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Tecnologia, Educação e os talentos da PUC-Campinas

A edição de setembro do Jornal da PUC-Campinas traz boas notícias para os pré-vestibulandos, que estão avaliando a carreira que desejam seguir e, consequentemente, o Curso Universitário que pretendem fazer no ano que vem. Trata-se do anúncio de cinco novos Cursos já arrolados na lista de ofertas do próximo vestibular, envolvendo Gestão Pública, Comercial, Financeira, RH e Tecnologia da Informação, todos na modalidade Educação a Distância. Além de anunciar os novos Cursos, a matéria aborda aspectos e características desta modalidade de ensino, que se impõe como tendência.

Ainda no universo da tecnologia, o Jornal mostra como será a participação da Universidade na quarta edição do INOVA Campinas, o mais importante evento regional de tecnologia, que vai contar com cerca de 30 projetos apresentados por alunos da PUC-Campinas.

Neste mesmo campo do conhecimento, ajustados ao diapasão tecnológico, três professores de áreas diferentes, Publicidade e Propaganda, Sistemas de Informação e Engenharia Elétrica, comentam características, impactos e perspectivas futuras da humanidade frente às novas tecnologias, apresentando um balanço de onde (e como) poderemos chegar, enquanto sociedade, levados por Big Data, Internet das Coisas, Computação em Nuvens e outras “novidades” do gênero.

A edição de setembro mostra, também, o talento e as habilidades da aluna do quarto ano de Relações Públicas que integra a lista das dez classificadas, entre mais de mil inscritas, do projeto “As Líderes do Futuro”, focado na descoberta e revelação de mulheres com potencial para exercer cargos de liderança.

Da mesma forma, superação e sucesso caracterizam o percurso do ex-aluno que se entusiasmou com a vida universitária e agora é professor doutor no Curso de Medicina, deixando um recado muito claro sobre o tema: “A magia do mundo acadêmico contagia o ex-aluno, que, orientado por seu professor, transmite o processo de ensino-aprendizagem adiante”.

Mas, ao lado de histórias de sucesso, a educação no Brasil, incluindo aquela de nível superior, ainda precisa superar muitos obstáculos e consertar severas distorções de acesso social, de todos e para todos, conforme mostra o artigo sobre a luta pelo direito à educação no Brasil, sob uma perspectiva histórica e o olhar analítico de um professor de Direito.

Além da colaboração dos professores, os jornalistas do Departamento de Comunicação da Universidade também foram a campo reunir boas indicações de cinema e recolher dados para mostrar gente que se realiza ajudando gente, em matéria sobre o pessoal que trabalha com a ONG Grupo Primavera, no Jardim São Marcos, em Campinas, arrematando informações que estimulam a leitura atenta desta edição e o seu uso como material para refletir, debater, ensinar e aprender…

Não perca a oportunidade.

PUC-Campinas lança cinco cursos a distância

Universidade apresenta novos cursos a distância, acompanhando tendência na educação

Por Armando Martinelli

A PUC-Campinas apresenta cinco novos cursos a distância já válidos para o calendário acadêmico de 2018, demonstrando a contínua preocupação da Instituição em disponibilizar aos alunos conhecimento em sintonia com a evolução tecnológica da sociedade.

Para o Pró-Reitor de Graduação da PUC-Campinas, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella, os cinco novos cursos de Educação a Distância traduzem o olhar da PUC-Campinas para essa modalidade que, gradualmente, vem ganhando força no país. “O lançamento desses novos cursos a distância comprova que a Universidade está ciente da importância de acompanhar essa movimentação na educação e, com certeza, seguirá aperfeiçoando essa experiência que se iniciou em 1999”, informa o Pró-Reitor.

Os Cursos a Distância na PUC-Campinas possuem o mesmo conteúdo educacional e número de alunos que os Presenciais. Além disso, o aluno participa por meio de uma plataforma totalmente interativa e tem uma aula presencial por mês, sempre aos sábados, no Campus I da Universidade. “A PUC-Campinas aumenta a oferta de educação a distância, sem nunca abrir mão da qualidade de ensino, ponto fundamental para a Instituição”, reforça o Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella.

Os Novos Cursos de Educação a Distância são: Superior de Tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação; Superior de Tecnologia em Gestão Comercial; Superior de Tecnologia em Gestão Financeira; Superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos e Superior de Tecnologia em Gestão Pública.

Vestibular 2017

As inscrições para o Vestibular 2017 da PUC-Campinas encerram no dia 24 de setembro.

