemoradas nos eventos do 75o aniversário, cabe também celebrar e comemorar a relação que se estabeleceu no primeiro instante da primeira aula ministrada na Instituição, momento que tanto mais se afasta no tempo, mais permanece e mais se renova a cada aula, de todos os Cursos, em todos os campi, eternizando a relação que constitui a alma da Instituição, corporificada na determinação de ensinar de todos que foram e são professoras e professores da PUC-Campinas.

 

Memória e continuidade: projeto de restauro do Solar do Barão de Itapura

Por Amanda Cotrim

A PUC-Campinas inicia as obras de restauração do Solar do Barão de Itapura, local que abrigou por 74 anos o Campus Central da Universidade. Para conseguir preservar a história, a memória, com sustentabilidade, responsabilidade e dignidade, a Instituição promove a campanha de captação de recurso para o restauro.

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação. Para doar e contribuir com esse projeto, visite o Portal da PUC-Campinas:

Crowdfunding / Financiamento Coletivo

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação.

SE VOCÊ É PESSOA FÍSICA

Qualquer pessoa física pode apoiar o restauro participando da campanha de financiamento coletivo promovido pela PUC-Campinas.  A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçada em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas  no portal da PUC-Campinas.

SE VOCÊ É PESSOA JURÍDICA

Pessoas jurídicas podem apoiar o projeto utilizando uma ou mais das seguintes modalidades:

A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçado em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas no portal da PUC-Campinas.

  1. Doação com Isenção no ICMS

PROAC – Programa estadual de incentivo a cultura do Governo do Estado de São Paulo

O PROAC ICMS funciona por meio de incentivos fiscais. O projeto do restauro do Solar do Barão de Itapura já está aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura e recebeu autorização para captar patrocínio junto a empresas que descontam o valor doado do ICMS devido. O processo é simples e toda a orientação é feita pela PUC-Campinas. O abatimento de 100% do valor doado até o limite de 3% do ICMS devido.

  1. Doação com Isenção no Imposto de Renda – Lei Rouanet

PRONAC – Programa Nacional de Apoio à Cultura – Lei 8.1313/91

Instituído em dezembro de 1991, com a promulgação da Lei nº 8.1313/ 91, também conhecida como Lei Rouanet visa apoiar e direcionar recursos para investimento em projetos culturais.

É destinada a toda empresa que faça sua declaração de Imposto de Renda pela modalidade de Lucro Real.  O processo é muito simples e toda a prestação de contas é feita diretamente pela PUC-Campinas. A lei permite ao contribuinte o abatimento de 100% do imposto de renda dos valores

História

O Solar do Barão de Itapura, reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC) e Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. (CONDEPHAAT), após o restauro, passará a ser um lugar de valor socioeducativo, já que seu espaço, por meio de uma ocupação consciente, será usufruído por toda a população, que se transformará na principal beneficiária das atividades educativas e culturais.

“O Solar não viverá apenas do passado, pois, ao realizar o restauro, a PUC-Campinas promoverá importante função social. Feita a recuperação, a Universidade dará ao Solar uma destinação eminentemente cultural, não apenas aos membros da Instituição, mas a toda a sociedade de Campinas e região propiciando enriquecimento cultural à população, promovendo o Turismo, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida e garantindo dignidade cultural à sociedade em geral”, esclarece o Vice-Reitor da Universidade e Coordenador do Projeto de Restauro, Prof. Dr. Germano Rigacci Junior.

 

Conheça um pouco mais sobre a história do Solar do Barão de Itapura nesta reportagem do Jornal da PUC-Campinas, que abordou a origem do primeiro Campus da Universidade, aqui. 

 

A relação histórica da PUC-Campinas com o Solar do Barão de Itapura

Desde o início do século XX o Brasil já contava com faculdades católicas com a criação em 1908, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Na década de 1930, Dom Francisco de Campos Barreto, segundo Bispo da Diocese de Campinas, idealizou a criação de uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Nesta época, a Igreja já administrava na cidade o Colégio Diocesano Santa Maria e a Academia de Comércio São Luís.

