Crise migratória no mundo

Por Juleusa Maria Theodoro Turra – Docente dos Cursos de Geografia, Turismo e Engenharia Civil. Ministra, dentre outras, a disciplina Geografia da População. É descendente de imigrantes do norte da Itália.

A migração, nas várias formas que assumiu, é assunto de grande complexidade. Envolve realidades – da/na origem e do/no destino – sujeitas a muitas transformações, com causas relativamente gerais e motivações múltiplas. Se é possível uma síntese dessa complexidade, ela é dada pelo duplo movimento de atração-repulsão, portanto tem como base as assimetrias entre nações ou regiões.

A atratividade dos destinos tem muitas faces, predominando as oportunidades de trabalho, mas crescentemente relacionadas a dimensões culturais e políticas. A repulsão, termo utilizado nos estudos demográficos, tem suas faces: desamparo, desesperança e desespero. Buscar outro lugar, talvez qualquer outro lugar.

Há vários registros de políticas de atração, especialmente ao longo dos séculos XX e XXI. Há exemplos no Brasil, com ações na Itália e Suíça, visando à ocupação do território e a opção à mão de obra escrava africana restringida ou proibida. Há acordos entre nações como o Bracero Program para os mexicanos nos EUA dos anos de 1940; a vinda de turcos para a Alemanha como Gastarbeiter; nos dois casos com permanência de tempo definido. Ficaram por decisão própria, ou de seus contratantes.

A integração de mercados e a liberdade dos fluxos de maior fluidez para produtos e recursos, não incluiu o fluxo de pessoas, mas permitiu maior informação sobre os lugares atrativos. Na outra ponta, seletivamente, incorporou significativos grupos. A mesma integração favoreceu a presença de empresas mundiais em países periféricos; criou proximidade como já havia ocorrido nos processos de colonização especialmente da África e da Ásia. São criadas redes de apoio no país de destino, solidárias ou como negócios, que mantêm a migração e dá o retorno com transferências de recursos para a origem.

A imigração foi resposta barata e rápida para uma necessidade de crescimento da produção ou suprimento de mão de obra, pelo baixo crescimento demográfico nos países centrais. As crises do regime de acumulação quebram esse equilíbrio, desde sempre instável. Também a crise global afeta os países de origem e as respostas dadas geram maior desequilíbrio, em vários casos desagregações sociais e territoriais.

Há, hoje, outro fluxo, com ou sem as redes de apoio próprias, fortemente marcadas por tragédias: os refugiados. Países ou regiões de diferentes níveis de desenvolvimento, não permitem a permanência e pessoas de diferentes qualificações buscam refúgio, fogem de conflitos políticos e bélicos. Sírios, afegãos, iraquianos, sudaneses são destaques nas estatísticas da União Europeia. Não é uma crise nacional ou local; é humanitária.

Alguns deles estão em Campinas, junto a migrantes de outras nacionalidades. Como são recebidos?  O que lhes é ofertado?

Filmes sugeridos:

Um dia sem mexicanos (2004). Direção Sergio Arau. Produção: EUA-México-Espanha – https://www.youtube.com/watch?v=cYJcfhxMkrQ

A viagem da esperança (1990). Direção Xavier Koller. Produção: Alemanha-Turquia- Suíça – https://www.youtube.com/watch?v=cI4_pKtjuE8

A grande mentira (2014). Direção Philippe Falardeau. Produção: EUA-Quênia-Índia