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Tecnologia, Inovação e Novidades da PUC-Campinas

O segundo semestre de 2017 começa turbinado na PUC-Campinas. Nas asas da tecnologia, esta edição acompanha o embalo apresentando matérias sobre doze novos Cursos, cinco deles a distância, que alinham a Universidade com as tendências contemporâneas do ensino, seja aquele exercido em sala de aula, seja aquele efetuado a distância. Além de amplo comentário sobre os Cursos, conduzido pelo Pró-Reitor de Graduação, Professor Dr. Orandi Mina Falsarella, aqui você conhece todos os detalhes do Universo PUC-Campinas, espaço de contato da Universidade com o público da região, em especial os vestibulandos.

A tecnologia está presente, também, em quatro matérias, que analisam desde os impactos das inovações na economia, até as casas sustentáveis propostas pela moderna arquitetura, passando pelas alterações do universo poético patrocinadas pela tecnologia e pelo olhar vigilante da crítica, que analisa distorções que ela pode causar na sociedade, críticas estas presentes no cinema e nas reflexões filosóficas.

Tecnologia faz lembrar, também, que, por conta dela, o mundo está cada vez menor e os países cada vez mais próximos, tema da matéria sobre dois seminários pautados nas relações da China com a América Latina. A abordagem do assunto ajuda o leitor a entender como o Curso de Relações Internacionais da PUC-Campinas prepara profissionais que vão atuar nesse complexo universo globalizado.

Problemas que desarticulam a sociedade, como o consumo de drogas e, em sentido contrário, ações que integram socialmente as pessoas, usando a dança como ferramenta, também estão nesta edição, que ainda traz versos de Mário Quintana, para ler e pensar sobre o Dia dos Pais, informações importantes sobre o Programa PUC-Campinas Empreende e orientações sobre a prática de exercícios físicos nos dias frios de inverno.

Como sempre, as matérias trazem a chancela dos jornalistas que integram o Departamento de Comunicação Social da Universidade e dos Professores, Mestres ou Doutores nos assuntos que tratam, reunindo razões de sobra para classificar o Jornal da PUC-Campinas como fonte de aprendizagem e referência de reflexão.

 

Vestibular 2018 da PUC-Campinas oferece novos Cursos presenciais e a distância

Universidade apresenta sete novos Cursos presenciais e cinco a distância, que integrarão a sua relação de cursos a partir de 2018

A PUC-Campinas lança sete novos Cursos de Graduação presenciais e cinco a distância para o Vestibular 2018.

Os novos cursos presenciais da PUC-Campinas são: Administração – Linha de Formação Específica em Marketing e Inovação (Matutino e Noturno); Administração – Linha de Formação Específica em Negócios Internacionais (Matutino e Noturno); Engenharia de Controle e Automação (Noturno); Entretenimento, Lazer e Turismo (Matutino); Gestão da Informação (Noturno); Mídias Digitais (Integral); e Museologia (Noturno).

Na Modalidade de Educação a Distância, a PUC-Campinas passará a oferecer os seguintes novos cursos: Superior de Tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação; Superior de Tecnologia em Gestão Comercial; Superior de Tecnologia em Gestão Financeira; Superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos e Superior de Tecnologia em Gestão Pública.

As inscrições para o Vestibular 2018 da PUC-Campinas podem ser feitas até o dia 24 de setembro, exclusivamente pela internet. Informações e inscrições estão disponíveis no Portal da Universidade: https://www.puc-campinas.edu.br/ingressenapuc/vestibular/verao-home.html

Para o Pró-Reitor de Graduação da PUC-Campinas, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella, os novos cursos oferecidos pela Universidade representam a contínua preocupação da Instituição em disponibilizar aos alunos conhecimento em sintonia com a evolução do mundo do trabalho. “A PUC-Campinas tem como propósito estar sempre atualizada, de modo que os seus alunos, além da capacitação profissional de excelência, tenham uma formação integral da pessoa humana, em consonância com as tendências que movimentam o mundo do trabalho”, disse o Pró-Reitor.

Ainda para o Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella, os cinco cursos de Educação a Distância traduzem o olhar da PUC-Campinas para essa modalidade que, gradualmente, vai ganhando força no país. “O lançamento desses novos cursos a distância comprova que a Universidade está ciente da importância de acompanhar essa movimentação na educação e, com certeza, seguirá aperfeiçoando essa experiência que se iniciou em 1999, para oferecer o ensino nessa modalidade com a qualidade PUC-Campinas”, completou o Pró-Reitor.

