Museus têm grande potencial para a divulgação científica

A afirmação é da Coordenadora do Museu Universitário da PUC-Campinas e diretora do curso de História da Universidade

Por Amanda Cotrim

A Ciência parece ser um assunto restrito aos cientistas, do qual a população leiga não tem licença para compartilhar. Certo? Errado. Com o objetivo de popularizar o conhecimento científico, a PUC-Campinas ampliou os investimentos para divulgar a ciência histórica, no Museu Universitário. Em 2014, a Universidade venceu o edital do Programa de Apoio Cultural (PROAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, que fomenta o projeto itinerante O museu vai à escola: proposta de democratização do Museu Universitário da PUC-Campinas, que oferece oficinas de capacitação sobre patrimônio material e imaterial, educação patrimonial, museu e cultura material. “A divulgação científica é um grande potencial dos museus, visto que é por meio dela que aproximamos a população da ciência, por meio das exposições, dos projetos, dos acervos e dos arquivos”, considera a Coordenadora do Museu Universitário e Diretora do Curso de História da PUC-Campinas, Profa. Dra. Janaina Camilo.

O museu deixou de ser aquele lugar que apenas guardava objetos de um determinado período histórico e se transformou em um local de pesquisas e eventos culturais, nas áreas de História, Comunicação, Artes e Ciências Naturais e Exatas. Essa mudança está alinhada com as políticas públicas voltadas à popularização dos museus, segundo Janaina. “Sobretudo, aquelas estabelecidas, desde 2003, por meio da Política Nacional de Museus, que provocou o diálogo com pessoas e entidades vinculadas à museologia, meio universitário, profissionais da área e secretarias estaduais e municipais de cultura”, explica.

"O museu deixou de ser aquele lugar que apenas guardava objetos e se transformou em um local de pesquisas e eventos culturais"/ Crédito: Álvaro Jr.
“O museu deixou de ser aquele lugar que apenas guardava objetos e se transformou em um local de pesquisas e eventos culturais”/ Crédito: Álvaro Jr.

No Brasil, a tradição de museus teve início a partir do século XIX e, de acordo com a historiadora, está diretamente associada à política de construção de uma identidade nacional, implantada no Governo de D. Pedro II. Desse período, destaca-se a inauguração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que deu suporte às viagens de naturalistas que adquiriram objetos de cultura material, da biologia e da botânica de diferentes lugares do Brasil e que passaram a ser expostos em museus como o Emílio Goeldi (Belém), Museu Nacional (Rio de Janeiro) e o Museu Paulista (na cidade de São Paulo). Dessa forma, até o início do século XX, os museus brasileiros tinham duas temáticas importantes: os destinados à instrução – reunião objetos de história natural, artefatos científicos – e aqueles dedicados à beleza e agregavam objetos de valor estético.

Campinas conta atualmente com 14 instituições museológicas, entre eles está o Museu Universitário localizado no Campus Central da Universidade, no centro de Campinas, e possui acervo permanente. Estima-se que o Museu abrigue 15 mil itens, entre peças museológicas e documentos históricos, livros e outras categorias. O Acervo Museológico é composto por cerca de 10 mil peças, divididas em cinco coleções temáticas. “Os museus são guardiões de significados, de identidade e da memória coletiva, sendo fonte de história dos homens e da terra. Hoje, os museus ampliaram sua potência e tornaram-se, também, espaços de educação do indivíduo, de promoção do senso estético e de afirmação da identidade nacional”, afirma Janaina.

Público acompanha exposição no Museu Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.
Público acompanha exposição no Museu Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.

Confira o acervo do Museu Universitário:

  • Coleção Arqueologia: reúne doações de material arqueológico feitas pelo Prof. Desidério Aytai, resultantes de escavações nas regiões de Monte Mor (SP), Mairinque (SP), Sangradouro (MT), Vale do Ribeira (SP) e no estado do Rio Grande do Sul. Conta com os mais variados tipos de registro arqueológico, como restos cerâmicos, líticos, ossos humanos e de fauna, carvões e amostras de sedimento
  • Coleção Etnológica: coleção formada inicialmente pela ação acadêmica dos docentes do curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas, Professores Alfonso Trujillo Ferrari e Desidério Aytai, ao final da década de 1950 até a década de A partir da década de 1980, houve participação de outros professores e pesquisadores, em especial, do docente de Ciências Sociais, Prof. Agenor José Farias e da docente de Artes Visuais, Profa. Dulcimira Capisani, entre outras doações. A coleção conta com cerca de 1000 peças entre armas, instrumentos musicais, herbário, adornos corporais, trajes rituais e utensílios diversos. A seguir, algumas das etnias representadas na coleção: Baniwa (AM), Bororo (MT), Guarani (SP), Kadiwéu (MS), Kayapó (PA), Kaingang (SC), Kamaiurá (MT), Karajá (GO), Karitiana (RO), Krikati (MA), Maku (AM), Parakanã (PA), Pareci (MT), Pataxó (BA), Sateré-Mawé (AM), Terena (MS), Ticuna (AM), Tukano (AM), Urubu Kaapor (MA), Xavante (MT), Xerente (TO) e Yanomami (AM).
  • Coleção “Folclore e Cultura Popular”: coleção formada a partir do trabalho da Profa. Laura Della Monica, que após extensa pesquisa de campo em várias regiões do Brasil trouxe peças representativas que revelam costumes, tradições, religiosidade, música, arte, entre outros aspectos da cultura imaterial brasileira. A coleção conta com aproximadamente 190 peças entre cerâmica figurativa, utilitária, lamparinas, matrizes de xilogravuras, entre outros objetos. Este acervo pela sua própria característica vem crescendo com a contribuição da comunidade de artesãos e cidadãos que se conscientizam da importância de preservar a sua memória cultural por meio de doações de peças que revelam o seu patrimônio cultural.
  • Coleção “História da PUC-Campinas”: acervo voltado para o registro da memória institucional da Universidade. Vem sendo reunido a partir dos dez últimos anos e passa atualmente por um processo de inventário e curadoria. Os exemplares foram adquiridos mediante doações ocasionadas como resultado da reestruturação e inovação física e curricular da Universidade. Algumas Faculdades (de modo particular Odontologia) passaram a enviar exemplares de peças ao Museu, no sentido de preservá-los. Desta maneira, a formação desta coleção envolve a participação da comunidade interna, ex-alunos, ex-professores, ex-funcionários, que reconhecem o valor da história que a Universidade escreveu no decorrer de sua trajetória.
  • Coleção “Japão Pré-Industrial”: uma das maiores preciosidades do acervo do Museu. Trata-se de acervo composto por artefatos de uso agrícola e doméstico do período histórico do Japão conhecido como Era Meiji (1868-1902), utilizados principalmente na rizicultura e na sericultura de regiões mais frias do país. Foi adquirido por meio de permuta com o The Little Museum of Man, de Nagoya.

Já o Acervo Documental encontra-se em fase de organização, motivo pelo qual ainda não é possível afirmar com precisão quantos são os itens que nele se encontram. Estima-se que existam cerca de 5.000 itens, entre documentos (manuscritos ou datilografados), fotografias, negativos, jornais, livros, discos de vinil, fitas VHS, fitas K7, CDs, DVDs, periódicos, mapas, entre outros tipos de suporte. Este acervo passou a ser organizado a partir de 2011, com a implementação do Centro Documental (CEDOC) no Campus Central.