Gagueira na infância

Por Luciana Furtado Seacero Granja

A gagueira, como é conhecida, é um distúrbio na fluência da fala. A incidência é de aproximadamente 10 milhões de pessoas, ou seja, 5% da população do Brasil. São consideradas sintomas as hesitações, repetições, prolongamentos, pausas, bloqueios, além de aumento da transpiração, medo, movimentos de braços e pernas, dentre outros. Estes sintomas acarretam situações para o sujeito que o levam a evitar sua comunicação com o outro. Portanto, acaba interferindo na sua relação pessoal e comprometendo sua qualidade de vida.

A fluência é uma habilidade adquirida no desenvolvimento, que envolve mecanismos de produção da fala e da elaboração da linguagem. Para que a criança desenvolva as habilidades da fala e da linguagem, bem como outras necessárias para seu crescimento, deve ser estimulada, conviver em um ambiente que favoreça sua comunicação e, desta forma, ter condições de se comunicar conforme o contexto e a necessidade.

A gagueira, ou gagueira do desenvolvimento, surge antes da puberdade, geralmente entre dois e cinco anos de idade, no período de desenvolvimento da linguagem da criança. Existem diversas linhas teóricas quanto a fatores causais para o surgimento dos sintomas. O que podemos concluir é que a gagueira tem causas multifatoriais. Outras formas de gagueira, como de origem neurológica, gagueiras neurogênicas, podem surgir após lesões cerebrais. As gagueiras de origem psicogênica também podem surgir após um evento emocional marcante. As gagueiras adquiridas têm suas causas pontuais, e seu desenvolvimento e tratamento são mais direcionados conforme suas especificidades.

Geralmente, a gagueira do desenvolvimento pode ser encontrada em outros membros da família. Os sintomas são variados, podendo aparecer em momentos diferentes, com severidade de sintomas e frequência muito variados. Em algumas situações, a fala pode apresentar vários episódios de quebra da fluência, outras vezes, a fala pode apresentar pouca quebra da fluência.

Para o melhor desenvolvimento da fala e da linguagem, é importante que a criança ou qualquer pessoa que apresente os sintomas sejam encaminhados para avaliação e, se necessário, tratamento fonoaudiológico o mais precocemente possível. Desta forma, a pessoa receberá o atendimento necessário e os sintomas poderão diminuir ou desaparecer, conforme o caso.

As crianças, quando encaminhadas precocemente, têm a chance de não apresentar mais sintomas. O tempo que as alterações da fluência tiveram início, bem como a severidade dos mesmos, irá direcionar o trabalho do fonoaudiólogo. Quanto mais cedo o tratamento começar, maior a chance de melhora e remissão total dos sintomas.

Profa. Me. Luciana Furtado Seacero Granja, Diretora da Faculdade de
Fonoaudiologia – CCV – Centro de Ciências da Vida