A Educação a Distância

Desde 1999, a PUC-Campinas oferece Cursos de Educação a Distância, com o pioneiro Curso Superior de Formação Específica em Tecnologia da Informação Aplicada às Instituições Financeiras, seguido no ano 2000 pelo Curso Sequencial de Formação Específica em Tecnologia da Informação. Essas experiências se expandiram para além da Universidade, com o oferecimento do Curso Superior Sequencial de Formação Específica em Gestão de Recursos e Produção na cidade de Porto Trombetas- PA, em convênio com a Fundação Vale Trombetas.

“O sucesso dessas iniciativas estimula a PUC-Campinas a ofertar Cursos de Graduação na modalidade de Educação a Distância, mantendo sua tradição e qualidade inquestionáveis”, enfatiza o Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella.

Além dos encontros virtuais, os alunos dos Cursos a Distância da PUC-Campinas possuem contato presencial uma vez por mês com os docentes e colegas de sua turma. As turmas dos Cursos a Distância contam com a mesma quantidade de vagas do Curso Presencial, preservando-se a qualidade do relacionamento aluno x professor, assim como dos conteúdos programáticos idênticos.

A metodologia praticada conta com técnicas e estratégias ativas que propiciam o estímulo e o desenvolvimento das competências e habilidades de acordo com o perfil do egresso. Os alunos têm à sua disposição materiais atualizados em formatos digitais e recursos multimídia, além de artigos, vídeos, áudios, fóruns de discussão e estudo de casos, podendo interagir com os professores e colegas de turma de forma contínua.

Universo PUC-Campinas 

A PUC-Campinas realiza, até o dia 24 de setembro, o evento Universo PUC-Campinas, no terceiro piso (P3) do Shopping Iguatemi, na cidade. O objetivo é apresentar ao público as profissões em todas as Áreas de Conhecimento, permitindo aos visitantes que desejam ingressar no ensino superior ter elementos para fazer uma escolha mais assertiva.

Com um visual futurista, o Universo PUC-Campinas pretende surpreender o público apresentando, também, a grandiosidade da Universidade em telas touch screen, mostrar informações sobre os 65 cursos de Graduação, presenciais e na modalidade de Educação a Distância, infraestrutura da Instituição, por meio de vídeos 360º, empregabilidade em várias áreas, bolsas e financiamentos, e serviços oferecidos aos alunos como o Escritório de Talentos e Carreiras, que auxilia os estudantes na busca por um estágio ou emprego e o Departamento de Relações Externas (DRE), responsável por intercâmbios acadêmicos nacionais e internacionais.

A programação conta com palestras temáticas gratuitas no local e estará disponível no Portal da PUC-Campinas e no próprio local do evento.

Os visitantes ainda poderão se inscrever para o Vestibular 2018 no próprio local.

O acesso é gratuito.

 Inscrições e mais informações no Portal da Universidade: https://www.puc-campinas.edu.br

Serviço
Universo PUC-Campinas
Data: 16 de agosto a 24 de setembro de 2017
Local: 3º Piso (P3) do Shopping Center Iguatemi – Avenida Iguatemi, 777, Vila Brandina, Campinas/SP
Horário: das 10h às 22h
Inscrições e informações: https://www.puc-campinas.edu.br
Entrada gratuita

 

 

Estudante do Curso de Arquitetura e Urbanismo é a ganhadora do Concurso Cultural “Por que sou PUC-Campinas?”

Por Sílvia Perez

Com a frase: “Só na PUC-Campinas minha estrela brilha na fé e na ciência, me permitindo unir carreira ao coração”, a aluna do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Letícia de Paula Rosa, ganhou o concurso cultural “Por que sou PUC-Campinas”, realizado no primeiro semestre de 2017.

Feliz pela conquista, a estudante garantiu que a inspiração para criar a frase veio da sua relação pessoal com a Instituição. “Acho que a frase foi perfeita, porque ela realmente reflete o que a PUC representa para mim, foi a Universidade que eu escolhi para ter uma carreira no futuro e também onde faço uma coisa que eu amo. Eu estou muito ansiosa, estou muito feliz e espero realizar vários sonhos, conhecer gente nova, culturas novas e lugares novos”.

De acordo com o Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella, o concurso tinha algumas regras para a participação e uma delas era o bom aproveitamento escolar. “É uma forma de a Universidade reconhecer o esforço, a dedicação dos alunos. Além disso, as frases produzidas mostram a identificação dessas pessoas com a questão do pertencimento da Universidade. Nas frases, os alunos mostram exatamente o quanto eles fazem parte dessa nossa comunidade universitária”, destacou.

