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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017 FRATERNIDADE: BIOMAS BRASILEIROS E DEFESA DA VIDA “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2, 15)

Por Pe. José Antonio Boareto – Professor das Faculdades de Teologia, Publicidade e Propaganda, Administração, Educação Física e Artes Visuais da PUC-Campinas

Todos os anos, os bispos do Brasil convidam as comunidades católicas como também a sociedade a refletirem durante o período litúrgico conhecido “tempo da Quaresma” sobre uma temática que implica a necessidade de uma organização social em vista da realidade.

O tempo da Quaresma é um tempo forte de conversão e assim a proposta da Campanha da Fraternidade também é de uma mudança de mentalidade que se reflete em atitude. Tal consciência deve ser dolorosa capaz de ser sensível ao grito da terra e ao grito dos pobres.

Neste ano, a Campanha da Fraternidade traz como tema: Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida e lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gn. 2, 15). Essa temática está em sintonia com a perspectiva assumida pela Campanha da Fraternidade Ecumênica do ano passado sobre o saneamento básico e ambas estão diretamente relacionadas com a encíclica social do Papa Francisco “Laudato Si’” sobre o Cuidado com a Casa Comum.

Na encíclica, o Papa Francisco propõe a necessidade de uma educação e espiritualidade ecológica que ajude a superar uma mentalidade de dominação e exploração da natureza e do ser humano para uma relação marcada pela ética do cuidado.

Interessante é ressaltar que o Papa Francisco frisa na encíclica que estamos diante de uma única crise socioambiental e não duas. Esta compreensão traz uma nova perspectiva e mesmo paradigma, chamado por ele na “Laudato Si’” de ecologia integral.

Quando compreendemos essa fundamentação, podemos entender o por que da preocupação dos bispos com estas temáticas que não tratam simplesmente de uma atenção ao meio ambiente, mas com toda a biodiversidade e sociodiversidade presente nos biomas brasileiros.

Por meio da Campanha da Fraternidade deste ano, os bispos, em sintonia com o significado profundo do tempo da Quaresma, convidam as comunidades e a todas as pessoas a uma conversão ecológica.

Os bispos querem demonstrar que é possível ao povo brasileiro redescobrir sua vocação de ser cultivador (cuidador) e guardador da criação e assim estabelecer nova relação filial e criatural com Deus Criador e de fraternidade com a natureza e o próximo em nosso país.

 

O que você precisa saber sobre a febre amarela

Por Sílvia Perez

Diante do surto de febre amarela registrado em alguns estados brasileiros, a PUC-Campinas presta alguns esclarecimentos sobre a doença.

A febre amarela é uma zoonose e os casos confirmados no Brasil são classificados como silvestre, sendo os vetores responsáveis pela transmissão os mosquitos Haemagogus e Sabethes encontrados nas matas. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental, no lugar dos macacos, ao adentrar áreas de mata. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, pelo menos por enquanto, não há evidências de que o Aedes aegypti esteja transmitindo o vírus, causando uma expansão urbana da febre amarela.

Desde a notificação dos surtos de febre amarela no início de 2017, vem sendo observado em nosso país um aumento progressivo do número de casos suspeitos e confirmados, de óbitos e de municípios com notificação da doença. Dentre o total de casos notificados (1006), 157 evoluíram para óbito e destes 65 foram óbitos confirmados por febre amarela (letalidade 36,1%); 89 óbitos suspeitos continuam sob investigação e 03 foram descartados. De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde, os casos notificados estão distribuídos em 109 municípios pertencentes a 05 estados (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Tocantins, Bahia) de 03 regiões do país (Sudeste, Norte e Nordeste).

Atualmente, a reemergência do vírus no Centro-Oeste brasileiro volta a causar preocupação, com maior incidência de casos humanos em viajantes que realizavam atividades de turismo e lazer. A maior parte dos casos confirmados ocorreu em regiões turísticas de Goiás e Mato Grosso do Sul, áreas que mantêm intenso fluxo de pessoas, sobretudo durante o verão (período sazonal da doença).

