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Trabalho informal, que de tão informal passa despercebido

Estudo realizado  mostra que trabalho e consumo estão indissociáveis

Por Amanda Cotrim

Elas são mulheres de todos os tipos, como já cantou Martinho da Vila. As revendedoras de produtos cosméticos têm rostos variados, estão na periferia e nos bairros de classe média alta de São Paulo. Têm curso superior ou não. Elas podem ou não estar empregadas. Não importa, pois, no fundo, todas são consumidoras dos produtos que revendem. Essa forma de trabalho traz características complexas, pois, se de um lado a revendedora não precisa “bater o ponto” diariamente numa empresa, e isso gera uma grande sensação de autonomia, por outro, ela assume todos os riscos e prejuízos que seriam da empresa de produtos cosméticos. Questões como essas são abordadas no livro “Sem Maquiagem – o trabalho de um milhão de revendedoras de cosméticos”, da professora da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas, Ludmila Costhek Abílio, lançado recentemente pela Editora Boitempo. O livro é o resultado da sua tese de doutorado, defendida na Unicamp.

Capa do livro "Sem Maquiagem"
Capa do livro “Sem Maquiagem”

 “O trabalho informal passou a me chamar a atenção desde os tempos do mestrado, em 2005. E atividades como essas das revendedoras são muito difíceis de serem contabilizadas, pois sequer são vistas como um trabalho”, explica Ludmila. Apesar de ser um trabalho informal, são atividades que não têm “cara” de trabalho. “Diferentemente de atividades informais, como os ambulantes, ser revendedora parece um lazer” contextualiza.

 Para realizar a pesquisa, Ludmila enviou 100 pedidos de entrevistas (muitas revendedoras têm cadastro na empresa, o que facilitou a localização). Desse número, 30 retornaram. A partir daí, a pesquisadora realizou entrevistas semiestruturadas e optou pelo estudo de trajetória de vida. “Eu queria entender como essa mulher se tornou uma revendedora, de onde ela é e o que ela faz”, conta. Segundo a docente, a vida de uma pessoa é uma microanálise. “Quando eu vejo a vida de uma pessoa, estou olhando e vendo o mundo”, completou. Depois da décima quinta entrevista, explica, as respostas começaram a se repetir e as questões centrais da pesquisa, portanto, foram se reconfirmando.

Um dos aspectos tratados no livro é a relação entre o trabalho informal e a tecnologia, que, segundo Ludmila, traz uma forma moderna de flexibilização do trabalho e mostra novas formas de exploração. “Como não parece que a revendedora está trabalhando, porque ela faz isso nas ‘horas vagas’, essa nova configuração do trabalho quase não tem limites, porque a pessoa trabalha o tempo inteiro”, constata.

Para a empresa de produtos cosméticos o negócio é muito bem-sucedido. Segundo a docente, além da relação empresa x revendedora não gerar qualquer vínculo empregatício, a empresa consegue garantir a distribuição de seus produtos no Brasil inteiro. Outro ponto relevante é que nessa configuração não fica claro o que é trabalho e o que é consumo: “Se você revende, tem 30 % de comissão. Então, de 10 reais, você paga 7 reais. Muitas mulheres, portanto, viram revendedoras para ter desconto. Contudo, a questão é mais delicada. Porque não é possível ser apenas consumidora, uma vez que para ter acesso aos produtos é necessário atingir um determinado número de pontos mensais de venda; é um critério para entrar na rede”, explica.

A pesquisadora também observou que não há estoque na empresa de cosméticos e a inadimplência das revendedoras é baixíssima. “O estoque fica na casa dessas mulheres. A produção da empresa é de acordo com o pedido das revendedoras feito pelo site. Além disso, o boleto bancário é o que ‘amarra’ juridicamente essa relação. A revendedora, na verdade, é uma compradora dos produtos”, ressalta.

O livro também aborda sobre como outros formatos, sem forma de trabalho, estão adentrando a vida das pessoas, mobilizando uma relação que é social. “Pensando para além das revendedoras, quando eu mesma compro minha passagem aérea pelo site da empresa, eu estou trabalhando para a companhia, porque eu elimino um trabalho que deveria ser feito por um funcionário. Isso é um serviço. Estou consumindo, mas para a empresa é economia de trabalho”, reflete. “Hoje o mundo do trabalho e do consumo estão interligados”, resumiu.

Jogo da Logística: Uma nova maneira de ensinar

Prática considerada inovadora concilia duas metodologias ativas de ensino-aprendizagem: jogos de empresa e ensino baseado em resolução de problemas

Por Eduardo Vella

Brincar para aprender. É deste modo que os alunos da disciplina de Logística Empresarial, do curso de Administração, da PUC-Campinas entram na sala de aula. Utilizando-se de um jogo de tabuleiro inspirado no mapa rodoviário do estado de São Paulo, com cartas, dados e peças do “Banco Imobiliário”, os estudantes compreendem o conteúdo e são preparados para o mercado de trabalho.

Foto: Álvaro Jr. Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges
Foto: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges

Criado pelo docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges, o Jogo da Logística é fruto de um projeto que começou em 2002 em uma disciplina de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e que depois passou a ser ministrado nas aulas de Logística Empresarial, no curso de Administração, da PUC-Campinas.

O Jogo da Logística é uma prática pedagógica que utiliza elementos lúdicos de jogos de tabuleiro, como: cartas de clientes, cartas de produtos, cartas de veículos, dados e tabuleiro.

