Jovens , álcool e carro: uma atração perigosa

Projeto de Extensão conscientiza estudantes sobre a combinação fatal do álcool com volante

 

Por Beatriz Videira

Os jovens fazem parte da cruel realidade dos acidentes de carro, onde também se tornam personagens principais.  Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), 41% dos mortos em acidentes de trânsito estão na faixa etária de 15 a 34 anos. Eles estão mais expostos aos acidentes, levando-se em conta os padrões de comportamento e hábitos de lazer que quase sempre envolvem a bebida alcoólica.

O papel da educação no processo de prevenção / Crédito: Álvaro Jr.
O papel da educação no processo de prevenção / Crédito: Álvaro Jr.

O projeto de extensão “Prevenção de acidente de trânsito relacionado a risco e álcool na juventude”, da PUC Campinas, liderado pelo docente  da Faculdade de Medicina da PUC Campinas, Prof. Dr. José Gonzaga Teixeira Camargo, realiza um trabalho de conscientização e desenvolve atividades educativas para alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio de Escolas Públicas e Privadas da região Metropolitana de Campinas.

Segundo o professor, “o projeto visa basicamente conseguir capacitar os alunos das escolas secundárias a fazerem escolhas seguras no que diz respeito à bebidas alcoólicas e direção.”

O projeto é liderado pelo docente  da Faculdade de Medicina da PUC Campinas, Prof. Dr. José Gonzaga Teixeira Camargo/ Crédito: Álvaro Jr.
O projeto é liderado pelo docente da Faculdade de Medicina da PUC Campinas, Prof. Dr. José Gonzaga Teixeira Camargo/ Crédito: Álvaro Jr.

O trabalho de extensão começou em novembro de 2014 e recebeu alunos da escola Pio XII e Porto Seguro. Geralmente, são de duas a quatro visitas por mês com turmas de no máximo 30 alunos. No Campus II da PUC-Campinas, os jovens que participam do projeto acompanham palestras sobre os riscos da combinação álcool e volante com Polícia Militar, EMDEC (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), e Corpo de Bombeiros. Mariângela Pereira, Analista de Educação da EMDEC e palestrante, conta que “com uma abordagem educativa procuramos alertar os jovens sobre a importância de se fazer escolhas seguras no trânsito.”  Os alunos também acompanham o depoimento de vítimas de acidente no trânsito. Após ouvir os profissionais, os alunos aprendem sobre os mecanismos de ação do álcool no organismo, através de uma aula do Prof. Dr José Gonzaga.

Após o contato dos alunos com a temática, os estudantes vão até o Ambulatório de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da PUC-Campinas, onde conhecem vítimas em processo de reabilitação e também fazem uma visita ao Hospital Universitário, passando pela Enfermaria de Cirurgia, pela Enfermaria de Ortopedia e pelo Pronto Socorro. Para o Professor Gonzaga, essa experiência prática dos alunos é  importante para causar impacto, pois hoje, segundo o docente, “essa geração de agora precisa ver para crer; eles precisam tocar nas coisas e a partir do momento que eles vêem inloco o que esta acontecendo, acreditam que o perigo está de fato presente na realidade”, expõe.

A aluna Vitória Sebra, da escola Porto Seguro, ressalta que o projeto deu aos alunos a oportunidade de conhecer a realidade  “o que é passado pra gente não chega nem perto do que estamos vendo aqui hoje.  O choque de realidade é tanto entre os jovens que Vitória conta que durante a visita ao Hospital tudo que conseguia pensar era  “nossa, poderia ser eu aqui.”

Segundo pesquisas retiradas do Portal do Transito Brasileiro, com dados obtidos através da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) e do PARE (Programas de Redução de Acidentes nas Estradas), cerca de 90% dos casos de traumas podem ser evitados, por meio de escolhas seguras, evitando fatores de riscos, como abuso de álcool, drogas, excesso de velocidade, desatenção, inexperiência e a não utilização de equipamentos de proteção, como o cinto de segurança. Assim, é preciso sensibilizar os jovens, fazendo com que reflitam antes de tomar decisões arriscadas, como dirigir embriagados.

Alunos do Ensino Médio de Escolas Públicas e Privadas da região Metropolitana de Campinas participam do projeto/ Crédito: Álvaro Jr.
Alunos do Ensino Médio de Escolas Públicas e Privadas da região Metropolitana de Campinas participam do projeto/ Crédito: Álvaro Jr.

O papel da educação nesse processo de prevenção é a única saída, na opinião do Professor de Medicina , José Gonzaga, ‘‘nós já estamos no extremo, em termos de que a medicina poderia oferecer; nós já trabalhamos muito no  problema agora é necessário trabalhar para evitar, para que não aconteça o problema, e não existe outra forma a nao ser a educação.”

Para o docente, é importante que o conhecimento gerado na Universidade extrapole os muros acadêmicos, uma vez que essa é a essência da Extensão, “você poder ensinar ao paciente maneiras de evitar a doença dele, deixar a saúde de ser algo centrado somente nos profissionais de saúde, mas capacitando as pessoas a cuidarem de si mesmas”  finaliza Gonzaga.