Cinema: Colossus 1980

Por Wagner Geribello

Perguntas, dirigidas ao pessoal ligado em informática, que sabe (ou acha que sabe) tudo sobre computador: O que é Colossus? E Guardian?

Não sabe? Então você não conhece uma das mais saborosas produções que o cinema de ficção-científica já realizou sobre computadores: Colossus, 1980 (ou Projeto Forbin, de acordo com o título original).

Muitas e diversas razões fazem da produção, dirigida por Joseph Sargent, um excelente comentário cinematográfico, crítico e irônico, sobre essa curiosa maquineta chamada computador, que invade todos os momentos e todos os cantos da chamada sociedade contemporânea.

A primeira curiosidade é a idade do filme, que já conta quarenta anos (lançamento em 1970) sem deixar de ser atual em relação à temática da dominação do homem pelo computador. Além disso, o roteiro é muito bom, em especial no tratamento das linguagens que permitem certo entendimento dos seres humanos com a máquina, da máquina com os seres humanos e da máquina com outra máquina. Mais que isso, o diretor fez um bom trabalho, transformando esses componentes do roteiro em linguagem cinematográfica.

Produzido em plena Guerra Fria, Colossus 1980 começa quando o governo americano anuncia a submissão de todo gerenciamento e operacionalidade (vale dizer, o disparo de armas) do sistema de defesa a um computador com superqualidades, como capacidade praticamente ilimitada de armazenamento de dados e uma equivalente rapidez de processamento. O resultado, esperado, é a criação de um escudo intransponível a qualquer ação militar, por conta da precisão e velocidade de resposta e retaliação do computador, batizado Colossus. Todo arsenal nuclear é colocado sob controle da máquina, dispensando a  intervenção humana.

  Após a ativação do sistema, quando todo mundo está indo para casa desfrutar paz e segurança, aparece o problema: os inimigos soviéticos (sempre eles) anunciam um sistema similar. As duas máquinas se percebem, iniciam uma conversa baseado em cálculos primários, que vai acelerando e sofisticando, até escapar à capacidade de compreensão e acompanhamento dos (reles) mortais e, após o namoro matemático, decidem gerenciar conjuntamente os sistemas de defesa, à revelia dos seres humanos. Assim, o criador do projeto (americano), o dr. Forbin do título original, inicia um combate de “esperteza” para neutralizar as supermáquinas pensantes (?). A relação de Forbin com as máquinas é, no mínimo, interessante, como no ponto em que ele “explica” a necessidade que os seres humanos têm de amor e sexo, atividades desconhecidas (ou pelo menos pouco importantes) para os computadores.

 Sem jamais negar a carapuça de ficção-científica feita para divertir, Colossus 1980 não errou muito na previsão da submissão ao computador que o (então) futuro traria aos seres humanos. A necessidade cada vez mais intensa dessa máquina prodigiosa e, talvez perigosa, que faz o pano de fundo do filme, manifesta-se, por exemplo, neste comentário, que não teria sido escrito nem o internauta poderia ler, não fosse o computador, do qual somos, irrecorrivelmente, dependentes (ou prisioneiros, como sugere o filme).

Em busca muito rápida e imperfeita, considerando as limitações de conhecimento de informática, não encontrei a versão completa de Colossus 1980 gratuitamente disponível na internet, mas existem ofertas do filme em DVD e, talvez, em  opções pagas, como Netflix e PopcornTime. Vale procurar, pois a diversão compensa… e intriga.