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Desafios para as Cidades Inteligentes no Brasil

Por Sílvia Perez

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem apontado, com certa preocupação, o fato de a população mundial estar se tornando cada vez mais urbanizada. Nesse contexto, o desenvolvimento urbano passa a ser mais um desafio coletivo enfrentado no mundo todo, devido, dentre outras causas, aos processos não planejados presentes no crescimento das cidades. Esse crescimento desordenado, muitas vezes, tem gerado impactos negativos na infraestrutura urbana, com problemas nas mais diversas áreas como transporte e trânsito, poluição, saneamento, iluminação, habitação, entre outros.

Planejar a ocupação dos espaços na cidade garante a melhor organização e distribuição do território, proporciona desenvolvimento econômico já que o planejamento vai determinar quais locais serão utilizados para moradia, comércio, serviços e lazer, garantindo, assim, uma mobilidade urbana melhor. Conhecer todo ambiente urbano, seus entornos, com suas fragilidades e potenciais a serem explorados, a idiossincrasia de sua população, com suas necessidades e expectativas, se constitui no desafio deste novo século.

Dentro desse quadro, uma nova abordagem é discutida na atualidade e, inclusive, tem sido implantada em muitas cidades do mundo que buscam fazer frente a esta realidade. De acordo com o docente e pesquisador da PUC-Campinas, Prof. Dr. David Bianchini, aos poucos, um novo conceito foi se constituindo, em meio à complexidade desse desafio. “Esse conceito, nascido incialmente apenas como Cidades Digitais, avançou para Cidades Inteligentes, cresceu ainda mais como Cidades Inteligentes e Sustentáveis e, por fim, amadurece mais recentemente para Cidades Inteligentes, Sustentáveis e Humanas”, explica.

A ideia envolve a possibilidade de um planejamento territorial mais complexo ao utilizar-se da tecnologia mais recente em seus processos, gerando uma cadeia interligada e sustentável. O objetivo é conseguir oferecer ao cidadão lazer, trabalho, escolas, enfim tudo que for preciso para uma vida com qualidade. No mundo atual, organizações importantes como, por exemplo, a ISO (International Organization for Standardization), já se voltam para ajudar nessa tarefa e apontam indicadores internacionais que permitem medir os níveis de sustentabilidade, qualidade de vida e bem-estar (Os leitores que desejaram ir mais além poderão consultar a Norma ABNT NBR ISO 37120:2017).

Bianchini destaca que, aqui no Brasil, uma das primeiras iniciativas nesse campo, é o Projeto das Cidades Digitais, que foi instituído por meio da Portaria no 376, de 19 de agosto de 2011, publicada no Diário Oficial da União, em 22 de agosto de 2011. “É de significativa importância para o Brasil a existência de um projeto estruturante cuja meta busca favorecer a criação de uma cultura digital em nossa sociedade”, afirma.

O docente e pesquisador reforça que é importante salientar que a presença de infraestrutura adequada permite o início de todo esse processo. “A iniciativa governamental no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) busca montar uma infraestrutura que viesse a viabilizar a existência de serviços, aplicativos, dentre muitos outros projetos”, complementa.

Atualmente, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações tem o projeto Minha Cidade Inteligente, que define uma Cidade Inteligente como um território que traz sistemas inovativos e tecnologias da informação e comunicação (TICs) dentro da mesma localidade. “O projeto Minha Cidade Inteligente objetiva, além da implantação de redes e sistemas de alta capacidade, implantar serviços e infraestrutura de monitoramento e acompanhamento das condições locais, permitindo gerar dados para criação de aplicações inovadoras, bem como permitir o amplo acesso às informações. Além disso, buscará prover às localidades alta capacidade de formação e capacitação da população.”, detalha o edital do projeto.

Os projetos para a criação de Cidades Inteligentes no país vão muito além do que fornecer internet gratuita para a população, consistem em mapear o município, para garantir informações como o monitoramento do trânsito para modificar a ordem dos semáforos automaticamente se necessário. Outra característica de uma cidade inteligente e sustentável é o uso de energia “limpa”, como a solar ou a eólica, a redução dos índices de emissão de poluentes e o uso de tecnologia para otimizar serviços e melhorar a qualidade de vida da população.

No entanto, segundo especialistas são muitos os desafios para a implantação de uma Cidade Inteligente no Brasil. ‘Esses desafios passam pela busca de soluções que envolvem a sustentabilidade dos projetos. Além de implantar é preciso garantir a manutenção pelo próprio município e, aí, esbarra-se no orçamento, onde obter e manter continuadamente os recursos necessários para esse fim? Uma estrutura adequada para capacitar servidores públicos nessas cidades para que aconteça uma gestão e uso adequado da rede e dos serviços (uso e gestão de aplicativos de e-governo, por exemplo)?”, detalha Bianchini.

O cenário, apesar de difícil, ainda poderá possibilitar que o país se aproxime do ideal, já que muitas cidades se empenham realmente em atender os requisitos que as tornem inteligentes. Vão assim se destacando em áreas determinadas, apontadas como inteligentes em categorias específicas, como por exemplo, as categorias mobilidade, meio ambiente, energia, economia, urbanismo, educação, dentre outras.

Em Campinas, por exemplo, o Portal oficial da Prefeitura (http://www.campinas.sp.gov.br), traz uma notícia que revela que o município busca destaque na área. “Campinas se preparou, nos últimos quatro anos, para se tornar uma das referências do País como cidade inteligente, feito que a colocou como a cidade (não capital) mais inovadora do Brasil, segundo ranking do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação”, relata a nota.

 

O que você precisa saber sobre a febre amarela

Por Sílvia Perez

Diante do surto de febre amarela registrado em alguns estados brasileiros, a PUC-Campinas presta alguns esclarecimentos sobre a doença.

