O Papel da Internet no Processo Eleitoral

Finalizadas as eleições, cabe uma análise deste momento histórico. Sim histórico. Sempre é bom lembrar que vivemos em uma democracia, com eleições livres e liberdade de expressão.

Somos uma nação jovem, com pequenos períodos intercalados de democracia. Após o término da ditadura militar, em 1985, esta é a sétima eleição direta para Presidente da República. As instabilidades nas campanhas eleitorais no tocante às acusações pessoais, a falta de clareza nas propostas, a pouca profundidade ou a ausência de discussão de temas relevantes, se devem à tenra infância que vive nossa democracia. Não que isso justifique os erros dos candidatos. Não, de forma alguma. Mas serve para compreendermos melhor nosso desenvolvimento como sociedade.

Sob o aspecto eleitoral tivemos nesta campanha o efetivo uso da internet para propaganda eleitoral oficial dos candidatos e também para manifestações políticas dos eleitores por meio de sites, blogs, Facebook e twitter. Dada a inadiável necessidade de diminuição dos custos de campanha, temos na internet o futuro da propaganda eleitoral, ao lado do rádio e TV, eliminando-se propagandas em papel, bonecos, cavaletes e faixas, para o bem do trânsito de veículos e do meio ambiente.

Vimos também o lado negativo do uso da internet por meio da propagação de calúnias e difamações aos candidatos e também de discursos de ódio após as eleições, por meio de mensagens separatistas e preconceituosas contra o Norte e Nordeste do país.
Importante registrar que as manifestações da internet são passíveis de sanções civis e criminais e cabe a cada cidadão se manifestar com maturidade e responsabilidade. Cabe, também aos candidatos, uma reflexão para que possam analisar até que ponto incentivaram as manifestações preconceituosas da população.

Passadas as eleições temos agora que pensar no futuro de nosso país, com a população unida em torno do bem comum, deixando de lado o discurso de “nós e eles”. Que esta eleição presidencial tão acirrada possa despertar na população o pleno exercício da cidadania, acompanhando e fiscalizando os candidatos eleitos, em todas as esferas, para que nas próximas eleições possamos discutir propostas voltadas ao futuro do país.

Peter Panutto
Diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas e especialista em Direito Eleitoral.