Influência digital e as perspectivas de um mundo melhor

Por Prof. Dr. Victor Kraide Corte Real – Publicitário, doutor em Ciências da Comunicação. Diretor do curso de Design Digital da PUC-Campinas.

Você já parou para pensar que as pessoas nascidas nos anos de 1980 fazem parte da última geração a conhecer o mundo sem a internet? Sim, a rede mundial de computadores foi disponibilizada ao público em escala global no início dos anos de 1990, através das linhas discadas. Lembra-se daquele barulhinho na hora de conectar? De como era lento abrir um site, fazer uma pesquisa ou entrar numa sala de bate-papo, tudo ainda com um design bem precário e limitado? De esperar o final de semana para ficar conectado quanto tempo quisesse, não sendo cobrado por cada minuto de ligação, pagando apenas pela tarifa de um pulso telefônico? Parece que isso tudo é coisa de uma outra vida, não é? Mas, não se engane, foi ontem mesmo. Se você tem mais de vinte e poucos anos, talvez se lembre desse mundo.

Diante desse retrospecto, se você nasceu antes de 1990, é possível afirmar que, provavelmente, passou, ou ainda passa, um certo tempo em frente à televisão, vendo a programação “imposta” pelas emissoras dentro de uma grade de horário fixa e pré-definida. Para quem nasceu depois de 1990, em geral, a televisão é vista como um aparelho que insiste em fazer parte da mobília de muitas residências, que serve, na melhor das hipóteses, como uma tela grande para conectar o computador ou o videogame e ampliar um pouco a experiência de navegar pela internet ou de curtir jogos eletrônicos.

O conceito de entretenimento e de informação, intermediados por uma mídia, mudou muito rapidamente. Na verdade, não é o tamanho ou a quantidade de conteúdo que trafega na internet o que mais impressiona, mas sim as possibilidades de acesso. As pessoas podem ver o que quiser, na hora que quiser e onde quiser. Continuamos sendo vorazes espectadores do conteúdo produzido por outros, mas, hoje, temos muito mais condições de gerar conteúdo próprio, divulgar, influenciar e conquistar a fama com mais facilidade que em qualquer outro período histórico.

Como consequência direta, nossos heróis, ídolos e modelos de sucesso também mudaram. Boa parte dos jovens continua admirando atores, cantores, atletas e profissionais em geral que se destacam em suas áreas, mas são as “celebridades da internet” que despertam cada vez mais a atenção do público com menos de 30 anos. Para eles, é muito mais presente e palpável a chance de qualquer “pessoa normal” ficar famosa e ganhar dinheiro, simplesmente produzindo e postando vídeos em seus canais pessoais, muitas vezes de maneira bem caseira, fazendo uso apenas do carisma e da diversão, sem qualquer pretensão de desenvolver discussões em profundidade.

A qualidade do conteúdo produzido nesses canais é algo muito subjetivo e bastante relativo. É verdade que entre os mais populares não encontramos, por exemplo, abordagens a respeito do conhecimento científico ou da cultura erudita, mas, na vastidão da internet, existem produções sobre esses temas e sobre quaisquer outros que se possa imaginar. O desafio atual dos educadores, líderes e, certamente, dos influenciadores digitais é estimular o uso positivo desse repertório na construção de uma sociedade mais justa e de um mundo melhor.