A febre amarela é uma zoonose e os casos confirmados no Brasil são classificados como silvestre, sendo os vetores responsáveis pela transmissão os mosquitos Haemagogus e Sabethes encontrados nas matas. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental, no lugar dos macacos, ao adentrar áreas de mata. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, pelo menos por enquanto, não há evidências de que o Aedes aegypti esteja transmitindo o vírus, causando uma expansão urbana da febre amarela.

Desde a notificação dos surtos de febre amarela no início de 2017, vem sendo observado em nosso país um aumento progressivo do número de casos suspeitos e confirmados, de óbitos e de municípios com notificação da doença. Dentre o total de casos notificados (1006), 157 evoluíram para óbito e destes 65 foram óbitos confirmados por febre amarela (letalidade 36,1%); 89 óbitos suspeitos continuam sob investigação e 03 foram descartados. De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde, os casos notificados estão distribuídos em 109 municípios pertencentes a 05 estados (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Tocantins, Bahia) de 03 regiões do país (Sudeste, Norte e Nordeste).

Atualmente, a reemergência do vírus no Centro-Oeste brasileiro volta a causar preocupação, com maior incidência de casos humanos em viajantes que realizavam atividades de turismo e lazer. A maior parte dos casos confirmados ocorreu em regiões turísticas de Goiás e Mato Grosso do Sul, áreas que mantêm intenso fluxo de pessoas, sobretudo durante o verão (período sazonal da doença).

De acordo com a professora da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, Maria Patelli, a doença pode se manifestar de diferentes formas. “A manifestação pode ser de forma assintomática, oligossintomática, moderada até forma grave e maligna. A letalidade varia de 5 a 10%, mas entre as formas graves, pode chegar a 50%”, explica.

O Ministério da Saúde informou que vai reforçar o estoque das vacinas contra a doença em 11,5 milhões de doses, mas isso não significa que todas as pessoas devam correr para os postos de saúde em busca da imunização. Devem procurar a vacina, apenas moradores das áreas onde o surto foi registrado, ou quem pretende visitar regiões silvestres, rurais ou de mata.

Vacinação

No presente, o Brasil tem 20 estados e o Distrito Federal com indicação permanente de vacinação contra febre amarela. Figura 1

Figura 1: Área com e sem recomendação para vacinação contra a febre amarela em 2016

Fonte: Ministério da Saúde

 O Estado de São Paulo tem 70% do total dos municípios com recomendação de vacina contra febre amarela, predominantemente a região noroeste e sudoeste.  (Figura 2).

Figura 2: Mapa – Área com e sem recomendação de vacinação contra a Febre Amarela. Estado de São Paulo, 2016

Fonte: CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA “PROF. ALEXANDRE VRANJAC” Divisão de Imunização

O Ministério da Saúde orienta sobre a vacinação contra febre amarela para viajantes e residentes em áreas com recomendação da vacina. (20 estados e o Distrito Federal).

O professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, Adilson Micheloni, ressalta a importância do cidadão procurar um serviço de saúde antes de se deslocar para regiões que apresentam casos da doença. “É preciso buscar informação segura antes, verificar a necessidade de vacinação e, principalmente, saber mais sobre a doença”, destaca.

A vacina deve ser aplicada a partir dos 9 meses de idade com reforço aos 4 anos. Para maiores de 5 anos, o reforço único da vacinação acontece 10 anos após a primeira dose. Já os idosos (> 60 anos) precisam ir ao médico para avaliar se há algum risco em receber a imunização, assim como, as pessoas com doenças como lúpus, câncer e Aids, devido à baixa imunidade, as grávidas e os alérgicos a ovo e gelatina.

A vacina confere imunidade de 90% a 100% dos vacinados, devendo ser aplicada 10 dias antes da viagem à área de risco. A utilização da vacina febre amarela é uma das melhores formas de prevenção da doença.

Em Campinas, é possível conferir os dias e horários em que os Postos de Saúde aplicam a vacina contra a febre amarela no link: http://www.saude.campinas.sp.gov.br/locais_vacinacao.htm.

 

Recepção aos calouros com ações solidárias

Por Sílvia Perez

A semana de 13 a 17 de fevereiro de 2017 marcou o início do ano letivo na PUC-Campinas, com diversas atividades programadas para a acolhida aos calouros, que envolveram os Centros da Universidade – Centro de Linguagem e Comunicação (CLC), Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (CEATEC), Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA), Centro de Economia e Administração (CEA) e Centro de Ciências da Vida (CCV) – por meio dos diretores, professores e veteranos que recepcionaram os alunos ingressantes. Algumas das ações de acolhimento se estenderão pelos meses de todo o primeiro semestre.

Assim, dentre as atividades de acolhida aos calouros da Universidade podemos destacar a arrecadação de alimentos que foram doados para instituições de caridade, gincanas, concurso de fotografia, oficinas de cupcake, plantio de mudas de árvores, pinturas de prédios de ONGs, entre outros. Essas ações têm o apoio da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna (CACI), que trabalhou em conjunto com o Comitê Permanente de Acolhida aos Calouros (CPAC), Centro de Cultura e Arte, Diretorias de Centro e de Faculdades. Segundo o Presidente do Comitê Permanente de Acolhida aos Calouros, Prof. Me. José Donizeti de Souza, “As ações buscam despertar o espírito solidário e de cidadania em calouros e veteranos, contribuindo para a aproximação desse público com a comunidade.

A PUC-Campinas é favorável a todo tipo de recepção que integre calouros e veteranos. No entanto, se posiciona completamente contra ao trote que constrange, intimida e machuca física e emocionalmente o calouro. “Nosso objetivo é o de transformar os antigos trotes em ações que provoquem resultados positivos para a sociedade, principalmente para os grupos sociais mais excluídos, como forma de exercício da cidadania e afirmação dos direitos de toda pessoa”, finalizou o Prof. Me. José Donizeti de Souza.

