Febre Amarela e a influência no saneamento

Por Prof. Me. Thiago Amin – Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas

 

A crise da Febre Amarela em Campinas, cujo ápice se deu em 1889, foi uma das muitas crises de saúde pública influenciadas pelas péssimas condições de saneamento das cidades brasileiras (e de outros países), naquele período.

O enfrentamento dessa crise foi um dos principais motores da ascensão do Urbanismo como ciência contemporânea, a partir do pensamento higienista, que entendia necessário pensar, planejar e regular a cidade do século vindouro. Só assim seria possível proteger o ar, a água e o solo, de modo a construir um ecossistema urbano mais saudável e livre de doenças.

Um exemplo de intervenção higienista foi a retificação do Córrego do Serafim, chamado de Canal do Saneamento, que hoje ocupa o canteiro central da Avenida Orosimbo Maia.

Desinfectorio Municipal 1890
Fonte: Campinas Virtual

Uma vez que as águas carregavam (e ainda hoje carregam) os dejetos e resíduos da atividade humana, que trazem consigo inúmeras doenças, e seu acúmulo em áreas urbanas pode se transformar no habitat ideal para a proliferação de outras tantas, desenvolveram-se projetos de canais de escoamento, retificação de córregos e rios, sistemas de drenagem de diferentes tipos que tinham como objetivo fazer com que as águas pluviais e residuárias se afastassem o mais rapidamente possível das áreas de ocupação humana.

As redes de coleta e afastamento de esgoto, os reservatórios e o abastecimento de água potável, entre tantos outros investimentos, também são oriundos desse mesmo objetivo, da modernização urbana que foi uma resposta, em grande parte, à epidemia de Febre Amarela que matou e deslocou milhares de pessoas na cidade de Campinas.

O resultado urbanístico e de manejo das águas urbanas, hoje, é bastante discutível, mas isso é outra história.

Para quem quiser saber mais:

“Campinas – O Voo do Saneamento”, de José Pedro Soares Martins.

“O Saneamento de Campinas e a Modernização da cidade: a Implementação dos Sistemas de Águas e Esgotos (1840-1923)”. Dissertação de Mestrado do Prof. João Manuel Verde dos Santos, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.