As provas serão realizadas nos dias:

20 de outubro (sexta-feira), no período das 14h às 18h, será aplicada a Prova Específica, destinada aos candidatos aos cursos de Arquitetura e Urbanismo, e Direito, em 1ª opção.

21 de outubro (sábado), no período das 9h às 13h, os candidatos de todos os cursos oferecidos pela PUC-Campinas, incluindo os candidatos dos cursos acima citados, farão a Prova Geral.

18 de novembro (sábado), no período das 14h às 18h, será aplicada a Prova Específica ao curso de Medicinasomente para os candidatos convocados.

Informações adicionais no

https://www.puc-campinas.edu.br/ingressenapuc/vestibular/verao-home.html

Novos cursos

Além dos Cursos a Distância, a PUC-Campinas oferece 07 novos Cursos presenciais já inclusos no Vestibular 2017. São eles:

  1. Administração – Linha de Formação Específica em Marketing e Inovação – Matutino e Noturno;
  2. Administração –  Linha de Formação Específica em Negócios Internacionais – Matutino e Noturno;
  3. Engenharia de Controle e Automação – Noturno;
  4. Entretenimento, Lazer e Turismo – Matutino;
  5. Gestão da Informação – Noturno;
  6. Mídias Digitais – Integral;
  7. Museologia – Noturno.

 INOVA CAMPINAS 2017

A PUC-Campinas apresentará cerca de trinta projetos na 4ª edição do INOVA Campinas 2017, maior evento de tecnologia e inovação da região de Campinas, que acontecerá no dia 25 de outubro no Expo Dom Pedro (Parque Shopping Dom Pedro).

Os projetos, aproximadamente dez de cada Pró-Reitoria (Graduação, Pós-Graduação e Extensão), pretendem mostrar para as empresas ou investidores que os alunos da PUC-Campinas já estão desenvolvendo estudos e participando de projetos reais a serem implantados no mundo do trabalho. A Universidade já tem, inclusive, parcerias com algumas empresas para as quais os alunos desenvolvem projetos, até mesmo aqueles oriundos dos Trabalhos de Conclusão de Curso.

“O objetivo central é mostrar que os nossos alunos já tem noção de como funciona o mundo do trabalho e estão sendo formados para atuarem em projetos reais”, ressalta o Pró-Reitor de Graduação, Orandi Mina Falsarella.

 

 

 

Cirurgia Plástica da PUC-Campinas ganha mais um doutor pela USP

Por Prof. Dr. André Nepomuceno – Docente da Faculdade de Medicina

A magia do mundo acadêmico contagia o ex-aluno, que, orientado por seu professor, transmite o processo de ensino-aprendizagem adiante. Foi assim que ocorreu na disciplina de Cirurgia Plástica da PUC-Campinas.

A cada quatro anos, especialistas em Nervo Facial se reúnem no International Facial Nerve Symposium, cuja 13a edição ocorreu entre os dias 3 e 6 de agosto deste ano em Los Angeles, nos Estados Unidos. Neste evento, o professor José Carlos Marques de Faria, Livre-Docente pela USP, que conta com três artigos publicados em revistas internacionais indexadas sobre o tratamento cirúrgico da paralisia facial, apresentou quatro aulas expondo sua linha de pesquisa. O braço experimental dessa linha de pesquisa foi apresentado pelo Doutor e também Professor da PUC-Campinas André Coelho Nepomuceno.

Após retornarem ao Brasil, no dia 16 de agosto de 2017, o Dr. André Coelho Nepomuceno defendeu sua tese de doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde foi arguido pela banca composta pela Dra. Marcia Pereira Bueno (Diretora da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas), pelo Prof. Dr. José Luís Braga de Aquino (Professor Titular da Clínica Cirúrgica da PUC-Campinas), pelo Prof. Dr. Luiz Ubirajara Sennes (Professor Livre-Docente da Pós-Graduação em Otorrinolaringologia da USP), pelo Prof. Dr. Nivaldo Alonso (Professor Livre-Docente e Coordenador do serviço de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial da disciplina de Cirurgia Plástica da USP) e pelo Prof. Dr. José Carlos Marques de Faria. O doutorando foi aprovado e obteve o título de Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo.

Mais que o título, vale o aprendizado e a formação de raciocínio desenvolvida durante a pós-graduação. Assim, começa um novo ciclo, no qual o ex-aluno transforma-se em professor, e este poderá ter o prazer de transmitir às novas gerações a paixão pela busca pelo conhecimento. Viva a magia da carreira acadêmica. Viva o processo de ensino-aprendizagem. Viva a Instituição PUC-Campinas.