Calouros

O sonho de cursar uma Universidade e ingressar no mercado de trabalho faz parte da vida de muitos jovens. Calouro do curso de Design Digital, o campineiro Vinícius Kensuke, de 17 anos, gosta de games e viu no hobby uma oportunidade. “Jogo diariamente League of Legends, então, me interessei pela área. Espero no futuro poder trabalhar com jogos”, planeja Kensuke.

Outros vêm de longe em busca de seus sonhos, como a jovem Sayuri Yamashita, de 17 anos, que percorreu mais de mil e trezentos quilômetros ao deixar sua cidade natal Primavera do Leste, no Mato Grosso, e vir para o interior de São Paulo estudar Medicina na PUC-Campinas. “Sempre quis fazer Medicina, comecei o cursinho aos 16 anos e estudava cerca de 12 horas por dia”, comemorou a caloura.

Não é todo mundo, porém, que consegue escolher a carreira que vai seguir tão cedo, esse é o caso do calouro do curso de Comércio Exterior, Leonardo Gaeta, de 29 anos. “Cursei por dois anos Arquitetura e Urbanismo. Depois, ingressei no curso de Design Digital, que fiz por um ano. Agora, acho que vai dar certo em Comércio Exterior porque já trabalho na área administrativa”, destacou o estudante.

Ações

 Desde 2010, com a criação da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna (CACI), a PUC-Campinas unificou o gerenciamento e apoio logístico e financeiro aos projetos de ações solidárias que são realizadas em entidades assistenciais da periferia. As ações abrangem atividades como pintura, organização de jardins e parques infantis, conserto de computadores, revisão de rede elétrica, limpeza, banho em animais, gincanas, arrecadação de alimentos, livros e brinquedos, além de atividades de integração ocorridas dentro do campus como plantio de mudas, gincanas de matemática ou desportivas, concurso de fotografia, campanhas de doação de sangue, atividades culturais e artísticas, dentre outras propostas que tragam melhoria da qualidade de vida a comunidades carentes e melhor acolhimento interno e interação de calouros e veteranos.

Nesse período, a PUC-Campinas contabiliza mais de 50 ações solidárias e cerca de 40 atividades de integração.

Prêmios

2010
Grupo PET Arquitetura da PUC Campinas recebeu o “Prêmio Trote da Cidadania 2010 – Categoria: Melhor Peça Publicitária” da Fundação Educar DPaschoal.

2011

O Grupo PET Arquitetura da PUC Campinas recebeu Menção Honrosa no “Prêmio Trote da Cidadania 2011” promovido pela a Fundação Educar DPaschoal.

Trote é proibido

A PUC-Campinas é favorável a todo tipo de recepção que integre calouros e veteranos. No entanto, se posiciona completamente contra ao trote que constrange, intimida e machuca física e emocionalmente o calouro. O veterano que praticar atos agressivos aos calouros será punido, conforme resolução normativa da Universidade.

 

Educação em debate

Fundamentos, metodologias e práticas do ensino superior são tema do Planejamento Acadêmico-Pedagógico do 1o semestre de 201. Palestra acontece no dia 02 e os encontros nos dias 03 e 06 de fevereiro.

Por Sílvia Perez

A reflexão dos docentes deve estar presente em todas as etapas do planejamento e da prática do ensino, buscando metodologias que servirão de base para as atividades que serão propostas durante o período de aulas. Nesse sentido, a PUC-Campinas oferece a palestra “Paradoxos das práticas no ensino superior: caminhos desviados”, que será ministrada pelo Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade, Prof. Dr. Samuel Mendonça, no dia 2 de fevereiro, às 20h, no Auditório Dom Gilberto.

Prof. Dr. Samuel Mendonça é Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação/ Crédito: Álvaro Jr.

De acordo com o Prof. Dr. Samuel Mendonça, a palestra vai discutir duas dimensões de práticas do ensino superior. De um lado, a perspectiva conhecida como tradicional e, de outro, a de metodologias ativas. “A proposta é desconstruir a ideia de que as metodologias ativas possam substituir o ensino tradicional. A partir da crítica da concepção de educação tradicional de John Dewey, presente na obra Experience and Education, destacaremos pontos fortes e frágeis dessa vertente responsável pela formação de gerações de docentes que compõem o corpo docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas”, explica.

Caminhos

“Busca-se demonstrar que as metodologias ativas são ‘caminhos’, isto é, processos para a aprendizagem; no entanto, a educação é muito mais do que isto. Considerar as metodologias ativas como substitutivas de concepções de educação parece-nos um equívoco, mesmo no caso da concepção tradicional de ensino. Assim, argumenta-se com Gert Biesta, – que esteve em um Seminário do Programa de Pós-Graduação em Educação e da Faculdade de Educação da PUC-Campinas, em 2013, – a partir da obra Beyond Learning: Democratic Education for a Human Future que o fenômeno da learnification, isto é, da ênfase dada a técnicas de aprendizagem em diversos países do mundo é perigoso em relação à educação”, alerta.

De acordo com o docente, é preciso superar práticas de ensino superior que não sejam consequentes para a aprendizagem. “Paradoxalmente, não há caminho único e verdadeiro de práticas do ensino superior. Assim, sejam as práticas de ensino tradicional ou construídas a partir de metodologias ativas, o ponto fundamental para garantir o ensino e, quiçá, a aprendizagem dos estudantes do nível superior, intitula-se ‘professor’ e é este o sujeito principal que carrega sua concepção educacional que está em constante transformação, na significativa consideração de estudantes que nasceram já no século XXI”, finaliza.

A importância da Interdisciplinaridade

Nima Spigolon: A interdisciplinaridade supera fragmentação que marcou a concepção do conhecimento / Crédito: Álvaro Jr

No Encontro Pedagógico Práticas Interdisciplinares – relatos de experiência, a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Nima Imaculada Spigolon, vai discutir as práticas interdisciplinares. “Estou muito emocionada com o convite de retornar à PUC-Campinas, é interessante esse potencial de interlocução entre a PUC-Campinas e a Unicamp, com deslocamento intelectual, acadêmico, afetivo e dialógico. Farei uma conversa cujo mote principal são os processos de formação humana, porque não basta formar para o mercado, certificar, é preciso que essa formação aconteça com base no humano e nas relações que estabalecemos em sociedade”, acrescenta.

