Projeto da PUC-Campinas auxilia no diagnóstico de crianças com atraso neuromotor

 O projeto é desenvolvido no âmbito da Extensão Universitária, pela Faculdade de Fisioterapia. Iniciativa capacita profissionais da unidade básica de saúde 

Por Amanda Cotrim

Instrumentalizar, capacitar e promover a autonomia de profissionais da área da saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS), no Parque Floresta, na região Noroeste de Campinas, a fim de que eles identifiquem os fatores de risco ao desenvolvimento neuromotor, em crianças de zero a 24 meses de idade, e verifiquem se essas crianças apresentam o desenvolvimento motor compatível com as orientações da Caderneta de Saúde é um dos objetivos do Projeto de Extensão na atividade desde o início do ano.

O atraso neuromotor infantil se dá, entre outras razões, pela falta de estímulo dos responsáveis e por fatores socioambientais adversos à saúde, que afetam o sistema nervoso central, provocando diferentes alterações e sequelas. Nesse cenário, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde têm papel relevante no diagnóstico precoce.

O Projeto identificou os profissionais de saúde da Unidade Básica selecionada como seu público-alvo e, desde então, promove oficinas técnicas e socioeducativas com este público para, no desenvolvimento da educação permanente, capacitá-los a identificar crianças com provável atraso de desenvolvimento e desenvolvimento normal com fatores de risco.

Segundo a docente responsável pelo projeto, Profa. Me. Maria Valéria Corrêa, da Faculdade de Fisioterapia, sabendo identificar fatores de risco, alterações e atrasos do desenvolvimento neuromotor infantil, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde podem encaminhar as crianças, o mais rapidamente possível, para avaliação e tratamento específicos.

“Nesse aspecto, o Projeto carrega em si uma forte transformação social, à medida que o nosso público-alvo, que no caso são os profissionais da Unidade Básica de Saúde do Parque Floresta, tornam-se verdadeiros vigilantes do desenvolvimento neuromotor em bebês e crianças”, considera a Profa. Me. Maria Valéria.

De acordo com a docente da PUC-Campinas, as disciplinas curriculares da graduação que abordam temas envolvendo bebês e crianças demonstraram que quanto mais precocemente a criança com risco ou alterações em seu desenvolvimento neuromotor participar de um programa como este, desenvolvido pela PUC-Campinas, o diagnóstico cinético funcional será mais rápido e as intervenções que se fizerem necessárias serão realizadas precocemente.

O aluno de Fisioterapia que participa do Projeto de Extensão como bolsista, afirma que contribuir para que os profissionais do Centro de Saúde se tornem autônomos para identificar os fatores de risco ao desenvolvimento infantil e as crianças portadoras de atraso neuromotor é uma das suas motivações para participar. “Aprendi com o Projeto a respeitar a questão socioeconômica e cultural da população que frequenta o Centro de Saúde. Aprendo muito com a equipe multiprofissional, além de gostar da área de pediatria para a minha formação acadêmica”, ressalta o estudante Gustavo Martignago.

O Projeto no dia a dia dos funcionários

“A parceria com a PUC-Campinas está sendo muito bem desenvolvida, principalmente se considerarmos a região em que a UBS está inserida, com uma população infantil bastante carente. Estamos muito felizes com essa oportunidade porque o Projeto qualifica o trabalho dos profissionais: agentes comunitários, auxiliares, enfermeiros e médicos na identificação de riscos ao desenvolvimento neuromotor das crianças”, avalia a Coordenadora da Unidade Básica de Saúde no Parque Floresta, Luciamara Targa.

O Projeto de Extensão ainda está em desenvolvimento, mas projeta como resultado a produção conjunta de material informativo em forma de cartilha ou folder, em linguagem acessível, para explicar e treinar o conteúdo à família ou responsável pela criança.

“No final, publicaremos o material informativo como instrumento de orientação aos pais ou responsáveis pela população infantil do Projeto e para outras crianças, as quais serão beneficiadas apesar do término das atividades de Extensão”, finaliza a professora Maria Valéria Corrêa.