PUC-Campinas: Projetos que envolvem cuidados com o Meio Ambiente têm impacto real

Por Amanda Cotrim

Mudança de hábito

 O Programa de Gerenciamento de Resíduos (PGR), criado em 2014, já colhe frutos. E não são poucos. O principal deles é a mudança de hábitos e de consciência junto aos funcionários do Departamento de Serviços Gerais (DSG) que, desde que passaram a participar do programa de capacitação, levam para a casa os ensinamentos e os hábitos adquiridos no espaço de trabalho. “Toda a capacitação que a Divisão de Logística e Serviços (DLS) realiza com os colaboradores do setor de limpeza teve impacto no dia a dia deles, seja quando separam o material reciclável em casa ou quando dão novas funções para aquele material que, antes, era apenas lixo”, conta Iraci Maria da Silva Cordeiro, que também é formada em Engenharia Ambiental e integra a Comissão Permanente de Implantação e Acompanhamento do Programa de Resíduos Sólidos, da PUC-Campinas.

Desde 2014, a Universidade investe em infraestrutura, com a implantação de 61 lixeiras coloridas (separadas em Papel, Metal, Plástico e Vidro) e 12 Ecopontos”

Reciclagem de material

 A PUC-Campinas, desde 2008, antes da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, já investia nesta área. Atualmente, a Universidade possui vários programas relacionados ao tratamento dos resíduos gerados na Instituição.

O Programa de Gerenciamento de Resíduos da Universidade existe em todos os Campi e abrangem os resíduos orgânicos e recicláveis gerados nas áreas administrativas, praças de alimentação e limpeza das áreas verdes. A PUC-Campinas adequou os coletores (lixeiras) em todas as áreas internas e externas.

Segundo Iraci, são produzidas 10 toneladas de resíduos por mês nos Campus I e II e no Colégio de Aplicação PIO XII. Esse montante é divido entre lixo orgânico e material reciclável. O primeiro é removido pela Prefeitura de Campinas, o segundo por cooperativa de reciclagem. Desde 2014, a Universidade investe em infraestrutura, com a implantação de 61 lixeiras coloridas (separadas em Papel, Metal, Plástico e Vidro) e 12 Ecopontos que podem ser utilizados também pelos moradores dos bairros próximos à PUC-Campinas. Os refeitórios e as copas receberam coletores de copos plásticos e lixeiras para materiais recicláveis e lixo orgânico.

O DSG quer conscientizar a comunidade acadêmica sobre a necessidade de reaproveitar os materiais/Crédito: Álvaro Jr.
O DSG quer conscientizar a comunidade acadêmica sobre a necessidade de reaproveitar os materiais/Crédito: Álvaro Jr.

 

Papa Pilha recolhe produtos prejudiciais ao Meio Ambiente

Entre as ações da Universidade está o Papa Pilha, um local destinado para a coleta de pilhas e baterias, produtos altamente prejudiciais ao Meio Ambiente. “Temos Papa Pilhas em todos os departamentos da Universidade, inclusive na Praça de Alimentação, para que os alunos possam fazer o descarte”, explica a Supervisora da Praça de Alimentação e Serviços, Maria Cristina Zello.  “Nossa pretensão é que o programa de coleta seletiva esteja totalmente consolidado em 2016”, esclarece o Coordenador da Divisão de Logística e Serviços da PUC-Campinas, Israel Pilmon Gitirana Barros.

A Universidade possui vários programas relacionados ao tratamento dos resíduos gerados na Instituição.

Resíduos dos Serviços de Saúde

O cuidado com o Meio Ambiente é ainda maior quando o assunto são os resíduos gerados pelo serviço de saúde, que consiste nos perfurocortantes, biológicos, químicos e infectantes, uma vez que a Universidade mantém um Hospital-Escola.

“Pensando nisso, a PUC-Campinas criou o Programa de Gerencialmente de Resíduos dos Serviços de Saúde, no Campus II, que abrange os perfuro cortantes, biológicos, químicos, infectantes, orgânicos e recicláveis. O Programa foi implantado no Campus II e foi registrado na Vigilância Sanitária, coletando todos os resíduos gerados desde a cantina até os serviços de atendimento de saúde. Também conta com uma Comissão que congrega diversos setores do Campus II”, explica o Engenheiro de Segurança do Trabalho, da Divisão de Recursos Humanos, Jorge Miguel Pires.

