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Professora de R.I. da PUC-Campinas representou o Brasil em fóruns de cooperação entre China e América Latina

Por Armando Martinelli

A docente de Relações Internacionais (R.I.) da PUC-Campinas, Profa. Me. Kelly Ferreira foi uma das representantes da comitiva brasileira que participou, recentemente, de dois fóruns para discutir o aprofundamento de mecanismos de cooperação entre a China e a América Latina, sendo eles: Diálogo de Jovens Pesquisadores China-América Latina 2017 e do 4º Fórum Sino-Latino-Americano de Jovens Líderes.

A República Popular da China é o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo, com mais de 1,42 bilhão de habitantes, quase um quinto da população da Terra. É uma república socialista, governada pelo Partido Comunista da China (PCC), que, desde 1978, ajustou sua economia ao mundo globalizado, permitindo a entrada do capital internacional, principalmente atraídos pelos baixos custos de produção, mão de obra abundante e mercado consumidor amplo. A economia chinesa, apesar de uma desaceleração nos últimos anos, tem registrado crescimentos sucessivos e desde o início do Século XXI tornou-se a segunda maior potência econômica do planeta.

Mesmo com expressivos números em relação à economia mundial, as relações comerciais com o Brasil ainda caminham de modo bastante precário, é o que aponta a Profa. Me. Kelly Ferreira. “Apesar de algumas ações esporádicas, especialmente no período do governo Lula, a verdade é que o Brasil não criou uma política planejada para estreitar as relações com a China. E, sem dúvida, existe um vasto campo de relações comerciais a serem exploradas, porém, o empresariado nacional ainda enfrenta dificuldades básicas, com a barreira da língua e a adaptabilidade dos produtos”, comenta a Professora de Relações Internacionais da PUC-Campinas.

Ainda para a docente de R.I. da PUC-Campinas, “uma política de cooperação com ganhos mútuos poderia beneficiar o Brasil, caso a política externa brasileira tivesse uma estratégia eficiente para lidar com a China. Essa falta de preparo prejudica demais o país, porque não é o Brasil que vende para a China, é a China que vem comprar do Brasil”, complementa.

A Profa. Me. Kelly Ferreira pesquisa a China desde sua graduação e a segunda potência econômica do mundo também foi tema de sua dissertação de Mestrado. Docente na disciplina de Introdução às Relações Internacionais do Curso de R.I da PUC-Campinas, no segundo semestre de 2017 ela ministrará “Práticas de como negociar com a China”.

Abaixo, quadro com os principais produtos exportados do Brasil para a China.

 

EXPORTAÇÕES
2017
(US$ MILHÕES) TON (MIL)
Soja, mesmo triturada 7.445 19.213
Minérios de ferro e seus concentrados 3.776 63.511
Óleos brutos de petróleo 2.801 8.461
Pastas químicas de madeira, exceto para dissolução 689 1.666
Carne bovina, congelada 272 65
Carne de aves 248 131
Ferro-ligas 187 24
Centrifugadores, aparelhos para filtrar ou depurar 172 5
Pasta química de madeira, para dissolução 137 205
Couros e peles curtidos ou em crosta 130 55
Óleo de soja 125 168
Veículos aéreos 98 0,1
Outros 876 2.419
Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC)

O poder transformador da dança

Por Sílvia Perez

A dança é uma linguagem da arte capaz de expressar as mais diversas possibilidades de assimilação do mundo, que consegue aproximar pessoas de diferentes culturas e crenças, rompendo barreiras e superando limites. Nada mais adequado do que fazer da dança uma ferramenta de mudança social, e foi essa a aposta da Associação Beneficente Semear de Campinas, uma instituição filantrópica, com três unidades: Parque Via Norte, Residencial Vila Olímpia e no Centro da cidade, e que atua como um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos.

A Instituição presta atendimento social e desenvolve atividades socioeducativas para cerca de 300 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, no contraturno do horário escolar, para que eles possam ter novas possibilidades e um futuro melhor. Entre as diversas atividades desenvolvidas pela entidade da unidade Vila Olímpia, a Oficina de Hip Hop ganha destaque. Iniciado há seis anos, o projeto hoje começa a colher os frutos do trabalho, mas o professor de dança, Wellington Rodrigues dos Reis, lembra que o começo não foi fácil “quando cheguei, as crianças e adolescentes tinham muito receio, muitas limitações, aos poucos, foram me conhecendo, ganhando confiança no projeto e tudo foi melhorando”.