“Ao lançarmos mão dessa perspectiva, a interdisciplinaridade surge como parte de um conjunto de ações político-pedagógicas para superar a fragmentação/dicotomização e hierarquização que marcou a concepção do conhecimento entre as disciplinas, sendo capaz então, de proporcionar aproximações, relacionando-as entre si para uma maior compreensão e intervenção na realidade. Portanto, interdisciplinaridade se caracteriza por dois movimentos dialéticos: a problematização da situação, pela qual se desvela a realidade, e a sistematização dos conhecimentos de forma integrada”, defende.

Para concluir, ela recorda que, para Paulo Freire, a interdisciplinaridade é o processo metodológico de construção do conhecimento pelo sujeito com base em sua relação com o contexto, com a realidade e com a cultura.

O aprendizado no ambiente virtual

As Trilhas de Aprendizagem: Gamificação, PBL (Problem Based Learning), Sala de Aula Invertida e Portfólio vão discutir as estratégias de aprendizagens inovadoras. De acordo com a docente da Faculdade de Educação da PUC-Campinas, Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro, a temática das Trilhas de Aprendizagem vai tratar do aprendizado no ambiente virtual, sendo que o professor tem a liberdade de escolher por onde quer começar a “trilhar” seu conhecimento. “Os conteúdos estão disponíveis na plataforma AVA e o professor pode escolher qual quer ver primeiro. São selecionados três textos básicos para o professor ler, além disso, foi montado um e-book e também são sugeridos outros três textos complementares, de forma que o professor é o grande sujeito do seu próprio aprendizado”, destaca.

Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro é docente na Faculdade de Educação. / Crédito: Álvaro Jr.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro, no curso sobre Gamificação, por exemplo, o aprendizado será dinâmico e com incentivo. “À medida que você avança, vai ganhando pontos de habilidade. Já para o PBL, foram feitas entrevistas com os professores. Outra possibilidade de troca de experiências dentro da plataforma é o Mural de Práticas Docentes, espaço em que os docentes podem se comunicar e postar seus portfólios”, explica.

A autoaprendizagem é a palavra-chave das Trilhas de Aprendizagem que, para a Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro, tem como ponto de reflexão a percepção do docente quanto ao uso do ambiente virtual. “Buscamos fazer um levantamento dos primeiros sentimentos e crenças que eles tiveram ao usar o espaço on-line”, finaliza.

 

Retrospectiva PUC-Campinas 2016

O ano de 2016 da PUC-Campinas foi de muitas conquistas e comemorações. Em junho, a Universidade celebrou seus 75 anos de fundação, fato que rendeu inúmeras comemorações ao longo do ano. Porém, como não é possível falar sobre tudo que a Universidade promoveu, elencamos os principais acontecimentos que foram notícia

Por Amanda Cotrim

Em maio, a PUC-Campinas realizou o Colóquio Laudato Si’: Por uma Ecologia Integral, que contou com a presença do Magnífico Reitor da PUC-Rio, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira. O tema escolhido foi baseado na Encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum”, que apresenta texto sobre a ecologia humana; o primeiro documento escrito integralmente pelo Papa Francisco, que buscou inspiração nas meditações de São Francisco de Assis, patrono dos animais e do meio ambiente.

Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.
Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.

O ano de 2016 também foi importante, pois a Universidade anunciou o restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central. A iniciativa será possível em razão do financiamento coletivo, que se dará tanto por pessoa jurídica e física, quanto por edital de fomento. Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil.

A Universidade foi destaque no Guia do Estudante de 2016, ficando entre as melhores universidades, segundo a avaliação realizada pelo Guia do Estudante. Ao todo, a Instituição teve 33 cursos estrelados, que constarão na publicação GE Profissões Vestibular 2017. A publicação estará nas bancas a partir do dia 14 de outubro de 2016. A Universidade recebeu 120 estrelas, tendo os cursos de Direito e Pedagogia avaliados com cinco estrelas, considerada a mais alta.  Além destes, 17 cursos, foram estrelados com quatro estrelas.

Nos 75 anos da PUC-Campinas, o Jornal da Universidade também foi especial, pois resgatou vários acontecimentos históricos que marcaram a instituição. A edição comemorativa do Jornal da PUC-Campinas resgatou fatos e pessoas que se destacaram em 75 anos de História, bem como abriu espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirmou e confirmou que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destacou-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

A instituição também reconheceu e homenageou os Docentes Pesquisadores da PUC-Campinas, evento que fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade.

Semana Monsenhor Salim: Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, de 13 a 17 de junho, no Campus I. Em meio a palestras com mediadores e rodas de conversa, que abordaram temas como “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim. Corpo e alma da Instituição desde o seu nascedouro, e à época, uma das maiores autoridades de Ensino Superior do País, o Monsenhor Dr. Emílio José Salim foi peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

40 anos de reconhecimento: No ano do Jubileu de Diamante da PUC-Campinas, a Faculdade de Ciências Contábeis comemorou os 40 anos de Reconhecimento do Curso.

Destaque na Extensão: a PUC-Campinas foi destaque no Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (CBEU), o maior e principal encontro brasileiro da área de Extensão. Em 2016, em sua sétima edição, o Congresso aconteceu na Universidade Federal de Ouro Preto, no mês de setembro. A Universidade teve destaque no evento ao participar com 12 comunicações orais e 23 pôsteres, totalizando 35 apresentações.

Alunos e professores se destacaram: A Universidade, em 2016, comemorou muitas conquistas junto aos seus alunos, como a Parceria com a CPFL Energia e Dell, a qual possibilitou que os estudantes do curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas, por meio da disciplina “Práticas de Engenharia”, ministrada pelo Prof. Dr. Marcos Carneiro e pelo Prof. Me. Ralph Robert Heinrich, participam do “Projeto Residência Tecnológica”, considerado um exercício inovador de ensino-aprendizagem.

