A Cidade do Conhecimento

Planejamento estratégico quer transformar Campinas em referência nacional

O Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT) de Campinas foi criado oficialmente no primeiro semestre de 2014. O objetivo é que o CMCT auxilie o poder público para que, em 10 anos, Campinas se torne referência e seja reconhecida internacionalmente como a “Cidade do Conhecimento”. Para isso, o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia elaborou o Planejamento Estratégico, que prevê ações que potencializam a “vocação” da cidade na área de ciência e tecnologia, desde infraestrutura, recursos humanos, planos de energia, cidade “conectada”, formação de alunos em escolas técnicas até captação de indústria e de pesquisadores. O Planejamento Estratégico será uma espécie de “guia” do poder municipal e tem previsão para se tornar um livro a ser lançado ainda em 2014.

O mais novo Conselho Municipal de Campinas é consultivo e conta com 30 membros, entre titulares e suplentes. A PUC-Campinas está participando dessa iniciativa e é representada no Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia pelos docentes Prof. Dr. José Oscar Fontanini de Carvalho (titular) e pelo Prof. Dr. Juan Manuel Adán Coello (suplente).

1 – Gostaria que vocês se apresentassem, mencionando a área de formação e de atuação:
Oscar de Carvalho (O.C.): Sou graduado em Análise de Sistemas, com mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica (automação e engenharia de software, respectivamente). Atualmente, sou diretor da faculdade de Análise de Sistema, da PUC-Campinas.

Adán Coello (A.C.): Tenho mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica. Sou diretor da faculdade de Engenharia de Computação da PUC-Campinas.

2 – Como surgiu o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT)?
O.C.: Já existia um grupo de pessoas, representado por algumas entidades, interessado em montar um conselho voltado para a Ciência, Tecnologia e Inovação. Essas pessoas já se encontravam, informalmente, e discutiam a ideia. A partir daí, foi feita uma carta aberta chamando a sociedade para participar. A PUC-Campinas foi um das instituições de ensino convidadas, a outra foi a Unicamp.

3 – Apesar de o CMCT existir há menos de um ano, o Conselho já criou o Planejamento Estratégico de Ciência e Tecnologia de Campinas. Em que ele consiste?
O.C.: Os participantes foram divididos em grupos temático e passaram a desenvolver estratégicas para que, num período de 10 anos (2014-2024), Campinas se torne a Cidade do Conhecimento. O que poderá ser feito na próxima década? Planejamos ações desde a parte de infraestrutura e recursos humanos, até planos de energia, formação de alunos em escola técnica e superior e a captação de indústria, com incentivos. Esse plano se transformará em um livro, que será publicado ainda em 2014 e servirá de material para o poder municipal se “guiar”. Lembrando que não há qualquer obrigação nisso, o material ficará disponível para ser seguido ou não.
A.C.: O plano é transformar Campinas na cidade referência de ciência e tecnologia. Para isso, em vez de o município trazer um parque químico de produção, por exemplo, poderá trazer o grupo de tecnologia e desenvolvimento dessas empresas.

4 – Pode citar algumas mudanças no cotidiano que seriam implantadas com esse Plano Estratégico?
O.C.: O plano prevê aumentar e melhorar a rede lógica da cidade. Ou seja, teríamos uma rede digital muito melhor. Essa rede promoveria a conexão entre centros de saúde, hospitais e escolas.

5 – Além do Planejamento Estratégico de Ciência, Tecnologia e Inovação, existe alguma ação efetiva que será executada em curto prazo?
A.C.: Estamos planejando a Feira de Ciência e Tecnologia para Campinas. O objetivo é que essa feira tenha a duração de uma semana e seja um espaço de intercâmbio entre estudantes, inicialmente, do estado de São Paulo, mas, futuramente, de todo o país. A expectativa é que já em sua primeira edição, a feira atraia cinco mil jovens do Ensino Médio ou que estão buscando uma profissão. A previsão é que essa feira se realize em 2015.
O.C.: A gente precisa atrair os estudantes para as áreas de ciência e tecnologia. Precisamos investir nisso. E a Feira de Ciência e Tecnologia vai ter papel fundamental nisso.

6 – Como o Planejamento Estratégico idealizou atrair empresas nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação?
A.C.: O município está reformulando a lei de incentivo fiscal. O Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia vai sugerir qual área terá incentivo, além de uma série de medidas que estimule a instalação de empresas em Campinas. Uma cidade com qualidade de vida, atrairá pessoas.

7 – Em razão das ações que visam transformam a cidade de Campinas em um município de referência para o Brasil em Ciência e Tecnologia, em que medida o CMCT vem dialogando com o Conselho Municipal do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Urbano, por exemplo, para que essas ações não sejam, de alguma forma, danosas para Campinas?
O.C.: Essa questão é fundamental. Ainda não fomos chamados para dialogar com os outros conselhos. Imagino que isso acontece entre os secretários envolvidos. No caso do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, o coordenador é o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Samuel Ribeiro Rossilho. Imagino que isso será feito. Precisa ser feito. Mas, até agora, não houve discussão interdisciplinar. O que tem sido feito é a participação da sociedade na discussão da Ciência, Tecnologia e Inovação. Eu acho até que podemos levar essa pergunta para a reunião do conselho.
A.C.: O que ficou claro é que o padrão de vida da cidade é importante para atrair novas empresas e investimentos. Certamente, essas preocupações são fundamentais.

8 – É a primeira vez que vocês participam de um Conselho Municipal?
A.C.: É a primeira vez e estamos gostando. A Universidade tem de procurar, sempre que possível, sair do campus. É uma oportunidade de encontrar pessoas de outras áreas, que atuam dentro da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além do contato com o poder público.
O.C.: Eu também nunca tinha participado. E, para mim, está sendo uma experiência muito enriquecedora. É uma maneira de retribuirmos para sociedade, que deu chance para nós. A PUC-Campinas tem uma missão: as pesquisas da Universidade trabalham em âmbito regional. É uma vocação da PUC-Campinas.