De acordo com a professora da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, Maria Patelli, a doença pode se manifestar de diferentes formas. “A manifestação pode ser de forma assintomática, oligossintomática, moderada até forma grave e maligna. A letalidade varia de 5 a 10%, mas entre as formas graves, pode chegar a 50%”, explica.

O Ministério da Saúde informou que vai reforçar o estoque das vacinas contra a doença em 11,5 milhões de doses, mas isso não significa que todas as pessoas devam correr para os postos de saúde em busca da imunização. Devem procurar a vacina, apenas moradores das áreas onde o surto foi registrado, ou quem pretende visitar regiões silvestres, rurais ou de mata.

Vacinação

No presente, o Brasil tem 20 estados e o Distrito Federal com indicação permanente de vacinação contra febre amarela. Figura 1

Figura 1: Área com e sem recomendação para vacinação contra a febre amarela em 2016

Fonte: Ministério da Saúde

 O Estado de São Paulo tem 70% do total dos municípios com recomendação de vacina contra febre amarela, predominantemente a região noroeste e sudoeste.  (Figura 2).

Figura 2: Mapa – Área com e sem recomendação de vacinação contra a Febre Amarela. Estado de São Paulo, 2016

Fonte: CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA “PROF. ALEXANDRE VRANJAC” Divisão de Imunização

O Ministério da Saúde orienta sobre a vacinação contra febre amarela para viajantes e residentes em áreas com recomendação da vacina. (20 estados e o Distrito Federal).

O professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, Adilson Micheloni, ressalta a importância do cidadão procurar um serviço de saúde antes de se deslocar para regiões que apresentam casos da doença. “É preciso buscar informação segura antes, verificar a necessidade de vacinação e, principalmente, saber mais sobre a doença”, destaca.

A vacina deve ser aplicada a partir dos 9 meses de idade com reforço aos 4 anos. Para maiores de 5 anos, o reforço único da vacinação acontece 10 anos após a primeira dose. Já os idosos (> 60 anos) precisam ir ao médico para avaliar se há algum risco em receber a imunização, assim como, as pessoas com doenças como lúpus, câncer e Aids, devido à baixa imunidade, as grávidas e os alérgicos a ovo e gelatina.

A vacina confere imunidade de 90% a 100% dos vacinados, devendo ser aplicada 10 dias antes da viagem à área de risco. A utilização da vacina febre amarela é uma das melhores formas de prevenção da doença.

Em Campinas, é possível conferir os dias e horários em que os Postos de Saúde aplicam a vacina contra a febre amarela no link: http://www.saude.campinas.sp.gov.br/locais_vacinacao.htm.

 

Recepção aos calouros com ações solidárias

Por Sílvia Perez

A semana de 13 a 17 de fevereiro de 2017 marcou o início do ano letivo na PUC-Campinas, com diversas atividades programadas para a acolhida aos calouros, que envolveram os Centros da Universidade – Centro de Linguagem e Comunicação (CLC), Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (CEATEC), Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA), Centro de Economia e Administração (CEA) e Centro de Ciências da Vida (CCV) – por meio dos diretores, professores e veteranos que recepcionaram os alunos ingressantes. Algumas das ações de acolhimento se estenderão pelos meses de todo o primeiro semestre.

Assim, dentre as atividades de acolhida aos calouros da Universidade podemos destacar a arrecadação de alimentos que foram doados para instituições de caridade, gincanas, concurso de fotografia, oficinas de cupcake, plantio de mudas de árvores, pinturas de prédios de ONGs, entre outros. Essas ações têm o apoio da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna (CACI), que trabalhou em conjunto com o Comitê Permanente de Acolhida aos Calouros (CPAC), Centro de Cultura e Arte, Diretorias de Centro e de Faculdades. Segundo o Presidente do Comitê Permanente de Acolhida aos Calouros, Prof. Me. José Donizeti de Souza, “As ações buscam despertar o espírito solidário e de cidadania em calouros e veteranos, contribuindo para a aproximação desse público com a comunidade.