O Avanço Tecnológico e a Sociedade Contemporânea

Por Profa. Me. Sílvia Cristina de Matos Soares – Diretora dos cursos:  Engenharia de Software, Sistemas de Informação e Gestão da Tecnologia da Informação

Mudanças sempre ocorreram, ao longo dos anos, na sociedade. Alguém duvida dessa afirmação? Acreditamos que a resposta a essa pergunta seja “ninguém duvida”. Talvez, há alguns anos, essas mudanças não aconteciam com a velocidade que acontecem hoje. A influência do avanço tecnológico sobre as gerações existentes, provavelmente, não será a mesma sobre as próximas gerações, considerando o crescimento exponencial no uso de tecnologia.

Atualmente, vivenciamos a existência da geração X, que inclui os nascidos no início de 1960 até o final dos anos 70 (às vezes, são incluídos os nascidos até 1982), da geração Y (também chamada Millennial), que inclui os nascidos em fins dos anos 70 e início dos anos 90 e da geração Z (também chamada iGeneration, Gen Z, Plurais ou Centennial), que compreende os nascidos entre o fim de 1992 a 2010. As diferentes características dessas gerações comandam a sua coexistência, que é um desafio para os seres humanos. O modo como cada geração age em relação ao ambiente de trabalho, aos relacionamentos, às relações familiares e à forma de interação com as coisas do mundo são diferentes.  Tais diferenças podem trazer benefícios e conflitos. Quando, por exemplo, a geração mais nova, com uma de suas características, que é a sua maior agilidade para a solução de problemas, consegue ser entendida e apreendida pelas gerações mais antigas, percebemos um ganho, um aprendizado benéfico para a sociedade e para as organizações. Porém, por outro lado, quando as gerações mais antigas se recusam a aprender com os mais novos, devido, também, a uma característica da geração mais nova relacionada à procura de informação imediata e do modo mais fácil e superficial, percebemos a instalação de conflitos, que dificultam o processo de tomada de decisão e o prosseguimento de ações que dependem de um consenso.

A geração Y “trouxe” para a sociedade os indivíduos que cresceram em um momento de prosperidade econômica, de grande avanço tecnológico e que nasceram em um mundo globalizado. Essa geração e a geração Z consomem uma grande diversidade de conteúdo virtual, enquanto as gerações mais antigas tentam se acostumar com os novos tempos. São gerações conhecidas como nativos digitais, familiarizadas com a internet, com os tablets, com o armazenamento em nuvem e estão sempre conectadas.

O fato de os indivíduos terem a necessidade de estar constantemente conectados deu origem a um problema enfrentado pelas gerações Y e Z. Quanto tempo é possível aguentar sem utilizar a internet ou a tecnologia sem sofrer com a abstinência? A resposta a essa pergunta constata a existência do problema, hoje chamado de nomofobia (uma abreviação, do inglês, para no-mobile-phone phobia). Esse termo é utilizado para descrever o pavor de não ter o celular disponível, ou seja, está relacionado à dependência tecnológica ou ao uso problemático do telefone móvel.

Ao mesmo tempo que a sociedade descobre um novo problema relacionado à saúde, essa dependência da tecnologia gera uma grande demanda por informações que, por sua vez, aumenta a necessidade de novas tecnologias para armazená-las, guardá-las, buscá-las e utilizá-las em benefício do ser humano. Os cientistas fazem uma previsão sobre um futuro tecnológico próximo, por volta de 2045, relacionado à singularidade das máquinas. Nesse futuro, a tecnologia terá avançado no sentido de possibilitar às máquinas serem mais inteligentes que os seres humanos. Enquanto esse futuro próximo está por vir, temos o desafio de tentar manter o equilíbrio para o uso das tecnologias, com o foco em seu uso para o benefício da sociedade.

Transformação Digital e os desafios para a Sociedade

Por Prof. Me. Sergio Roberto Pereira – Diretor dos cursos de Eng. Elétrica e Eng. de Controle e Automação

A mídia tem cunhado um novo termo para definir as mudanças que vêm ocorrendo no mundo da tecnologia, nas empresas e na vida das pessoas: Transformação Digital. A inserção das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) vem gerando mudanças significativas na estrutura de trabalho e na vida cotidiana das pessoas.

Como exemplo, a Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) obrigará as companhias a reformularem a sua abordagem estratégica, abrindo portas para novas habilidades que vão muito além da competência técnica do dia a dia.

O número de “coisas” conectadas no Brasil deve saltar dos atuais 140 milhões para 400 milhões em 2020. Num futuro breve, presenciaremos a adoção massiva de sistemas interligados e inteligentes, o que proporcionará que tudo esteja interconectado, oferecendo uma comodidade sem precedentes aos usuários. Assim como a Internet e as redes sociais redimensionaram a sociedade e a maneira das pessoas se relacionarem, esta nova onda de “Transformação Digital” terá um profundo impacto sobre esta mesma sociedade.

