Pesquisa identifica degradação na Mata do Quilombo

Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Engenharia Ambiental aponta que a perda ambiental está relacionada à exploração dos recursos naturais

 Por Amanda Cotrim

A Mata do Quilombo, conhecida também como Mata da Vila Holândia, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, está passando por um processo de degradação. Isso é o que apontou pesquisa realizada na Faculdade de Engenharia Ambiental, do Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (CEATEC). Segundo a autora da pesquisa, Gabriela Fernandes Zangirolami, que foi orientada pela Profa. Dra. Regina Longo, o fato de o remanescente florestal estar em uma área urbana, com crescimento populacional e aumento na exploração dos recursos naturais, a exemplo do solo, flora e ar, aliado à demanda de investimentos em obras de infraestrutura e construção de estradas, contribuiu para a degradação do local.

A vegetação em áreas urbanas ameniza as alterações do clima e melhora o microclima urbano/ Crédito: Álvaro Jr.
A vegetação em áreas urbanas ameniza as alterações do clima e melhora o microclima urbano/ Crédito: Álvaro Jr.

Para identificar os aspectos de degradação da mata, o perímetro da mesma foi dividido em segmentos de A a F. O trecho AB está localizado na interface com o plantio de cana-de-açúcar; o segmento BC faz interface com uma estrada de terra e com o pasto; o trecho CD localiza-se na beira da estrada, e, por fim, o segmento EF está localizado na beira da Estação de Tratamento de Esgoto (E.T.E.) do distrito de Barão Geraldo. “Somados estes aspectos, fica evidente a prática do desmatamento, além da remoção da camada orgânica e exposição das camadas mais frágeis do solo, compactação e lixívia do solo, contaminação por metais pesados, os quais afugentam entorno da fauna, promovem a remoção da flora local, a erosão do solo e a disposição de resíduos”, afirma Gabriela.

Aliadas às áreas urbanas, as áreas verdes têm função de manter o equilíbrio social, ambiental e econômico garantindo qualidade de vida e qualidade ambiental. Essas áreas podem estar distribuídas e possuem diversas categorias, além de serem viáveis economicamente. Com a degradação da Mata do Quilombo, a qualidade de vida da população é reduzida. “A proposta de recuperação da área do entorno do remanescente poderá auxiliar o poder público nessa percepção, já que demonstrará como as ações de recuperação melhoram a qualidade de vida das comunidades vizinhas e do bioma”, defende a autora da pesquisa.

Demanda de investimentos em obras de infraestrutura e construção de estradas, contribuiram para a degradação do local. / Crédito: Álvaro Jr.
Demanda de investimentos em obras de infraestrutura e construção de estradas, contribuiram para a degradação do local. / Crédito: Álvaro Jr.

“A vegetação em áreas urbanas é tão necessária como benéfica, pois ameniza as alterações do clima e melhora o microclima urbano e a variação das proximidades da superfície do solo”, afirma Gabriela. A vegetação também tem uma grande função no balanço de energia e no fluxo de volumes de água, já que uma parte da precipitação é retida pela vegetação, sendo que quanto maior a superfície de folhagem maior é a área de retenção da água. A vegetação também determina a infiltração e o escoamento das águas pluviais, “sendo esses os fatores que determinam a erosão do solo, a qualidade e quantidade de água que escoa pela superfície, bem como, a infiltração no solo”, explica.

A Mata do Quilombo, conhecida também como Mata da Vila Holândia/ Crédito: Álvaro Jr.
A Mata do Quilombo, conhecida também como Mata da Vila Holândia/ Crédito: Álvaro Jr.

Diante da constatação de que a sociedade está contribuindo para a degradação da Mata do Quilombo, a autora da pesquisa afirma que a recuperação da área ainda carece de políticas públicas e de fiscalização para a conservação ambiental. “É necessário que os ecossistemas naturais estejam presentes na vida das pessoas, frente ao grande patrimônio ambiental que representam. O nosso trabalho, realizado na Faculdade de Engenharia Ambiental, serve como subsídio para a recuperação e melhora da qualidade ambiental da área”, considera Gabriela. As atividades de recuperação, segundo ela, têm por finalidade permitir que ocorra o processo de sucessão ecológica na área trabalhada, garantindo-se que todos os fatores fundamentais para que a sucessão ocorra estejam ali presentes ou seja a ela fornecidos.