Ainda na Engenharia Elétrica, o aluno Giordano Muneiro Arantes venceu em primeiro lugar Prêmio Melhor Trabalho de Conclusão de Curso, com o trabalho “Sensores para melhoria na locomoção de pessoas com deficiência visual”. Outro aluno premiado foi o estudante de Jornalismo da PUC-Campinas, Ricardo Domingues da Costa Silva, que venceu o 19º prêmio FEAC de Jornalismo, na categoria Produto Universitário, assim como Jhonatas Henrique Simião, de 22 anos, que ficou em primeiro lugar no 9º Prêmio ABAG/RP de Jornalismo “José Hamilton Ribeiro”.

Em 2016, a Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi, docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas foi outorgada com o Prêmio ANPARQ 2016, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, na categoria Artigo em Periódico, pela publicação “The Cultural Heritage of Small and Medium- Size Cities: A New Approach to Metropolitan Transformation in São Paulo-Brazil”, editado na traditional Dwellings and Settlements Review (v. XXVII, p. 41-54, 201).

Semana Cardeal Agnelo Rossi: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Cardeal Agnelo Rossi, em setembro de 2016. A Instituição reuniu a comunidade universitária e a sociedade em geral e homenageou o Cardeal Agnelo Rossi, que ajudou a consolidar os alicerces da PUC-Campinas.

Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini - Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi
Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini – Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi

A PUC-Campinas também viveu dois momentos muito importantes em 2016: outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao Professor Doutor José Renato Nalini, formado em Direito pela PUC-Campinas, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Leciona desde 1969, quando iniciou suas atividades no Instituto de Educação Experimental Jundiaí (atual E.E. Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto) dando aula de Sociologia em aperfeiçoamento para professores. Desde então, nunca mais deixou de lecionar.

A Instituição também foi palco da terceira edição do projeto “Palavra Livre – Conscientização Política no Processo Eleitoral”, com sabatina aos candidatos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Campinas, no mês de setembro. O projeto “Palavra Livre” acontece desde 2005 e promove debates democráticos sobre temas diversificados da atualidade. Em 2008, como parte do projeto, foi realizada a primeira Sabatina com candidatos à Prefeitura de Campinas, o que se repetiu em 2012 e em 2016.

Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem
Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem

Semana Dom Gilberto: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, em outubro, reunindo comunidade universitária e a sociedade em geral, homenageando o Bispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004. A homenagem mostrou o histórico trabalho de Dom Gilberto frente à Arquidiocese de Campinas e à PUC-Campinas e prestou agradecimento pela sua dedicação e amor para com a Universidade e para com o seu povo.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realiza de 07 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”. O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura e teve o objetivo de discutir a Doutrina Social da Igreja, por meio de conferências e mesas-redondas.

Campanha Solidária de Natal 2016

 

Por Amanda Cotrim

Como Universidade Católica, a PUC-Campinas traz em sua história e identidade confessional uma profunda marca cristã que prima, dentre outros, pelos valores da solidariedade e da cidadania. Por isso, a Instituição decidiu empreender uma Campanha de adesão voluntária, por pessoas que compõem o seu quadro de profissionais e daí surgiu a iniciativa do Natal Solidário, a qual possui consonância com a programação dos 75 anos da PUC-Campinas.

Crianças vibram com personagem/ Álvaro Jr.
Crianças vibram com personagem/ Álvaro Jr.

O Natal Solidário consistiu na adoção simbólica de crianças de duas creches carentes, como incentivo ao exercício cotidiano da solidariedade, aproveitando o espírito natalino que preenche a todos nos últimos meses do ano. As creches escolhidas foram a “Coração de Maria”, no Satélite Iris I, que atende crianças de 1 ano e 10 meses a 5 anos e 11 meses, e a “Cantinho de Luz”, no Jardim Santa Eudóxia, que atende crianças de 2 a 6 anos; ambas em Campinas.

o presente acaba sendo o de menos quando vemos o sorriso no rosto de uma criança por um simples abraço”

Gabriel Lima presenteia a criança adotada por ele e recebe carinho em dobro/ Crédito: Arquivo Pessoal
Gabriel Lima presenteia a criança adotada por ele e recebe carinho em dobro/ Crédito: Arquivo Pessoal

A entrega dos presentes pela Universidade emocionou a todos que estiveram presentes, um exemplo concreto do engajamento social verdadeiramente humanizador, que exercita o amor ao próximo.  Para o Coordenador da Divisão de Recursos Humanos da PUC-Campinas, Lucas Camargo, sempre que as pessoas participam de ações como essa realizada pela Universidade, elas passam a enxergar de forma diferente as dificuldades do dia-a-dia vividas e valorizar o que realmente importa. “Quando as crianças recebem os presentes, elas retribuem com um imenso sorriso no rosto e um abraço interminável de gratidão e alegria”, descreve.

“Essa campanha tem um sentido gigante levando em consideração a quantidade de crianças carentes que existe na cidade inteira. A campanha leva amor para quem realmente precisa; e o presente acaba sendo o de menos quando vemos o sorriso no rosto de uma criança por um simples abraço”, afirma Gabriel Lima, assistente administrativo da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna. “A sensação é incrível. A minha foto com a criança que adotei explica tudo. Esse, com certeza, foi o melhor abraço que recebi durante todo o ano”, resume.

Memória e continuidade: projeto de restauro do Solar do Barão de Itapura

Por Amanda Cotrim

A PUC-Campinas inicia as obras de restauração do Solar do Barão de Itapura, local que abrigou por 74 anos o Campus Central da Universidade. Para conseguir preservar a história, a memória, com sustentabilidade, responsabilidade e dignidade, a Instituição promove a campanha de captação de recurso para o restauro.

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação. Para doar e contribuir com esse projeto, visite o Portal da PUC-Campinas:

Crowdfunding / Financiamento Coletivo

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação.