Acredita-se que as Cidades Inteligentes (“Smart Cities”) e o Agronegócio Inteligente (aumento de produtividade no campo, especialmente quando implementados com base na infraestrutura de rede adequada e alinhados com as arquiteturas globais de referência em IoT) serão os segmentos com o maior potencial de crescimento em nosso país. A Indústria 4.0 e as fábricas inteligentes continuarão a ser implementadas, alinhadas às tecnologias, como a conectividade móvel, o Big Data e a Internet das Coisas (IoT). Para isso, serão necessárias redes de comunicação de dados cada vez mais velozes e com maior disponibilidade. Operadoras móveis norte-americanas, em conjunto com os fabricantes de dispositivos, já conseguiram um feito importante para a quarta geração de telefonia móvel (4G): velocidade em uma conexão celular acima de 1G bit por segundo.

Em termos de emprego, aqueles trabalhos que requerem recursos humanos únicos (como a educação e o cuidado de pessoas, entre outros) serão os menos ameaçados pela automatização. Entretanto, em outras áreas, a Transformação Digital terá profundo impacto sobre a sociedade e as nossas vidas. Tudo está cada vez mais rápido e o volume de informações a que as pessoas são submetidas dia a dia é infinitamente maior e não para de crescer. Para as organizações, a diminuição dos custos operacionais, a capacidade de oferecer aplicativos personalizados à velocidade das ideias e o aprimoramento da experiência dos clientes são o núcleo da transformação digital.

Se, por um lado, nossa vida ficou bem mais fácil, pois serviços e produtos automatizados oferecem uma comodidade impensada a alguns anos atrás, com uma série de facilidades, salvando vidas graças à tecnologia, por outro lado, isso traz uma clara alteração no comportamento das pessoas, de forma que elas se apresentam mais distraídas, exigentes, conectadas e distantes como nunca, além de novos transtornos ligados ao vício em tecnologia, crimes virtuais etc.

Influência digital e as perspectivas de um mundo melhor

Por Prof. Dr. Victor Kraide Corte Real – Publicitário, doutor em Ciências da Comunicação. Diretor do curso de Design Digital da PUC-Campinas.

Você já parou para pensar que as pessoas nascidas nos anos de 1980 fazem parte da última geração a conhecer o mundo sem a internet? Sim, a rede mundial de computadores foi disponibilizada ao público em escala global no início dos anos de 1990, através das linhas discadas. Lembra-se daquele barulhinho na hora de conectar? De como era lento abrir um site, fazer uma pesquisa ou entrar numa sala de bate-papo, tudo ainda com um design bem precário e limitado? De esperar o final de semana para ficar conectado quanto tempo quisesse, não sendo cobrado por cada minuto de ligação, pagando apenas pela tarifa de um pulso telefônico? Parece que isso tudo é coisa de uma outra vida, não é? Mas, não se engane, foi ontem mesmo. Se você tem mais de vinte e poucos anos, talvez se lembre desse mundo.

Diante desse retrospecto, se você nasceu antes de 1990, é possível afirmar que, provavelmente, passou, ou ainda passa, um certo tempo em frente à televisão, vendo a programação “imposta” pelas emissoras dentro de uma grade de horário fixa e pré-definida. Para quem nasceu depois de 1990, em geral, a televisão é vista como um aparelho que insiste em fazer parte da mobília de muitas residências, que serve, na melhor das hipóteses, como uma tela grande para conectar o computador ou o videogame e ampliar um pouco a experiência de navegar pela internet ou de curtir jogos eletrônicos.

O conceito de entretenimento e de informação, intermediados por uma mídia, mudou muito rapidamente. Na verdade, não é o tamanho ou a quantidade de conteúdo que trafega na internet o que mais impressiona, mas sim as possibilidades de acesso. As pessoas podem ver o que quiser, na hora que quiser e onde quiser. Continuamos sendo vorazes espectadores do conteúdo produzido por outros, mas, hoje, temos muito mais condições de gerar conteúdo próprio, divulgar, influenciar e conquistar a fama com mais facilidade que em qualquer outro período histórico.

Como consequência direta, nossos heróis, ídolos e modelos de sucesso também mudaram. Boa parte dos jovens continua admirando atores, cantores, atletas e profissionais em geral que se destacam em suas áreas, mas são as “celebridades da internet” que despertam cada vez mais a atenção do público com menos de 30 anos. Para eles, é muito mais presente e palpável a chance de qualquer “pessoa normal” ficar famosa e ganhar dinheiro, simplesmente produzindo e postando vídeos em seus canais pessoais, muitas vezes de maneira bem caseira, fazendo uso apenas do carisma e da diversão, sem qualquer pretensão de desenvolver discussões em profundidade.