O Jogo da Logística é uma prática
pedagógica que utiliza elementos lúdicos

Sorteando-se cartas de clientes, do produto e da demanda de cada cliente, com a utilização de um dado, o jogo cria um cenário complexo sobre o tabuleiro e desafia os alunos a aplicarem conceitos e ferramentas da logística empresarial. É aplicado em duas fases: planejamento e operação de entrega.

No planejamento, os alunos devem responder: qual a melhor localização do Centro de Distribuição (CD) que atenderá os clientes; qual o nível de estoque adequado deste CD; e qual o tipo e quantidade de veículo que irá compor a frota. Na operação de entrega, os alunos planejam rotas para atender a demanda dos clientes, conforme o sorteio dos dados.

O Jogo da Logística ambienta-se, utilizando o mapa do estado de São Paulo como tabuleiro, porém mostrando somente as cidades incluídas no jogo, bem como, apenas as principais rodovias que ligam essas cidades.

Projeto pedagógico

A iniciativa surgiu com a reformulação do projeto pedagógico do curso de Administração, que incorporou as metodologias ativas de ensino aprendizagem como prática pedagógica institucional.

Assim, o antigo projeto aplicado na disciplina de logística empresarial, que era desenvolvido pelos alunos de forma tradicional, recebeu influências das metodologias ativas, na qual o aluno participa do processo de aprendizado, e foi transformado em um jogo de tabuleiro, aplicado segundo os preceitos do aprendizado baseado em problemas, numa perspectiva de jogos empresariais.

Nesta nova perspectiva, o cenário passou a ser dado por sorteios – cartas e dados -, visualizado em um tabuleiro e o problema apresentado na forma de desafios logísticos.

“A abordagem baseada em jogos permite o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe”

Desde a sua primeira aplicação na Universidade, em 2007, o Jogo da Logística já beneficiou mais de 700 alunos, envolveu três professores em duas disciplinas na Faculdade de Administração da PUC-Campinas (Logística Empresarial e Administração da Cadeia de Suprimentos).

“A abordagem baseada em jogos permite não só a transmissão do conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe, aprendizagem autônoma, capacidade de problematização, desenvolvimento
do raciocínio lógico, uso de planilhas, entre outros”, explica o criador do jogo e docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges.

“O primeiro e mais evidente resultado está no entusiasmo demonstrado pelos alunos quando se vêem diante de uma disciplina que será dada por meio de um jogo de tabuleiro”, completa o docente.

Ao longo destes anos que o jogo vem sendo desenvolvido, ele já foi publicado e apresentado em alguns dos principais eventos científicos da área da Administração, como o SIMPOI (organizado pela EAESP/ FGV-SP) e o ENGEMA (organizado pela FEA -USP), e compôs o primeiro capítulo do livro “Jogando Logística no Brasil”, que reúne diversos jogos de logística.

“Essas publicações permitiram que professores de diferentes instituições do Brasil me procurassem para pedir informações e aplicar o jogo em suas instituições”, revela o Prof. Marcos Georges.

Confira o trecho de uma aula com o jogo da logística.

Imagem e Edilção: Giovanna Oliveira

Combate ao vírus Ebola e a desinformação sobre a doença

Hospital da PUC-Campinas aplica plano de  contingência para atendimento de casos


Por Amanda Cotrim

O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), mais conhecido como Hospital da PUC-Campinas, está organizado para assistir eventuais pacientes suspeitos de doença pelo vírus do Ebola. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou todos os países para que o plano de prevenção fosse reforçado. Segundo a OMS, o atual surto do vírus se concentra nos países africanos: Libéria, Serra Leoa e Guiné, com 8.376 casos, dos quais, 4.024 são fatais. Atualmente, não há tratamento para a infecção, mas uma vacina está em elaboração pela empresa farmacêutica britânica GSK (Glaxo SmithKline), com previsão para ser disponibilizada em 2016.

De acordo com a Coordenadora da Comissão de Controle de Infecção do Hospital e Professora no curso de medicina, da PUC-Campinas, Dra. Irene Rocha Haber, o HMPC já está se organizando para qualquer eventualidade. “Preparamo-nos por meio de um processo de sensibilização das equipes que atuam nos serviços de Pronto-Socorro do Sistema Único de Saúde (SUS) e Pronto Atendimento de Convênios, para a suspeição de casos, além da criação de fluxos de encaminhamento”, explica.

A chance de ocorrência de um caso de infecção pelo vírus Ebola no Brasil, segundo a Doutora Irene, é pouco provável. “Obviamente numa sociedade globalizada como vivemos, no qual o trânsito de pessoas é extremamente fácil, mesmo sendo uma possibilidade remota, é necessário contar com um plano de contingência. A ocorrência desse caso suspeito no Paraná, depois descartado deixou isso bem claro”, expôs. Para a médica infectologista, é fundamental ter preocupação com a biossegurança, com o uso de equipamentos de uso individual, que oferecem proteção rigorosa ao profissional, além de cuidado com o resíduo ou material proveniente da assistência ao paciente.

Além da prevenção, a Doutora Irene acredita que outro combate também deve ser feito: o combate à desinformação sobre a doença. “Todo evento desconhecido, que acomete a humanidade, causa grande impacto. Contudo, outra forma de encarar o problema é fornecer sua real dimensão, não exagerando, mas também não atenuando essa grave situação de saúde que estamos vivenciando enquanto população mundial, pois a mesma não pode nem deve ser negligenciada”, afirma. Para ela, é natural se ter medo do desconhecido, ainda mais quando ele está relacionado à morte. Contudo, “o equilíbrio é sempre o objetivo e para tal é imprescindível que os órgãos de imprensa repassem com precisão as informações da OMS e, no caso do Brasil, do Ministério da Saúde e de Departamentos de Vigilância em Saúde”, ressalta.