SE VOCÊ É PESSOA FÍSICA

Qualquer pessoa física pode apoiar o restauro participando da campanha de financiamento coletivo promovido pela PUC-Campinas.  A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçada em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas  no portal da PUC-Campinas.

SE VOCÊ É PESSOA JURÍDICA

Pessoas jurídicas podem apoiar o projeto utilizando uma ou mais das seguintes modalidades:

A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçado em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas no portal da PUC-Campinas.

  1. Doação com Isenção no ICMS

PROAC – Programa estadual de incentivo a cultura do Governo do Estado de São Paulo

O PROAC ICMS funciona por meio de incentivos fiscais. O projeto do restauro do Solar do Barão de Itapura já está aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura e recebeu autorização para captar patrocínio junto a empresas que descontam o valor doado do ICMS devido. O processo é simples e toda a orientação é feita pela PUC-Campinas. O abatimento de 100% do valor doado até o limite de 3% do ICMS devido.

  1. Doação com Isenção no Imposto de Renda – Lei Rouanet

PRONAC – Programa Nacional de Apoio à Cultura – Lei 8.1313/91

Instituído em dezembro de 1991, com a promulgação da Lei nº 8.1313/ 91, também conhecida como Lei Rouanet visa apoiar e direcionar recursos para investimento em projetos culturais.

É destinada a toda empresa que faça sua declaração de Imposto de Renda pela modalidade de Lucro Real.  O processo é muito simples e toda a prestação de contas é feita diretamente pela PUC-Campinas. A lei permite ao contribuinte o abatimento de 100% do imposto de renda dos valores

História

O Solar do Barão de Itapura, reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC) e Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. (CONDEPHAAT), após o restauro, passará a ser um lugar de valor socioeducativo, já que seu espaço, por meio de uma ocupação consciente, será usufruído por toda a população, que se transformará na principal beneficiária das atividades educativas e culturais.

“O Solar não viverá apenas do passado, pois, ao realizar o restauro, a PUC-Campinas promoverá importante função social. Feita a recuperação, a Universidade dará ao Solar uma destinação eminentemente cultural, não apenas aos membros da Instituição, mas a toda a sociedade de Campinas e região propiciando enriquecimento cultural à população, promovendo o Turismo, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida e garantindo dignidade cultural à sociedade em geral”, esclarece o Vice-Reitor da Universidade e Coordenador do Projeto de Restauro, Prof. Dr. Germano Rigacci Junior.

 

Conheça um pouco mais sobre a história do Solar do Barão de Itapura nesta reportagem do Jornal da PUC-Campinas, que abordou a origem do primeiro Campus da Universidade, aqui. 

 

A relação histórica da PUC-Campinas com o Solar do Barão de Itapura

Desde o início do século XX o Brasil já contava com faculdades católicas com a criação em 1908, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Na década de 1930, Dom Francisco de Campos Barreto, segundo Bispo da Diocese de Campinas, idealizou a criação de uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Nesta época, a Igreja já administrava na cidade o Colégio Diocesano Santa Maria e a Academia de Comércio São Luís.

Para tornar real seu projeto, Dom Barreto funda em 1941, ao lado do Cônego Emílio José Salim e do Padre Agnelo Rossi, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, a SCEI, que teria como missão reunir as instituições católicas campineiras de ensino.

Nos 74 anos em que o Solar abrigou as dezenas de cursos da Universidade mais de 180 mil profissionais se formaram em suas dependências.

Não tardou, no entanto, para que o casarão do Barão de Itapura se tornasse pequeno para agrupar todos os cursos da PUC-Campinas. Assim, os novos Campi foram surgindo de acordo com a necessidade de espaço: o Campus I, o CampusII, o Seminário e o Instituto de Letras.

Em 2015, após a saída do curso de Direito – o último a ser transferido para o Campus I – a PUC-Campinas planeja uma nova história para o Solar do Barão.

 (Informações de Eduardo Vella)

Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade

Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realizou de 7 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”

 

Por Amanda Cotrim

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” proporcionou um debate importante e cada vez mais necessário para a sociedade: a valorização do ser humano e o papel da Igreja diante desse tema. O evento, organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, aconteceu no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, no Campus I, e contou com conferências e mesas-redondas as quais discutiram temas como História e Conceitos Fundamentais, Justiça e Paz, Ciência, Fé e Transcendência, o Bem Comum e a Dignidade Humana e o Mundo contemporâneo.

A abertura do evento recebeu a Conferência “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais”, ministrada pelo Bispo da Diocese de Jales, Dom José Reginaldo Andrietta, com mediação do Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves.

O Bispo de Jales elogiou a iniciativa da PUC-Campinas em discutir o tema da Doutrina Social e ressaltou a importância da aproximação do mundo acadêmico com a realidade social, em todas as suas circunstâncias. Segundo ele, é nesse sentido que sua conferência contribui para pensar o papel da educação e da universidade.

Nos dias que se seguiram, os participantes também puderem acompanhar a Conferência do Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, a qual contou com a mediação do Prof. Dr. Peter Panutto, intitulada “A Doutrina Social da Igreja: Justiça e Paz”.

Na oportunidade, Dom Airton enfatizou a importância e a necessidade da universidade católica para o convívio social. “Precisamos pensar qual sociedade estamos construindo, para que ela, sim, seja digna do ser humano e não o contrário, pois todas as nossas ações devem ter em vista o ser humano, uma vez que o pensamento social da Igreja traz o humanismo como alicerce”, defendeu Dom Airton.

O Grão-Chanceler da PUC-Campinas também destacou que a justiça se mostra fundamental na contemporaneidade. Para ele, a justiça se exerce diante de pessoas concretas e não de protocolos. “Só há justiça quando há solidariedade e amor”, justificou.