Concurso de fotografia

Para o 2º semestre de 2017, a PUC-Campinas realizará um novo concurso, mas dessa vez de fotografia. As inscrições para o concurso de fotografia “Meu olhar PUC-Campinas – Dê um clique na beleza da sua Universidade”, acontecerão de 10 de agosto a 15 de setembro e como prêmio o autor da fotografia ganhadora receberá uma bolsa de estudo de língua espanhola, em Buenos Aires, na Argentina.

 

Os interessados deverão consultar o regulamento na Área Logada do Portal da Universidade.

 

Programa PUC–Campinas Empreende está com inscrições abertas até o dia 15 de setembro

Por Sílvia Perez

Quem deseja empreender terá a oportunidade de receber informações valiosas, por meio do Programa PUC-Campinas Empreende, sobre como começar o próprio negócio, qual o melhor ramo de atividade para se investir, principalmente agora, diante desse cenário de crise econômica e desemprego que o país atravessa. As inscrições para o 2º semestre podem ser realizadas até o dia 15 de setembro.

Podem se inscrever alunos ou ex-alunos dos Cursos de Graduação e de Pós-Graduação da Universidade, assim como professores e funcionários da PUC-Campinas.

O PUC-Campinas Empreende inclui dois projetos: Ideias de Negócio e Pré-Incubação de Ideias.

O Coordenador do Programa, Tiago Aguirre, explica a diferença entre os projetos: “O projeto Ideias de Negócio apoia a criação de grupos interdisciplinares e a experimentação de ferramentas para modelagem de negócios utilizadas por Startups e Corporações, estimulando a formação de uma comunidade de empreendedores. Já o projeto Pré-Incubação de Ideias atua no processo de validação das ideias de negócio por meio do relacionamento com potenciais clientes do produto ou serviço idealizado, no desenvolvimento do protótipo de um produto, processo ou serviço, estimulando a criação de novas empresas que ofereçam ao mercado produtos ou serviços diferenciados”, destaca.

Mais informações sobre o programa e inscrições estão disponíveis no link: https://www.puc-campinas.edu.br/proext/programa-puccampinas-empreende/.

 

O excesso de virtualidade no homem contemporâneo

Por Prof. Dr. Fernando Nascimento – docente da Faculdade de Filosofia da PUC-Campinas

Quero convidá-lo a pensar em um cenário em que estamos em um ônibus descendo a serra (idealmente para o litoral onde iremos desfrutar alguns dias de merecidas férias) e percebemos que o veículo está um pouco acima da velocidade na qual nos sentimos confortáveis. Muitas vezes, o que nos dá receio e causa maior preocupação não é apenas a velocidade em que ele está, mas a aceleração. É a velocidade da velocidade. Não nos preocupamos apenas porque o veículo segue rápido, mas porque a velocidade está aumentando. A situação fica ainda mais dramática quando não percebemos nenhum sinal de que o motorista pretende diminuir a velocidade.

Creio que essa é uma possível analogia para pensarmos sobre como os ambientes e ferramentas virtuais estão invadindo nossa vida e transformando as relações interpessoais em nossas sociedades. Já é lugar comum ouvirmos críticas sobre como as pessoas, sentadas à mesa, deixam de conversar entre si para imergirem nos ambientes virtuais de seus smartphones, por meio de redes sociais e troca de mensagens. Tal diagnóstico fica ainda mais palpável com jovens e crianças que já nascem em contextos amplamente digitais, dominam plenamente as ferramentas tecnológicas e, além do smartphone, adoram os jogos digitais que são, na maioria das vezes, feitos com o claro intuito de que os jogadores passem o maior tempo possível conectados a eles.

Essa situação, que já parece preocupante, dá todos os sinais de que vai se intensificar nos próximos anos. Temos dispositivos com interfaces cada vez mais cativantes e eficientes. Pensem quando, em breve, pudermos usar artefatos de realidade virtual para, de fato, experimentarmos uma aventura em qualquer lugar do mundo no ambiente criado pelo dispositivo. Também já estamos vivendo a transformação da forma como interagimos com os dispositivos que, a cada dia, passa a ser mais direta por meio de comandos de voz que são compreendidos pelos aparelhos que usamos.

Parece claro que esses avanços não são em si mesmos maus, ao contrário. Há um potencial benéfico enorme em todas as transformações tecnológicas. Apenas para pensarmos em dois exemplos poderíamos considerar como essas tecnologias já auxiliam em procedimentos médicos cirúrgicos complexos e atendimentos de saúde remotos, assim como geram novas e extraordinárias possibilidades para os ambientes de ensino a distância.