Apesar das dificuldades do início, o professor de dança nunca deixou de acreditar no projeto. “Eu também venho de projetos sociais e, por isso, acredito que é possível correr atrás e acreditar nos sonhos. Será difícil, mas não impossível”.

O trabalho diário e persistente, ao longo de seis anos, começou a revelar o poder transformador da dança. “Foi um trabalho de formiga, mas por meio da dança, as crianças começaram a aprender valores como respeitar os colegas, ajudar aqueles que têm mais dificuldade, trabalhar em grupo”, ressalta o professor.

De acordo com a coordenadora geral da Associação Beneficente Semear, Roberta Dantas de Oliveira Santos, que trabalha na entidade há oito anos, os resultados são visíveis. “Quase todas as crianças atendidas aqui participam da Oficina de Hip Hop, que trabalha diretamente a autoestima delas, elas passaram a se conhecer e a se cuidar mais. Além disso, conseguem se expressar melhor por meio da dança. É gratificante”, explica.

O engajamento das crianças e adolescentes e o sucesso do projeto o levou para fora dos muros da Semear, com apresentações em empresas, entidades e até mesmo em um teatro da cidade. “Muitas dessas crianças chegam sem sonhos e com a dança eles passam a enxergar um futuro diferente, dois dos alunos daqui ganharam bolsa para participar de uma companhia de dança profissional. Quando fizemos a apresentação de fim de ano em um teatro, muitas famílias nunca haviam pisado em um espaço como aquele antes. Ver a emoção das mães assistindo ao espetáculo dos filhos levou todos às lágrimas”, destaca Roberta.

Mas a mudança provocada pelo trabalho social não gera resultados apenas nas pessoas e nas famílias que são atendidas pelos projetos, essa transformação acontece em quem atua diretamente com essa comunidade, como destaca a coordenadora Roberta: “Não tem preço o que a gente recebe aqui, ver que os adolescentes que estão saindo hoje são muito diferentes dos que estão entrando agora. Observamos que os casos de bullying caíram muito, assim como a falta de respeito de um com o outro. Eles estão trabalhando as emoções, por meio da educação socioemocional e estão aprendendo a resolver por si próprio seus conflitos”.

Para a psicóloga Profa. Dra. Rita Maria Majaterra Khater, de um modo geral as instituições vêm complementar um déficit na educação pública, que deveria ter mais oferta de ensino em período integral, e que esse trabalho é uma prática de cidadania. “É uma prática de mão dupla porque ela faz o bem para a sociedade, mas também é gratificante para aquela pessoa que se vê como agente transformador dessa sociedade”.

 

 

 

 

 

 

Homenagem Especial aos Pais

As Mãos do Meu Pai

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

Mário Quintana (“Esconderijos do Tempo”’)

ELA

Por Armando Martinelli

A solidão em tempos virtuais, em que o ser humano tem inúmeras interações, vários contatos, mas pouquíssima presença física é o pano de fundo para essa história vencedora do Oscar de Melhor Roteiro Original, em 2014

Há limites para o amor? E se os traumas reais forem tão fortes a ponto de apontarem outras soluções? O filme Ela (no original Her), dirigido por Spike Jonze, conta a história de Theodore (interpretado magistralmente por Joaquin Phoenix). Theodore adquire um revolucionário sistema operacional de inteligência artificial e conhece Samantha (Scarlett Johansson), a voz desse moderno aparelho.

Theodore é um homem em busca da felicidade, mas só a enxerga se for apoiada no outro, independentemente da presença física.  Samantha é uma verdadeira inteligência artificial, embora não tenha cérebro, possui uma mente. E essa mente lhe permite interagir de forma complexa com Theodore. É justamente sobre essa inesperada relação que trata este incrível filme, situado em uma Los Angeles futurista, com belíssima fotografia a explorar nuances da metrópole e o vazio existente mesmo entre milhões de pessoas.

Além disso, Jonze lança indagações sobre a imagem que criamos sobre nós mesmos e sobre os outros, especialmente quando nos envolvemos virtualmente. O quanto existe de projeção no amor, em especial, com os limites imaginativos ampliados pela ausência de realidade?

Confira trailer do filme (Ela se encontra no catálogo do aplicativo Netflix)

https://www.youtube.com/watch?v=TggD91pV6KE