O Vírus Ebola
O vírus Ebola não é novo. Surgiu pela primeira vez em 1976, em alguns países da África, em uma região próxima ao rio Ebola. De acordo com a Doutora Irene, o segundo grande surto ocorreu em 1995 e, novamente, em 2000, 2007 e 2012. Contudo, o número de infectados e mortos, lembra, foi inferior ao surto atual. “Só em agosto, a epidemia foi decretada como emergência de saúde pública internacional”, reforça a médica.


TRANSMISSÃO
O vírus Ebola é transmitido pelo sangue, secreções e fluidos corporais, como o suor e a saliva, inclusive na manipulação de cadáver. A mortalidade pelo vírus pode chegar a 90%. Os sintomas podem aparecer entre dois e 21 dias após a exposição ao vírus, são eles: febre, fraqueza, dores de cabeça e musculares, além de dor de garganta. Esse quadro inicial é seguido de vômitos, diarreia, além de alteração renal e hepática, podendo haver sangramento interno e externo. A confirmação da infecção é feita por exame laboratorial.

Leia Mais:  Campanha destaca papel do jornalismo científico no controle do vírus ebola

Espetáculo de teatro leva para o palco o tema da “Fantasia”

Por Amanda Cotrim

Subverter a realidade e mostrar a importância da fantasia na vida das pessoas. Foi com esse intuito que o grupo de teatro da PUC-Campinas concebeu seu novo espetáculo, intitulado como “Fantasia”. A peça é o trabalho de um ano, o qual envolveu alunos e a comunidade externa à Universidade, conduzido pelo docente na Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas, Prof. Me. Paulo Afonso, que assina a direção geral do espetáculo.

“Fomos pesquisar na filosofia, na psicologia e percebemos que a fantasia está presente na vida de qualquer pessoa”, explica o Diretor. Segundo o Prof. Afonso, a imaginação parte de fatos reais, já a fantasia é o lugar mais abstrato do consciente – e inconsciente – humano. “A nossa vida é um túnel”, compara. O espetáculo, de acordo com ele, mistura esses dois conceitos.

O novo espetáculo, segundo o Diretor, é estruturado em quadros (esquetes) cênicos, que convergem em uma narrativa maior. “A peça aborda o exagero da tecnologia, hoje, em nossa sociedade, a relação entre vida e morte, entre outros assuntos”, adianta. “A história mostra que é importante ter fantasia para acompanhar a vida, desde que se tenha o ‘pé no chão’”, acrescenta.

“A história mostra que é importante ter fantasia para acompanhar a vida, desde que se tenha o ‘pé no chão’”.

Para mostrar como a realidade é importante na condução da vida, o Diretor se vale de uma metáfora: “Quando nós brindamos, acionamos nossos cinco sentidos: ouvimos e falamos o “tim-tim”, saboreamos a bebida, sentimos o seu cheiro e seguramos o copo. Os sentidos são fundamentais para percebemos quão importantes são os fatos que ouvimos e vemos, por exemplo, no dia a dia, e que muitas vezes nos deixam tristes, sem que percebamos. Todas essas percepções ficam gravadas em nosso inconsciente, por meio dos nossos canais receptores”, explica.

O texto “Fantasia” é colaborativo, escrito pelos alunos/atores do grupo de teatro, que também conceberam toda a montagem, como a luz, a sonoplastia, o figurino, até a divulgação. Segundo Afonso, é um teatro de grupo e por isso os alunos “antigos” também têm a responsabilidade de acolher e orientar os novos, transmitindo o conhecimento sobre o teatro. “A pessoa sendo inserida no processo tem capacidade como qualquer um. O diferencial do teatro na PUC-Campinas é que partimos da premissa de que todos são iguais”, ressalta o ex-aluno Diego Augusto (27), formado em Publicidade Propaganda na Universidade, em 2011, e que está no grupo desde 2008.

“Com o teatro, o aluno trabalha melhor em grupo e desenvolve sua sensibilidade”, destaca Afonso. Por ser um teatro universitário, o Professor lembra que todo o processo de pesquisa da peça feito pelos alunos se transforma num trabalho acadêmico, com fundamentação teórica baseada nas regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). “Um dos diferenciais é justamente a pesquisa e o comprometimento dos espetáculos com as questões sociais”, reforça Diego.

“Fomos pesquisar na filosofia, na psicologia e percebemos que a fantasia está presente na vida de qualquer pessoa”

O atual grupo de teatro da PUC-Campinas tem 19 alunos bolsistas e sete pessoas da comunidade externa. O espetáculo realizado no final do ano é mais do que o resultado de um trabalho de quase 12 meses, mas, fundamentalmente, uma celebração dos encontros: “Por eu ter que reciclar o grupo anualmente, para abrir espaço aos alunos novos, a emoção do final do espetáculo é sempre especial, porque criamos um vínculo afetivo”, desabafa Afonso.

Foto: Álvaro Jr. O Prof. Me. Paulo Afonso dirigindo o novo espetáculo do grupo
Foto: Álvaro Jr.
O Prof. Me. Paulo Afonso dirigindo o novo espetáculo do grupo

Desde 1981, 713 pessoas passaram pelo grupo de teatro da Universidade. Segundo o Professor Paulo Afonso, desse número, 25% seguiram a carreira teatral.

O Espetáculo “Fantasia” contará com a participação do Coral da PUC-Campinas. Ao todo, serão 70 pessoas em cena. A peça pode ser conferida nos dias 13 e 14 de novembro, às 20h, no teatro do Auditório Dom Gilberto, no Campus I, da Universidade.

