ELA

Por Armando Martinelli

A solidão em tempos virtuais, em que o ser humano tem inúmeras interações, vários contatos, mas pouquíssima presença física é o pano de fundo para essa história vencedora do Oscar de Melhor Roteiro Original, em 2014

Há limites para o amor? E se os traumas reais forem tão fortes a ponto de apontarem outras soluções? O filme Ela (no original Her), dirigido por Spike Jonze, conta a história de Theodore (interpretado magistralmente por Joaquin Phoenix). Theodore adquire um revolucionário sistema operacional de inteligência artificial e conhece Samantha (Scarlett Johansson), a voz desse moderno aparelho.

Theodore é um homem em busca da felicidade, mas só a enxerga se for apoiada no outro, independentemente da presença física.  Samantha é uma verdadeira inteligência artificial, embora não tenha cérebro, possui uma mente. E essa mente lhe permite interagir de forma complexa com Theodore. É justamente sobre essa inesperada relação que trata este incrível filme, situado em uma Los Angeles futurista, com belíssima fotografia a explorar nuances da metrópole e o vazio existente mesmo entre milhões de pessoas.

Além disso, Jonze lança indagações sobre a imagem que criamos sobre nós mesmos e sobre os outros, especialmente quando nos envolvemos virtualmente. O quanto existe de projeção no amor, em especial, com os limites imaginativos ampliados pela ausência de realidade?

Confira trailer do filme (Ela se encontra no catálogo do aplicativo Netflix)

https://www.youtube.com/watch?v=TggD91pV6KE