PUC-Campinas na década de 80

Por Wagner Geribello

Quem acompanha o Jornal da PUC-Campinas já conheceu um pouco sobre a Universidade nas décadas de 50, 60 e 70. Nessa edição, relembramos a década de 1980 para a Universidade.

O crescimento verificado nos anos 70, em especial a implantação dos campi I e II e a criação de novos Cursos, apresentou a fatura na década seguinte, registrada como a mais crítica em toda a História da PUC-Campinas.

Todavia, quanto maiores se mostravam as dificuldades, tanto mais a Instituição deu conta da sua capacidade de superação, buscando estabilidade e a retomada do crescimento.

Diagnose e soluções radicais embasaram a estratégia do então recém-empossado Grão-Chanceler, Dom Gilberto Pereira Lopes, para vencer as barreiras que se interpunham ao desenvolvimento da Universidade.

Vestibular da PUC-Campinas de 1989/ Arquivo do Museu Universitário
Vestibular da PUC-Campinas de 1989/ Arquivo do Museu Universitário

A intensidade e a velocidade de implantação dos campi, mais o crescimento acelerado, que leva a Instituição a saltar de oito mil alunos em 1973, para 18 mil em 1983, deixaram dívidas significativas com agentes bancários. Além disso, a conjuntura econômica não contribuía para soluções imediatas e fáceis. Por isso, foi necessário alterar estruturas administrativas, substituir pessoas e tomar medidas extremas, como a nomeação de um Reitor pró-tempore, para conduzir o processo de descentralização, que mesclava liberdade de execução orçamentária com responsabilidade administrativa, abrindo espaço para o Projeto Pedagógico baseado na interdisciplinaridade, que viria a reorganizar a Universidade, articulando funcionalmente setores e objetivos.

Divorciado de mudanças cosméticas e superficiais, o então novo Projeto Pedagógico visava o redescobrimento da identidade católica e comunitária da PUC-Campinas, enquanto Instituição de Ensino Superior compromissada com a formação de excelência de profissionais e cidadãos partícipes, além de estreitar os vínculos com a comunidade, consolidando sua função social.

O trabalho foi intenso, mas ao final da década emergiram resultados que, paulatinamente, permitem a retomada do crescimento ordenado e seguro.

À medida que a estabilidade se instalava, eram dados passos mais decididos na qualificação da Instituição, como o estímulo ao aprimoramento e à capacitação docente, a organização do Sistema de Bibliotecas e Informação (SBI) e convênios com redes de informações nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, a PUC-Campinas passou a liderar movimentos reivindicatórios e de informação pública das Instituições Comunitárias de Ensino Superior na busca de meios para enfrentar o panorama econômico desfavorável vigente no País.

Ao final dos anos 1980, os desafios mais prementes tinham sido vencidos, ficando as bases que fizeram desse período o tempo em que a PUC-Campinas atingiu sua maturidade, preparando-se para a última década do Século XX.

Wagner Geribello foi Professor da Universidade. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas