PÁSCOA – COMPORTAMENTO Coelhos como presente

Por Prof. Dr. João Flávio Panattoni Martins – Diretor da Faculdade de Medicina Veterinária

Estamos chegando ao final da Quaresma!

Na última semana destes quarenta dias de orações e penitências, designada Semana Santa, celebramos e comemoramos o Tríduo Pascal, que prevê os eventos mais marcantes e importantes do ano litúrgico cristão. Este período de profunda significância para nós católicos, que retrata a Paixão de Cristo, culmina no Domingo de Páscoa, quando festejamos intensamente o dia da Ressurreição de Cristo.

Nesse momento de renascimento, o Domingo da Ressurreição é, tradicionalmente, simbolizado pelo Coelho da Páscoa, que representa a fertilidade, o nascimento, a vida nova! Muitos relatos comprovam, desde antigas civilizações, a representação da fertilidade simbolizada pelos coelhos, por serem animais muito prolíferos de intensa atividade reprodutiva.

No entanto, percebe-se que esta simbologia associada à prática de originalmente se distribuir ovos de galinha pintados às crianças, vai sendo reinventada através das gerações, sendo inclusive, bastante influenciada pelas atividades comerciais. Os ovos se tornaram doces cada vez mais sofisticados, ansiosamente aguardados não só pelas crianças.

Porém uma prática relativamente mais recente, normalmente estimulada pelo anseio de originalidade e inovação de comerciantes e consumidores, requer uma reflexão madura e responsável, o que, na maioria das vezes, não acontece.

Transformar o símbolo da fertilidade em presente vivo, não pode ser uma atitude impensada, pois se assim for, torna-se automaticamente irresponsável e cruel.

Nos meses posteriores à Páscoa, várias organizações e entidades envolvidas com a proteção e o bem-estar animal, relatam o expressivo aumento dos casos de abandono, maus tratos e de morte de coelhos.

As pessoas, normalmente agindo por impulso, não exercitam a consciência de que aquele lindo e sedutor filhotinho transformado em presente oportuno, se tornará adulto e por toda sua vida irá requerer espaço, assistência e dedicação de um tutor consciente da responsabilidade assumida. Se essa consciência estiver presente, esses animais normalmente são muito dóceis e afáveis, tornando essa convivência muito agradável e prazerosa. Porém, coelhos são muito susceptíveis a doenças fúngicas, sarnas, pulgas e também não são raras as situações de destruição de plantas e jardins e a incompatibilidade de convivência com outros animais como cães e gatos. Nesse sentido, uma pessoa bem-intencionada poderá, rapidamente, se transformar em algoz do próprio “presente”. Por existirem os coelhos selvagens, vários acreditam que coelhos domésticos conseguirão sobreviver autonomamente quando abandonados em matas ou florestas, o que definitivamente não acontece, pois são altamente susceptíveis a estresse, predadores e dificilmente conseguirão se alimentar satisfatoriamente.

Sendo assim, percebe-se que essa euforia e suposto compromisso de posse responsável, assumidos inicialmente, tornam-se efêmeros e passageiros, afinal a estimativa de vida de um coelho doméstico é de 6 a 8 anos, e aquele lindo animal que simboliza fertilidade e vida nova, acaba sendo vítima de abandono e morte.

Instrua seus amigos!! Coelhos de presente?! …dê preferência aos de chocolate!!

Feliz Páscoa a todos!!

Informações adicionais no link abaixo:

http://emais.estadao.com.br/blogs/comportamento-animal/pascoa-chocolates-e-coelhos-com-moderacao/