Para tornar real seu projeto, Dom Barreto funda em 1941, ao lado do Cônego Emílio José Salim e do Padre Agnelo Rossi, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, a SCEI, que teria como missão reunir as instituições católicas campineiras de ensino.

Nos 74 anos em que o Solar abrigou as dezenas de cursos da Universidade mais de 180 mil profissionais se formaram em suas dependências.

Não tardou, no entanto, para que o casarão do Barão de Itapura se tornasse pequeno para agrupar todos os cursos da PUC-Campinas. Assim, os novos Campi foram surgindo de acordo com a necessidade de espaço: o Campus I, o CampusII, o Seminário e o Instituto de Letras.

Em 2015, após a saída do curso de Direito – o último a ser transferido para o Campus I – a PUC-Campinas planeja uma nova história para o Solar do Barão.

 (Informações de Eduardo Vella)

Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade

Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realizou de 7 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”

 

Por Amanda Cotrim

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” proporcionou um debate importante e cada vez mais necessário para a sociedade: a valorização do ser humano e o papel da Igreja diante desse tema. O evento, organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, aconteceu no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, no Campus I, e contou com conferências e mesas-redondas as quais discutiram temas como História e Conceitos Fundamentais, Justiça e Paz, Ciência, Fé e Transcendência, o Bem Comum e a Dignidade Humana e o Mundo contemporâneo.

A abertura do evento recebeu a Conferência “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais”, ministrada pelo Bispo da Diocese de Jales, Dom José Reginaldo Andrietta, com mediação do Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves.

O Bispo de Jales elogiou a iniciativa da PUC-Campinas em discutir o tema da Doutrina Social e ressaltou a importância da aproximação do mundo acadêmico com a realidade social, em todas as suas circunstâncias. Segundo ele, é nesse sentido que sua conferência contribui para pensar o papel da educação e da universidade.

Nos dias que se seguiram, os participantes também puderem acompanhar a Conferência do Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, a qual contou com a mediação do Prof. Dr. Peter Panutto, intitulada “A Doutrina Social da Igreja: Justiça e Paz”.

Na oportunidade, Dom Airton enfatizou a importância e a necessidade da universidade católica para o convívio social. “Precisamos pensar qual sociedade estamos construindo, para que ela, sim, seja digna do ser humano e não o contrário, pois todas as nossas ações devem ter em vista o ser humano, uma vez que o pensamento social da Igreja traz o humanismo como alicerce”, defendeu Dom Airton.

O Grão-Chanceler da PUC-Campinas também destacou que a justiça se mostra fundamental na contemporaneidade. Para ele, a justiça se exerce diante de pessoas concretas e não de protocolos. “Só há justiça quando há solidariedade e amor”, justificou.

O público também pode conferir a mesa-redonda “Ciência, Fé e Transcendência”, ministrada pelo Prof. Dr. Ir. Clemente Ivo Juliatto, da PUC-Paraná, e pelo Prof. Dr. Newton Aquiles Von Zuben, da PUC-Campinas, com mediação do Prof. Dr. Glauco Barsalini, da PUC-Campinas.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”  - Conferência – “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais” Dom José Reginaldo Andrietta – Bispo da Diocese de Jales
Doutrina Social da Igreja foi o tema do Colóquio da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr. 

O evento, segundo o Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, realçou a relação Igreja e Sociedade, mostrando, assim, a tradição eclesial, confirmada no Concílio Vaticano II. “O tema do Colóquio toca em questões pertinentes do ponto de vista mundial, mas também nacional e local, como, por exemplo, o tema da paz, do trabalho, da propriedade privada e da liberdade religiosa. Além disso, o Colóquio teve um caráter interdisciplinar, pois a Doutrina Social da Igreja não se restringe a área da Teologia, mas aborda o Direito, a Economia, as Ciências Sociais, a Filosofia e a Comunicação”, destacou.