Voltando brevemente à nossa analogia, porém, talvez outro dilema que temos de considerar, além da velocidade e da aceleração, é que não está muito claro quem é o motorista do ônibus. Quem está ao volante dessas transformações tecnológicas da nossa sociedade? A resposta mais direta hoje é que são as gigantes da internet e as startups de alta tecnologia que, por sua vez, são guiadas, não poucas vezes, pelos interesses de seus acionistas que visam sempre a criação de produtos e serviços que possam maximizar seus lucros e dividendos.

É justamente esse o ponto sobre o qual precisamos urgentemente refletir. Temos uma sociedade que está cada vez mais virtualizada, que tem cada vez mais meios práticos e técnicos para fazer coisas impensáveis há poucos anos, mas que não tem tido tempo suficiente para refletir como quer utilizar esses meios para atingir a finalidade comum de promover uma vida melhor e mais sustentável para todos. Há, cada vez mais, “comos” e nem tantos “para quês”. A velocidade da técnica é muito maior do que a velocidade da ética. Parece, portanto, fundamental em todos os ambientes, especialmente nos ambientes acadêmicos, que esta discussão seja fomentada e que formas efetivas de debates sejam estabelecidas para que políticas públicas se ajustem aos avanços tecnológicos de forma a guiá-los para a construção de uma sociedade melhor em todos seus aspectos, não apenas os técnicos. Temos, cada vez mais, meios e precisamos caminhar muito mais rapidamente com nossas reflexões sobre os fins que queremos para essas novas potencialidades.

Confira uma reflexão do filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman sobre os laços humanos, redes sociais, liberdade e segurança.

https://www.youtube.com/watch?v=LcHTeDNIarU

 

A poesia na era digital. Combinação perfeita?

Por Profa. Dra. Tereza de Moraes – docente da Faculdade de Letras da PUC-Campinas

Desde os primórdios, o indivíduo sempre tentou manifestar seus sentimentos, suas emoções, suas sensações, suas percepções, suas formas de compreensão do mundo, buscando representá-las por meio da arte, em suas várias manifestações possíveis. A primeira manifestação linguística se deu por intermédio da oralidade, mas, com o advento da escrita, essa produção passou a ser registrada e perpetuada. A utilização da linguagem escrita tornou-se, a partir daí, o meio ímpar para o registro da arte literária.

Muitos poetas, em vários contextos históricos diferentes, endeusaram a palavra, o verbo. Olavo Bilac questiona o poder de expressão da palavra (Inania Verba), Carlos Drummond de Andrade argumenta que escrever é lutar com palavras (O Lutador). Afirma, ainda, que para encontrar as possíveis nuances das palavras que vivem num reino diferenciado é necessário possuir a chave (À procura da poesia). Encontrar a palavra certa e combiná-la num sintagma esteticamente, utilizando todos os recursos disponíveis da linguagem, era o ideal dos poetas, sobretudo do engenheiro do verso, João Cabral de Mello Neto, que priorizava a técnica e diminuía a importância da inspiração.

Século XX. Nesse novo cenário mundial pode-se observar a rapidez do progresso, do desenvolvimento. Mudanças tecnológicas acontecem num piscar de olhos. Vários suportes se nos oferecem para a representação de mundo. Entretanto um deles permanece intacto: a linguagem escrita, fonte primordial da manifestação literária. Mas, a partir dos anos 1950, muitas mudanças começam a surgir, com o movimento concretista. Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari introduzem um novo agente estrutural na poesia: o espaço. A linguagem agora é verbo-visual. Aos poucos, novas linguagens são incorporadas: o código musical, o código fotográfico, o código sonoro. Novas técnicas para a representação de mundo: colagens, montagem e desmontagem. Novos suportes: caixas, outdoors.

Pronto. Era um passo para a entrada na era digital. Hoje as manifestações de mundo contam com inúmeros espaços cibernéticos para aparecerem. Felizmente, o que não mudou é a necessidade do ser humano de expressar seu mundo. A diferença é que, além da palavra escrita, hoje podem ser utilizados outros materiais disponíveis e diversificados suportes para a expressão artística. Aproximadas as diferentes linguagens, combinadas as diversas temáticas, a poesia digital representa o mundo de hoje e os anseios, as angústias, as expectativas do homem cibernético, pois o poema, digital ou não, é produto do sujeito pós-humano que necessita extravasar seu mundo interior ainda que seja no ciberespaço.

O espaço digital, além de se tornar suporte para as manifestações poéticas dos sujeitos, serve também para rememorar poetas consagrados, divulgando seus escritos. Porém, nem sempre, o que se atribui aos poetas na Internet é de sua autoria reconhecida. Versos atribuídos a Clarice Lispector, Cora Coralina, Manuel de Barros e outros poetas são da lavra de outros autores, outras vezes são modificados e, no mais das vezes, apenas um ou dois versos de um poema são publicados, roubando ao texto sua integridade e os sentidos possíveis. Outra questão é o efeito moralizador ou de literatura de autoajuda que essas publicações assumem, nos moldes do pastiche tão caro à pós-modernidade. Aí não se encontra verdadeiramente o texto do autor, mas a sua interpretação pelo indivíduo que o publica. De qualquer modo, o ambiente virtual vem contribuindo grandemente para a proliferação da poesia, numa prova de que a estética é um elemento essencial do ser humano.