A qualidade do conteúdo produzido nesses canais é algo muito subjetivo e bastante relativo. É verdade que entre os mais populares não encontramos, por exemplo, abordagens a respeito do conhecimento científico ou da cultura erudita, mas, na vastidão da internet, existem produções sobre esses temas e sobre quaisquer outros que se possa imaginar. O desafio atual dos educadores, líderes e, certamente, dos influenciadores digitais é estimular o uso positivo desse repertório na construção de uma sociedade mais justa e de um mundo melhor.

Entre insetos, países bloqueados e orquídeas: a poesia de Carlos Drummond de Andrade

Por Prof. Dr. Ricardo Gaiotto de Moraes – Docente da Pós-Graduação em Linguagens, Mídia e Arte (LIMIAR) e da Faculdade de Letras da PUC-Campinas

A permanência de um texto literário parece se relacionar à capacidade de atualização da coerência entre sentidos e forma em diferentes momentos. Se um texto do passado é ainda lido com entusiasmo por um grupo de leitores é porque, de certa forma, apresenta um interesse contemporâneo. A cada nova leitura, tal poema ou romance são atualizados e revestidos pelas preocupações do presente. Passados 30 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade, sua poesia parece permanecer, ressignificada a cada nova leitura.

Não é que a poesia de Drummond esteja tão afastada de nosso tempo, seu primeiro livro de poemas, Alguma poesia, data de 1930, seu último publicado em vida, Amar se aprende amando, de 1985. Não é que os poemas de Drummond tratem de temas caducos: as guerras ainda batem à porta, a desigualdade social ainda não passou e os fascismos do presente não têm vergonha de usar meias palavras, as intolerâncias de todos os tipos aparecem à luz do dia. Há, para além disso, uma atualidade no gesto de resistência da poesia. Mesmo sem inflacionar os sentimentos do eu com retórica grandiloquente, a poesia drummondiana tem uma potência arrebatadora, que pode ser depreendida de um de seus poemas mais comentados:

Áporo

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se

(ANDRADE, C. D. A rosa do povo. 33ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p.63)

Décio Pignatari, em “Um inseto semiótico”, texto da década de 1970, chamava atenção para um fio interpretativo do poema a partir do significante “áporo” que, ao longo do poema, vai assumindo vários significados, marcados tanto pelo enredo condensado quanto pelas escolhas sonoras. Assim, o “Áporo” assumiria os sentidos dicionarizados de inseto com metamorfose completa, problema de resolução impossível, labirinto sem saída, gênero de orquídeas.

A transformação do inseto que cava, no soneto com versos de cinco sílabas poéticas, ocorreria mesmo com um terrível obstáculo: o “país bloqueado”, que, na leitura de Pignatari, faria referência à ditadura do Estado Novo e aos horrores da Segunda Guerra Mundial, lembrando que A rosa do povo foi publicada em 1945. O labirinto, a própria aporia se desataria numa solução que não respeita a lógica matemática, “antieuclidiana”. O áporo se transformaria, na cadência do poema, em uma orquídea ou numa “flor ainda desbotada”, para tomar outra imagem da poesia drummondiana.

Davi Arrigucci Júnior, no livro Coração partido, de 2002, vê na trajetória da transformação do inseto em orquídea o resultado do esforço do poeta em constituir a trama do poema. O trabalho do poeta, cuja voz surgiria na pergunta da segunda estrofe, seria comparável à imagem do inseto que cava. A aporia, a dificuldade em passar, o “país bloqueado” geraria uma imagem esmagadora diante do minúsculo animal, o que potencializaria a metáfora do excruciante labor artesanal do poeta diante de um mundo bloqueado pelos imperativos do mercado. No entanto, a metamorfose do inseto em “flor-poema” seria a metáfora para o produto da elaboração artística do poema.

Tanto as transformações que se estabelecem pela forma poética, aflorando a polissemia do vocábulo, quanto a metáfora da resistência à opressão driblada pela metamorfose em “flor-poema” parecem se unir em diálogo com nosso tempo. No centro, permanece a poesia de Carlos Drummond de Andrade, prova de que o trabalho miúdo com as palavras e a resistência poeticamente se materializam em “flor-poema”. Lido, às sombras das intolerâncias atuais (“país bloqueado”, “enlace de noite raiz e minério”), “Áporo” é símbolo de que a resistência da arte permanece.