Direitos da pessoa humana

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” trouxe para uma das suas mesas-redondas, um tema atual: a discussão sobre os direitos da pessoa humana no contexto dos processos migratórios internacionais. Para esse debate, a Universidade contou com a mesa-redonda “A Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum e a Dignidade Humana”, com o Prof. Me. Paulo Moacir G. Pozzebon, da PUC-Campinas, e com Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz e docente da Itesp-SP, Prof. Dr. Pe. Paolo Parise, com mediação do Prof. Dr. Pe. Edvaldo Manoel de Araújo, da PUC-Campinas.

Para o Professor Pozzebon, é preciso que os bens e serviços produzidos mundialmente sejam acessíveis a todos os seres humanos, ressaltando a importância do bem comum e os direitos do homem sobre os quais diz o Papa Francisco.

Na mesma linha, porém numa perspectiva específica da imigração, o Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz da Igreja Católica criticou o que ele chamou de “lógica sanguessuga”, em que alguns países “sugam” outros em benefício próprio, fazendo referência à exploração da força de trabalho de imigrantes em todo o mundo. “Não podemos pensar que o imigrante é motivo dos problemas das nações, pois esse pensamento legitima a exploração”, destacou.

A última Conferência do Colóquio aconteceu no dia 9, com o tema “A Doutrina Social da Igreja e o Mundo Contemporâneo”, presidida pelo Prof. Dr. Pe. Marcial Maçaneiro, da PUC-Paraná, com mediação do Prof. Me. José Donizeti de Souza, da PUC-Campinas.

O Colóquio teve encerramento com a Celebração Eucarística, em comemoração aos 75 anos existência da Faculdade de Filosofia, presidida por Dom Airton José dos Santos, na Catedral Metropolitana de Campinas.

Para o Vice-Reitor da Universidade e integrante do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” conseguiu promover uma reflexão sobre sistemas, se relacionando, segundo ele, com a discussão sobre a Encíclica Ladauto Si’, tema discutido no Colóquio do primeiro semestre de 2016, também na PUC-Campinas

Trezentos anos de Aparecida: Jornada Missionária

No Ano Santo da Misericórdia, a Arquidiocese de Campinas se prepara para uma grande Jornada Missionária, de três de outubro a oito de dezembro de 2016.

A Celebração do dia de Nossa Senhora Aparecida ocorreu na Praça da Catedral Metropolitana de Campinas. A padroeira foi homenageada em 12 de outubro de 2016.

Imagem peregrina no Instituto Educacional Imaculada, em Campinas, no dia 07 de outubro/ Crédito: Marcelo Aoki
Imagem peregrina no Instituto Educacional Imaculada, em Campinas, no dia 07 de outubro/ Crédito: Marcelo Aoki

Em comunhão com todas as dioceses do Brasil, a Arquidiocese se anima e dá início aos preparativos para comemorar os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, completos em 2017, e 10 anos do Documento de Aparecida. Assim, o início da Jornada Missionária se marcará por peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, quando as paróquias devem se organizar para receber a imagem peregrina.

A recomendação é para que a informações sobre como participar da peregrinação e das outras atividades programadas sejam obtidas na secretaria de sua Paróquia.

(Texto: Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Campinas)

PUC-Campinas na década de 90

Por Wagner Geribello

Na última década do Século XX, a PUC-Campinas efetiva uma cifra de relevância especial, registrando 100 mil alunos formados, passando a integrar um grupo muito reduzido entre as Instituições de Ensino Superior do Brasil.

A marca de 100 mil formados, entretanto, não é o único ponto de destaque da História da Universidade registrado nos anos 1990, década lembrada, também, por outras realizações importantes, como a implantação do primeiro Doutorado, consolidando o programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Mestrado em Urbanismo. Os anos1990 são lembrados, também, pela chegada aos quadros de colaboradores da PUC-Campinas de um dos mais importantes intelectuais brasileiros, o Professor Paulo Freire, considerado o maior educador do País, que passa a integrar o recém-criado núcleo de extensão em Educação.