O público também pode conferir a mesa-redonda “Ciência, Fé e Transcendência”, ministrada pelo Prof. Dr. Ir. Clemente Ivo Juliatto, da PUC-Paraná, e pelo Prof. Dr. Newton Aquiles Von Zuben, da PUC-Campinas, com mediação do Prof. Dr. Glauco Barsalini, da PUC-Campinas.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”  - Conferência – “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais” Dom José Reginaldo Andrietta – Bispo da Diocese de Jales
Doutrina Social da Igreja foi o tema do Colóquio da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr. 

O evento, segundo o Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, realçou a relação Igreja e Sociedade, mostrando, assim, a tradição eclesial, confirmada no Concílio Vaticano II. “O tema do Colóquio toca em questões pertinentes do ponto de vista mundial, mas também nacional e local, como, por exemplo, o tema da paz, do trabalho, da propriedade privada e da liberdade religiosa. Além disso, o Colóquio teve um caráter interdisciplinar, pois a Doutrina Social da Igreja não se restringe a área da Teologia, mas aborda o Direito, a Economia, as Ciências Sociais, a Filosofia e a Comunicação”, destacou.

Direitos da pessoa humana

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” trouxe para uma das suas mesas-redondas, um tema atual: a discussão sobre os direitos da pessoa humana no contexto dos processos migratórios internacionais. Para esse debate, a Universidade contou com a mesa-redonda “A Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum e a Dignidade Humana”, com o Prof. Me. Paulo Moacir G. Pozzebon, da PUC-Campinas, e com Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz e docente da Itesp-SP, Prof. Dr. Pe. Paolo Parise, com mediação do Prof. Dr. Pe. Edvaldo Manoel de Araújo, da PUC-Campinas.

Para o Professor Pozzebon, é preciso que os bens e serviços produzidos mundialmente sejam acessíveis a todos os seres humanos, ressaltando a importância do bem comum e os direitos do homem sobre os quais diz o Papa Francisco.

Na mesma linha, porém numa perspectiva específica da imigração, o Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz da Igreja Católica criticou o que ele chamou de “lógica sanguessuga”, em que alguns países “sugam” outros em benefício próprio, fazendo referência à exploração da força de trabalho de imigrantes em todo o mundo. “Não podemos pensar que o imigrante é motivo dos problemas das nações, pois esse pensamento legitima a exploração”, destacou.

A última Conferência do Colóquio aconteceu no dia 9, com o tema “A Doutrina Social da Igreja e o Mundo Contemporâneo”, presidida pelo Prof. Dr. Pe. Marcial Maçaneiro, da PUC-Paraná, com mediação do Prof. Me. José Donizeti de Souza, da PUC-Campinas.

O Colóquio teve encerramento com a Celebração Eucarística, em comemoração aos 75 anos existência da Faculdade de Filosofia, presidida por Dom Airton José dos Santos, na Catedral Metropolitana de Campinas.

Para o Vice-Reitor da Universidade e integrante do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” conseguiu promover uma reflexão sobre sistemas, se relacionando, segundo ele, com a discussão sobre a Encíclica Ladauto Si’, tema discutido no Colóquio do primeiro semestre de 2016, também na PUC-Campinas

Um homem que se entregou à causa de Deus

PUC-Campinas presta homenagem a Dom Gilberto Pereira Lopes durante semana de evento que leva o seu nome

Por Amanda Cotrim

Integrando as comemorações dos 75 anos de fundação da criação da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, de 24 a 28 de outubro de 2016, no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, localizado no Campus I.

Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.
Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.

O objetivo foi homenagear o Arcebispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004.

Um dos momentos mais emocionantes da Semana foi o primeiro dia de evento, o qual contou com a presença de Dom Gilberto e seus familiares, além da Reitora da Universidade, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht e do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos.

O evento pode aproximar a nova geração da história de um dos homens mais importantes para a Igreja Católica do Brasil e para a Universidade. Os palestrantes ressaltaram que Dom Gilberto se entregou à causa de Deus e dedicou toda a sua vida à obra Dele. “É por amor e reconhecimento que fizemos esta homenagem”, ressaltou Arcebispo e Grão-Chanceler da PUC-Campinas.

Livro: a materialização da memória de Dom Gilberto

A Semana Dom Gilberto Pereira Lopes também proporcionou o lançamento do livro “Dom Gilberto: no tempo de Deus”, o qual conta a trajetória do religioso e a promessa feita aos pais de que ele seria um servo de Deus. Desde pequeno, Dom Gilberto, que nasceu em 1927, na Bahia, frequentou o Seminário Menor, em Petrolina, Pernambuco, cidade em que cresceu. Cursou Filosofia e Teologia em Olinda. Foi ordenado presbítero, na Catedral de Petrolina, no dia 4 de dezembro de 1949, por Dom Avelar Brandão Vilela, então Bispo de Petrolina, depois Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil.

Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.
Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

Trajetória

O ano de 1976 surgiu na Diocese de Campinas com um novo vigor. Dom Gilberto Pereira Lopes foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 24 de dezembro de 1975, como Arcebispo Coadjutor.

Sua posse canônica se deu na Catedral Metropolitana de Campinas, no dia 7 de março de 1980, dia em que se comemorava três anos de sua posse como Coadjutor na Arquidiocese. No dia 10 de fevereiro de 1982, foi promovido a Arcebispo de Campinas, recebendo o Pálio, por procurador, no Consistório, em 24 de maio do mesmo ano, realizado no Vaticano.

Na sua palavra de posse, Dom Gilberto já fazia alusão à administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Em 1981, na Assembleia do Regional Sul 1, Dom Gilberto foi escolhido para ser o seu representante na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Recebeu, ainda, nomeação do Papa João Paulo II como Membro da Congregação para Educação Católica (Seminários e Institutos de Estudos), por meio de carta da Secretaria de Estado do Vaticano, datada de 5 de abril de 1989, pelo período de cinco anos. De 18 a 25 de abril de 1989, Dom Gilberto foi representante do Brasil no 3o Congresso Internacional sobre Universidade Católica, realizado em Roma, com 175 representantes de todo o mundo.