Clique aqui (https://www.youtube.com/watch?v=-EAYepikGK4) e confira a atriz Laura Cardoso interpretando o poema “O lutador”, de Carlos Drummond de Andrade.

A estreita relação entre economia e inovação

Por Prof. Dr. Izaias de Carvalho Borges – Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas

A relação estreita entre inovação tecnológica, crescimento econômico e melhora nas condições de vida de uma nação é conhecida pelos economistas desde a publicação da “Riqueza das Nações”, de Adam Smith, em 1776, que é considerada por muitos historiadores do pensamento econômico como a obra que marca o nascimento das Ciências Econômicas como um campo autônomo do saber. Para Smith, o crescimento da produção e do consumo depende do crescimento da produtividade do trabalho, que, por sua vez, depende de dois fatores: a divisão social do trabalho e o progresso tecnológico.

Uma característica do desenvolvimento socioeconômico de uma nação é a significativa melhora nas condições de vida da população, que pode ser medida por indicadores como o aumento da expectativa de vida, redução da mortalidade infantil e aumento no nível de escolaridade. Por trás dessa melhora estão inovações tecnológicas de diversas naturezas. Os eletrodomésticos, que aumentam o conforto e liberam tempo livre para outras atividades, como por exemplo, mais tempo para estudar. Medicamentos e vacinas, que reduzem a mortalidade infantil e permitem uma vida mais longa e saudável. Enfim, seria impossível pensar na vida confortável que temos hoje sem as inúmeras inovações tecnológicas dos últimos 60 anos, pelo menos. As tecnologias não são condições suficientes para a qualidade de vida, porque esta depende também de outros fatores, mas são condições necessárias.

As inovações tecnológicas podem ser classificadas de duas formas: as inovações que criam novos produtos e as inovações que melhoram o processo produtivo. A aspirina, a caneta esferográfica, o forno de micro-ondas, os televisores, o notebook, o tablet e os smartphones são exemplos de inovações de produto. As reduções de custos e o aumento da produtividade são exemplos de mudanças que podem resultar de inovações de processo. As inovações de produtos são as mais conhecidas da população em geral. Por isso, quando falamos de inovações tecnológicas, é comum pensarmos somente nos novos produtos, principalmente nos eletrônicos.

As inovações de processo são tão importantes quanto às inovações de produto para uma vida confortável e segura. Um exemplo é o caso da produção de alimentos. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre 1960 e 2010, a população mundial cresceu de 3,1 para 6,5 bilhões de pessoas. Apesar disso, no mesmo período, o crescimento da produção mundial de alimentos superou o crescimento populacional. Ou seja, em 2010, a produção mundial per capita de alimentos era maior do que em 1960, a despeito da população ter se duplicado neste período. O crescimento da produção agrícola neste período foi resultado basicamente do aumento do rendimento por hectare. Entre 1961 e 2006, enquanto a produção agrícola aumentou 150%, a área cultivada aumentou menos que 30%. O crescimento do rendimento, por sua vez, só foi possível pela difusão e adoção de muitas inovações de processo, que além de aumentar a produtividade por hectare, permitiram a redução de custos de produção.

A importância da tecnologia para a qualidade de vida no século atual será tão ou mais importante do que no século passado. Enquanto no século passado o grande desafio foi o aumento da produção e da renda per capita, no atual o desafio será o do desenvolvimento sustentável, que consiste em conciliar o crescimento econômico e demográfico com a preservação ambiental. De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deverá aumentar de 7,3 bilhões de pessoas em 2015 para 8,5 bilhões em 2030. Ainda assim, a renda per capita continuará crescendo, principalmente nos países megapopulosos como China e Índia. O crescimento demográfico e o crescimento da renda per capita mundial pressionarão a demanda de diversos bens e serviços intensivos em recursos naturais. Ocorrendo o crescimento previsto da população e da renda, em 2030 as demandas por energia, água e alimentos deverão aumentar, respectivamente, em 50, 40 e 35%. Além disso, em 2014, 768 milhões de pessoas no mundo não tinham acesso à água tratada, 2,5 bilhões não tinham condições sanitárias adequadas e 1,3 bilhão de pessoas não tinham acesso a eletricidade. Portanto, o mundo precisará crescer tanto para atender a demanda oriunda do crescimento populacional e da renda quanto para atender as necessidades dos que hoje ainda não usufruem de condições de vida minimamente aceitáveis.

