Esporte Unificado é mais inclusão

Modalidade foi inspirada no Special Olympics, cuja filosofia é promover oportunidades iguais para todos os esportistas

 

Por Amanda Cotrim

A inclusão da pessoa com deficiência no esporte é tema de diversos estudos na Academia. Há quem defenda que o esporte Paraolímpico é inclusivo uma vez que os atletas com deficiência se relacionam. Mas também há quem defenda que ele não é tão inclusivo assim, por se tratar de eventos específicos para pessoas com deficiências, o que acaba por promover a segregação, ainda que este não seja o seu objetivo. “O modo Paralímpico é muito importante no processo de evidenciar as possibilidades de pessoas com deficiência na prática esportiva. Contudo, o modelo trabalha com atletas de alto desempenho, uma vez que estabelece índices. Ao estabelecer índices, acaba excluindo grande parcela dos participantes, em todos os níveis e categorias de competições, inclusive escolar”, defende o docente do Curso de Educação Física da PUC-Campinas e ex-técnico da seleção brasileira de basquete feminino, Professor Vagner Bergamo.

Pensando sobre a importância da inclusão no esporte, o docente elaborou o Projeto de Extensão “Esporte Unificado: o valor social da inclusão”, realizado nos anos de 2014 e 2015, o qual envolveu funcionários com deficiência da PUC-Campinas e os estudantes da Universidade.

O Projeto teve como base a filosofia criada pelo Special Olympics, a qual defende o esporte como projeto educativo. Desse modo, o Esporte Unificado “é diferente de tudo o que as pessoas entendem por esporte”, adianta. Na prática, Bergamo explica que o atleta com deficiência tem um parceiro, sem deficiência, e eles jogam juntos. “Além da aproximação entre os esportistas, o Esporte Unificado promove a inclusão, de fato, porque independentemente do nível de habilidade da pessoa, todos podem ganhar”, pois são divididos em grupos equitativos, ressalta o docente.

Professor Vagner Bergamo/ Crédito: Álvaro Jr.
Professor Vagner Bergamo/ Crédito: Álvaro Jr.

No Projeto de Extensão, participaram os funcionários da Universidade que têm deficiência e os estudantes de Educação Física da PUC-Campinas. Essa interação trouxe resultados imediatos. Segundo o docente, os funcionários com deficiência deixaram de se relacionar apenas entre eles – uma característica muito comum como forma de se protegerem de preconceito – para serem incluídos em todas as atividades físicas e culturais que a PUC-Campinas proporciona. “Com o Projeto, esses funcionários entenderam que podem se relacionar com qualquer pessoa, independentemente da deficiência. O Esporte Unificado, nesse aspecto, foi fundamental”, considera Bergan. Ao todo, 12 pessoas participaram do Projeto.

Esporte Unificado: o valor social da inclusão/ Crédito: Álvaro Jr.
Esporte Unificado: o valor social da inclusão/ Crédito: Álvaro Jr.

No Projeto de Extensão, a participação dos alunos do curso de Educação Física, como agente mediador no processo de desenvolvimento dos funcionários com deficiências, trouxe resultados imediatos. Segundo o docente, os funcionários com deficiência deixaram de se relacionar apenas entre eles – uma característica muito comum como forma de se protegerem de preconceito – para serem incluídos em todas as atividades físicas e culturais que a PUC-Campinas proporciona. “Com o Projeto, esses funcionários entenderam que podem se relacionar com qualquer pessoa, independentemente da deficiência. O Esporte Unificado, nesse aspecto, foi fundamental”, considera Bergamo. Ao todo, 12 pessoas participaram do Projeto.

A prática do Esporte Unificado também contou com a participação das pessoas atendidas pelo Centro Interdisciplinar de Atendimento à Pessoa com Deficiência (CIAPD), da PUC-Campinas. Além dessa inclusão, houve outra: a de não haver distinção por gênero, isto é, homens e mulheres jogavam pela mesma equipe.

Projeto de Extensão teve como base a filosofia criada pelo Special Olympics/ Crédito: Álvaro Jr.
Projeto de Extensão teve como base a filosofia criada pelo Special Olympics/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

 

 

 

 O Esporte Unificado: entre o jogo e as regras

Special Olympics, que atualmente congrega 180 países, é considerado o segundo maior evento do mundo, perdendo apenas para as Olimpíadas. Bergamo garante que no Esporte Unificado o sistema de jogo não muda, mas as regras são flexibilizadas. “Em vez de o juiz punir quem comentou a infração, ele orienta o jogador e avisa que aquilo não pode acontecer, apresentando o motivo. Então, mais do que um juiz, ele é um educador. Outro ponto a ser considerado é a tolerância: na modalidade como o basquete tradicional, o jogador não pode ficar mais de três segundos dentro da área restritiva, no Esporte Unificado esse tempo aumenta para cinco, seis segundos. Se o árbitro perceber que o jogador está querendo humilhar seu adversário, ele interfere na jogada e avisa o técnico para tirar aquele jogador. A ideia é fazer com que todos possam entrar no jogo, mesmo que um jogador tenha menor rendimento do que outro. É uma filosofia de chance de igualdade”.