O início da implantação da Carreira Docente e a ampliação dos projetos e ações voltados para a Pesquisa caracterizam a década, que, no entanto, começou muito instável no campo da economia, em especial por conta do Plano Collor e suas desastrosas consequências para a estabilidade econômica do País. Foram precisos exercícios ousados e complexos de gestão para contornar o cenário econômico pouco favorável, mas, mesmo antes do final da década, a Instituição volta a investir, por exemplo, na construção de novos ambientes onde se instalam a Faculdade de Serviço Social e o então Instituto de Ciências Exatas (posteriormente denominado Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias – CEATEC), registrando-se, ainda, a ampliação das instalações da Faculdade de Educação Física. Do outro lado da cidade, no Campus II, mais investimentos, ampliando a capacidade do Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP) para 30 mil atendimentos ambulatoriais e mil internações/mês.

PUC-Campinas nos anos 1990- Foto: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
PUC-Campinas nos anos 1990- Foto: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

O pioneirismo que vem marcando a História da Instituição, desde a sua fundação, verifica-se nos anos 1990, com a criação da Universidade da Terceira Idade, a partir de um projeto concebido na própria PUC-Campinas, com identidade e características próprias, até hoje tomado como modelo para implantação de entidades semelhantes.

Em 1º. de fevereiro de 1993, o professor Gilberto Luiz de Moraes Selber assume a Reitoria, focando sua gestão na continuidade da implantação do Projeto Pedagógico, iniciada na gestão anterior e responsável pela elevação dos padrões da Universidade no Ensino, na Pesquisa e na Extensão. A capacitação docente, com a instituição de horas/atividade, responde pela elevação da titulação do Corpo Docente e suas consequências imediatas na consolidação da PUC-Campinas como polo de produção e difusão do conhecimento.

Com a edição do Plano Real e o afrouxamento da inflação, a Universidade adere a novas formas de gestão, incorporando itens fundamentais para navegar com segurança e crescimento no novo cenário econômico, como a democratização da gestão e o planejamento estratégico, fixando metas de médio e longo prazo.

Nos anos 1990 verifica-se, também, aproximação maior da PUC-Campinas com sua irmã, a Universidade Estadual de Campinas, inclusive no plano físico, com a inauguração da Avenida dos Estudantes, unindo o Campus da Unicamp ao Campus I da PUC-Campinas.

Consolidada como Instituição de Ensino Superior de primeira linha e a marca de 100 mil formandos, verificada em 1995, a PUC-Campinas atravessa a década preparando-se para comemorar meio século de existência, pronta e disposta a enfrentar os desafios descortinados pelo Século XXI.

Wagner Geribello foi Professor na Faculdade de Jornalismo. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Campinas e a década decisiva: anos 1990

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Os traços vigorosos de progresso e desenvolvimento riscados nas décadas anteriores encontram e revelam aos olhos do Brasil e do mundo, nos anos 1990, uma Campinas moderna e avançada, colocada – sem surpresas para quem acompanhou sua trajetória – em compatibilidade industrial e tecnológica com grandes centros norte-americanos e europeus.  É na década que se estende de 1990 a 1999 que a cidade se nivela a polos mundiais importantes e se consolida como uma metrópole diferenciada, reunindo as características de município industrial de ponta, rumando para se tornar o Vale do Silício brasileiro e espécie de hub do MERCOSUL.

Em consequência, os acréscimos populacionais, em porte e densidade, verificados no período, naturais de um processo rápido e vertiginoso de progresso, produzem um aquecimento econômico espantoso, mantendo sua crescente População Economicamente Ativa (PEA) ocupada em atividades urbanas de serviços – que se acentuam e se aprimoram no período. Campinas aproxima-se e começa a superar a casa de um milhão de habitantes.

Campinas na década de 1990- Crédito: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
Campinas na década de 1990- Crédito: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

O segmento imobiliário torna-se carro-chefe do processo e no setor industrial/tecnológico reside a alavanca motora do progresso. Setores que primam pela qualidade, coadjuvados por centros de pesquisas de relevância, como a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e a Unicamp.

