Projeto conscientiza pacientes com Diabetes

Se não for tratado adequadamente, o Diabetes pode causar insuficiência renal, doenças cardiovasculares, cegueira e amputação dos membros

Por Beatriz Meirelles

O conhecimento produzido na Universidade pode ir muito além das salas de aula e os Projetos de Extensão oferecidos pela PUC-Campinas são um exemplo disso. Pensando em contribuir com as pessoas que têm Diabetes, a Faculdade de Enfermagem mantém o projeto “Educação em Saúde e Portadores de Diabetes”, que, por meio de ações educativas busca conscientizar e prevenir essa doença, que segundo o Ministério da Saúde atinge 13 milhões brasileiros.

É uma doença de difícil controle e necessita de atendimento e acompanhamento multiprofissional.

O Diabetes é uma doença crônica metabólica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. O distúrbio acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir a insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está no sangue penetre as células, para ser utilizado como fonte de energia.

Se não tratado, o Diabetes pode causar insuficiência renal, amputação de membros, cegueira, doenças cardiovasculares, como Acidente Cerebral Vascular – AVC (derrame) e infarto. É uma doença de difícil controle e necessita de atendimento e acompanhamento multiprofissional. Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes já é considerado uma epidemia, que atinge todas as camadas sociais. “Os dados são muito expressivos. Existem pessoas que nem sabem da existência da doença”, afirma a orientadora do projeto de Extensão, Profa. Dra. Carmen Villalobos.

Conscientizar para tratar

Sob a orientação da Profa. Dra. Carmen Villalobos, o Projeto promove orientações fundamentais sobre a prevenção das complicações da doença, por meio de oficinas, que acontecem às terças e quartas-feiras, nas salas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital da PUC-Campinas, no Campus II da Universidade. Nessas oficinas, são atendidos crianças, adultos e idosos diabéticos ou pré-diabéticos da cidade de Campinas e região.

As alunas do último ano do Curso de Enfermagem, Jaqueline Batista Pedrosa e Juliana Contrera estão envolvidas no projeto como bolsistas há dois anos e afirmam que, por meio de desenhos, figuras, filmes, vídeos e slides interativos é possível estabelecer um vínculo de confiança com a população que permite trazer e levar as informações que podem, de fato, mudar alguma coisa na vida das pessoas portadoras da doença. “Fazer o paciente captar a nossa mensagem por meio das oficinas faz nosso trabalho valer a pena” afirma a docente

O projeto de Extensão da Profa. Dra. Carmem Villalobos teve início em fevereiro de 2014 e, até agora, foram atendidas 240 pessoas.

Aluna Jaqueline Batista Pedrosa, Profa Carmen Villalobos e aluna Juliana Contrera - Crédito: Álvaro Jr.
Aluna Jaqueline Batista Pedrosa, Profa Carmen Villalobos e aluna Juliana Contrera – Crédito: Álvaro Jr.

 “Esse projeto é muito bom e muito importante para essas senhoras que, assim como eu, são teimosinhas”, brinca dona Severina Maria da Silva, de 78 anos, que há 40 anos é portadora de Diabates.  “Muitas informações que eu não sabia, descobri nessas oficinas, como o que eu devo comer e que quantidade”, comenta.  “É muito comum que os pacientes não saibam detectar sintomas e nossa função aqui é prevenir as complicações e ver o que as pessoas, de fato, sabem sobre diabetes. Abordamos até mesmo o aspecto nutricional: o que os pacientes estão comendo? O que pode, o que não pode, pois muitos realmente não sabem”, conta a orientadora Professora Carmen.

O projeto de Extensão da Profa. Dra. Carmem Villalobos teve início em fevereiro de 2014 e, até agora, foram atendidas 240 pessoas. No Brasil, sete milhões de pessoas, acima de 18 anos, têm a doença, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Um estudo recente da SBD aponta que mais de 60% deles não sabem que têm a doença.

Para as alunas envolvidas no projeto, a prevenção é muito importante e trabalhar com a educação da população é um desafio constante, uma vez que mudar o comportamento do ser humano é um desafio, principalmente em adultos. “O adulto é mais difícil de conscientizar. Ele vem comendo errado a vida inteira, a doença chega e muda seus hábitos alimentares. A criança que já tem a doença é condicionada desde pequena e isso faz com que ela seja mais consciente” explica a aluna Juliana Contrera.

No projeto, filmes e vídeos são utilizados para dar um “choque de realidade” como forma de alerta. “Nosso desafio constante com este projeto é evitar que o paciente chegue ao hospital. Lutamos para que esse paciente se conscientize. Eles sabem o que não deveriam fazer, mas, mesmo assim, fazem” observa orientadora, Profa. Carmen

“AS MENINAS DA CARMEN”: REFERÊNCIA DENTRO E FORA DAS SALAS DE AULA

O projeto de Extensão, além de oferecer uma bolsa de estudos, permite um aprofundamento na temática e no assunto e uma vivência na realidade, segundo as alunas, uma bagagem pra vida toda “O projeto proporciona um olhar para fora da sala de aula. No curso, a maior carga curricular é dentro do Hospital e aqui podemos trabalhar com outros aspectos das pessoas e, principalmente, com a educação e com a comunidade” afirma Jaqueline.  “Como professora, acompanhar as alunas e ver que elas começam sem saber nada de Diabetes e, agora, estão dominando o assunto é, para mim, uma enorme satisfação” ressalta a orientadora.

Alunas Jaqueline Pedrosa e Juliana Contrera - Crédito: Álvaro Jr
Alunas Jaqueline Pedrosa e Juliana Contrera – Crédito: Álvaro Jr

As alunas se tornaram referência dentro da própria Faculdade. Elas contam que professores e alunos reconhecem a importância do trabalho que realizam e quando têm dúvidas sobre Diabetes sempre correm para “As meninas da Carmen”, como ficaram conhecidas dentro da Universidade.

Juliana e Jaqueline se envolveram e se aprofundaram tanto na temática que envolvia o projeto que acabaram descobrindo a vontade em seguir carreira nessa área. Hoje, graças ao projeto, alunas adquiriram novas competências que podem ser comunicadas em aulas ou palestras. Tiveram a oportunidade de  participar de congressos da área da saúde e apresentar trabalhos que dizem respeito ao diabetes; chegaram até a levar trabalhos com os resultados parciais do plano de trabalho de extensão para Congressos internacionais em Cuba e Portugal. “Se o projeto de Extensão não tivesse oferecido esta oportunidade, nada disso seria possível” concluem as alunas.