Ao completar 75 anos de idade, enviou sua carta de renúncia ao Papa João Paulo II, que aceitou o pedido em 2 de junho de 2004, nomeando Dom Bruno Gamberini como Arcebispo Metropolitano de Campinas. Dom Bruno, no dia de sua posse, em 1o de agosto de 2004, conferiu a Dom Gilberto as faculdades de Vigário Geral da Arquidiocese de Campinas. Hoje, Dom Gilberto é Arcebispo Emérito de Campinas.

 

Agnelo Rossi: Generosidade e vocação para ensinar

PUC-Campinas homenageia o Cardeal Dom Agnelo Rossi durante semana comemorativa e dá seu nome ao auditório do CCHSA 

Por Amanda Cotrim

Uma semana comemorativa que poderia ser definida com suas palavras: emoção e admiração. Foram esses sentimentos que guiaram os cinco dias de evento da Semana Cardeal Agnelo Rossi, a qual ocorreu do dia 12 ao dia 16 de setembro, no novo auditório do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA) – que a partir de agora se chamará Auditório Dom Agnelo Rossi – e no Auditório Dom Gilberto, ambos no Campus I.

Todos que participaram das homenagens ao Cardeal, puderam conhecer um acervo inédito das roupas usadas pelo religioso, em uma exposição promovida pelo Museu da PUC-Campinas. Também puderam saber quem foi Dom Agnelo pelos olhos de seu sobrinho, o docente da Faculdade de Direito e desembargador, Francisco Vicente Rossi. “Meu tio foi um homem visionário, um professor generoso”, lembrou. Durante o evento, também se destacou a importância de Dom Agnelo Rossi na vida da PUC-Campinas. “Foi o primeiro Vice-Reitor da Universidade e inaugurou o Campus I, quando a Instituição recebeu o título de Pontifícia e deixou de ser Faculdade Católica”, ressaltou Rossi.

Para o Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, “Dom Agnelo Rossi está presente nos espaços da Universidade. Não é possível pensar a PUC-Campinas sem pensar Dom Agnelo”, afirmou. E continuou: “Tudo que ele plantou, estamos colhendo”, referindo-se aos bonfrutos semeados pelo ex-Reitor.

Um dos maiores nomes da Igreja Católica

 Dom Agnelo Rossi foi Presidente da Comissão Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e anunciado Cardeal pelo Papa Paulo VI, em 1965. Recebeu a investidura no dia 25 de fevereiro desse mesmo ano, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, tomando posse desse título na Igreja Grande Mãe de Deus, em Roma, no dia 27 de fevereiro de 1965.

Em virtude de seus acentuados trabalhos episcopais, foi convocado pelo Papa Paulo VI, em outubro de 1970, para fazer parte da Cúria Romana, como Presidente da Congregação da “Propaganda Fide”, hoje conhecida como “Evangelização dos Povos”, um dos mais importantes Dicastérios da Santa Sé, supervisionando todo trabalho missionário da Igreja, em razão do qual percorreu 98 países, em visitas pastorais.

Em abril de 1984, o então Papa João Paulo II o nomeou Presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica. Foi nomeado Cardeal-Bispo de Sabina – Poggio – Mirteto, eleito Decano do Sacro Colégio Cardinalício e Cardeal-Bispo da Primeira Diocese de Roma, Ostia Antica. Em 07 de junho de 1993, voltou ao Brasil, fixando sua residência em Helvetia, dedicando-se à escrituração de seus livros. Construiu as Igrejas de Nossa Senhora de Guadalupe e São Miguel Arcanjo no bairro do Matão, em Campinas.

Cardeal de São Paulo participa de homenagem a Dom Agnelo Rossi

Dom Odilo Scherer esteve na PUC-Campinas para homenagear o Cardeal Dom Agnelo Rossi/ Crédito: Álvaro Jr.
Reitora, Dom Odilo Dom Airton e Prof.  Rossi/ Crédito: Álvaro Jr.

Dom Odilo Scherer esteve na PUC-Campinas, no dia 15 de setembro, para homenagear o Cardeal Dom Agnelo Rossi. Na ocasião, Scherer, que foi seu sucessor como Arcebispo de São Paulo, ressaltou os trabalhos do religioso na Congregação de Solidariedade aos Povos, destacando a vocação internacional de Dom Agnelo. O Cardeal de São Paulo também lembrou que Dom Agnelo foi nomeado Bispo com menos de 40 anos de idade, o que é, segundo ele, muito raro nos dias de hoje.

“Ele organizou a Arquidiocese em regiões episcopais, nos anos 1960, uma década de grande expansão demográfica brasileira. Ele foi visionário, pois criou depois as dioceses, em razão desse crescimento urbano”, explicou Scherer.

Após sua participação no evento, o Arcebispo de São Paulo falou ao Jornal da PUC-Campinas. Segundo ele, Dom Agnelo deixou muitas marcas na Igreja e por isso ele deveria ser lembrado, como são os grandes homens. “Fico muito feliz pela oportunidade de estar aqui e ajudar a lembrar de quem foi Dom Agnelo”, opinou.

Núcleo de Fé e Cultura

 A PUC-Campinas inaugurou, em 2015, seu Núcleo de Fé e Cultura, uma prática já adotada pela PUC-São Paulo, em que Dom Odilo é o Grão-Chanceler. Sobre a importância dessa iniciativa, o religioso afirmou que a universidade católica traz a inspiração da doutrina católica e a universidade é o espaço que congrega diversas visões de mundo e até mesmo de religiões. “Houve um tempo em que se dividia Fé e Ciência. Hoje isso não é mais possível. Penso que ambas não se excluem, no entanto, é preciso refletir sobre como uma está em conexão com a outra. São duas abordagens diversas sobre a mesma realidade, que não se contradizem, mas se complementam. O Núcleo de Fé e Cultura tem esse papel de reflexão e é muito importante em uma universidade católica”, concluiu.