Corais Universitários

Para o Regente do Coral Universitário do CCA, é preciso desmistificar os Corais e aproximá-los do público

Com a proposta de juntar várias vozes em uma só sintonia, o Canto Coral rearranja músicas de todos os estilos, com ou sem o acompanhamento de instrumentos musicais. Um trabalho de cooperação, que exercita o corpo e a mente daqueles que se dedicam ao Coro.

Criado em 1983, o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas é um importante canal de expressão artística, que une pessoas de diferentes áreas com um interesse em comum: a música. Além da aproximação de estilos diferentes, o trabalho em grupo, colaborativo, e a responsabilidade junto ao regente e aos colegas, servem de auxílio para um futuro início de carreira.

O Coral nas universidades, no entanto, possui algumas peculiaridades. Trabalhar com gente nova pode não ser fácil. É necessário tornar a atividade atrativa aos estudantes. Para isso, o atual regente titular do Coral Universitário do CCA, Nelson Silva, utiliza de meios próprios. “Você tem de jogar com o pessoal, trazendo coisas que eles conheçam, e aí, por outro lado, desafiá-los com uma coisa que eles não conhecem tanto, mas que pode ser interessante conhecerem.”, explica Nelson. Além do repertório, o regente titular do Coral, há nove anos, explica que a rotatividade de um Coral Universitário pode ser um problema, mas nem sempre. “O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo. Você começa com coisas bem simples, que as pessoas têm bastante dificuldade. Essa dificuldade vai diminuindo e a qualidade vai melhorando, você vai criando um núcleo mais forte, mais apto. De repente, esse núcleo desmonta. As pessoas se formam, arrumam estágio, emprego… É um ‘jogo’ que não para”, compara Silva.

O Coral e as Massas

Os Corais não são muito populares no Brasil, e o público nas apresentações é limitado. A falta de acesso da população ao gênero de música coral, segundo o Regente, é porque as pessoas imaginam um Coral como algo ligado à Igreja, à música sacra e músicas de Natal. Silva afirma que isso é um mito. “Os corais, principalmente os coros brasileiros, fazem um trabalho que é diferente, que tem muito a ver com música popular, é um trabalho bem acessível, e também muito rico, porque o cancioneiro popular brasileiro é muito talentoso”, afirma. O tema “Saindo do limbo: Como levar o trabalho dos corais à mídia e às pessoas em geral? foi debatido durante o 28º Encontro de Corais do CCA, no dia 12 de setembro.

O desinteresse da mídia em relação a esse tipo de atividade cultural é, para Silva, o que contribui para uma imagem estereotipada dos Corais. O regente acredita que é um ciclo vicioso, em que o público desconhece o trabalho dos coros por não ter acesso, e a mídia não mostra porque é uma atividade anônima, que ainda não “se vende” no país.

Para participar do Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas, é necessário se inscrever pelo site, entre os meses de dezembro e março. Há uma seleção para os grupos musicais e um teste de aptidão mínima para o canto.

“O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo”

Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas
Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas