Arquivo da categoria: jp175-2017

Festejar é preciso!

Por Pe. João Batista Cesário, Coordenador da Pastoral Universitária da PUC-Campinas

No Brasil, o mês de junho é período das tradicionais “festas juninas”, que celebram alguns dos santos mais populares da tradição religiosa católica. A festa da memória do nascimento de São João Batista (24/6) foi associada, no imaginário religioso-popular, às festas de Santo Antônio (13/6) e de São Pedro (29/6), ambos muito presentes nas práticas devocionais populares, sempre lembrados e invocados nas mais diversas circunstâncias da vida.

Santo Antônio, ilustre santo português, foi muito cultuado pelos militares em Portugal e no Brasil colonial e imperial. No exército brasileiro, até o final do século XIX, Santo Antônio recebeu as patentes de soldado, alferes, sargento-mor, capitão de cavalaria e tenente-coronel. Foi também nomeado vereador em algumas localidades do país, segundo informa o antropólogo Luiz da Câmara Cascudo, no Dicionário do Folclore Brasileiro (1969). No entanto, Santo Antônio tornou-se muito mais conhecido como “casamenteiro e deparador [ou descobridor] de coisas perdidas”, como relata Rita de Cássia M. P. Amaral, em Festa à brasileira: significados do festejar no país que “não é sério” (Tese de doutorado em Antropologia, na USP, 2008). São Pedro, por sua vez, na religiosidade popular, tem o dom de fazer casarem as viúvas.

São João Batista, celebrado duplamente na liturgia da Igreja Católica, no nascimento (24/6) e na morte (29/8), é responsável por uma das maiores festas populares do Brasil. Na região Nordeste, especialmente, a festa de São João, síntese das festas juninas, ganha dimensões extraordinárias, de forma que nesse período, de acordo com a pesquisa de Rita de Cassia M. P. Amaral, ocorre uma espécie de refluxo migratório, com o retorno de milhares de pessoas que migraram para outras cidades e estados, a fim de participarem das festividades. As cidades de Caruaru, no Pernambuco – conhecida como capital do Forró – e Campina Grande, na Paraíba, são palcos das maiores manifestações, com a realização de vários dias e noites de festejos.

Todavia, com fogueiras, comidas e bebidas típicas, com dança da quadrilha e outras manifestações culturais populares, as festas juninas acontecem em todo o Brasil. Esses festejos, somados a outras festas religiosas e folclóricas que, ao longo do ano, mobilizam milhões de pessoas país afora, garantem ao Brasil a liderança na lista dos países mais festeiros do mundo, seguido por Itália, Portugal e Espanha basca.

Do ponto de vista antropológico, festejar é dimensão constitutiva do ser humano, e, no Brasil não é difícil constatar isso, uma vez que a festa sempre foi elemento definidor do modo de ser dos brasileiros. A festa tem o poder de ajudar a rememorar o passado, elaborar esperanças para o futuro e reunir forças para enfrentar as agruras do presente. Como afirma o teólogo Francisco Taborda, em Sacramentos, práxis e festa: para uma teologia latino-americana dos sacramentos (1990), “a verdadeira celebração se dá não fugindo da realidade de injustiça e opressão, mas reconhecendo-a e superando-a na esperança. Festa não é frivolidade, mas manifestação do mais profundo da vida”. À medida que a festa “tematiza a pessoa, sua existência, sua ação e sua práxis” (TABORDA), ela é capaz de “estabelecer a mediação entre a utopia e a ação transformadora” (AMARAL).

Na Bíblia encontram-se inúmeros relatos das festas que animavam a vida do Povo de Deus, celebradas para marcar momentos decisivos de sua trajetória, reafirmar sua identidade e assegurar seu projeto de vida. A Festa da Páscoa (Ex 12,1-28) fazia memória da libertação do período de escravidão no Egito; a Festa das Semanas, depois chamada Pentecostes, celebrava a alegria dos primeiros frutos colhidos e da vida nova na terra da liberdade (Ex 34,22; Dt 16,9-12); a Festa dos Tabernáculos recordava os quarenta anos vividos no deserto, quando o povo habitava em tendas (Lv 23,33-43). E, além dessas, havia ainda outras festividades que celebravam os momentos mais importantes e plenos de significação na história do Povo de Deus.

No Brasil, como na tradição bíblica, as festas populares, especialmente as juninas, revitalizam as comunidades, possibilitam estreitar laços de convivência e solidariedade e proporcionam lazer coletivo e sociabilidade gratuita, que envolvem as pessoas numa ciranda de fé e alegria.

É significativo que essas festas populares sejam celebradas justamente no início do inverno, tempo de provação e resistência. Ocorre que, como o ipê, árvore tipicamente brasileira que floresce no inverno, a festa também é uma forma de resistência aos sofrimentos, angústias e dores no inverno da vida. A festa é importante, porque reconecta a vida com a utopia. É como escreveu o poeta Tiago de Melo: “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar!”.

Vivas a São João, São Pedro e Santo Antônio e muita alegria para toda a Comunidade Universitária nas festas juninas.

 

A praia: Filme narra perda de ingenuidade de jovem mochileiro

Por Cauê Nunes, Mestre em Divulgação Cultural e Científica pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, Graduado em Jornalismo pela PUC-Campinas, Docente da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas, Diretor, Editor e Roteirista de Cinema.

 

No filme “A Praia” (2000), de Danny Boyle, o ator Leonardo DiCaprio interpreta Richard, um jovem mochileiro em busca de aventuras na Tailândia. Durante o percurso, o rapaz descobre que a vida é mais complexa do que imagina.

Por meio de um conhecido, ele descobre um mapa de uma praia “secreta”, em que não há turistas, um paraíso quase intocado. Lá, viveria uma comunidade alternativa, uma espécie de sociedade hippie, que recusa o modo de vida do mundo contemporâneo.

Richard convence um casal de amigos e os três saem à procura da praia. Depois de muita dificuldade eles conseguem encontrar o local, mas a realidade é bem diferente do esperado. A comunidade existe e, no início, recebe bem os novos visitantes. De fato, parece ser uma comunidade hippie, vivendo de modo libertário, longe das opressões do mundo capitalista. Aos poucos, Richard percebe os problemas. Primeiro, quem quer sair da comunidade não consegue, já que o local é “secreto” e deve permanecer como tal. Segundo, ele descobre que o grupo sobrevive cuidando de uma plantação de maconha para traficantes locais. Na verdade, a comunidade, que seria isolada, está totalmente integrada à lógica econômica.

Uma das cenas marca muito bem o processo de perda do vislumbre do jovem pela comunidade. Um dos membros foi ferido por um tubarão e passa dias gritando de dor, criando um grande desconforto entre as demais pessoas. Eles decidem deixar o homem no meio da floresta para morrer longe e parar de incomodar. A tal “sociedade alternativa” reproduz o processo de exclusão social, assim como nas sociedades contemporâneas.

O diretor Danny Boyle, conhecido pelo filme “Trainspotting”, faz diversas mudanças de ritmo, dando à obra um aspecto desigual: ora se aproxima do filme de ação, ora opta por algo mais introspectivo e experimental, no entanto o filme toca em diversos assuntos importantes.

O que chama a atenção é a mudança do protagonista durante a viagem, já que no início é um jovem ingênuo em busca de aventuras superficiais e ao final é alguém que enxerga o mundo como ele é, em todas as suas contradições.

Dicas de Cinema

Por Armando Martinelli

Festival Varilux de Cinema Francês 2017

De 7 a 21 de junho, 55 cidades brasileiras, incluindo Campinas, receberão o Festival Varilux de Cinema Francês 2017, que apresentará os mais recentes filmes estrelados por Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Juliette Binoche, Marion Cotillard, Guillaume Canet e Omar Sy, entre outros expoentes do Cinema Francês.

Além de conhecerem a diversidade de gêneros e temáticas da nova cinematografia francesa, o público também poderá assistir ao clássico “Duas Garotas Românticas” – que completa 50 anos e será exibido em cópia restaurada no Festival.

Confira no site (www.variluxcinemafrances.com) a relação de filmes, sinopses, trailers, e informações sobre as sessões, com horários e salas.

Mais informações pelo:
Facebook: Festival Varilux de Cinema Francês (/variluxcinefrancês)
Instagram: @variluxcinefrances
Youtube: Festival Varilux de Cinema Francês.

Gabriel e a Montanha

Previsto para chegar aos cinemas nacionais no segundo semestre, o longa-metragem “Gabriel e a Montanha”, dirigido por Felipe Barbosa, fez sua estreia mundial no dia 21/5, durante a Semana da Crítica, mostra paralela do Festival de Cannes, na França, sendo agraciado com o prêmio de Revelação. O filme retrata a viagem do carioca Gabriel Buchmann pela África, com o objetivo de analisar de perto a pobreza e se qualificar para um doutorado em políticas públicas na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA).

Baseado em anotações, e-mails de Gabriel para a mãe e a namorada, além de entrevistas com pessoas que cruzaram seu caminho na África, o filme recria os países visitados e as condições da viagem realizada logo após finalizar sua graduação em Economia.

Este é o segundo longa-metragem de ficção dirigido por Felipe Barbosa, que esteve à frente do elogiado “Casa Grande” (2014), ganhador do prêmio do público no Festival do Rio.

Confira uma cena disponibilizada do filme:
https://www.youtube.com/watch?v=WzqOhIKYjsk