Cinema: Consciência Negra

Por Wagner Geribello

O registro dos feitos e desfeitos do ser humano mostra que raças diferentes quase sempre se estranham e muitas vezes se agridem, deixando cicatrizes profundas no tecido social. Por isso, não há tempo algum na História e nenhum lugar do Planeta isentos de conflitos étnicos.

Novata, em termos históricos, a civilização brasileira, simultaneamente, aglutinou e segregou raças distintas, demonstram pensadores como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, fazendo-se multirracial na constituição biológica e plurirracial na formação cultural, mas nem por isso vazia de preceitos distorcidos e preconceitos ostensivos, arraigados na (de)formação social da nossa gente.

Adotando a tonalidade da pele como principal fator de identificação racial, os exercícios sociais de segregação e integração, no mais das vezes, dividem o Brasil em negros e não-negros, adotando a dualidade como parâmetro de comportamento, seja quando adota medidas compensatórias, como a legislação sobre cotas raciais no ingresso universitário, seja no caminho oposto, como manifestações difamatórias observadas em eventos esportivos. Enfim, para o bem e para o mal, a sintonia racial no Brasil ainda é questão pendente, merecedora de atenção, reflexão, debate e análise.

Entre os compartimentos da organização social que se ocupam da temática, destaque para o espaço e o talento da arte, como demonstram quadros de Portinari, livros de Mário de Andrade, poesias de Castro Alves e músicas de Martinho da Vila, por exemplo. Nesse conjunto, o cinema tem um peso significativo, reunindo muitas e boas películas que projetam diferentes aspectos da questão racial.

Assim, considerando a recente comemoração da quarta edição (desde que virou lei) do Dia da Consciência Negra, em novembro, o Jornal da PUC-Campinas indica diversos filmes sobre relações raciais, incluindo ficção e documentários, pra gente pensar depois de assistir e debater depois de pensar.

CONFIRA:

“Barravento” (1962), Glauber Rocha.
“Congo” (1972), Arthur Omar.
“Em Compasso de Espera” (1973), Antunes Filho.
“O amuleto de Ogum” (1974), Nelson Pereira dos Santos.
“Xica da Silva” (1976), Carlos Diegues.
“O Poder do Machado de Xangô” (1976), Paulo Gil Soares.
“Cordão de Ouro” (1977), Antonio Carlos Fontoura.
“Tenda dos Milagres” (1977), Nelson Pereira dos Santos.
“Quilombo” (1984), Carlos Diegues
“Chico Rei” (1985), Walter Lima Jr.
“Jubiabá” (1987), Nelson Pereira dos Santos.
“Abolição” (1988), Zózimo Bulbul.
“A Negação do Brasil” (2000), Joel Zito Araújo.
“Brasil – uma história inconveniente” (2000), Phil Grabsky.
“Casa-Grande e Senzala” (2001), Nelson Pereira dos Santos.
“Milton Santos, pensador do Brasil” (2001), Silvio Tendler.
“Vista Minha Pele” (2003), Joel Zito Araújo.
“Filhas do Vento” (2004), Joel Zito Araújo.
“A Cidade das Mulheres” (2005), Lázaro Faria.
“Cafundó” (2005), Clovis Bueno e Paulo Betti.
“Casa de Santo” (2005), Antonio Pastori.
“Preto contra branco” (2005), Wagner Morales.
“Dança das Cabaças – Exu no Brasil” (2006), Kiko Dinucci.
“Atabaque Nzinga” (2007), Octavio Bezerra.
“Zumbi Somos Nós” (2007), Coletivo Frente 3 de Fevereiro.