Assim, a tecnologia será fundamental para desenvolvermos processos produtivos mais sustentáveis, sobretudo nos setores críticos, como na produção de alimentos e de energia. Não por acaso, um dos objetivos da Agenda 2030, que estabeleceu os objetivos do desenvolvimento sustentável, se refere à necessidade de modernizar a infraestrutura e capacitar as indústrias para torná-las sustentáveis, aumentando a eficiência no uso de recursos naturais e adotando tecnologias e processos produtivos mais limpos e menos poluentes. Para que isso seja possível, a Agenda recomenda “fortalecer a pesquisa científica e melhorar as capacidades tecnológicas de setores industriais em todos os países”.

Enfim, as inovações tecnológicas serão condições necessárias para que possamos assegurar padrões sustentáveis tanto de produção quanto de consumo. Muitas inovações atuais, já disponíveis para os consumidores, apresentam atributos que favorecem tanto o uso mais eficiente de recursos naturais quanto à diminuição de resíduos. Como exemplo, podemos destacar as lâmpadas de LED, que possuem maior eficiente energético, e os automóveis elétricos e híbridos, que poluem bem menos.

 

Casas Sustentáveis

Por Prof. Me. Fábio de Almeida Muzetti – Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas

Desde a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, a busca por sistemas construtivos racionalizados para suprir a grande demanda de êxodo rural para as novas cidades que estavam se constituindo tem sido uma premissa para a sociedade.

Da grande concentração de pessoas, o resultado foi a consolidação de cidades poluídas, com grande consumo energético, com problemas sociais, de mobilidade urbana, como conhecemos.

Desde o início do século XX, principalmente após as grandes guerras mundiais, a necessidade da reconstrução de uma Europa devastada nos fez debruçar sobre projetos que racionalizassem procedimentos construtivos, com bom desempenho em conforto, com baixo custo, sem gerar desperdícios. A causa modernista, aplicando procedimentos da indústria na construção, foi a primeira busca para construções sustentáveis, respeitando-se a cultura da época.

Hoje, no século XXI, dado o fracasso parcial desses modelos modernistas, com os avanços tecnológicos de geração de energia, tratamento e reaproveitamento de água e esgoto, com o surgimento de novos materiais, tecnologias de comunicação, internet das coisas e a consciência (cultura) dos cidadãos para com a preservação do meio ambiente, a arquitetura contemporânea tem como agenda obrigatória o melhor desempenho possível das edificações com o menor impacto ambiental.

Tanto nas pesquisas, como no mercado, os projetistas estão se debruçando sobre novos conceitos de projetos, aplicando toda a tecnologia possível para o bem-estar das pessoas e preservação do meio ambiente.

A sociedade contemporânea cobra nos projetos das casas contemporâneas a utilização de madeira reflorestada, sistemas construtivos racionalizados, autossuficiência energética; na sua construção, gerar o mínimo de resíduos, sendo ao mesmo tempo economicamente viável e socialmente justa.

Este é um futuro promissor e sem volta, que já está sendo muito cobrado no presente, que, de certa maneira, retoma a agenda da arquitetura modernista, não como um estilo, e sim como uma causa, adequada aos novos tempos e culturas.

Exercícios Físicos no Inverno: Agasalho e hidratação fazem toda a diferença

Por Prof. Dr. Istvan de Abreu Dobranszky – Diretor da Faculdade de Educação Física da PUC-Campinas

É notório que a prática de exercícios físicos é importante para a manutenção da força, resistência cardiorrespiratória, flexibilidade, coordenação motora, aumento da autoestima, autoconfiança e combate a diversas doenças crônicas, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabete mellitus, diminuição do estresse, e depressão. Pesquisas comprovam que os efeitos são mais duradouros se os exercícios físicos forem realizados continuamente, e com regularidade. Existem efeitos agudos, ou seja, imediatos logo após a realização dos exercícios, como alívio de tensões musculares e psicológicas. Outros ganhos são crônicos e sentidos após algumas semanas, pois a adaptação ocorre gradualmente, gerando também progressos associados aos aspectos musculares e psicológicos, e no combate às doenças crônicas.

A interrupção dos exercícios físicos leva, consequentemente, a diminuição dos seus efeitos benéficos, sendo que algumas perdas ocorrem de forma mais rápida, dependendo do tipo de exercício físico (aeróbio ou anaeróbio, musculação, corrida/caminhada, natação, futebol, ginástica, bicicleta, entre outros), tempo de prática regular (6 meses, 1 ano, 4 anos), frequência semanal dos treinos, objetivo, genética.