Confira o trailer do espetáculo produzido pelos alunos/atores:

Inscrições para o teatro:

Quando: Segunda quinzena de dezembro
Vagas: 20
Processo seletivo: teste

Inscrições: Portal da Universidade.

 

Corais Universitários

Para o Regente do Coral Universitário do CCA, é preciso desmistificar os Corais e aproximá-los do público

Com a proposta de juntar várias vozes em uma só sintonia, o Canto Coral rearranja músicas de todos os estilos, com ou sem o acompanhamento de instrumentos musicais. Um trabalho de cooperação, que exercita o corpo e a mente daqueles que se dedicam ao Coro.

Criado em 1983, o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas é um importante canal de expressão artística, que une pessoas de diferentes áreas com um interesse em comum: a música. Além da aproximação de estilos diferentes, o trabalho em grupo, colaborativo, e a responsabilidade junto ao regente e aos colegas, servem de auxílio para um futuro início de carreira.

O Coral nas universidades, no entanto, possui algumas peculiaridades. Trabalhar com gente nova pode não ser fácil. É necessário tornar a atividade atrativa aos estudantes. Para isso, o atual regente titular do Coral Universitário do CCA, Nelson Silva, utiliza de meios próprios. “Você tem de jogar com o pessoal, trazendo coisas que eles conheçam, e aí, por outro lado, desafiá-los com uma coisa que eles não conhecem tanto, mas que pode ser interessante conhecerem.”, explica Nelson. Além do repertório, o regente titular do Coral, há nove anos, explica que a rotatividade de um Coral Universitário pode ser um problema, mas nem sempre. “O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo. Você começa com coisas bem simples, que as pessoas têm bastante dificuldade. Essa dificuldade vai diminuindo e a qualidade vai melhorando, você vai criando um núcleo mais forte, mais apto. De repente, esse núcleo desmonta. As pessoas se formam, arrumam estágio, emprego… É um ‘jogo’ que não para”, compara Silva.

O Coral e as Massas

Os Corais não são muito populares no Brasil, e o público nas apresentações é limitado. A falta de acesso da população ao gênero de música coral, segundo o Regente, é porque as pessoas imaginam um Coral como algo ligado à Igreja, à música sacra e músicas de Natal. Silva afirma que isso é um mito. “Os corais, principalmente os coros brasileiros, fazem um trabalho que é diferente, que tem muito a ver com música popular, é um trabalho bem acessível, e também muito rico, porque o cancioneiro popular brasileiro é muito talentoso”, afirma. O tema “Saindo do limbo: Como levar o trabalho dos corais à mídia e às pessoas em geral? foi debatido durante o 28º Encontro de Corais do CCA, no dia 12 de setembro.

O desinteresse da mídia em relação a esse tipo de atividade cultural é, para Silva, o que contribui para uma imagem estereotipada dos Corais. O regente acredita que é um ciclo vicioso, em que o público desconhece o trabalho dos coros por não ter acesso, e a mídia não mostra porque é uma atividade anônima, que ainda não “se vende” no país.

Para participar do Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas, é necessário se inscrever pelo site, entre os meses de dezembro e março. Há uma seleção para os grupos musicais e um teste de aptidão mínima para o canto.

“O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo”

Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas
Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas

Brasil está à frente no controle de ética em pesquisa, afirma coordenador da CONEP

Nova resolução para pesquisa quer garantir mais direitos aos participantes dos estudos

Uma média de 120 projetos de pesquisas em diversas áreas, que envolvem seres humanos, chega mensalmente à Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (CONEP). O órgão, criado em 1996, é vinculado ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) do Ministério da Saúde e tem a responsabilidade de examinar os aspectos éticos dessas pesquisas, no Brasil. Um exemplo são os estudos que envolvem o uso de remédios.

Vinculados à CONEP estão os Comitês de Ética em Pesquisa com seres humanos (CEP) das principais instituições de pesquisa do país, como é o caso da PUC-Campinas, uma das pioneiras na região de Campinas, que participa com 30 membros, representando todas as áreas do saber. “Os projetos de mestrado e doutorado da Universidade que envolvem seres humanos passam pelo nosso Conselho de Ética”, explica o Presidente do CEP da PUC-Campinas e  docente da Faculdade de Engenharia Elétrica, Prof. Dr. Davi Bianchini. Os CEP´s avaliam estudos nas áreas de genética e reprodução humana, novos equipamentos, dispositivos para saúde, novos procedimentos, população indígena e projetos ligados à biossegurança.

O Brasil está à frente no controle de ética em pesquisa com seres humanos, se comparado a países da Europa e aos Estados Unidos. Essa é a opinião do Coordenador da CONEP, Dr. Jorge Venâncio, que foi categórico ao afirmar, durante visita ao Campus II da PUC-Campinas, no dia 13 de agosto, que o Brasil não aceita alguns critérios internacionais que desumanizam as pessoas. “Vemos o comércio de células em sites estrangeiros. Material humano sendo vendido? Isso me parece algo pré-histórico”, criticou.

Segundo o representante da CONEP, o Brasil é um grande mercado estrangeiro para a comercialização de medicamentos, o que aumenta ainda mais o papel da Comissão. “Não somos contra as pesquisas. Só acreditamos que é plenamente possível ter desenvolvimento científico respeitando os direitos das pessoas que participam dos estudos”, afirmou.

Em 2012, foi editada a resolução 466 do Conselho Nacional de Saúde, que pretende, segundo o Dr. Venâncio, garantir o direito da pesquisa sem que esse  direito negligencie os direitos das pessoas que participam dos estudos. Confira o texto da Resolução (link) com novas diretrizes para as pesquisas que envolvem serem humanos. A nova resolução, segundo o Coordenador da CONEP, abarca todas as áreas científicas e precisa ser do conhecimento da sociedade.

