PUC-Campinas na década de 1950

Por Wagner Geribello

Os anos dourados do pós-guerra…

Assim ficou conhecido o período compreendido pelo segundo lustro dos anos 1940 e a década seguinte, marcado pela desmobilização militar e grandes transformações sociais, políticas, culturais e econômicas, como a consolidação da produção e comercialização de bens de consumo.

Nessa época, progresso e desenvolvimento também estão na ordem do dia, com o proporcional aumento da requisição de pessoal capacitado a atender as demandas da nova organização social, marcada, entre outras características, pelo desenvolvimento e consumo de tecnologia, que passa a integrar o cotidiano das pessoas.

O desenho social desse período reflete diretamente nas Faculdades Campineiras, que entram na juventude da sua história, vivendo tempos de crescimento, vigor e uma saudável ousadia à moda dos jovens, aceitando, enfrentando e vencendo desafios. Nessa época, a Instituição criada por Dom Francisco de Campos Barreto deixa para trás o acanhamento da infância, divisando novos e amplos horizontes.

PUC-Campinas na década e 1950- Acervo Museu da PUC-Campinas
PUC-Campinas na década e 1950- Acervo Museu da PUC-Campinas

Já contando com Cursos em áreas diferentes, como Letras, Filosofia, Biblioteconomia e Química, entre outros, as Faculdades Campineiras agregam a área da Saúde aos Cursos oferecidos, incluindo uma Escola de Enfermeiras (incorporada em 1955) e a Faculdade de Odontologia, criada em 1949. Nos anos subsequentes, um afã de obras ergue as instalações para o pleno funcionamento do Curso de Odontologia, incluindo laboratórios e ambientes para aulas práticas.

Em meados dos anos 1950, mesmo sem o título, a Instituição já tinha contornos de Universidade, incentivando os gestores, capitaneados por Monsenhor Salim, a intensificar contatos, negociações e muita argumentação para que a cidade de Campinas tivesse sua Universidade.

A crônica histórica da PUC-Campinas classifica Monsenhor Salim, em especial pela sua atuação nesse período, como verdadeiro “globe-trotter”, entre Campinas e Roma, levando solicitações e informações à cúpula da Igreja sobre as Faculdades Campineiras.

Em 1951, a comemoração de dez anos é feita em grande estilo, com a criação da Faculdade de Direito e, quatro anos depois, a cidade recebe a visita do Núncio Apostólico Dom Armando Lombardi. Discursando no salão nobre das Faculdades Campineiras, o representante da Santa Sé menciona a posição favorável de Roma à criação da Universidade Católica de Campinas.

O processo de elevação de um conjunto de faculdades à condição de Universidade Católica não é simples, carecendo do concurso de duas Instituições, o Governo Brasileiro, em especial o Ministério da Educação e a cúpula da Igreja Católica, em Roma. Por isso, a titulação não acontece em um único dia, mas resulta de diversos passos que vão consolidando a oficialização da Universidade, deixando o registro de diversas datas significativas no decorrer do processo.

Em 15 de agosto de 1955, Roma concede o título de Universidade, mas o reconhecimento canônico só acontece no ano seguinte quando, então, institui-se, oficialmente, a denominação de Universidade Católica de Campinas, que iria perdurar por quase duas décadas, até 1972, quando recebe sua denominação atual, Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Se a elevação à condição de Universidade foi o grande acontecimento daquela década, o período ainda registrou eventos importantes, como a visita do Ministro da Educação, Clóvis Salgado, em 1956, o registro de 1.500 alunos matriculados, nesse mesmo ano, e a integração à Federação Internacional das Universidades Católicas, em 1958.

Marcado, sobretudo, pelo desempenho de Monsenhor Salim, primeiro reitor da então recém-nascida Universidade, o período polarizado pelos anos 1950 consolida institucionalmente a Católica de Campinas e compõe um feixe de anos dourados da sua história.

Wagner Geribello é Consultor do Jornal da PUC-Campinas