Porém, independentemente do exercício e frequência praticada, a sua interrupção sempre causará uma perda ao organismo. É o que ocorre no inverno, época do ano em que as pessoas costumam diminuir a regularidade dos exercícios físicos, em razão das temperaturas mais baixas, especialmente no começo da manhã e final da tarde. Para evitar essa “fuga” das atividades físicas, uma das dicas principais reside no maior uso de agasalhos e na sua correta utilização.

Na prática

Procure iniciar o aquecimento um pouco mais agasalhado, e somente tire-o antes do início da parte principal dos exercícios de média e alta intensidade, isso se estiver em um ambiente fechado. No caso de lugares abertos, deve-se avaliar a temperatura e o vento, pois dependendo do frio e das condições de vento, é muito importante trajar algo que proteja o tronco, pois, ao transpirar com a intensidade dos exercícios físicos, o suor, em contato com o ambiente frio, torna o corpo mais suscetível a doenças respiratórias.

No geral indica-se o uso de agasalhos corta-vento, leves e que auxiliam da proteção do frio e vento. O objetivo do agasalho é evitar o frio, mas ao mesmo tempo, não aumentar demasiadamente a temperatura corporal.

Ao utilizar o agasalho, a transpiração poderá aumentar e a ingestão de água também deve ser vigiada ainda mais atentamente, se possível com o uso de isotônicos. Com esses cuidados em dia, o importante é não interromper a prática dos exercícios e, assim, manter os benefícios da prática esportiva em seu organismo.

Problemas sociais do uso de drogas: reflexos para a família e sociedade

Por Profa. Dra. Diana Tosello Laloni – docente da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas

Em junho de 2017, em Viena, foi divulgado o relatório da United Nations Office on Drugs and Crimes (UNDOC) agência da ONU sobre o uso de drogas, indicando que no Brasil o consumo de cocaína, maconha e heroína aumentaram, ao contrário da tendência de estabilização mundial (Andrea Murta, Folha On-Line).

Maconha é a droga produzida a partir da planta cannabis de origem asiática e usada por diversos povos desde antes de Cristo. As flores e folhas possuem o princípio ativo tetrahidrocanabiol (THC) além de outros. O haxixe, é outra droga produzida também a partir da mesma planta, são drogas classificadas como alucinógenas.

Cocaína é a droga produzida a partir da planta da família Erythroxylaceae, nativa da Bolívia e Peru é um arbusto e suas folhas possuem alcaloides, dentre eles a coca. A folha da coca é usada há mais de 5.000 anos pelos povos nativos dos Andes. Seu efeito é estimulante, causa euforia, excitação, ausência de medo e, em altas doses, causa arritmias cardíacas, convulsões e depressão respiratória. Crack é cocaína solidificada, denominado pedra que é fumada em cachimbos e produz dependência rapidamente.

Heroína é uma droga obtida a partir da Planta Papaver, de onde extrai-se o ópio e a morfina. O ópio produz sensação de prazer e causa dependência rapidamente. Foi sintetizada em torno de 1870 e a morfina é usada como sedativo desde 1890. Seu efeito é similar aos outros opióides, produz estado sonolento, e fora da realidade.

As drogas sintéticas mais conhecidas são:

Ácido lisérgico ou LSA: é uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas, é obtida por meio do fungo do centeio, sua descoberta data de 1940.

Ácido Gama-Hidroxibutírico (GHB): é usado na forma de sal ou diluído em água e é conhecido como “ecstasy líquido”. Seu uso teve início a partir da década de 1960, como droga alucinógena.

MDMA (Ecstasy, extase): é um derivado de anfetamina na forma de comprimido, ingerido por via oral. O ecstasy foi sintetizado em 1912, e o seu uso como entorpecente teve início na década de1970 nos Estados Unidos.

No mundo, o relatório da UNDOC encontrou estabilização no uso de cocaína, heroína, cannabis (maconha e haxixe) e anfetaminas. A cocaína, a maconha e as anfetaminas tiveram aumento no consumo na América do Sul e na Europa, e queda na América do Norte.

A cocaína, porém, não é a única droga que registrou aumento no consumo entre os brasileiros: a maconha, droga mais consumida no mundo, também cresceu. Apesar de o uso da maconha ter crescido em sete países da América do Sul, o aumento mais importante foi no Brasil. Ao mesmo tempo em que o Brasil fecha o cerco às chamadas drogas legais e socialmente aceitas – cigarro e álcool -, aumenta sobremaneira a tolerância com as chamadas drogas ilícitas.

As pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul constataram que drogas como tabaco, álcool e maconha costumam ser a primeira dependência dos jovens que ficam reféns do crack e outras drogas; quanto mais cedo o contato com essas primeiras substâncias, mais vulnerável a pessoa fica.

A busca por droga na adolescência e juventude tem início, em geral, com amigos e como uma brincadeira ou recreação. A permanência do uso está relacionada à busca de sensações diferentes e alívio de problemas enfrentados pelos jovens, que podem ter diversas origens, como familiares, relacionamentos sociais, desempenho escolar, isolamento social. Não há uma área de problemas que determine a busca por drogas, qualquer dessas dificuldades pode ocorrer e favorecer a busca de alívio do problema na droga.

As drogas estão presentes nos ambientes sociais frequentados pelos jovens, e as famílias em geral estão preocupadas com isso e com a exposição de seus filhos às drogas. As famílias que refletem sobre isso, e que conversam entre si e com seus filhos sobre as drogas, ajudam na prevenção. Falar do assunto e conhecer o problema é um dos caminhos desejado.

As famílias atuais nem sempre são constituídas no modelo pai, mãe e filhos. O número de membros pode variar conforme a organização possível, e isso não é o mais importante. O mais importante é que o jovem se identifique com a família, mantenha vínculos afetivos e tenha laços importantes com o grupo familiar, que haja respeito e confiança entre os membros. Os fatores de risco para o uso de drogas podem estar na família, na escola, no trabalho, no lugar de moradia e na sociedade. Todos esses fatores, em geral, estão relacionados.

Quando a família toma ciência que seu filho está usando drogas é necessário que tenha calma, reflita sobre o que fazer, e busque ajuda se não souber como conduzir a conversa necessária. É importante identificar qual a droga que está sendo usada, buscar informações corretas e conversar com o membro da família de forma franca e sem ameaças. Conhecer a droga, saber como é usada, saber como é adquirida, saber se o uso é individual ou em grupo, são os primeiros passos, sempre com cautela e sem ameaças ou agressões.

Ter conhecimentos básicos sobre o assunto é necessário, pois é preciso distinguir o uso recreativo do uso por dependência. O uso recreativo é eventual, em geral junto com amigos em situações sociais.

A dependência pode ser psicológica ou química, identifica-se quando o jovem não consegue interromper ou diminuir o uso, quando busca o consumo mesmo sem estar em situações sociais, quando preocupa-se constantemente em adquiri-la e abandona amigos que não usam droga, abandona atividades como escola, trabalho, esporte. A dependência química em especial com algumas drogas, trazem sensações desagradáveis, quando o usuário está em abstinência.

Ramirez e Rocha (2015) num estudo de revisão sobre uso de drogas e famílias concluiu que o início precoce do uso das drogas na adolescência se trata de um fenômeno complexo de multicausalidade. A família tanto pode ser um fator de risco ao uso de drogas como um fator de proteção para a prevenção do uso. É necessário que sejam realizadas orientações sobre a questão das drogas com os adolescentes e familiares com o objetivo de prevenir o uso.

Marcon, S.R. e outros (2015) num estudo documental de usuários em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPsAD) identificaram que a população é predominantemente masculina, com alta proporção de uso de maconha. A convivência familiar foi relatada como satisfatória, com maior dificuldade de relacionamento com a figura paterna e convivia com algum familiar usuário de droga.

Nimtz, M. A. e outros (2014) estudaram o impacto nos relacionamentos familiares do dependente químico e concluíram que a dependência afeta os relacionamentos, prejudica a qualidade de vida do dependente e de seus familiares.

Nos contatos clínicos com usuários de drogas diversas e suas famílias observa-se que as famílias reagem de diversas maneiras. No início, em geral, buscam ajuda para o tratamento do membro e resistem a aceitar que necessitam de ajuda também. As famílias oscilam entre acolher o filho ou rejeitar, conversar e refletir ou ameaçar com internação. Diante dessas mudanças é aconselhável que as famílias sejam acompanhadas, pois a regularidade no cuidado, a clareza com as regras de convivência e a constância nas proposições são fundamentais para o tratamento do jovem usuário de droga.

Referências:

Nimtz, M.A. e outros, Impacto do uso de drogas nos relacionamentos familiares de dependentes químicos, Cogitare Enfermagem, 2014, 19(4).

Marcon, S.R. e outros, Contexto familiar e uso de drogas entre adolescentes em tratamento, Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool Drogas, 2015 11(3).

Ramirez, H.D.C. e Rocha, M., Relações entre o uso de drogas na adolescência e família, Pós-Graduação de Saúde Mental, do Alto do Vale do Itajaí, 2016.

United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), World Drug Report 2017,