A palestra do Dr. Jorge Venâncio aconteceu no Campus II da Universidade. Estiveram no evento a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Dra.Sueli do Carmo Bettinei, o Coordenador Geral de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Dr. Alexandre Mota, o Diretor Técnico do Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), Dr. Agnaldo Pereira, o Diretor Clínico do HMCP, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, o Presidente da Comissão de Residência Médica, Dr. Glauco Penem, o 1º Vice-Presidente do CEP da PUC-Campinas, na área de saúde e pesquisa clínica, Dr. Aguinaldo Gonçalves.

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“Os projetos de mestrado e doutorado da Universidade passam pelo nosso Conselho de Ética”.

 

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Presidente do CEP da PUC-Campinas, Prof. Dr. Davi Bianchini

 

ORIGEM
O reconhecimento mundial sobre a necessidade de existir controle sobre o que poderia e o que não deveria ser feito em pesquisas com seres humanos teve sua origem no pós- guerra (II Guerra Mundial), quando algumas violências contra judeus, por exemplo, foram justificadas como finalidade de pesquisa. Cerca de 50 anos depois, a CONEP foi criada no Brasil, em 1996. Para ter mais informações  sobre a origem do controle ético de pesquisas com seres humanos no Brasil, clique aqui.

“PUC-Campinas foi uma das pioneiras nos Conselhos de Ética da região”

Da esquerda para direita: Dr. Aguinaldo Gonçalves, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, Dr. Alexandre Mota, Dra. Sueli do Carmo Bettinei, Dr. Jorge Venâncio, Dr. Agnaldo Pereira e Dr. Glauco Penem.
Da esquerda para direita: Dr. Aguinaldo Gonçalves, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, Dr. Alexandre Mota, Dra. Sueli do Carmo Bettinei, Dr. Jorge Venâncio, Dr. Agnaldo Pereira e Dr. Glauco Penem.

Aluno da PUC-Campinas vence competição Hackathon nos EUA

Fernando Barbosa Gomes é estudante do curso de Engenharia de Computação e faz “graduação sanduíche” por meio do programa Ciência Sem Fronteira, do governo federal, na University of Kansas (EUA). Gomes faz parte da equipe vencedora da competição Hackathon, promovida pela empresa IBM, sobre o tema IoT (Internet of Things).

IoT (Internet of Things) é um termo “quente” na computação, que traduz a ideia de que em alguns anos, a sociedade estará convivendo com milhões de aparelhos conectados à internet. E o que nós, seres humanos, faremos com tantos aparelhos? “Imagine um mundo no qual até a sua torneira é conectada à internet”, sugere Gomes, em entrevista por e-mail à reportagem da PUC-Campinas. Segundo o estudante, com todos os dados dos produtos coletados, as empresas poderiam ter o controle sobre seus produtos, como a data da venda e para quem foi vendido.

Gomes afirma, no entanto, que o sistema não favoreceria apenas produtos “supérfluos”, mas poderia salvar vidas: “Quantos aparelhos, como marca-passos, podem se tornar muito úteis na hora de salvar vidas se estiver coletando os dados dos seus usuários e analisando esses dados o tempo todo?”, indaga. “O IoT é algo de extrema importância para os próximos anos e algumas empresas estão se apressando pra conseguir o mercado dessa área”, completa.

A Hackathon foi promovida pela IBM, entre seus estagiários, com o intuito de receber ideias de fora para dentro da campanha; ideias “out of the box”. Trata-se de uma competição em que todos os estagiários da IBM, em Kansas e na Califórnia, participaram com o objetivo de desenvolver um aplicativo/idea/máquina, documentálo e apresentá-lo; tudo isso feito em oito horas.

O aluno da PUC-Campinas, Fernando Gomes, tem 20 anos e um prêmio internacional no currículo
O aluno da PUC-Campinas, Fernando Gomes, tem 20 anos e um prêmio internacional no currículo

Cinco equipes de três a quatro pessoas participaram da competição. Quatro dessas equipes eram formadas apenas por estagiários e uma por funcionários “full time” da IBM. “O produto que nós desenvolvemos e apresentamos para essa competição são informações confidenciais, mas adianto que vencemos com uma diferença esmagadora dos outros grupos, nas áreas de “desenvolvimento da aplicação”, “apresentação” e “uso de tecnologia IBM”. A equipe ficou em segundo lugar, apenas, no quesito “ideia”, ganhando, portanto, em pontuação geral.

Para o estudante, esse prêmio é importante para a projeção profissional, pois atesta uma ideia inovadora e vai ao encontro dos interesses de mercado: “os empregadores estão interessados em pessoas capazes de fazer o design e projetar sistemas e não em pessoas que conseguem escrever algumas linhas de códigos sem ter erros”, acredita.

A equipe vencedora é formada, majoritariamente por brasileiros: Fernando Barbosa Gomes (Brasileiro, de Campinas, estudante da PUC-Campinas e KU [University of Kansas]), Cesar Augusto Nogueira (Brasileiro, de Campinas, estudante da Ufscar/Metrocamp e UMKC [University of Missoury – Kansas City]) e Christian Traistaru (Romeno, estudante da K-State [Kansas State University]. “ Fomos os únicos estudantes brasileiros, e de Campinas. O restante era estadunidense e de outras nacionalidades”, valoriza Gomes.

