Com a internet, a publicidade cada vez mais direcionada

Por Amanda Cotrim

A atenção do público sempre foi o objetivo da publicidade. Com as redes sociais, teoricamente, esse objetivo está mais ao alcance das marcas. Se bem utilizadas, dependendo do público e do segmento, as mídias sociais se tornam vital para a publicidade. O maior desafio, no entanto, é manter a atenção das pessoas diante de um “dilúvio” de informações disponíveis na rede. “Gerenciar a atenção é uma tarefa árdua, mas negociável”, considera o Professor especialista do curso de Publicidade da PUC-Campinas, Luiz Augusto Modesto, que ministra disciplinas nas aeras de novas tecnologias de comunicação e criação publicitária.

Confira o bate-papo que o Jornal da PUC-Campinas teve com ele:

As redes sociais são realidade há algum tempo. Apesar disso, as pessoas ainda tateiam muito para adentrar nesse território digital. Em sua opinião, como a Publicidade está lidando com essa nova realidade tecnológica?

A “atenção” do público sempre foi, é hoje e sempre será o objetivo da publicidade. O ponto crítico é saber onde, quando e como atingir o público-alvo.

Hoje e cada vez mais o Facebook e o Google (entre outros) detêm esta informação e tornam isso seu grande e praticamente exclusivo produto; eles ofertam sua tecnologia e serviços “gratuitamente” aos usuários, em troca, recebem informações pessoais, geográficas, interesses, costumes de compra, viagens, dentre outras. Essas informações formatadas (cruciais para um bom planejamento de marketing) compõem o produto que é negociado com as marcas/empresas em forma de B.I. (sigla em inglês para Inteligência de Negócio). Entendo que a publicidade enxerga isso como uma oportunidade de pesquisa rápida, abrangente, objetiva e eficiente para seu planejamento de marketing e até mesmo previsão de tendências de mercado.

Qual sua avaliação sobre o papel das mídias sociais para a publicidade?

Hoje, dependendo do público, é vital! Meu pai tem 65 anos e ele tem uma desenvoltura lastimável em gerenciar seu perfil em redes sociais usando seu PC e ainda pior com seu smartphone (se ele ler isso vai ficar bravo comigo, mas é verdade…).

A cada geração, cada vez mais, os gadgets vêm fazendo parte da família e do dia a dia das pessoas, ou seja, a barreira tecnológica está acabando, está deixando de ser um problema para que a publicidade seja efetivada.

O que vale mais, ser consumido ou ser visto?

 Em minha opinião, ser consumido é o resultado de ser visto!

Qual é o maior desafio da publicidade na Era da Informação?

Há dois aspectos a se considerar com “Era da Informação”:

Rapidez e quantidade: acredito que somos impactados com mais informação do que podemos consumir. Portanto, o problema da publicidade hoje está em encontrar o momento certo (o “timing” certo). Nesse ponto, destaco o MOBILE que tem ganhado cada vez mais espaço. A publicidade ganhou uma mídia de bolso, pessoal e praticamente intransferível… (risos)

Acessibilidade e interação: as pessoas interagem mais entre si usando seus gadgets (redes sociais) e assim expõem mais suas opiniões, costumes, compras, interesses, etc. Sendo assim, a “Era da Informação” passa a ser uma grande aliada da publicidade. Por meio do monitoramento somado à compra de mídia direcionada do Facebook e/ou Google a publicidade consegue estreitar e direcionar sua mídia de maneira que ela consegue “vender bicicleta para quem está procurando bicicleta”, ou seja, a eficiência da mídia é infinitamente maior com um custo mais baixo… o melhor dos mundos!

Como manter e gerenciar a atenção das pessoas?

Manter a atenção das pessoas com esse dilúvio de informação disponível é praticamente impossível… Gerenciar a atenção é uma tarefa árdua, mas negociável. Primeiro entenda qual é seu público e quais são seus costumes, gostos e predileções, depois trace uma estratégia de interação considerando esses pontos. O engajamento hoje é a melhor forma de gerenciar a atenção.

O que um artista, um projeto ou até uma empresa precisam fazer para disputar a atenção das pessoas nas mídias sociais?

Primeiramente, entender quem é seu público, onde ele está e como ele costuma consumir informação. Depois, traçar estratégias específicas e eficientes direcionadas às diversas redes sociais que temos hoje. Monitorar constantemente tendências de consumo e sempre buscar interagir e engajar seu público.

Na sua opinião, qual é a tendência nos próximos anos? Haverá um aumento ainda maior pela atenção das pessoas?

As pessoas estão, cada vez mais, fechadas em grupos de interesse: galera da bike, galera do clube, da faculdade, etc., e a publicidade está, cada vez mais, direcionada. Engajamento e monitoramento são as premissas de um bom relacionamento de consumo entre consumidor x empresa (marca).

Há pouco as empresas desenvolviam seus produtos e colocavam à disposição do consumidor. Acredito que o panorama de hoje com a Era da Informação está mudando, é o consumidor quem fala o que quer consumir, quando e como e as empresa devem correr atrás para oferecer algo que atenda essa expectativa com qualidade e eficiência.