A luta pela afirmação do direito à educação no Brasil

Por Prof. Dr. Guilherme Cabral, docente da Faculdade de Direito da PUC-Campinas e colunista do UOL Educação

 Em 23 de agosto, recebemos, na PUC-Campinas, o Prof. Dr. Eduardo Bittar no lançamento da 4ª edição, ampliada, de obra coletiva que organizou, História do direito brasileiro: leituras da ordem jurídica nacional, proferindo, na oportunidade, a palestra “A luta pelos direitos no Brasil”.

Docente da Universidade de São Paulo, o Prof. Bittar estuda (e pratica!) o direito e a luta pelos direitos, especialmente na “pós-modernidade”. Seu referencial teórico é a denominada “Escola de Frankfurt”, em especial o pensamento de Jürgen Habermas. Trabalho nada fácil, num país marcado por uma cultura de profundo desrespeito aos direitos humanos.

Nessa linha, orientou as pesquisas, em nível de Doutorado, de três dos dez professores-pesquisadores de nossa Faculdade de Direito. Com o Prof. Dr. Pedro Peruzzo, trabalhou os direitos dos povos indígenas. Com o Prof. Dr. Vinícius Casalino, o tema do direito na transição do capitalismo para o socialismo. Comigo, a educação para a democracia no Brasil.

Na obra aqui lançada, dedica-se à história. Dela participei, com reflexão sobre a “História da educação e do direito à educação no Brasil”. Reflexão que, sem dúvida, nos convida à luta por direitos no país. Afinal, debruçar-se sobre essa história é se debruçar, também, sobre sua não história, sobre o que não foi. Entre nós, direito e educação nunca foram realidade para todos.

Fazendo uma retrospectiva, vemos que a afirmação do direito à educação caminha junto com a sua insistente negação. Constituições vieram e moldaram-no. Reformas legislativas reformularam incansavelmente as reformas anteriores: 1827, 1854, 1879, 1890, 1901, 1911, 1915, 1925, 1931, 1942-43, 1969-71, 1996. Avolumaram-se as leis e os regulamentos. Hoje, de acordo com a Constituição Federal e com a Lei de Diretrizes e Bases, a educação é um vigoroso direito fundamental social que abrange os processos formativos da pessoa, visando ao seu pleno desenvolvimento, à sua qualificação para o trabalho e ao seu preparo para o exercício da cidadania.

A prática, porém, quase sempre se confundiu com o inverso do direito: de um lado, privilégio para poucos, escola para as elites; de outro, exclusão, imposição, violência e não reconhecimento.

Mas houve história também. O Brasil deu os seus passos em termos educacionais. Até 1920, 65% da população com mais de 14 anos era analfabeta. Em 1950, diminuiu para 50%. Já, em 1980, caiu para 25%. Sob a Constituição de 1988, caminhamos para a universalização do ensino obrigatório: 98% das crianças e adolescentes de 07 a 14 anos frequentam o ensino fundamental.

Soma-se à questão do acesso ao ensino, agora, como seríssimo problema longe de solução, a falta de qualidade. De acordo com dados oficiais, de zero a dez, a nota do aluno que termina o ensino fundamental público no Brasil é, em geral, 4,2. O país está reprovado. Há escolas, mas ainda falta educação.

Na luta para a solução dos velhos e dos novos problemas, a história (e não história) da educação e do direito à educação no Brasil constitui material fecundo, porém pouquíssimo explorado. Muito do que hoje se propõe já foi discutido e rediscutido. O presente deseducado está impregnado do passado e não se dá conta disso. Vejam, por exemplo, o debate sobre a “escola sem partido”. Velhos argumentos travestidos de novidades: não se distinguem das proposições tecnicistas malsucedidas da República Velha e da Ditadura Militar.

A nossa histórica falta de educação e ignorância sobre nossa própria história explicam, em grande medida, o insucesso de tantas reformas e projetos educacionais. Explicam, em parte, por que tantas reformas.

Eis um material fundamental (a nossa história) para a compreensão crítica e superação do momento vivido. Fundamental para a luta por direitos, portanto, preenchendo de significado os textos legais sobre a educação – e sobre tantos outros direitos que insistem em não sair do papel – e fazendo deles realidade. A fala do Prof. Bittar e a obra lançada mostram-nos isso, com clareza. Abrem caminhos e perspectivas. Obrigado, Prof. Dr. Bittar.