Surgem os problemas mais efetivos de grandes aglomerações humanas, aliados à carência de investimentos, de infraestrutura física e social em caráter universal; Campinas sofre com a conurbação, gerando sua Região Metropolitana de forma natural e carente. A cidade padece do desenvolvimento desenfreado, da expansão desordenada, em detrimento da qualidade ambiental, e com o crescimento da violência e da criminalidade. É o preço a pagar!

Em meio à década, Campinas perde uma de suas lideranças, o então prefeito José Roberto Magalhães Teixeira – que morre no início do último ano de seu governo. Uma figura cujas políticas e ações contribuíram para desenvolver a cidade, desde a instalação do Trade Point, um dos pioneiros do Brasil, no início da década.

Mesmo com tais dificuldades, enfrentando questões críticas como o saneamento básico e a violência, atuando no sentido de superações, a cidade não se dobra e segue adiante, a passos acelerados, rumo a novas décadas de pujança e vigor econômico.

saviani


Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático). 

 

Criança, consumo e educação financeira

Por Eli Borochovicius

Muito se discute sobre educação financeira para crianças e jovens. Alguns argumentam tratar-se de um processo de adultização, outros de uma necessidade advinda de uma mudança da sociedade, transformada por questões econômicas, políticas, tecnológicas, culturais e sociais.

Quando uma menina calça os sapatos de salto alto da mãe e passa batom, pode ser considerado natural, uma brincadeira, mas quando a criança passa a ter hábitos de adultos, com o seu próprio sapato de salto alto e o seu kit de maquiagem, é que se manifesta o fenômeno de adultização, intimamente relacionado com as ofertas de produtos para o público infantil.

Em função de uma série de eventos históricos que modificaram as relações sociais, as crianças ficaram mais expostas à mídia. Os pais passaram a trabalhar em tempo integral, as mulheres ganharam espaço no mundo do trabalho, as separações ficaram mais comuns, a rua ficou mais violenta, os espaços públicos de convivência foram reduzidos e as crianças passaram a ficar mais tempo confinadas em casa, tendo como grande influenciador, a tecnologia.

O acrônimo KGOY traz como significado Kids Getting Older Younger, em tradução livre para o português, crianças ficam mais velhas mais jovens e sugere que elas estão amadurecendo mais rapidamente em função dos meios de comunicação.

Com o avanço da tecnologia, a televisão passou a receber também transmissão de canais por assinatura e acesso a serviços de streaming de vídeo, os computadores e celulares passaram a fazer parte do cotidiano infanto-juvenil e o contato mais próximo com a vida adulta foi inevitável.

A educação financeira viria então para preencher uma lacuna importante na vida moderna dessas crianças, estimuladas pelo consumismo desenfreado e pelo crédito fácil.

Visando contribuir para o fortalecimento da cidadania com ações que ajudem a população com o conhecimento do mundo das finanças é que surgiu em 2010, a Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Sob a coordenação da Associação de Educação Financeira do Brasil foram desenvolvidos programas voltados às crianças a exemplo do Programa de Educação Financeira nas Escolas, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento da cultura de planejamento, prevenção, poupança, investimento e consumo consciente nas futuras gerações de brasileiros. O programa foi pensado também para proporcionar a melhoria de desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática.

Programas de educação financeira voltados para escolas privadas também já são oferecidos, com o diferencial de buscarem desenvolver não apenas o conhecimento financeiro, mas o senso de organização, respeito, responsabilidade, empreendedorismo, criatividade e autonomia.

A educação financeira veio para formar cidadãos conscientes, capazes de compreender e transformar a realidade, atuando na superação das desigualdades e do respeito ao ser humano. Se ainda não é contemplada nas grades curriculares das escolas, possivelmente, muito em breve, será necessário.

Prof. Me. Eli Borochovicius leciona Administração Financeira no curso de Administração da PUC-Campinas.