“em alguns anos, a sociedade estará convivendo com milhões de aparelhos conectados à internet”

 

Mais um estudante da PUC-Campinas foi reconhecido por projetos ligados à tecnologia. A aluna do último semestre do curso de Sistemas de Informação da PUC-Campinas, Gabrielle Cristina Perez Dias recebeu uma menção honrosa pelo projeto apresentado no Facebook São Paulo Hackathon: “Criamos um site, em que era possível cadastrar o desaparecimento da pessoa e associá-lo ao perfil do Facebook. Com isso, formávamos um banco de dados, o que facilitaria para encontrar o desaparecido (….) Nosso projeto pretendia usar os usuários do Facebook para fazer algo bom por alguém”.

Nada sobre nós sem nós

Empreendedorismo social de pessoas com deficiência intelectual é alternativa de inserção no mercado de trabalho

“Eu não gosto de ficar parada. Se eu não trabalhar, enlouqueço”, ri às gargalhadas. Para Ivani, o trabalho vai além de uma atividade de mercado. Pelo contrário, as atividades manuais, que mais tarde viram mercadoria, são a forma encontrada por ela para manter-se viva.

– Desde quando você borda e pinta panos de prato?
– Desde sempre.
– Com quem você aprendeu?
– Com a minha mãe. Em razão da epilepsia, ela entendeu que era melhor eu estar perto dela, em vez de trabalhar numa empresa.

A aluna no CIAD, Ivani Lopes, borda, pinta e vende seus produtos
A aluna no CIAD, Ivani Lopes, borda, pinta e vende seus produtos

E foi assim que Ivani Vieira Lopes, de 43 anos, tornou-se sua própria “empresa”. Além dos trabalhos artísticos, como a pintura e o bordado, ela, juntamente com sua mãe, adquiriu um carrinho de cachorro-quente e vende os lanches que prepara.

Já que o mercado tradicional não se adequou a ela, Ivani adequou o “mercado” às suas necessidades. A empreendedora, que é mãe de um rapaz de 19 anos, pretende, agora, ampliar suas atividades de mercado com o apoio do CIAD (Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência), que freqüenta desde os 20 anos.

No segundo semestre de 2014, o CIAD, em parceria com a Pró-Reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da PUC-Campinas, adentrou uma nova fase no trabalho de inclusão social, que já pratica desde 1997. Agora, todas as energias dos profissionais estão concentradas em preparar os alunos para o mercado de trabalho, como explica a atual Coordenadora do Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência, a psicóloga Karina Magalhães.

Tecnologia como ferramenta para empreender

Muitos alunos se dedicam à costura, artesanato e ao marketing por meio das redes sociais, como é o caso da Letícia Fernandes Nicoletti, 32 anos, que é consultora de uma marca de produtos cosméticos. “Agora com as oficinas de inclusão digital, os alunos vão aprimorar a qualificação para o mercado de trabalho”, explica a professora da oficina, Cristiana Dias.

Leticia Nicoletti - Consultora de produtos comesméticos e aluna no CIAD
Leticia Nicoletti – Consultora de produtos cosméticos e aluna no CIAD

Quando eu pergunto com quem Letícia aprendeu a arte de vender, ela logo me corrige e diz que ela não é vendedora. “Eu sou consultora. É diferente”. E continua: “comecei a me envolver com essa atividade por causa da minha mãe, que sempre trabalhou com cosméticos, maquiagem”, conta. Durante a entrevista, Letícia manifesta suas habilidades profissionais e quase convence a repórter a comprar a mercadoria: “Sabe por que esse produto é melhor do que os outros?”, a jovem empreendedora tem a resposta, sendo capaz de convencer qualquer consumidor que se trata do melhor produto do mercado.

Concentração. Atividades físicas são fundamentais para a inclusão no mercado de trabalho
Concentração. Atividades físicas são fundamentais para a inclusão no mercado de trabalho

Essa habilidade para os negócios foi adquirida em razão da integração de Letícia com os outros alunos do CIAD, como garante sua mãe, Dona Enedina Nicoletti. “Hoje, ela é formada em técnico administrativo pelo SENAI e agora vai aprimorar suas habilidades, nessa nova etapa do CIAD”, acredita. Letícia é calma e disciplinada. Fez questão de organizar a mesa para que pudesse mostrar suas mercadorias.

Para o Coordenador das Oficinas de Modalidades Esportivas do CIAD, Professor Vanderlei Palandrani Junior, “é necessário que as pessoas sejam reconhecidas pelas suas potencialidades e não pela sua deficiência, retratada por seu diagnóstico clínico. O trabalho para construção de um projeto que inclua ações empreendedoras é imprescindível para qualquer ser humano, independente de suas características e condições”, completa.

Além da inclusão digital e atividades físicas, haverá preparação para o mundo do trabalho e orientação vocacional, que vão possibilitar, segundo a Coordenadora do CIAD, que os alunos se tornem empreendedores de suas ações, possibilitando sua efetiva atuação profissional no mercado de trabalho formal e informal.

Atualmente, o CIAD inclui 160 alunos com diferentes tipos de  deficiências (física, mobilidade reduzida, intelectual e sensorial). O público atendido é composto por 60 pessoas institucionalizadas , ou seja, atendidas por instituições, tais como a APAE de Arthur Nogueira e o Instituto Norberto de Souza Pinto; 69 pessoas com deficiência intelectual, três pessoas com deficiência sensorial e 28 pessoas com deficiência múltipla (física e intelectual). Os alunos são moradores de Campinas e Região Metropolitana (Sumaré, Jaguariúna, Valinhos, Hortolândia e Capivari).