“O Programa trata 25.000 litros de formaldeído produzidos semestralmente no Laboratório de Anatomia e Neuroanatomia, do Centro de Ciências da Vida, as maravallhas (serragem utilizada para forrar a “cama” dos camundongos) do Biotério e Laboratório de Farmacologia e os produtos químicos, fixador e revelador da radiologia da Odontologia”, explica Pires.

“O Campus II passou por uma série de interferências físicas como a criação de locais para armazenamento dos diferentes tipos de resíduos, gerados por área (Abrigos Temporários), aquisição de coletores com pedal (lixeiras), carrinhos para transporte dos resíduos entre os prédios, regularização do piso no trajeto destes carrinhos de transporte, aquisição de equipamentos específicos para o manejo dos resíduos, treinamento das equipes envolvidas, elaboração de processos de trabalho, mensuração dos diversos tipos de resíduos gerados através da aquisição de balanças”, complementa  o Engenheiro de Segurança do Trabalho.

Funcionários do Departamento de Serviços Gerais/ Crédito: Alvaro Jr.
Funcionários do Departamento de Serviços Gerais/ Crédito: Alvaro Jr.

Campus I e II:

O segundo Programa é o de Gerenciamento dos Resíduos Analíticos, que foi implantado no Campus I e no Campus II, responsável pelo armazenamento e descarte correto dos resíduos químicos gerados nos laboratórios da Instituição. “Foi necessário a construção de duas áreas, uma em cada Campus para armazenamento destes resíduos com ventilação adequada, contenção das embalagens e armazenamento por tipo de resíduo químico (solvente, orgânico, metais, inorgânico, ácido e base)”, afirma Pires.

A Instituição possui contrato com Empresa especializada para fornecimento das embalagens adequadas, retirada de todos os resíduos, nestas embalagens e descarte correto. No final do processo a Empresa emite um certificado de tratamento dos resíduos coletados, que é registrado na Vigilância Sanitária.

“Para implantação deste programa foi necessário uma reestruturação da área dos laboratórios do Ceatec e CCV (em andamento) através da aquisição de armários específicos para os produtos químicos, solventes (corrosivos) e inflamáveis, além do descarte correto do passivo que existia nestas áreas, trabalho realizado durante um ano em função dos custos envolvidos”, detalha o Engenheiro.

PUC-Campinas reduziu 12 milhões de litros de água

A redução do consumo de água também figura como uma das mudanças alcançadas pela Universidade. Em 2015, a PUC-Campinas reduziu 12 milhões de litros de água, com algumas ações pontuais: como o fechamento de 45% dos sanitários, atitude pensada estrategicamente, para não prejudicar alunos e funcionários durante o período das aulas, além da proibição de lavagem de veículos da Instituição, limpeza a seco de toda a área externa, reaproveitamento da água das chuvas e limitação das regas dos jardins internos. “Vivemos uma crise hídrica. A Universidade tem de se engajar e fazer com que alunos e funcionários se conscientizem e economizem água na Instituição”, alerta Israel Pilmon Gitirana Barros.

: Maria Cristina Zello e Iraci Maria da Silva Cordeiro/ Crédito: Alvaro Jr.
: Maria Cristina Zello e Iraci Maria da Silva Cordeiro/ Crédito: Alvaro Jr.

Conscientização: uma meta a ser conquistada

 Conscientização e mudança de hábitos antigos não são tarefas fáceis. Requer dedicação. “É um trabalho de formiguinha”, compara Maria Cristina Zello. “O nosso maior objetivo agora é mostrar para os funcionários que há ‘lixo’ que não deveria ser ‘lixo’, como é o caso de pastas de plásticos, caixas de arquivos e sacos plásticos, utilizados, principalmente, nos setores administrativos da Universidade”, afirma Iraci Cordeiro.

Além de proporcionar outra perspectiva sobre o lixo, o Departamento de Serviços Gerais quer conscientizar a comunidade acadêmica sobre a necessidade de reaproveitar os materiais, porque dessa forma será possível, além de diminuir os custos, amenizar a agressão ao Meio Ambiente. “Em vez de a gente comprar todo ano caixas de arquivos novas, podemos reaproveitar as dos anos anteriores. Podemos emprestar os materiais que um departamento tem em abundância, enquanto em outro há escassez”, sugere Maria Cristina Zello.

Envolver alunos, professores e funcionários da PUC-Campinas, no que Iraci chama de “mudança de perspectiva”, é uma das metas do Programa de Gerenciamento de Resíduos. “Esperamos que todos possam se conscientizar sobre a importância do descarte correto do lixo e, mais, sobre a necessidade de reduzir o próprio lixo”, conclui.