Estudante de Relações Públicas é selecionada entre mais de mil participantes no Programa “As Líderes do Futuro”

Por Armando Martinelli

A estudante do quarto ano de Relações Públicas (noturno) da PUC-Campinas, Larissa Baptistella Silva, foi selecionada entre mais de mil participantes e ficou entre as dez finalistas do Programa “As Líderes do Futuro”, criado pela EXEC, uma das principais consultorias de recrutamento e desenvolvimento de altos executivos do Brasil, em parceria com a revista Exame e a Repense Game.  Com o objetivo de conectar mulheres e estudantes de alto potencial com empresárias de sucesso, o Programa contempla ainda uma etapa final com sessões de mentoria, de reconhecido valor no mundo do trabalho, entre as finalistas e as executivas.

A estudante credita sua escolha, principalmente, à capacidade de estabelecer relacionamentos positivos e à habilidade para trabalhar em equipe. “O teste aplicado para a seleção exigiu vários aspectos conectados com as habilidades comportamentais. Acredito que a minha capacidade de compreender as colegas e de conversar e refletir sobre as melhores atitudes na condução conjunta do trabalho foram definidores para o meu êxito”, disse Larissa Baptistella.

Agora, na fase final do Programa, Larissa tem como mentora a executiva Nadir Moreno, Presidente da UPS Brasil, uma das maiores empresas de Logística do mundo. “Espero aprender muito nos encontros com minha mentora e aplicar todo esse conhecimento em meu dia a dia”, reforça.

Ainda para Larissa, um dos pontos fundamentais do Programa, e motivo de grande orgulho por ter sido uma das finalistas, reside no fato de que a participação das mulheres em cargos de liderança das empresas ainda é muito pequena em comparação com os homens. “Há uma grande mudança da Universidade, onde as mulheres costumam ser maioria em grande parte dos cursos para o mundo do trabalho, no qual os altos escalões ainda são dominados pelos homens. Espero que essa constatação se modifique e que em um futuro próximo as mulheres alcancem a merecida igualdade de reconhecimento por sua capacidade profissional”, finaliza Larissa Baptistella.

 Conheça um pouco mais sobre Larissa Baptistella

 Por que escolheu cursar Relações Públicas?

Escolhi cursar Relações Públicas por ser um curso transversal, que possibilita ao profissional dialogar com qualquer área e posição dentro de uma organização. Considero a comunicação e a construção de relacionamentos estratégicos fatores fundamentais e diferenciais para qualquer carreira profissional.

Como pretende conduzir sua carreira profissional?

Pretendo buscar, cada vez mais, novas experiências e vivências sem necessariamente mudar de empresa, para, assim, construir uma carreira sólida, para me desenvolver diariamente e auxiliar na evolução de outras pessoas. Para mim, esse é o ponto mais importante: bons exemplos mudaram minha vida, por isso, sempre penso no que eu posso fazer para modificar a vida de outras pessoas. O conhecimento é uma planta a ser cultivada.

O que espera do dia a dia dentro de uma organização empresarial?

Em primeiro lugar, um ambiente que se assemelhe aos nossos valores. É impossível trabalhar em um lugar em que você não acredita, pois estaremos fadados ao insucesso e infelicidade. Somos jovens e ansiosos, sofremos com a crise de querer abraçar o mundo, por isso, a paciência é fundamental para qualquer passo, e, claro, trabalhar num ambiente em que haja planos para o seu crescimento, mas sem esquecer que deve sempre partir de você. O plano de carreira é seu.

Quais são seus hobbies? O que gosta de fazer nas horas livres?

Não são muitas horas livres na semana, mas eu aproveito os finais de semana para ficar com meus amigos e visitar meus pais. Diversão é coisa séria e faz parte!

Alguma mensagem aos estudantes que estão iniciando ou querem ingressar em RP.

Gostar de se comunicar, ou pelo menos ter empatia com pessoas, na verdade, é o básico para qualquer profissão. O profissional de Relações Públicas tem embasamento suficiente para ser completo, mas, claro, vai do aluno, estar conectado com as movimentações do mercado e comportamentos. Tudo está cada vez mais rápido, e imerso no conceito V.U.C.A  (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), assim, o profissional deve se preparar para se adaptar às diversas situações.

Uma frase ou mensagem que te inspira

“100% dos clientes são pessoas. 100% dos empregados são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios”. (Simon Sinek).

 

A felicidade de contribuir para a transformação social das pessoas

Por Sílvia Perez

“Hoje eu não me vejo trabalhando em uma empresa de fins lucrativos”, com essa frase, a auxiliar administrativo Ana Paula dos Santos Lemos demonstra que o emprego na Organização Não Governamental Grupo Primavera é mais do que um simples trabalho, já se transformou em um propósito de vida.