A PUC-Campinas é favorável a todo tipo de recepção que integre calouros e veteranos. No entanto, se posiciona completamente contra ao trote que constrange, intimida e machuca física e emocionalmente o calouro. “Nosso objetivo é o de transformar os antigos trotes em ações que provoquem resultados positivos para a sociedade, principalmente para os grupos sociais mais excluídos, como forma de exercício da cidadania e afirmação dos direitos de toda pessoa”, finalizou o Prof. Me. José Donizeti de Souza.

Calouros

O sonho de cursar uma Universidade e ingressar no mercado de trabalho faz parte da vida de muitos jovens. Calouro do curso de Design Digital, o campineiro Vinícius Kensuke, de 17 anos, gosta de games e viu no hobby uma oportunidade. “Jogo diariamente League of Legends, então, me interessei pela área. Espero no futuro poder trabalhar com jogos”, planeja Kensuke.

Outros vêm de longe em busca de seus sonhos, como a jovem Sayuri Yamashita, de 17 anos, que percorreu mais de mil e trezentos quilômetros ao deixar sua cidade natal Primavera do Leste, no Mato Grosso, e vir para o interior de São Paulo estudar Medicina na PUC-Campinas. “Sempre quis fazer Medicina, comecei o cursinho aos 16 anos e estudava cerca de 12 horas por dia”, comemorou a caloura.

Não é todo mundo, porém, que consegue escolher a carreira que vai seguir tão cedo, esse é o caso do calouro do curso de Comércio Exterior, Leonardo Gaeta, de 29 anos. “Cursei por dois anos Arquitetura e Urbanismo. Depois, ingressei no curso de Design Digital, que fiz por um ano. Agora, acho que vai dar certo em Comércio Exterior porque já trabalho na área administrativa”, destacou o estudante.

Ações

 Desde 2010, com a criação da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna (CACI), a PUC-Campinas unificou o gerenciamento e apoio logístico e financeiro aos projetos de ações solidárias que são realizadas em entidades assistenciais da periferia. As ações abrangem atividades como pintura, organização de jardins e parques infantis, conserto de computadores, revisão de rede elétrica, limpeza, banho em animais, gincanas, arrecadação de alimentos, livros e brinquedos, além de atividades de integração ocorridas dentro do campus como plantio de mudas, gincanas de matemática ou desportivas, concurso de fotografia, campanhas de doação de sangue, atividades culturais e artísticas, dentre outras propostas que tragam melhoria da qualidade de vida a comunidades carentes e melhor acolhimento interno e interação de calouros e veteranos.

Nesse período, a PUC-Campinas contabiliza mais de 50 ações solidárias e cerca de 40 atividades de integração.

Prêmios

2010
Grupo PET Arquitetura da PUC Campinas recebeu o “Prêmio Trote da Cidadania 2010 – Categoria: Melhor Peça Publicitária” da Fundação Educar DPaschoal.

2011

O Grupo PET Arquitetura da PUC Campinas recebeu Menção Honrosa no “Prêmio Trote da Cidadania 2011” promovido pela a Fundação Educar DPaschoal.

Trote é proibido

A PUC-Campinas é favorável a todo tipo de recepção que integre calouros e veteranos. No entanto, se posiciona completamente contra ao trote que constrange, intimida e machuca física e emocionalmente o calouro. O veterano que praticar atos agressivos aos calouros será punido, conforme resolução normativa da Universidade.

 

Autoconhecimento e métodos de estudo

Por Prof. Dra. Jussara Cristina Barbosa TortellaProfessora e pesquisadora titular do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Campinas

O sucesso no Ensino Superior é influenciado pelas experiências que o aluno tem durante seu percurso escolar. Alguns alunos chegam à Universidade com uma gama de estratégias de aprendizagem e as adaptam ao novo contexto; outros, no entanto, ingressam nesse segmento com poucos recursos e com hábitos de estudo que nada contribuem às exigências universitárias. O que diferencia esses dois tipos de alunos? O uso de estratégias de aprendizagem adequadas a cada situação e também o engajamento nas mesmas, proveniente da compreensão da validade das novas aprendizagens.

Espera-se que os alunos do Ensino Superior atuem, perante as diferentes atividades que participam, de forma autônoma, crítica e que busquem constantemente e de forma motivada o sucesso acadêmico. Para tanto, necessitam construir um conjunto de competências e estratégias de aprendizagem que lhes permitam resolver os problemas apresentados desde o início até o final da conclusão do curso escolhido.