Aula com as mídias digitais faz parte das atividades de inclusão no mercado de trabalho
Aula com as mídias digitais faz parte das atividades de inclusão no mercado de trabalho

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Uso da água era insustentável, diz pesquisador

Estudo mostra que aparato Institucional não conseguiu equacionar o problema

Muito antes das mudanças climáticas globais preverem o aumento tanto da escassez hídrica como das enchentes, os indicadores hídricos que o Grupo de Pesquisa Sustentabilidade Ambiental das Cidades, da Faculdade de Engenharia Ambiental da PUC-Campinas, elaborou já mostravam que o uso da água na Macrometrópole Paulista era insustentável. Isso é o que afirma um dos pesquisadores, o docente do Curso de Mestrado em Sistemas de Infraestrutura Urbana da PUC-Campinas, Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro.

A questão hídrica é uma das frentes de estudo do Grupo, que surgiu em 2000 e, desde então, tem suas pesquisas relacionadas ao contexto da Engenharia Ambiental, envolvendo as áreas de Planejamento e Gestão Ambiental, Sustentabilidade Hídrica, Resíduos Sólidos, Florestas Urbanas e Energia. Para o Pesquisador Demanboro, a escassez de água que está ocorrendo em toda a Região Sudeste e, em especial, nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e Campinas, é por causa de um período de estiagem, classificado por ele como “excepcional”.

“O que esta escassez está trazendo à tona é que todo o aparato Institucional criado desde a década de 1980 para lidar com a gestão dos recursos hídricos, não deu conta de equacionar o problema e procurar alternativas para sua solução. O “Banco de Águas” do Sistema Cantareira faliu, ao se usar o volume morto das barragens para abastecer a Capital”, afirma.

Há 14 anos, o Grupo de Pesquisa “Sustentabilidade Ambiental das Cidades” se dedica a pesquisar o uso racional da água e a sustentabilidade hídrica, como estudos de planejamento das bacias hidrográficas críticas do Estado de São Paulo; a gestão da demanda nos setores residencial, industrial e comercial; estudos de Controle de Perdas em sistemas de distribuição de água; reflorestamento; conservação da biodiversidade; preservação das nascentes e de produção de água, entre outros. “Esta escassez está deixando extremamente claro que não se pode solucionar o problema da quantidade dos recursos hídricos apenas construindo reservatórios de acumulação de água, como se tem feito ultimamente”, defende Demanboro.

Para tratar o problema hídrico, o pesquisador lembra que foram criadas inúmeras políticas e instituições – federal, estadual e municipal – entre elas o Sistema Nacional de Recursos Hídricos (SNRH), o Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, o Comitê das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CBH-PCJ), o Comitê da Bacia do Alto Tietê (CBH-AT), os Consórcios Municipais de Bacias, as Agências de Águas, a Agência Nacional de Águas (ANA), dentre outros.

Segundo Demanboro, é necessário atuar na diminuição da demanda de todos os usuários, por meio do incentivo ao uso de dispositivos poupadores de água, ao reuso de água, à captação das águas de chuva. “Atuar na diminuição das perdas nos sistemas de abastecimento de água administrados pelas Empresas de Saneamento que, em alguns casos, são da ordem de 50%; atuar na produção de água, o que significa proteger todas as nascentes, além de plantar e preservar as florestas nas cabeceiras e ao longo dos rios”, propõe.

Bacia do Rio Atibaia em processo de degradação ambiental

O Grupo de Pesquisa Sustentabilidade Ambiental das Cidades já publicou inúmeros artigos sobre o tema da água, como o estudo realizado sobre a bacia do Rio Atibaia, em São Paulo. O estudo identificou que a maior parte da Bacia do Rio Atibaia corresponde ao uso Rural, seguindo por Floresta, área urbanizada, Reflorestamento/sivilcultura, Pastagem, Lago e Solo Exposto.

“O estudo mostrou que, apesar de relativamente pouco urbanizada, a bacia hidrográfica do Rio Atibaia encontra-se em processo de degradação ambiental”, afirma o pesquisador. Contribuem para esse quadro, segundo a pesquisa, além do alto grau de intervenção antrópica na bacia, os elevados valores do consumo de água e os despejos de efluentes domésticos, que promovem a deterioração dos corpos d’água. “Apesar das áreas cobertas por vegetação natural apresentarem um valor relativamente alto, sua distribuição espacial não é homogênea, concentrando-se nas cabeceiras dos cursos d´água”, explica. “É possível pensar em conservação ambiental em bacias hidrográficas urbanizadas, desde que estas venham a ser manejadas de forma adequada”, resume.

Foto: Álvaro Jr. Rio Atibaia
Foto: Álvaro Jr.
Rio Atibaia

Atualmente, o Grupo de Pesquisa Sustentabilidade Ambiental das Cidades, da Faculdade de Engenharia Ambiental da PUC-Campinas, conta com três pesquisadores e docentes do Curso de Mestrado em Sistema de Infraestrutura Urbana: Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro, Profa. Dra. Regina Márcia Longo e Profa. Dra. Sueli do Carmo Bettine. Também participam alunos de Graduação, que desenvolvem trabalhos de Iniciação Científica, além de alunos do curso de Mestrado.

Convênio com PUC-Campinas ajuda MPF em processos do Programa Minha Casa Minha Vida

Parceria com a Universidade também fomentou estudos sobre Viracopos

Diante da complexidade dos inúmeros processos civis que chegam ao Ministério Público Federal (MPF) de Campinas, o MPF realizou um convênio com a PUC-Campinas, para que juntos pudessem compreender tecnicamente os impactos de grandes empreendimentos na cidade, como é o caso do Programa Minha Casa Minha Vida. A pedido do MPF de Campinas, a pesquisa se concentrou em um estudo de caso no Jardim Bassóli, na região do Campo Grande. O Empreendimento foi o primeiro do Programa Minha Casa Minha Vida, com duas mil unidades habitacionais. A parceria surgiu há dois anos e meio no contexto do projeto da Teia Social, coordenado pelo procurador Áureo Marcus Makiyama Lopes, cujo objetivo é fomentar o aprendizado com informações sobre diversos assuntos, entre eles, habitação.