Ana Paula justifica sua afirmação explicando que por meio do trabalho é possível ver a transformação social das pessoas. “Você vê a evolução das crianças, a postura delas quando entram na instituição e a mudança de quando elas terminam o projeto Jovem Aprendiz.”

A ONG Grupo Primavera atua há 36 anos no Jardim São Marcos, em Campinas, e atende crianças e adolescentes de 06 a 18 anos, moradores de bairros próximos à entidade. Nessas três décadas, são incontáveis as histórias de sucesso registradas pela instituição, uma delas da própria Ana Paula, que chegou ao local ao qual sua filha já frequentava desde os sete anos, depois de ficar desempregada e se surpreendeu com o acolhimento. “Comecei a fazer cursos, participar do grupo de mães e, então, surgiu uma vaga na recepção, depois vim para o administrativo”, conta.

Mas não foi a evolução de carreira que mais marcou Ana Paula, mas sim a mudança pessoal: “Eu nunca acreditei em mim e quando você está com pessoas que acreditam no seu potencial, isso dá um impulso na sua vida, com o apoio do projeto, consegui cursar a Faculdade de Administração”, ressalta.

Quem também viu sua vida ser transformada ao contribuir para a evolução social das crianças, adolescentes e até mesmo das famílias atendidas pelo trabalho da ONG foi a Gestora Executiva do Grupo Primavera, Ruth Maria de Oliveira, que trabalha há 13 anos na entidade. “A troca é muito grande, diante da satisfação que eu recebo, acho até muito pouco o que eu faço. É o salário que dinheiro nenhum paga”, revela.

O percurso percorrido ao longo de pouco mais de uma década não foi fácil, logo no início percebeu que teria um grande desafio pela frente: “A primeira coisa que eu identifiquei foi que as crianças e adolescentes não sonhavam, o que contrastava muito com a realidade que eu via ao também dar aulas em uma escola particular, então, começamos a trazer palestras para que as nossas crianças e adolescentes pudessem conhecer a história de vida de pessoas que tiveram sucesso”.

Além disso, foi feito um planejamento para que todos os funcionários pudessem conhecer mais de perto a realidade das crianças e jovens atendidos. “Entendemos que precisávamos olhar essas crianças como crianças. Para isso, fizemos um tour pelo bairro até as áreas mais precárias. Era preciso entender a realidade delas até para poder cobrá-las e planejar nosso trabalho para dar condições para elas reescreverem as suas histórias, por isso, conhecer o contexto é tão importante”, reforça Ruth.

Os resultados de tanto empenho não demoraram a chegar. Algumas das meninas atendidas pela ONG, no passado, hoje trabalham na instituição e agora os sonhos fazem parte da realidade desses jovens que estão por aqui. Um exemplo é Mariane Rodrigues Tomé, de 14 anos, que espera um dia se tornar juíza. “Aqui é a minha família, eles ensinam a gente, mostram como você pode se desenvolver e se comportar depois no trabalho”, afirma.

Fazer o bem faz bem

Para a professora da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas, Profa. Dra. Rita Maria Majaterra Khater, a prática do voluntariado é benéfica. “É muito interessante porque fazer o bem para a sociedade também deixa feliz aquela pessoa que se vê como agente de mudança social”, explica.

Os benefícios desse trabalho foram tema de um estudo de uma universidade britânica, publicado na revista BMC Public Health, que aponta que os voluntários têm uma mortalidade 20% menor quando comparados com os não voluntários.

Depoimentos

 

Elisandra Patrícia dos Santos

Assistente da Diretoria – Grupo Primavera

“Fui aluna do Projeto Pacto, depois fiz colégio técnico e estou há três anos trabalhando aqui. Quando saí não perdi o vínculo, participava de encontros de ex-alunos e assim soube da vaga. É gratificante porque hoje eu tenho a oportunidade de retribuir para outras pessoas aquilo que eu recebi.”

Lais Gonçalves de Lima

Chef de Cozinha – Grupo Primavera

“Fiquei na entidade de 2004 a 2011, depois fui aluna do Projeto Pacto, voluntária e estagiária, há um ano fui contratada como Chef de Cozinha. Aqui para mim sempre foi um bom lugar, um bom ambiente, onde você vê os resultados.”

Josiane Teixeira Pires Brito

Gerente de Produto – Grupo Primavera

“Fui aluna de 1986 a 1993, no ano seguinte fiz estágio e vim trabalhar no Grupo Primavera em 1996. Eu sinto que a gente cresce junto com a instituição, quando a gente vê aquela menina que passou pelo projeto estudou, formou uma família e está dando certo, você vê que com o seu trabalho está transformando vidas.”