Geralmente, alguns alunos e até mesmo professores acreditam que as estratégias são inatas; por exemplo, quem tem um perfil de organização do tempo para as diferentes tarefas já nasce assim. No entanto, os estudos indicam que as estratégias são aprendidas e construídas em qualquer fase da vida.

Destaco aqui, pautada no marco teórico sociocognitivo, algumas estratégias e dicas que podem auxiliar os alunos universitários:

  1. estabelecimento de objetivos: definir para si próprio objetivos de aprendizagem ou para a execução de uma determinada tarefa a curto e longo prazo;
  2. organização e recuperação da informação aprendida: utilizar esquemas, formas diferentes de registrar os apontamentos, resumos, sumários;
  3. construção de um ambiente de trabalho que favoreça o rendimento acadêmico: selecionar um espaço físico adequado ao estudo; fazer uma lista de distratores que atrapalham a concentração e tentar destacar para cada um como combatê-los, encontrar formas de controle da ansiedade;
  4. gestão de tempo: organizar cronogramas para agendamento e visualização constante das tarefas; fazer uma lista de prioridades;
  5. procura de ajuda necessária: saber onde e a quem procurar quando os recursos pessoais não são suficientes para resolver o problema proposto;
  6. autoconhecimento: buscar constantemente aspectos que são fontes de sucesso nas aprendizagens e também aqueles que ainda precisam ser melhorados.

Uma boa dica é utilizar o livro: Cartas do Gervásio ao Seu Umbigo escrito por Pedro Rosário, José C. Núñez, Júlio González-Pienda. Editora Almedina

 

Pedra De Paciência: Mergulho Na Alma Feminina

Por Prof. Dr. José Estevão Picarelli – Diretor-Adjunto CEATEC da PUC-Campinas

Quem já experimentou sabe que o aparentemente simples ato de desabafar ajuda a aliviar ou a aceitar melhor o sofrimento ou as angústias. Faz alguma diferença, mas não importa fundamentalmente, se o desabafo acontece no confessionário da igreja, na sessão de terapia, na mesa do bar ou em um ombro amigo. Desabafar é socializar sentimentos, publicar sofrimentos, desnudar segredos íntimos, lavar a alma, por para fora o que dentro incomoda.

Em algumas regiões do planeta, onde a humilhação e a opressão à mulher são práticas comuns e, pasmem, às vezes até legais, a sabedoria feminina se faz necessária e presente. De mãe para filha, as mulheres ensinam umas às outras a escolher uma pedra para fazer o papel de ouvido amigo. Isso mesmo, um pedaço de rocha, chamada pedra de paciência. Assim, a mulher, quando angustiada, conversa reservadamente com a pedra que atravessou seu caminho. Neste mineral companheiro são descarregadas frustrações e injustiças. Quando essa pedra é quebrada, a mulher acredita que também suas angustias viraram pó.

 Indicado como melhor filme estrangeiro para o Oscar de 2014, Pedra de Paciência é o título do belíssimo filme do diretor Atiq Rahini, produção cooperada de França, Alemanha e Afeganistão. A película é ambientada em uma região deste último país, destruída pela guerra santa islâmica. Em uma paisagem de ruínas, uma mulher vive o desespero de cuidar de seu marido, jihadista ferido e em coma. Na sua imensa solidão, moldada pela cultura fundamentalista, por costumes e hábitos machistas e desfavoráveis, ela busca, no desabafo, uma saída para a vida. Julgando que os ouvidos do marido estão surdos pelo coma, ela abre, numa sincera confissão, a sua mais profunda intimidade Em um monólogo, a atriz iraniana Golshifeh Farahani, dá uma interpretação maravilhosa dessa personagem cujo nome, nem mesmo o filme, deixa conhecer.

Em pouco mais que uma hora e trinta minutos ficamos surpresos em saber que, em que pese a falta de água, a fome e as bombas, existem coisas que podem machucar mais e que podemos encontrar do nosso lado, uma mulher vivendo a mesma condição feminina.