Por uma geração que aprecie ciência

Por Amanda Cotrim

A ideia de que a Ciência é algo “difícil” e está distante das pessoas perpassa um imaginário. Diante disso, como falar sobre Ciência, metodologia, hipóteses para uma criança ou um adolescente? A solução pode ser mais simples do que se imagina.

Conhecimento requer investimento, tempo, esforço e dedicação - Crédito: Álvaro Jr.
Conhecimento requer investimento, tempo, esforço e dedicação – Crédito: Álvaro Jr.

O Colégio de Aplicação PIO XII, da PUC-Campinas, há, pelo menos oito anos, trabalha com educação científica para as crianças do Ensino Fundamental e os adolescentes do Ensino Médio. “Para o universo infantil, esse trabalho é feito com muita naturalidade e construção do processo de aprendizagem. Eles aprendem a fazer e a pensar sobre as ações, levantam hipóteses, coletam dados e podem concluir o resultado das atividades práticas”, contextualiza Andrea Fiorello, Coordenadora da Educação Infantil e Fundamental I. Para os alunos mais novos, de sete anos, que estão no segundo ano da escola, é importante que eles se sintam parte integrante da natureza e agentes transformadores, opina.

Andrea explica que os estudantes do 3º ao 5º ano (8 e 10 anos) já fazem trabalhos, observando temas que envolvem o tempo, animais e o corpo humano. “A natureza contemplando a teoria e a prática de atividades como, por exemplo, quando realizamos o preparo de saladas de vegetais, salada de frutas, participação no Estudo do Meio do Departamento de Limpeza Urbana da Prefeitura de Campinas, entre outros”. Além disso, acrescenta, “as crianças realizam experimento de foguete para observar o deslocamento do ar e trabalham com o projeto de sombras.”

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Desafios

Para o Coordenador do Ensino Fundamental II e Médio do Colégio de Aplicação PIO XII, Antonio Baraçal Prado Júnior, os maiores desafios estão em romper com o senso comum, não só em relação ao conhecimento, mas também ao perfil do pesquisar que, segundo ele, muitas vezes é visto pelo jovem de forma distorcida. “É preciso demonstrar a importância da ciência como valor que gera desenvolvimento e condição de vida. O conhecimento requer investimento, tempo, esforço e dedicação permanente, tanto do professor quanto do aluno”.

Passo a passo na inclusão científica

No Ensino Fundamental II, o Colégio de Aplicação PIO XII trabalha com o desenvolvimento de projetos interdisciplinares, em grupo, seguindo metodologia científica, com formatação dos trabalhos segundos normas acadêmicas. Os alunos do 7º ano (12 anos) acompanham a disciplina de Organização e Metodologia de Estudo, na qual recebem orientações sobre a elaboração de trabalhos acadêmicos, que são apresentados oralmente aos demais alunos da classe. A escola também investe em laboratórios de ciência, química, biologia, em que os alunos realizam experimentos, possibilitando contato com procedimento científico de análise de material e suas propriedades, realizando, inclusive, relatórios.

Ensino Médio

Os alunos do Ensino Médio do Colégio de Aplicação PIO XII participam do programa de Iniciação Científica Junior, em parceria com a PUC-Campinas e com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que oferece bolsas de Iniciação Científica aos alunos que participam das atividades dos grupos de pesquisa da Universidade. Os grupos são formados por professores, alunos de mestrado e doutorado, além dos alunos de graduação da Universidade.

“O contato com a ciência não só motiva o aprofundamento dos estudos, como também traz o conhecimento elaborado para a realidade do aluno, despertando seu interesse pelo conhecimento científico”, considera o Coordenador do Ensino Fundamental II e Médio, Antonio Baraçal Prado Júnior.

 O papel do Professor

“O Professor precisa levar o aluno à posição de investigador, fazendo-o entender que não há, necessariamente, uma única forma de análise ou prática do experimento, mas que há outras possibilidades de realização das experiências para que ele possa elaborar o conhecimento”, argumenta a Coordenadora da Educação Infantil e Fundamental I, Andrea Fiorello.

Plantando conhecimento. Colhendo transformação

Alunos do Colégio de Aplicação PIO XII- Crédito: Álvaro Jr
Alunos do Colégio de Aplicação PIO XII- Crédito: Álvaro Jr

Um dos principais projetos de educação científica no Colégio de Aplicação PIO XII é o “Mãos à Horta”, uma oportunidade de os alunos do sétimo ano (12 anos) aplicarem conteúdo aprendidos em sala de aula, trabalhando raciocínio lógico, geometria com a criação do espaço da horta, o conhecimento intuitivo e a autonomia. “Um laboratório vivo, que facilita e consolida o aprendizado de diversas disciplinas, levando em conta questões ambientais”, exalta a professora de Matemática e Desenho Geométrico, Vera Lucia Paes Moschetta.

A horta é regada e cuidada diariamente pelos alunos, que registram, por meio de relatórios, as atividades executadas e o desenvolvimento das hortaliças, estimulando o domínio do texto. “A atividade estimula o conhecimento tanto na área de ciências exatas quanto biológicas”, resume Vera.