Música de Câmara inova repertório e quer se globalizar

Por Amanda Cotrim

O Grupo de Música de Câmara, do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas, traz uma novidade para 2015. Agora, os músicos, sob a regência do Professor Moises Cantos, terão um repertório mais globalizado, com músicas não só eruditas, mas de variados estilos. A iniciativa, segundo Cantos, partiu dos próprios alunos, que demonstraram interesse em tocar ritmos do mundo todo.

Foto: Álvaro Jr.
Foto: Álvaro Jr.

Segundo o Professor, o erudito é fundamental para que o aluno possa atingir uma boa técnica. No entanto, outros estilos de música são importantes para estimular não só o aluno como também o público. “Este ano, traremos um repertório mais amplo para o Grupo de Música de Câmara, músicas de outros países, que envolvam uma técnica apurada, mas que o aluno possa crescer como pessoa e ter contato com uma camada variada de estilos globais, para que ele aprenda a tocar de tudo”, explica Cantos.

Música de Câmara é um termo utilizado para formações de pequenos grupos de instrumentos ou vozes, com, geralmente, repertório de música erudita, que tradicionalmente podiam acomodar-se nas câmaras de um palácio. Atualmente, a expressão é usada para qualquer música executada por um pequeno número de músicos. A palavra “câmara” indica que a música pode ser realizada em salas pequenas, geralmente com uma atmosfera mais intimista.

 O grupo do CCA concentra instrumentos de sopro, como flauta doce, trompete e o sax; instrumentos de corda, como o violino, a viola, o violoncelo e o contrabaixo, além de percussão e do piano. O repertório do grupo atende aos eventos da Universidade e, eventualmente, o Música de Câmara se apresenta em outros espaços.

Segundo Cantos, a aposta é que, com um repertório mais globalizado, a música de câmara se aproxime mais do público leigo. “Se eu fizer um repertório muito erudito, eu terei dificuldade, porque nem todo mundo tem o hábito de ouvir música clássica”. O Professor ressalta, no entanto, que não vai abandonar a música erudita.

Inclusão Musical

Foto: Álvaro Jr.
Foto: Álvaro Jr.

Moises Cantos explica que outra novidade nas apresentações será a explicação sobre a obra que será apresentada. Antes de o público conferir a música, o grupo vai apresentar a história da obra e de seu compositor. Para Cantos, isso contribuirá para que o público e o aluno acessem a música, principalmente a erudita, com os “ouvidos mais abertos”.

“Beethoven era um compositor envolvido com a maçonaria. Na Quinta Sinfonia: ta ta ta ta…os quatro elementos da maçonaria aparecem na música. Ele colocou uma mensagem subliminar. Apresentar esses aspectos curiosos e outros aspectos técnicos para desvendar e desmistificar a música erudita é um dos nossos objetivos”.

De acordo com o Professor, o público em geral está aberto para a música erudita, mas a dificuldade em aceitá-la está no fato de as pessoas não entenderem a música. “É preciso dar ferramentas para que o público acesse esse estilo. Por isso, é tão importante desenvolver o gosto pela música, construir uma ponte entre os dois lados, para quando o Grupo de Música de Câmara for apresentar música erudita, o público não fique bocejando”, brinca.

Coordenador do Música de Câmara, Moises Cantos e um dos ensaios do grupo. (Imagem:Álvaro Jr.)
Coordenador do Música de Câmara, Moises Cantos e um dos ensaios do grupo. (Imagem:Álvaro Jr.)

Repertório Global

Ainda não há definição sobre quais músicas e estilos vão figurar durante o ano no Grupo de Música de Câmara, apesar de já se saber que será global. Segundo Cantos, a definição vai depender dos alunos que vão participar do grupo em 2015. “Eu vou avaliar o aluno e o instrumento que ele trouxer. A partir daí, conhecendo esses alunos, eu defino repertório”, considera.

Para participar do Grupo de Música de Câmara é necessário um conhecimento intermediário em algum dos instrumentos citados. Os ensaios são realizados no CCA, que fica no Campus Central. Além do ganho artístico, Cantos garante que o aluno aprende a trabalhar em grupo, ser liderador e liderar quando é preciso, além de aprender a lidar com as diferenças, afinal, são 17 pessoas completamente diferentes entre si, que vão trabalhar juntas por um ano todo.

O Grupo de Música de Câmara do CCA foi fundado em 2006 e busca contribuir para o fomento da música erudita na Universidade por meio de formações instrumentais diversas. As formações podem ser integradas por alunos, funcionários e membros da comunidade externa em geral. O objetivo é formar grupos de música de câmara para o desenvolvimento pessoal de cada músico, permitindo o acesso a uma das maneiras mais representativas de fazer música em conjunto, na história da música universal. O trabalho é apoiado na pesquisa e na performance de cada grupo.

Mais informações sobre o processo seletivo, datas e horários de ensaio, acesse aqui.