Após o Convênio com a PUC-Campinas, o Projeto Teia Social passou a receber informações atualizadas constantemente e os alunos tiveram tarefa de “alimentar” a plataforma, com informações teóricas sobre o estudo realizado na região noroeste de Campinas. “Essa aproximação com a realidade estimulou a Comunidade Universitária: alunos, professores e funcionários. O aluno sentiu que o seu trabalho acadêmico é útil, passando a ter uma percepção do seu papel na sociedade”, afirmou o docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, que participa do convênio, Prof. Me. Fábio Muzetti.

Por causa dessa parceria entre a PUC-Campinas e o MPF foi possível fomentar outros trabalhos, é o caso do estudo, ainda em andamento, sobre a expansão do aeroporto de Viracopos e seu impacto na região em que ele está localizado em Campinas. “As pesquisas que estamos realizando mostram que a cidade não está preparada para debater os impactos de grandes empreendimentos”, afirma o docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Prof. Me. Caio Ferreira, que também participa do convênio. Um dos aspectos revelados pelas pesquisas sobre grandes empreendimentos, explica Ferreira, é o custo oculto do empreendimento. Ou seja, aparelhos urbanos que precisarão ser criados e mantidos sempre que surgirem novos empreendimentos de grande escala, como é o caso dos projetos habitacionais, que vão demandar de novas linhas de ônibus, escolas, postos de saúde, comércio e lazer, entre outros.

Como a pesquisa foi desenvolvida

O Convênio entre a PUC-Campinas e o Ministério Público Federal começou em 2012, com a pesquisa sobre o Programa Minha Casa Minha Vida. A parceria surgiu como projeto da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da PUC-Campinas, com o então Pró-Reitor de Graduação, e atual Vice-Reitor, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior. Os trabalhos foram divididos entre os Grupos de Estágios (GT) – os quais os estudantes de graduação participam – e como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Ao todo, seis TCC´s foram concluídos e 160 alunos participaram dos GT´s, dados que para Muzetti demonstram que a credibilidade do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade foi importantíssima para a parceria.

“A PUC-Campinas tem tradição na área de urbanismo, seja na graduação ou no programa de pós-graduação, com cursos de mestrado e doutorado”. E continuou: “Tínhamos a base teórica, que são as análises tipológicas e o estudo de caso. Com essas informações pudemos, então, encaminhar uma proposta. Isso gerou parâmetro para o MPF analisar o que é possível realizar no que diz respeito aos processos de habitação”, explica.

A pesquisa sobre o projeto habitacional no Jardim Bassóli teve como característica a interdisciplinaridade, sendo realizada em parceria com as Faculdades de Enfermagem, Arquitetura, Direito, Geografia, Biologia e Serviço Social da PUC-Campinas. Para o Procurador Edilson Vitorelli Diniz Lima, “sem esse aparato técnico, o MPF não teria condições de realizar suas análises e defender o interesse da sociedade”.

Após esse trabalho, o MPF de Campinas criou um grupo de trabalho (GT) nacional para tratar especificamente sobre o Programa Minha Casa Minha Vida. O coordenador do grupo é o Procurador Lima, que conhecendo os trabalhos dos professores Muzetti e Ferreira, convidou os docentes para serem os consultores desse grupo. Na oportunidade, a PUCCampinas foi representada em reuniões com a direção nacional da Caixa Econômica Federal e com a Secretaria de Habitação do Ministério da Cidade. “Se a gente (MPF) não tiver pessoas próximas capacitadas para nos auxiliar, nossa ação fica muito desqualificada. E esse estudo do Programa Minha Casa Minha Vida está tendo um impacto real nos problemas da cidade. São resultados concretos de pesquisa”, afirma o Procurador.

Minha Casa Minha Vida, hoje

Segundo Lima, atualmente, quem apresenta o projeto do empreendimento habitacional são as construtoras. Elas escolhem o terreno, fazem o projeto e constroem. Hoje, o Minha Casa Minha Vida paga um valor fixo de 76 milhões nas regiões metropolitanas maiores, por unidade habitacional. O mínimo a ser construído é de 39 metros quadrados e o máximo de 60 metros. A construtora nesse caso, avalia o Professor Ferreira, interfere e tem papel primordial no espaço urbano.

Para o MPF de Campinas, as empreiteiras têm grande autonomia nos projetos habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida, pois, segundo o Procurador Lima, elas são responsáveis por escolher os terrenos em que as habitações serão construídas. O Procurador acredita que o cidadão beneficiado pelo programa deveria ter maior participação no projeto em que ele irá morar, e que o Estado deveria ser o principal fomentador do programa. “Não estamos falando mal do programa. É preciso ressaltar que é a primeira política habitacional após um longo período. É inegável que o Minha Casa Minha Vida de hoje é melhor do que o de quatro anos atrás. Mas, ele ainda tem problemas”, acredita. “O que estamos fazendo é mostrando isso para o poder público”, acrescenta.

O programa Minha Casa Minha Vida foi idealizado pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e pelo Ministro da Fazenda Guido Mântega, em 2009, durante o governo Lula.

Foto: Álvaro Jr. Primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida foi no Jardim Bassóli, região do Campo Grande, em Campinas
Foto: Álvaro Jr.
Primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida foi no Jardim Bassóli, região do Campo Grande, em Campinas