PÁSCOA – RELIGIÃO Vida ressignificada!

Por Pe. João Batista Cesário

Duelam forte e mais forte: é a vida que enfrenta a morte! (…) Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado!” Esses versos são da Sequência Pascal, hino festivo que a Igreja canta no Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor, exultando de alegria por sua vitória sobre a morte. De fato, “Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus…pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por meio dele, entre vós” (At 2,22) – testemunhou Pedro no dia de Pentecostes. “Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos… e nós somos testemunhas de tudo que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém” (At 10,38-39) – insistia o apóstolo. Entretanto, “eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia” (At 10, 39-40) – concluiu Pedro. E, à luz de sua Páscoa, a história do passado do povo de Deus foi relida e reinterpretada sob nova perspectiva, enquanto novos horizontes se abriam para o futuro da humanidade.

Com efeito, no passado, no ambiente da cultura semítica, a festa da Páscoa era a celebração da partida dos rebanhos para as pastagens de verão, associada mais tarde à festa dos “pães ázimos” (sem fermento), que marcava o início das colheitas, momento muito importante na vida agropastoril.

A experiência do Êxodo ou da libertação do povo de Deus da escravidão no Egito, ocorrida nos dias das celebrações pascais, conferiu novo significado à Pascoa que, desde então, se tornou a celebração da libertação que Deus garantiu ao seu povo e o reinício de sua história numa terra prometida.

Após a morte e ressurreição de Jesus nos dias da páscoa judaica, os cristãos ressignificaram o sentido dessa festa, que passou a ser a celebração da vitória de Cristo sobre a morte. Com efeito, Páscoa é passagem, e, assim como no passado, os hebreus passaram pelo Mar Vermelho a pé enxuto para vencer os grilhões da escravidão (Êxodo), agora é Cristo que, realizando um novo êxodo, passa da morte para a vida. “Imolado como cordeiro pascal dos cristãos” (1Co 5,7), Cristo ofereceu sua vida em sacrifício (Jo 10,18), morreu por amor a todos e ressuscitou para garantir vida plena para a humanidade.

Assim, a festa da Páscoa é desafio de renovação espiritual; de ressignificação de costumes, práticas e da própria vida; de retomada de bons propósitos e projetos; e de realização de travessias para utopias (que, literalmente, ainda não têm lugar, mas permanecem latentes na história) a serem construídas em vista de outro mundo possível, no qual todos possam viver digna e plenamente – um mundo com mais pontes de fraternidade e integração e menos muros de intolerância e exclusão!